domingo, 8 de março de 2009

Nós dominamos o Mundo!


Meu querido primo Judson fez uma linda homenagem às Mulheres no seu Blog.

E terminou o post com uma colocação genial:

"Mais da metade da população do Mundo é composta por mulheres. E todos os outros são seus filhos".

Acho que isso resume tudo, afinal.


PARABÉNS,
MULHERADA!
O MUNDO É NOSSO!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Notícias

Vira e mexe fico tentada a comentar notícias polêmicas e não-polêmicas aqui no Blog, mas evito fazer disso um hábito primeiro porque a proposta do Dona Farta é ser uma espaço leve e divertido, que fala de coisas sérias somente quando extremamente necessário, e segundo porque não sou jornalista nem tenho cacife pra ficar discutindo assuntos que na maioria das vezes não domino e tenho apenas um conhecimento superficial.

No entando, dentro do noticiário dos últimos dias, não tive como passar batida por duas questões que se destacaram na imprensa em geral, e é por isso que fiz os posts a seguir:

Pode me excomungar!


Não vou nem me alongar aqui expressando o tamanho do meu nojo diante da notícia da menina de 9 anos que ficou grávida de gêmeos após ser estuprada pelo padrasto durante 3 anos porque eu nem conheço expressões suficientes para traduzir o que sinto... É mais que horror, é mais que revolta, é mais que indignação... Tenho certeza que você que está me lendo aí do outro lado sente o mesmo.

Mas não dá pra ficar quieta depois ouvir/ler a declaração do tal Bispo, que lutou veementemente para que o aborto não fosse autorizado e, derrotado, excomungou os envolvidos da "Santa" Igreja.

Grandes Merdas, Sr. Bispo! Grandes Merdas!

A mesma Igreja Católica que cega diante do problema da AIDS no mundo, principalmente nos países mais pobres da África e proíbe o uso da camisinha.

A mesma Igreja Católica que cega diante do problema da miséria mundial que cresce desenfreadamente com o descontrole da natalidade, e continua proibindo a utilização de métodos contraceptivos.

A mesma Igreja Católica que é sempre tão permissiva com padres pedófilos que traumatizaram e acabaram com a vida de milhares de crianças mundo afora.

A mesma Igreja Católica que tem entre seus Bispos aquele imbecil que nega a existência do Holocausto.

A mesma Igreja Católica que tenta a todo custo frear os avanços da ciência lutando contra a liberação de pesquisas com células-tronco.

A mesma Igreja Católica que vê o homossexualismo como doença, a masturbação como genocício, e tantos outros absurdos.

A mesma Igreja Católica hipócrita de sempre, podre de sempre, corrupta de sempre, que busca manter-se no poder a qualquer custo (qualquer custo mesmo).


Ser excomungado DESSA Igreja? Grandes Merdas!


Olha, Sr. Bispo, acho que na verdade os Senhor fez um favor para essas pessoas, que agiram com coerência e lucidez diante de tamanha tragédia, usando a única alternativa possível para minimizar um tiquinho de nada o enorme trauma que acompanhará a garota até seus últimos dias.

Fazer parte da Igreja que acha que uma CRIANÇA de 9 anos de idade deveria levar adiante uma gravidez de gêmeos, fruto de violência brutal? Como se já não bastasse tudo pelo que ela passou???

Não, ninguém pode querer fazer parte disso. Não há lógica. Não é lógico.

Eu, já digo logo, tô fora! Faço parte disso não! E muito menos quero ser representada por líderes dotados de tamanha imbecilidade e crueldade em seus princípios.


Pode me excomungar, Sr. Bispo! Por favor!

(Onde eu pego a senha?)


P.S.1: Não sei a postura das outras religiões sobre este caso, por isso fui específica com relação à Igreja Católica. Mas quero deixar claro que minha posição é veemente contra qualquer pessoa que se posicione contra o aborto em casos de violência sexual, muito mais ainda em casos como este, quando estamos falando de uma criança, MEUDEUSDOCÉU, uma CRIANÇA!

P.S.2: Situações como esta poderiam pelo menos servir para que as pessoas reavaliassem seus conceitos religiosos, né? Como já disse, respeito demais a fé das pessoas, mas esta Fé não pode ser cega, sob pena de avalisar posições absurdas como esta demonstrada pelo Sr. Bispo.

Tá CoLLorido, Tá Tudo CoLLorido!

Pois é.

Lá está eLLe. Depois de anos e anos, retomando uma posição importante no cenário político nacional.

Fernando Collor de Mello venceu as eleições internas do Senado e presidirá a Comissão de Infraestrutura da Casa.

Recebeu 13 votos de seus pares, contra 10 recebidos pela sua oponente, a Senadora Petista Ideli Salvatti.

E aí eu venho aqui, neste espaço que costuma ser divertido e leve para mais uma vez falar sobre um assunto que quase ninguém gosta - Política.

Sei que não é o melhor assunto do mundo mas, por um minuto, reflitam comigo:

Collor foi eleito para a tal comissão, e imediatamente pipocaram notícias, notas e comentários de jornalistas e não-jornalistas. Fala-se do assunto nos jornais, na mídia de um modo geral, nos Blogs, nas rodinhas de conversa, em todo canto a gente escuta alguém demonstrando absoluta indignação com a eleição do cara, todo mundo horrorizado, todo mundo falando que o Brasil é isso e aquilo, que não tem mais jeito, blablabla, todo mundo "revoltadinho" como manda o figurino.

Mas, péraí. Trata-se de uma eleição legítima, ué! Isso ninguém pode contestar!

Sim, porque Fernando Collor de Mello é um Senador eleito pelo estado de Alagoas democraticamente. Foi eleito pelo POVO e por isso está lá no Senado Federal, ocupando sua cadeira na qualidade de representante do POVO ALAGOANO, com os mesmos direitos de todos os outros Senadores que lá estão, incluindo-se aí o direito de disputar as eleições internas para presidência de Comissões e afins.

Estou aqui dizendo que acho que ele é um político-herói, um mártir da honestidade e que merece estar onde está??? Claro que NÃÃÃÃÃÕ, e não confundam alhos com bugalhos.

Acontece, minha gente, que ele foi ELEITO democraticamente. Pelo POVO. Está onde está porque o POVO QUIS. O mesmo POVO que agora fica resmungando pelos cantos e dizendo que o Brasil é o país do absurdo.

E aí eu pergunto:

Por que raios, então, o POVO votou em Collor para Senador???

Como pode uma pessoa com o passado de Fernando Collor de Mello ter sido eleito para ocupar um cargo tão importante como o de Senador da República???

Há explicação lógica para isso? Claro que não!

Mas não podemos vir agora contestar a eleição do Senador para a presidência da tal comissão porque, uma vez eleito, ele é dotado de direitos tanto quanto seus pares, e assim como sua eleição para Senador foi legítima, sua eleição para a presidência da comissão também o foi.

E digo mais. Collor elegeu-se com o apoio do presidente do Senado José Sarney, do líder peemedebista Renam Calheiros e toda a sua corja de "aliados", que também está lá no Senado legitimamente, ELEITA PELO POVO!

Aí eu pergunto, mais uma vez:

Será que o POVO concorda com isso? E se não concorda, POR QUE raios ELEGEU estes políticos (todos "raposas velhas") para representá-lo no Senado?

POR QUÊ?

POR QUÊ?

POR QUÊ?

Acho que é porque o POVO não sabe votar, né? A tão falada falta de memória política...

(Brilhante conclusão, Dona Farta! Óh! Descobriste a abóbora!)

Ok. Ok. Estou chovendo no molhado. Disso todo mundo já sabe.

Fomo nós, o POVO, que colocamos esses infelizes lá no Senado (e me incluam fora dessa porque eu não voto em raposa velha mas nem morrrrta, mesmo que ela seja uma boa raposa velha!).

E cada POVO tem os líderes que merecem, ou, no nosso caso, que elegem.

A eleição de Fernando Collor de Mello para a presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado foi escolha de cada uma das pessoas que votou nele para Senador, e de cada uma das pessoas que votou nos 13 outros Senadores que votaram em Collor para a citada presidência.

Simples assim. A responsabilidade é nossa, do POVO, e não dos políticos, como costumamos dizer. Somos nós que temos o poder de colocá-los e tirá-los de lá, e exercitamos esse poder toda vez que participamos de um processo eleitoral.

Tudo poderia ser diferente, se este mesmo povo que hoje reclama das consequências da própria escolha, fosse um pouco mais consciente e aprendesse a votar direito da próxima vez. Sai eleição, entra eleição e eu não consigo me conformar que políticos do naipe dos citados permaneçam no poder pelo voto do povo.

Mas é o reflexo de nossas escolhas, e, portanto, o que merecemos, pelo menos por ora. Triste, mas é a verdade.

E, para finalizar, fica a pergunta:

Será que estas mesmas pessoas que reclamam tanto agora da eleição de Collor na Comissão vão se lembrar deste episódios nas próximas eleições?

Será???

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Final de Semana, O Tombo e a Bunda. (tudo num post só)

Coisa mais chata nesse mundinho blogosférico é a gente acessar um Blog e encontrar a mesma postagem velha e chata de dias atrás, né?

Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu também fico brava quando não encontro novidades nos Blogs que frequento, então desculpem a falta de atualização desde o exaustivo (e pra alguns leitores chato) assunto Oscar.

Sabem como é... feriadão de Carnaval... day-off (que eu precisava muito mas foi insuficiente para recarregar minhas baterias tãããããão desgastadas), depois o day-on - porque pular carnaval é preciso (e eu "nem gosto" da folia, como vocês podem ver na foto abaixo), e depois a quarta-feira de cinzas que é o dia internacional de chorar porque acabou-se o que era doce e o ano vai começar de verdade.


Eu fico praticamente de luto nos dias que se seguem ao Carnaval... não pelo fim do Carnaval em si porque, né? A gente sabe que no ano que vem tem mais (taí uma coisa que não corre o menor risco, nem mesmo quando o Mundo está à beira de um colapso com as crises e tudo mais), mas fico de luto porque se tem uma pessoa que adora usar a desculpa de que "o ano só começa de verdade depois do Carnaval", essa pessoa sou eu, e quando tudo acaba eu tenho que criar vergonha na cara e fazer as coisas programadas para o ano sem mais delongas. E isso é meio chato, pra falar a verdade, então... Luto.

Mas tudo bem. Já passou e eu já estou bem, tão bem que inclusive me joguei no final de semana de programinhas e saidinhas gostosas que fazem qualquer cristão feliz.

E, achando que eu ainda tenho 18 anos, emendei 3 dias seguidos de "baladas", de modo que encontro-me neste momento "só o pó da rabiola". Ok. Não são exatamente "baladas", mas para uma Balzaca velha cansada de guerra como eu qualquer saidinha pra comer um MC Donald´s pode ser considerada balada, então vamos usar esta referência, beleza?

Na sexta-feira rolou (como quase sempre rola) happy-hour. Considerando que o Outback é um lugar que tem fila de espera até às segundas-feiras à tarde, dá pra entender porque eu chamo o evento de "balada".

Rola um tempão na espera (TODO MUNDO quer tomar um chopp gelado no final de uma sexta-feira de muito calor), e quando finalmente conseguimos uma mesa agradável não queremos mais sair de lá. Choppinho, petisquinhos deliciosos, ambiente bacana, aproveitamos para conversar sobre as coisas que não conseguimos discutir no decorrer da semana, fazemos nossos planos, sonhamos acordados com o que faríamos se ganhássemos na megasena, essas coisas... e quando nos damos conta, lá se foram 4 ou 5 horas fora de casa... praticamente uma Balada, concordam?

E sábado é aquele dia D pra toda mulher moderna, né? (leia-se mulher que trabalha "fora", tem filho, não tem empregada, blablabla). Dia de depilação, hidratação no cabelo, fazer a sobrancelha, manicure, pedicure, comprinhas pessoais, etc e tal. E posso dizer que agrega valor a esta minha lista de coisinhas de mulher utilizar como meio de transporte meu possantezinho preto e sem-ar-condicionado, quando em São Paulo tem feito um calor tão insuportável que derrete até o asfalto.

Aliás, tenho certeza que meu cérebro derrete um pouco a cada dia. Porque é calor demais, sabe? Eu fico dentro do carro e só vou sentindo aquela quentura na cabeça, e depois de um certo tempo noto que meu raciocínio está consideravelmente comprometido... Pobre massa cinzenta... não foi inventada pra suportar tanto calor.

Fora os prejuízos que a gente leva, né? Tipos que eu fui ao cabelereiro e fiz uma escova, e meu cabelo ficou lindo e esvoaçante igual cabelo de comercial de shampoo. E daí eu entrei no carro pra ir embora, e quando cheguei ao primeiro cruzamento meu cabelo já estava molhado de suor e grudado ao couro cabeludo. E isso é uma "delícia", sabe? De deixar qualquer pessoa de TPM feliz da vida, tem que ver!

Mas tudo bem, porque depois eu dei um jeito no cabelo e pude curtir sossegada a baladinha em comemoração do aniversário daZamyga. Barzinho abarrotado de gente, um calor dos infernos, mas com uma cervejinha gelada e companhia legal a gente vai longe, e como vai! Saímos do Sanfra´s mais de 2 horas da madruga (considerando que tínhamos chegado às 9 da noite), e mesmo assim saímos praticamente expulsos, depois que até a galera mais jovem já tinha partido pras baladas de verdade e só os velhinhos (eu inclusive) não arredavam pé, deixando os garçons enfurecidos.

Kelyta - a aniversariante, Bibi e Elaine, Tina e Yo.


E como o assunto não tinha terminado mesmo após 5 horas de noitada, resolvemos assim, de última hora e de qualquer jeito, fazer um churras no domingão, porque a gente realmente precisava passar mais algum tempo juntas. Nós somos tããããão legais! hehe

Só sei que até ir dormir de verdade já passava das 3 da madruga, e foi uma dureza acordar tão cedo na manhã seguinte para organizar o churras (para os padrões Dona Farta, acordar às 10h00 no domingão é algo absolutamente surreal), mas acordei. E fomos para a saga do "passa no supermercado pra comprar coisinhas, passa no açougue pra comprar coisonas, passa no posto pra comprar gelo", e finalmente nosso churrasco na Ilha de Caras - também conhecida como mansão dos Rodrigues (essas pessoas finas e elegantes aí abaixo) tornou-se realidade.

Renato e Maristina, os anfitriões: Pessoas de cRasse, muita cRasse!


Delícia, até porque, já dizia o ditado: "para evitar a ressaca (de sábado), mantenha-se bêbado (no domingo)". Seguindo essa cartilha à risca, tivemos um domingo perfeito, quer dizer... quase perfeito.

Porque tava um calor insuportável, né? E como temos filhos, precisamos autorizá-los a fazer algumas travessuras envolvendo água para que eles esfriem os ânimos e nos deixem ficar lá no bem bom. Então a criançada começou a brincar de se molhar com a mangueira, e descobriram que o piso da garagem da Ilha de Caras era escorregadio, então começaram a fazer peixinho pra lá e pra cá (e eu morri de inveja porque devia estar uma delícia rolar no chão molhado com aquela quentura), e depois alguém teve a idéia de jogar sabão pra ficar ainda mais escorregadio, e nem parecia que tinha criança na casa porque eles se acabaram brincando na garagem molhada, ninguém chamou manhê por mais de 1 hora, o que é um milagre, e quem tem filho sabe muito bem.

Lucas, Diego, Bibi, João, Clarinha e DjuDju: Os Anjinhos


Claro que nenhuma criança se manchucou, nenhuma criança caiu, nada... Eles se divertiram muito e sairam aboslutamente molhados, mas sem um único arranhão. Porque criança é esperta, né? E se vira até numa pista de sabão.

E aí acabou o churrasco porque segunda-feira é dia de branco e então rolou aquele mutirão para deixar a Ilha de Caras o máximo possível com a mesma cara de Ilha de Caras que ela estava antes de o arrastão chegar (única chance de os anfitriões nos convidarem de novo). Recolhe daqui, limpa dali, lava acolá, e 10 minutos depois estava tudo em ordem.

E com nenhuma vontade recolhemos nossas coisas pra ir embora... Porque a Ilha de Caras, minha gente, é um lugar de onde não queremos sair nunca mais!

Mas beleza, já que temos que ir, então vamos. Aquela galera saindo meio que ao mesmo tempo, passando pelos amplos corredores da Ilha de Caras, Dona Farta por último porque sempre esquece alguma coisa, e de repente, não mais que de repente.

Me estabaquei no chão. Mas foi uma escorregada tão inesperada que não houve sequer tempo de eu tentar me proteger, nada... caí de bunda, caí sentada violentamente, causando um terremoto num raio de uns 50km porque o impacto foi grande.
E, lógico, rolou aquele climão quando as pessoas olharam para trás e se depararam com a cena patética dessa pessoinha pequena e discreta estatelada no chão, e tiveram que conter seus impulsos de rir para, primeiro, oferecer ajuda e verificar se eu tinha me machucado.

Bibizinha linda de titia, criança pura de alma que é, não se fez de rogada explodiu numa gargalhada, apontando pra mim e gritando: "Gente! A Farta caiu!!!" E é sempre neste momento que eu lanço aquele olhar lânguido que significa que está todo mundo autorizado a rir. E aí vem aquela gargalhada ensurdecedora que me tira do ar por uns instantes. Já sou expert no assunto, é sempre assim.

Breaca que estava, não senti dor nem nada na hora, só tive uma certa dificuldade pra me levantar e quase caí de novo quando cumádi Tina tentou me ajudar. Cena pastelão, blablabla, vocês já sabem como as coisas são comigo.

E agora estou aqui, terminando de escrever este post e sentindo uma dor quase insuportavel na bunda, porque já estou sóbria e agora é que o galo canta, né? E dói, minha gente, como dói. O que me faz ter certeza de que foi um tombo muito feio, e não fosse o colchão amortecedor que a natureza me deu, também conhecido como bundão, provavelmente eu teria fraturado o cóccix.

Tina, Kelyta, Elaine, Me and my big ass (só pra ilustrar a história do "colchãozinho" que protegeu meu cóccix)


Fraturar não fraturei, mas acho que vou começar a primeira semana útil do mês de março, primeira semana inteira pós carnaval com uma nova desculpa para protelar certas coisas:

"Ah, faço isso depois porque, né? Tô com dor na bunda."

"Não, senhor, não vou poder atendê-lo hoje, me desculpe, é que estou com dor na bunda!"

"Ah, sim, teremos que adiar a reunião, pois estou com muita dor na bunda".

"Não, não foi nada grave não, é apenas que eu caí, caí de bunda."

Definitivamente, sou uma pessoa fina e elegante. Alguém duvida?

Tá. é mentira. Eu tento, mas acho que finesse e elegância às vezes passam a quilômetros de mim, e eu me torno apenas Uma pessoa que cai. Uma pessoa que se estabaca no chão. Uma pessoa que se estatela em plena Ilha de Caras. Uma pessoa que cai de bunda.

Coisa triste. Uma vida inteira resumida a isso.

Podem rir agora.

Boa Semana, e Boa Sorte!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

And The Dona Farta´s Oscar Goes To

Tá chegando, tá chegando! Já falei aqui várias vezes e repito pra quem ainda não entendeu a razão de tanto barulho: Eu A-D-O-R-O o Oscar. Adoro a festa, o glamour, a expectativa, os indicados, tudo!

Pra estar o máximo possível atualizada sobre tudo que vai rolar logo mais fiz nos últimos dias uma verdadeira "Maratona Pré-Oscar", tentando ver o máximo de filmes concorrentes possível, pra poder concordar ou discordar dos premiados com conhecimento de causa.

Infelizmente ainda faltaram filmes importantes para eu fechar completamente a lista dos indicados às categorias principais, mas consegui pelo menos ver todos os 5 filmes indicados às categorias principais de melhor filme e melhor diretor, então já estou melhor do que em anos anteriores.

Por isso mesmo, vou fazer aqui uma prévia e dar o Oscar para os meus preferidos, chutando nas categorias que eu não vi todos os concorrentes, e depois eu confiro junto com vocês como estou de palpite. Normalmente eu erro muito, mas... vamos à minha lista (e a ordem em que vou listar os concorrentes reflete também a minha ordem de preferência):

UPDATE: Já foi, e eu errei muito, como sempre...

Foram 12 Acertos, 11 Erros e 1 Categoria (Fotografia) que eu nem percebi que esqueci de listar qando fiz o post... Então foi 50/50, mantive minha média mas, à exceção daqueles casos em que escolhi no chute, de resto mantenho minha opinião, e algumas injustiças foram feitas. Aliás, achei que O Curioso Caso de Benjamin Button foi o grande injustiçado da noite, merecia mais do que a mixaria que ganhou, mas... é assim mesmo, isso sempre acontece! Segue a minha conferência:


MELHOR FILME:

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON. E eis aí uma decisão difícil de tomar. Vi todos os indicados, e são todos excelentes filmes, não há diferenças qualitativas gritantes este ano como em anos passados. Eu fiquei muito dividida, e acabou vencendo pra mim Benjamin Button pelo conjunto da obra mesmo, por ser um filme absolutamente completo, mas vou ficar igualmente satisfeita se a estatueta for para Quem Quer Ser um Milionário ou O Leitor.
ERREI. Ganhou "QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO"


MELHOR DIRETOR:
Danny Boyle - “Quem quer ser um milionário?”;
David Fincger - "O Curioso Caso de Benjamin Button";
Stephen Daldry - "O Leitor";
Gus Van Sant - "Milk - A Voz da Igualdade";
Ron Howard - “Frost/Nixon”.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
DANNY BOYLE, por Quem Quer Ser um Milionário?. Foi a maneira que encontrei de "dividir" minha preferência entre este filme e Benjamin Button. Se o último é um filme mais completo, como escrevi acima, por outro lado Quem Quer Ser um Milionário? é um filme que tem um percentual muito maior de seus sucesso, na minha opinião, nas mãos da direção que foi, sem sombra de dúvidas, extremamente competente diante do desafio de filmar da Índia e com tantos figurantes.
ACERTEI!


MELHOR ATOR:
Brad Pitt - "O Curioso Caso de Benjamin Button";
Sean Penn - "Milk - A Voz da Igualdade";
Frank Langella - "Frost / Nixon".
Richard Jenkins - "The Visitor";
Mickey Rourke - “O Lutador”

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
BRAD PITT, por "O Curioso Caso de Benjamin Button". Da lista dos indicados, não vi a atuação de Richard Jenkins em The Visitor, mas acho pouco provável que esta atuação fosse alterar a minha preferência nesta categoria. Sean Penn está bárbaro, assim como Frank Langella, mas se há um momento em que Brad Pitt merece ser premiado, este momento é agora, porque foi sem dúvida um trabalho sensacional e muito devotado de Pitt, que deve ser reconhecido com o prêmio.
ERREI. Ganhou "SEAN PENN"


MELHOR ATRIZ:
Kate Winslet - "O Leitor";
Meryl Streep - “Dúvida”;
Angelina Jolie - "A Troca";
Anne Hathaway - "O Casamento de Rachel";
Melissa Leo - "Rio Congelado".

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
KATE WINSLET, por "O Leitor". Nesta categoria também não consegui ver todas as concorrentes (faltou Melissa Leo e Anne Hathaway), mas estou segura dos méritos de Kate Winslet, embora digam por aí que Anne Hathaway possa ser a favorita. É uma categoria de nível altíssimo este ano, é muito difícil comparar atuações tão intensas, mas até pelo conjunto da obra chegou a vez de Kate, e é por ela minha torcida!
ACERTEI!


MELHOR ATOR COADJUVANTE:
Heath Ledger - “Batman – O Cavaleiro das Trevas”;
Michael Shannon - "Foi Apenas Um Sonho";
Philip Seymour Hoffman - "Dúvida";
Josh Brolin - "Milk - A Voz da Igualdade";
Robert Downey Jr. - "Trovão tropical"

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
HEATH LEDGER, por "Batman O Cavaleiro das Trevas". Tendo assistido as atuações de quase todos os indicados (exceção a Robert Downey Jr.), fiquei mais convicta do que nunca que o Oscar póstumo de Heath Ledger será o grande momento desta noite. Ledger foi um grande ator de sua geração que, apesar da curta carreira abruptamente interrompida pela tragédia, escreveu seu nome na história do cinema com atuações memoráveis. Eu já torcia por ele na época de O Segredo de Brockeback Mountain, e depois de vê-lo reinventando o Coringa já tão imortalizado por outros grandes atores, não tenho dúvidas de que só haverá justiça nesta categoria se Heath Ledger receber esta justa homenagem.
ACERTEI!


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:
Viola Davis - "Dúvida";
Penélope Cruz - "Vicky Cristina Barcelona";
Amy Adams - "Dúvida";
Taraji P. Henson - "O Curioso Caso de Benjamin Button"
Marisa Tomei - "O Lutador"

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
VIOLA DAVIS, por Dúvida. Aqui, outro páreo duro entre as 3 primeiras citadas na minha lista. Nesta categoria consegui assistir a performance de todas as indicadas, e acho que Taraji P. Henson e Marisa Tomei estão apenas "tapando buraco". Há quem diga que Marisa Tomei pode ser uma das surpresas da noite, e eu espero que não! Viola Davis tem apenas uma longa cena no excelente filme Dúvida, e ter recebido a indicação por ter colocado todo o seu talento a serviço de uma personagem com tantas limintações de atuação é sem dúvida digno de reconhecimento.
ERREI. Ganhou "PENÉLOPE CRUZ"


MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO:
Wall.E;
Bolt - Supercão;
Kung Fu Panda.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
WALL.E. Esta categoria é uma barbada, Wall.E é provavelmente uma das melhores animações dos últimos anos, e não há a menor chance para os outros dois. Aliás, taí uma animação para crianças e adultos cheia de recursos visuais fantásticos mas, muito mais do que isso, cheia de importantes ensinamentos que deveriam ser obsevados por todo mundo. Se não viu, veja!
ACERTEI!


MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA:
Revanche -Áustria;
The class - França;
The Baader Meinhof Complex - Alemanha;
Waltz with Bashir - Israel;
Departures - Japão.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
REVANCHE, da Áustria, e aqui o meu palpite é totalmente no chutômetro, já que não pude ver nenhum dos indicados.
ERREI. Ganhou "DEPARTURES"


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:
Wall.E;
Milk - A Voz da Igualdade;
Rio Congelado;
Na mira do chefe;
Happy-go-lucky.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
WALL.E. Tudo bem que eu só vi os dois primeiros da lista, e posso estar cometendo alguma injustiça, mas, além de ser apenas um palpite, posso dizer que o roteiro de Wall.E é icrível, e por gostar demais dessa animação vou fazer figa e torcer para que leve o prêmio!
ERREI. Ganhou "MILK - A VOZ DA IGUALDADE"


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:
Quem Quer Ser Um Milionário?;
O Curioso Caso de Benjamin Button;
O Leitor;
Frost / Nixon;
Dúvida.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?. Páreo duríssimo, todos os indicados possuem roteiros impecáveis que tornam a disputa dificílima, e qualquer surpresa é possível quando for revelado o premiado. Fico com Quem Quer Ser um Milionário apenas por ser fã do filme, meu critério de desempate nesta categoria.
ACERTEI!


MELHOR DIREÇÃO DE ARTE:
O Curioso Caso de Benjamin Button;
Batman - O Cavaleiro das Trevas;
A troca;
Foi Apenas Um Sonho;
A duquesa.

And The Dona Farta´s Oscas Goes To:
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON. Sem dúvida é o merecedor nesta categoria, porque o filme é uma obra de arte irrepreensível.
ACERTEI!


MELHOR MIXAGEM DE SOM:
Batman – O Cavaleiro das Trevas;
Quem Quer Ser Um Milionário?;
O Curioso Caso de Benjamin Button;
Wall.E;
Procurado.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS. Eis uma categoria técnica que eu não tenho a menor idéia de como deve ser avaliada. Por isso mesmo minha opção é puro chute, só para tentar sair dos grandes favoritos nas demais categorias e votar mais uma vez num grande filme que merece mais do que só indicações.
ERREI. Ganhou "QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?"


MELHOR EDIÇÃO DE SOM:
Quem Quer Ser um Milionário?;
Batman – O cavaleiro das trevas;
Wall.E;
Homem de Ferro;
Procurado.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? Outro chute, porque sou incapaz de saber diferenciar a edição de som de um filme do outro. Na verdade nem sei muito bem a diferença entre edição de som e mixagem de som, então...
ERREI. Ganhou "BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS"


MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL:
A. R. Rahman - "Quem Quer Ser Um Milionário?";
Danny Elfman - "Milk - A Voz da Igualdade";
Thomas Newman - "Wall.E";
Alexandre Desplat - “O Curioso Caso de Benjamin Button”;
James Newton Howard – "Defiance".

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
A. R. RAHMAN, por Quem Quer Ser um Milionário? Simplesmente porque a Trilha Sonora deste filme é fantástica, contagiante, uma delícia!
ACERTEI!


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL:
O Saya - "Quem Quer Ser Um Milionário?";
Jai Ho - "Quem Quer Ser Um Milionário?";
Down to Earth - “Wall.E”.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
O SAYA ou JAY HO, e não vou escolher apenas uma porque na verdade nunca sei qual é uma e qual é outra, só o que sei é que as canções de Quem Quer Ser Um Milionário são ótimas, e o prêmio irá para uma das duas, com certeza!
ACERTEI!


MELHOR FIGURINO:
A Duquesa;
Milk - A Voz da Igualdade;
O Curioso Caso de Benjamin Button;
Foi Apenas Um Sonho;
Austrália.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
A DUQUESA. Não vi o filme, e estou chutando apenas porque filmes de época costumam levar este prêmio. Na verdade todos os indicados são "de época", mas A Duquesa é de uma época mais distante, digamos assim.
ACERTEI!


MELHOR DOCUMENTÁRIO DE LONGA-METRAGEM:
The Betrayal;
Encounters At The End Of The World;
The Garden;
Man On Wire;
Trouble The Water.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
THE BETRAYAL, no chute total.
ERREI. Ganhou "MAN ON WIRE"


MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM:
The Conscience Of Nhem En;
The Final Inch;
Smile Pinki;
The Witness - From the balcony of room 306.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
THE CONSCIENCE OF NHEM EN, outro grande chute.
ERREI. Ganhou "SMILE PINKI"


MELHOR EDIÇÃO / MONTAGEM:
Milk - A Voz da Igualdade;
O Curioso Caso de Benjamin Button;
Quem Quer Ser um Milionário?;
Batman – O Cavaleiro das Trevas;
Frost/Nixon;

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
MILK - A VOZ DA IGUALDADE. Embora eu não tenha qualificação técnica para avaliar a edição de um filme e de outro, fiquei muito impressionada com a edição de Milk, principalmente por mesclar imagens reais com imagens fictícias sem nos deixar perceber uma coisa ou outra. Se eu não estiver absolutamente enganada, isso é mérito da edição, então: Oscar pra Milk!
ERREI. Ganhou "QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?"


MELHORES EFEITOS VISUAIS:
O Curioso Caso de Benjamin Button;
Batman - O Cavaleiro das Trevas;
Homem de Ferro.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON. Acho que é barbada essa categoria. Batman é excelente e tem efeitos especiais incríveis, mas Benjamin Button é um verdadeiro milagre dos efeitos especiais. Já ganhou!
ACERTEI!


MELHOR MAQUIAGEM:
O Curioso Caso de Benjamin Button;
Batman – O Cavaleiro das Trevas”;
Hellboy II – O Exército Dourado.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON. É bem verdade que Batman tem seu mérito principalmente por Coringa, que foi recriado graças ao talento de Heath Ledger e a um trabaho primoroso de maquiagem. Mas ainda assim acho que Benjamin Button leva essa.
ACERTEI!


MELHOR ANIMAÇÃO DE CURTA-METRAGEM:
Lavatory - Lovestory;
La Maison En Petits Cubes;
Oktapodi;
Presto;
This Way Up.

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
LAVATORY - LOVESTORY. No chute, e porque gostei do nome!
ERREI. Ganhou "LA MAISON EN PETITS CUBES"


MELHOR CURTA-METRAGEM:
Spielzeugland (Toyland);
Auf Der Strecke (On the Line);
Manon On The Asphalt;
New Boy;

And The Dona Farta´s Oscar Goes To:
SPIELZEUGLAND (TOYLAND), também no chute, e também pelo título.
ACERTEI!


É isso, pessoal. Daqui a pouco começa a festa de verdade e vamos conferir o que pessoas muito mais técnicas do que eu decidiram acerca dos filmes indicados neste ano. Quantas zebras teremos? Quantas barbadas? Como estarão as celebridades? Quem estará mais elegante? Quem estará pagando mico?

Depois eu volto pra fazer a conta dos meus erros e acertos, e pra comentar tudo aquilo que for digno de nota no Oscar 2009. Até lá!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O Lutador (Oscar 2009)

Randy "Ram" Robinson (Mickey Hourke) atingiu o auge do sucesso ao vencer uma "duríssima" luta com o então astro Ayatollah, há 20 anos. Tornou-se uma referência no ramo da luta livre, e desfrutou intensamente tudo que a fama e o sucesso lhe trouxeram.

20 anos depois do auge, Randy nada mais é que um homem decadente, enfrentando provavelmente o pior momento de sua carreira e de sua vida pessoal. Totalmente dependente de drogas anabolizantes e já bastante envelhecido para sua "profissão", ele não tem mais nada do dinheiro que ganhou nos velhos tempos, e luta para sobreviver trabalhando em um supermercado durante a semana e fazendo apresentações de luta nos finais de semana, juntamente com outros lutadores igualmente velhos e decadentes.

E então o pior acontece: Randy sofre um ataque cardíaco após uma de suas apresentações, e os médicos lhe recomendam que se afaste do "esporte". Ele então precisa buscar alternativas para sobreviver - como aumentar a quantidade de horas que trabalha no supermercado, e lidar com a amargura de ter que ficar distante daquela atividade à qual dedicou sua vida.

É neste momento que Randy se vê mais solitário do que nunca. A filha, negligenciada por ele a vida inteira não é nada aberta a uma reaproximação, e até mesmo sua melhor e única amiga Cassy (Marisa Tomei), uma prostituta decadente, parece não ter condições de atender suas novas necessidades de homem sozinho, doente, sem dinheiro.

Randy busca a redenção junto àquelas únicas pessoas importantes na sua vida, mas não é exatamente bom neste tipo de coisa, e acaba constatando depois de algum sofrimento e auto-flagelo que sua vida só tem um sentido, um único sentido, para o qual ele volta mais de corpo e alma do que nunca.

E é isso. Este é o filme, nada mais do que isso.

Quantas e quantas vezes já vimos histórias parecidas retratadas no cinema? Muitas! Quantos e quantos clichês pouco criativos eu escrevi na breve sinopse acima? Trocentos (e, acredite, são tantos que provavelmente esqueci de alguns).

Não há nada em "O Lutador" que lhe torne interessante o bastante para que esta falta de originalidade seja superada, tornando-o um filme bom, merecedor de toda a atenção que recebeu da mídia desmerecidamente, na minha opinião.

Um filme fraco, mal feito, clichê, previsível. E a tão elogiada atuação de Mickey Hourke, na verdade, nada mais é do que uma intepretação mediana, convincente mas de mérito duvidoso até porque a história da personagem se confunde demais com a história do ator.

Considero, aliás, injusta a indicação de Hourke ao Oscar de melhor ator. Eu não tinha visto o filme quando ele ganhou o Globo de Ouro e até achei que isso pudesse ler "legal", mas agora estou indignada com a injustiça, porque premiar um ator decadente que busca o ressurgimento das cinzas através de uma representação de algo que se aproxima muito de sua própria hístória pessoal é, no mínimo, oportunismo desleal, desleal inclusive com seus concorrentes na categoria, todos de longe muito mais merecedores do que ele.

Tudo bem que a "culpa" por isso tudo não é de Mickey Hourke, pelo menos não exclusivamente. Há uma indústria que manipula situações como essa, situações inclusive que acabam por tirar a credibilidade de determinadas premiações por ser capaz de transformar algo evidentemente ruim em algo digno de holofotes.

Mickey Hourke é uma pessoa que colheu durante muitos anos as tempestades das brisas que plantou. Não sou ninguém para julgá-lo e nem pretendo fazê-lo, apenas acho que ele nunca foi um bom ator quando se propunha a isso, e não é agora que merece ter visibilidade além da conta, ofuscando outros colegas muito mais talentosos e responsáveis.

Vi uma entrevista com ele na Oprah outro dia e ele inclusive parece uma pessoa afetada mentalmente por tudo o que viveu. Digno de pena, mas não de prêmios. Digno de piedade, mas não de recompensas.

Acho muito fácil um perdedor usar o recurso da emoção fácil para fazer-se de coitadinho e receber sua segunda chance na vida. O filme O Lutador usa esse recurso o tempo todo. E é muito fácil fazer isso: viver uma vida de equívocos conscientes pra depois, quando chegar o fim da linha, buscar um sentimentalismo apelativo para reverter a situação e parecer mais vítima do que algoz.

Situações como essas podem render bons filmes? Sem dúvida! Mas nem isso O Lutador conseguiu, tornando-se um filminho totalmente dispensável, uma verdadeira perda de tempo.

E, como se não bastasse o absurdo de Mickey Hourke concorrer ao prêmio maior do cinema como melhor ator, há ainda a indicação de Marisa Tomei na categoria de Atriz Coadjuvante, como a stripper decadente que se apaixona pelo protagonista (mais um clichê óbvio, só pra não perder o costume). Sim, Marisa Tomei é uma boa atriz e está muito melhor que Hourke no filme, mas a milhas e milhas de distância de ser digna da indicação, outro grande equívoco.

Sua interpretação é tão trivial que você pode imaginar qualquer outra atriz fazendo exatamente o memso papel e passanado exatamente as mesmas emoções, sem qualquer esforço. Nada de incrível, nada digno de nota.

E o Lutador resume-se a isso. Na minha modesta opinião, não vale nem mesmo como entretenimento descompromissado. É um filme toscão (como diria meu cunhado), no pior sentido da palavra "tosco", e eu recomendo que você utilize seu tempo vendo coisas muito melhores. Opções não faltam!



INDICAÇÕES AO OSCAR 2009:


Melhor Ator - Mickey Hourke;
Melhor Atriz Coadjuvante - Marisa Tomei.

Frost / Nixon (Oscar 2009)

Um presidente da república tem seu nome envolvido num grande esquema de espionagem e abuso de poder. O Congresso Nacional do país sente-se pressionado a tomar uma atitude concreta perante a sociedade e está prestes a votar a proposta de impeachment do presidente. O presidente não tem coragem de enfrentar a expulsão do poder e, na véspera da votação, renuncia ao cargo, escrevendo mais uma vergonhosa página na história política daquele país.

Poderíamos estar falando do Brasil, e sem dúvida há muita semelhança entre uma história e outra, mas... não, dessa vez não se trata do Brasil. Estamos falando aqui de um marco da história americana, quando o então Presidente Richard Nixon renunciou ao poder por estar fortemente envolvido no escândalo que ficou conhecido como Caso Watergate.

O escândalo Watergate já foi retratado no cinema através do excelente filme Todos os Homens do Presidente, e é novamente abordado agora em Frost / Nixon, um dos indicados ao Oscar de melhor Filme de 2009.

Só que desta vez não é o escândalo político o foco principal do filme. Richard Nixon (Frank Langella, maravilhoso) jamais havia assumido claramente seu envolvimento no caso Watergate, e essa questão incomodava demais a opinião pública e especialmente a imprensa. A reclusão de Nixon o tornou inacessível para a maioria das pessoas, e ele pretendia usar este tempo para arquitetar uma brilhante estratégia de retorno à política, o que foi estimulado pelo perdão que o novo presidente lhe concedeu por qualquer crime que pudesse ter praticado.

Do outro lado do Oceano, o pseudo-jornalista inglês David Frost (Michael Sheen), que na verdade era um "astro" apresentador de um programa de auditório, resolve ousar nos rumos de sua carreira, iniciando uma dura empreitada na tentativa de conseguir uma entrevista exclusiva com Richard Nixon.

Por trás da sua intenção de apenas entrevistar o ex-presidente americano, estava na verdade uma vontade quase megalomaníaca de escrever um marco na sua história profissional, já que julgava ser capaz de arrancar do escorregadio Richard Nixo a confissão e o pedido de desculpas que a imprensa americana jamais conseguiu.

Derrubando muitas barreiras e correndo riscos inimagináveis, Frost vai abrindo caminho para a conquista do seu objetivo, e é esta trajetória que o filme retrata. Desde os bastidores das negociações da entrevista até os bastidores dos dias de gravação e a própria entrevista reveladora foram retratados com bastante sobriedade e fidelidade. E é uma história interessante, com certeza!

Frost / Nixon não me despertou a menor curiosidade mesmo depois que soube que era um dos indicados ao Oscar de melhor filme e melhor diretor deste ano (dentre as 5 indicações que recebeu). Normalmente a indicação ao prêmio serve pra mim como estímulo a querer ver um filme, mas neste caso nem isso - me parecia algo muito específico e muito chato.

Mesmo assim, e apenas pra "fechar" minha seleção do Oscar (já tinha assistido os outros 4 indicados à categoria principal), resolvi assistir e comecei a ver o filme de maneira totalmente despretensiosa, sem expectavias e sabendo que poderia desistir em menos de 10 minutos. Ledo engano.

Eis aí um filme bem feito, no melhor sentido da expressão "bem feito". O roteiro - que descobri ser baseado numa peça teatral de autoria do próprio roteirista Peter Morgan (do excelente filme A Rainha), peça teatral esta que foi intepretada pelos mesmos protagonistas do filme, é absolutamente envolvente e consegue despertar o interesse até mesmo de alguém que não seja assim tão ligado a história política.

As interpretações são incríveis, tanto do apresentador-quase-playboy David Frost (Michael Sheen) como do frustrado ex-presidente Richard Nixon (Frank Langella), este último, aliás, merecidamente indicado ao Oscar de melhor ator deste ano, por sua interpretação magistral.

Particularmente, tive momentos de nojo e momentos de pena de Richard Nixon. Aquele que inicialmente parece ser apenas um político inescrupuloso capaz de qualquer coisa pelo poder, num momento de fraqueza aqui e outro ali acaba revelando ser apenas um homem amargo e frustrado pela rejeição, pela falta de amor, por nunca ter chegado a ser nada perto daquele grande ícone político que sempre sonhou ser. E isso é muito triste.

Frost / Nixon é, enfim, um filme surpreendente, justamente por não prometer nada extraordinário e ao mesmo tempo apresentar interpretações maravilhosas que, aliadas ao excelente roteiro e à competente direção, culminaram numa grande e boa surpresa.

Um ótimo filme! Vale conferir!


INDICAÇÕES AO OSCAR 2009:

Melhor Filme;
Melhor Diretor - Ron Howard;
Melhor Ator - Frank Langella;
Melhor Roteiro Adaptado;
Melhor Edição;

O Curioso Caso de Benjamin Button (Oscar 2009)

Benjamin Button (Brad Pitt) nasceu em New Orleans no mesmo dia em que o Mundo comemorava o fim da 1ª Grande Guerra.
Foi um parto bem difícil, e sua mãe não resistiu. Ao olhar para o pequeno bebê que acabara de tirar a vida de sua mulher, o pai de Benjamin entra em choque ao constatar que trata-se de uma criança portadora de uma doença grave - e rara - já que possui todas as características de um velho à beira da morte.

Desnorteado e considerando-se incapaz de criar (e amar) tal criatura, e num ato de desespero, o Sr. Thomas Button (Jason Flemyng) abandona o filho recém-nascido na porta de um asilo, onde Benjamin é acolhido, cuidado e adotado pela enfermeira Quennie (Taraji P. Henson), que vê naquele acontecimento muito mais que um acaso, mas um verdadeiro milagre de Deus.

Benjamin é criado num ambiente que não lhe poderia ser mais adequado, pelo menos naquele momento. Vai "crescendo" mas continua apresentando traços fortíssimos de velhice extrema, e aos poucos está absolutamente integrado à rotina dos outros velhinhos que vivem no lugar. Acaba aprendendo ainda muito jovem a lidar com a perda, já que as mortes são uma ocorrência comum no asilo, mas ao contrário de seus colegas Benjamin parece cada dia mais renovado, revigorado, cada dia ele parece estar mais forte.

Ainda criança ele conhece a espevitada Daisy (Cate Blanchett na fase jovem/adulta), uma garotinha que passa finais de semana com a avó - interna do asilo - e embora tenham a mesma idade, Benjamin mais parece avô da menina por conta de sua aparência física. A identificação emocional, no entanto, é indiscutível, e a dupla burla uma regra aqui e outra ali de modo a conseguir viver aventuras que marcariam para sempre suas vidas.

Benjamin "cresce", alcança a maioridade e decide explorar o Mundo. Ainda com a aparência de um "tiozinho", mas já bem mais remoçado, consegue trabalho num navio rebocador, e impressiona a todos com sua disposição cada dia maior. Viaja pelo mundo, conhece lugares, pessoas, mulheres. Alista-se no Exército e participa na 2ª Guerra Mundial, e é sempre um sobrevivente, já que está cada dia mais e mais remoçado e revigorado, além de ser protegido de qualquer tipo de desgraça por algum tipo de força superior.

Reencontra Daisy e depois de muita reviravolta eles finalmente conseguem viver o amor que sempre nutriram desde a infância, e a partir daí a história torna-se incontável, porque algumas surpresas não podem ser reveladas - precisam ser "saboreadas" por quem assistir o filme até o final, final, aliás, que é extraordinariamente emocionante, assim como foi o nascimento de Benjamin.

Algo que tem me deixado muito confusa sobre este filme é que quase todo mundo que o viu me disse apenas ter "gostado", sem muita empolgação. Eu não consigo me conformar com isso, porque pra mim O Curioso Caso de Benjamin Button foi um filme de arrepiar, daqueles que eu vou ver outras vezes e sobre o qual vou sempre conversar quando o assunto for cinema.

Um filme que realmente me tocou, me fez rir, me fez chorar, me emocionou profundamente e me deixou boquiaberta diante da tela por mais de 2 horas (2h30, na verdade).

Trata-se de uma fábula sobre a vida, sobre velhice x juventude, sobre vida x morte, sobre amor x desamor. Trata-se de uma fábula contada lindamente por um roteiro excepcional - adaptado de um conto americano do escritor Scott Fitzgerald, que consegue dar ritmo a um filme de longa duração sem que a gente tenha aquela vontadezinha de adiantar algumas partes.

O Curioso Caso de Benjamin Button é tecnicamente brilhante - não são à toa suas 13 indicações ao Oscar - com destaque para maquiagem, efeitos especiais, fotografia e direção de arte. Certamente arrebatará muitas estatuetas nestas categorias mais técnicas.

É mais uma parceria do Diretor David Fincher (de Seven - Os Sete Pecados Capital e Clube da Luta, dentre outros) e o superastro Brad Pitt. Neste filme ambos encontram-se num momento de maior maturidade profissional e eu diria até mesmo de maior entrega, e o resultado não poderia ser melhor.

Mas antes de falar de Brad, falemos de Cate.

Cate Blanchet - que acabou ficando fora do páreo do Oscar porque a briga para o posto de melhor atriz deste ano está mesmo bastante acirrada - está mais linda do que nunca. Interpreta uma Daisy que vai da adolescência até a 3ª Idade sem perder 1 pingo de sua elegância invejável, dá até raiva. Está aqui numa atuação muito intensa, muito comovente, muito especial.

Brad Pitt, por outro lado, cala definitivamente a boca daqueles que (ainda!) insistem em colocar em dúvida sua competência enquanto ator como se sua beleza fosse seu único passaporte para o sucesso. Há uma química entre Brad e Cate no filme que é algo de deixar o queixo caído. É impressionante como ambos se doaram para viver esta história tão intensa, e no caso de Brad a indicação para o Oscar é sem dúvida merecida, e eu ousaria dizer inclusive que ele DEVE levar a estatueta.

Claro que Brad Pitt é absolutamente perfeito, fabuloso, lindo, estonteante. Provavelmente o homem mais lindo da história de Hollywood, pelo menos da história mais recente, digamos assim. Sua beleza é de doer os olhos, é de babar, é de ficar inconformado...

Como pode haver no mundo um ser humano com tamanha perfeição? Eu sou, sim, fã de Brad Pitt, mas o sou principalmente porque ele se propõe desafios e mostra a que veio. Esses dias, por exemplo, assisti "Queime Depois de Ler", filme onde o galã faz o papel de um personal trainner caricato, canastrão, brega e metido a sedutor barato. Um papel que inclusive pouco explora sua beleza, e talvez justamente por isso um papel onde ele está encantador.

Em Benjamin Button, além da competência da equipe técnica que foi responsável por transformações admiráveis na aparência física de Brad (que passava por sessões diárias de cerca de 5 horas de maquiagem para caracterização de Button), há uma parcela muito grande de mérito próprio de sua interpretação altamente inspirada. Merecedora do Oscar, merecedora dos aplausos de parte da crítica que vem recebendo e, sobretudo, merecedora da audiência de todos que puderem vê-lo.

A mais a mais, ainda que o filme não fosse assim tão bom, já valeria o ingresso só pela oportunidade de ver Brad Pitt em várias caracterizações, rejuvenescendo cada vez mais. Se vê-lo "ao natural" já é de tirar o fôlego, ver suas transformações ao longo do filme - cada vez mais jovem e mais lindo... É de matar!

Outra participação relativamente pequena mas que me emocionou muito na história (por incrível que pareça), foi da magrelona, brancona e sem graçona Tilda Swinton, que vive com Benjamin uma linda história de amizade e amor, e que no final do filme ressurge com uma das cenas que mais me tocaram bem lá no fundo do coração. Uma grande lição do poder do amor, especialmente amor próprio.

Apesar de eu estar muito dividida entre Benjamin Button e Slumdog Millionaire, eu daria o Oscar de melhor filme para Benjamin Button de consciência tranquila, por ser indubitavelmente um filme fantástico! (ao pé da letra, aliás)

IMPERDÍVEL! (assim mesmo, em caps lock)


INDICAÇÕES AO OSCAR 2009:

Melhor Filme;
Melhor Diretor - David Fincher;
Melhor Ator - Brad Pitt;
Melhor Atriz Coadjuvante - Taraji P. Henson;
Melhor Roteiro Adaptado;
Melhor Direção de Arte;
Melhor Fotografia;
Melhor Mixagem de Som;
Melhor Trilha Sonora Original - Alexandre Desplat;
Melhor Figurino;
Melhor Edição;
Melhores Efeitos Especiais;
Melhor Maquiagem.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pausa para um momento de RABUJICE

Só o fato de ter que dar esta pausa no meu "Especial Oscar 2009" já me deixa rebugentíssima...

Mas eu preciso falar, e pra não sair por aí falando e ferindo sentimentos, vou falar aqui, sem endereço, sem destinatário, pra ninguém (antes que apareçam pessoas magoadíssimas com a minha insensibilidade), vou apenas falar, falar e falar.

Estou de saco cheio, estou cansada, estou estressada, estou correndo como louca (como sempre), estou trabalhando muito, muito mesmo, e não tenho tempo pra fazer quase mais nada que não seja trabalhar, correr, trabalhar, correr, trabalhar, correr.

Quando eu não estou fazendo nem uma coisa nem outra (momento raríssimo que nem sei mais se existe), eu faço as poucas coisas nessa vida que me dão prazer, como dormir, ficar com minha família sem fazer nada, ver filmes, escrever, ler, etc. E entre coisas que me dão prazer NÃO está incluído BATER PAPO AO TELEFONE, porque eu ODEIO MAIS QUE TUDO NO UNIVERSO FALAR AO TELEFONE.

Tenho que suportar essa tortura zilhões de vezes por dia com meus clientes chatérrimos que me ligam de 5 em 5 minutos pra peguntar idiotices, mas suporto e ainda faço voz de quem tá gostando porque, né? É meu ganha pão, e o maldito cliente tem que ter sempre razão, senão não paga meus honorários no final.

Atendo absolutamente todos os meus clientes, às vezes administro 2 ligações ao mesmo tempo, às vezes participo de malditas conference calls com 3, 4 ou 5 pessoas falando e reclamando ao mesmo tempo (quem inventou isso? filhodaputa!), e assim vou sendo torturada pela necessidade do dinheiro, porque, afinal, quem mandou eu querer ser advogada nessa vida, né não? Tome! Bem feito pra mim! Me lasquei!

Eu podia estar por aí, vendendo roupas em lojas, fabricando peças de automóveis, construindo casas ou desenvolvendo sistemas de computadores em salas fechadas sem ser incomodada, eu podia tá robându, eu podia tá matându, mas se eu escolhi ser Advogada tenho que ter saco pra aguentar gente chata me passando problema atrás de problema. E isso, acreditem em mim, não é legal! Não é NADA legal.

O Telefone é um dos meus instrumentos de trabalho e é por isso que eu o odeio tanto. Porque a essência do meu trabalho me torna totalmente dependente de telefone, e não há a menor graça nisso. E odeio mais ainda o Celular, que tornou as pessoas obcecadas pelo imediatismo.

Antigamente a pessoa te ligava no telefone fixo e se você não estava, NÃO ESTAVA. Ela TINHA que esperar você voltar de qualquer jeito, e por mais urgente que fosse o assunto essa era a única opção que ela tinha. E o Mundo nem acabou por causa disso, nenhuma empresa foi à falência, não instaurou-se a 3ª Guerra Mundial nem ninguém morreu, pelo contrário: Todo mundo vivia perfeitamente em ordem, sabendo que às vezes era preciso saber esperar. Simples assim.

Mas aí inventaram o telefone celular, e a situação virou isso que existe agora: A pessoa liga no seu celular e você não atende - porque não pode, porque está em outra ligação, porque está no trânsito, porque está com dor de barriga no banheiro, porque está no meio de um exame ginecológico, porque está comendo, porque está trepando, porque está trabalhando, porque está falando com outra pessoa, porque está no meio de um raciocínio que demorou horas pra desenvolver e concluindo um trabalho importante, ou simplesmente porque não quer. E você vai lá e dá o recado (pra bom entendedor) não atendendo a ligação, como quem diz: "Agora não posso, tenta mais tarde".

Mas o que as pessoas fazem? Elas ligam de novo. E de novo. E de novo. E de novo. E de novo. E de novo.

E de novo.

E de novo.

Simplesmente porque na cabeça doente delas se você tem um celular significa que você tem que atendê-lo sempre, imediatamente, esteja onde estiver, fazendo o que for. QUEM DISSE que tem que ser assim, heim?

Não é um inferno? Fala pra mim se isso é vida, fala! Certeza que o telefone celular é obra do CAPETA, mas é certeza! Por causa dele muita gente tem enlouquecido e cometido barbaridades que podem levá-las diretamente para os quintos dos Infernos, e eu estou prestes a entrar neste grupo.

Não aguento mais, estou à beira de um ataque de nervos, e acabei de destruir um aparelho porque, né? Depois de 16 chamadas perdidas do mesmo número, era isso ou assassinato, então matei o aparelho - já que isso ainda não é crime, e pronto. Livrei-me da cadeia, porque eu só gostaria de ir pra cadeia se soubesse que lá não existe esse insrumento do Cão chamado telefone celular. Mas o troço é tão demoníaco que, né? Até nas cadeias de segurança máxima, meu povo! Até nas cadeias!

ODEIO CELULAR. ODEIO. ODEIO. ODEIO.

Atendo todos os clientes, como eu já disse, porque PRECISO, e só por isso. E não atendo nada mais, MUITO MENOS se for de dia, durante meu expediente. Não há espaço no meu dia de trabalho para bater papo ao telefone, desculpe. Porque meu dia é de trabalho e eu trabalho, e não há espaço pra outras coisas que me tirem o foco das zilhões de coisas que tenho pra fazer sozinha. Será que está claro? Preciso desenhar?

Povo acha que porque eu trabalho em casa fico o dia todo de pernas pro ar assistindo Sônia Abraão. Povo acha que porque eu trabalho em casa estou sempre disponível, sem nada pra fazer. Dá um ódio isso! Povo só vê as pinga que nóis toma mas nem vê os tombo que nóis leva. É um caráleo!

Eu não tenho um chefe que vai depositar meu salário no fim do mês mesmo que eu não tenha sido uma boa funcionária. Eu não tenho a Previdência Social pra me pagar se eu ficar doente. Eu não tenho pai rico, nem marido rico, nem merda nenhuma. Eu tenho minha profissão e tenho que fazer dinheiro dela um dia após o outro, porque se eu ficar 1 dia batendo papo no telefone e não trabalhar, então eu vou ficar 1 dia sem ganhar dinheiro, e meus credores nem querem saber disso, certo? Todo mundo tem contas pra pagar, não tem? Pois então!

Isso significa que sou uma doente louca sem amigos que não fala com ninguém? Quase, mas não é exatamente isso. Eu simplesmente AMO as pessoas, AMO meus amigos e AMO bater papo com meus amigos, sobre coisas úteis ou inúteis, a qualquer hora do dia ou da noite, eu REALMENTE adoro bater um bom papo, mas NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA gosto de fazer isso POR TELEFONE.

NÃO! NÃO! NÃO!

Eu corro igual uma louca no meu HORÁRIO DE EXPEDIENTE justamente pra que fora dele eu possa encontrar os amigos e fazer coisas com eles, desde sair pra tomar um chopp até trocar recadinhos bestas nos Orkuts e Blogs da vida.

Daí outro dia alguém me falou: "Ah, mas você posta no Blog durante o dia que eu já vi!", com se isso significasse que antes de postar no Blog eu devesse obrigatoriamente escolher outras coisas - como falar ao telefone.

E não, obrigada, mas eu não tenho que escolher nada que eu não esteja a fim de fazer. É muito raro eu ter momentos vagos durante o expediente - até porque, vocês sabem, além de adEvogada eu tenho a casa-sem-empregada, o marido, o filho, o lavar/passar/cozinhar, e tudo mais. É muitíssimo raro, mas quando tenho uma folguinha, pode ter certeza que tudo que eu MENOS quero é falar ao telefone, até porque eu faço isso o tempo todo quando estou trabalhando, lembram? Então... se eu tiver folgas durante o dia, ou até mesmo um dia inteiro mais calmo, eu vou fazer qualquer coisa menos falar ao telefone. Eu vou até a casa ou o trabalho do amigo ou da amiga pessoalmente pra bater papo, se for o caso, mas não vou ligar pra fazer isso, MAS NÃO VOU MESMO!

Passei a vida inteira sendo aquela pessoa legal que renuncia à sua própria vontade pelos outros - parentes, amigos, conhecidos. Passei a vida inteira ignorando minhas vontades pra fazer o que seria legal pra todo mundo, mesmo que não fosse legal pra mim.

E sabe o que eu ganhei??? Sabe, né? (**insira aqui palavrão impublicável**)

Pois então. Agora o negócio é diferente. É a minha vontade primeiro, e se não estiver bom pra todo mundo, fodam-se todos!

Eu não tenho que ficar batendo papo no telefone porque as pessoas querem que eu faça isso. Eu não tenho que escrever mais ou menos no MEU BLOG porque tem alguém monitorando se eu posto durante o expediente ou não. Eu uso o tempo vago que tenho como eu quiser, e pronto!

Eu sou assim, insuportável, louca, chata, estressada, ranzinza, desequilibrada, exagerada e mais um monte de coisas ruins que vocês sabem. E sou também legal, muito legal. E sou generosa, muito generosa. E mais um monte de outras coisas boas que quem quer descobre sem precisar ficar falando comigo no telefone. Faz parte do meu pacote, indivisível. Muito prazer!

Beijos, e NÃO ME LIGUE, a menos que seja realmente URGENTE! Me escreva, me mande email, telegrama, sedex, fax, carta, sinal de fumaça, torpedo, sms, recado no orkut, no facebook, via rádio, qualquer coisa que eu respondo na hora ou na primeira hora que eu puder, mas não me ligue se não for extremamente necessário. É sério.

Pela atenção, obrigada!
P.S. E antes que comecem a pipocar comentários com conselhos sobre a necessidade de eu rever a minha profissão, saibam que NÃO, eu NÃO odeio ser Advogada, muito pelo contrário: Tái uma coisa que eu amo nessa vida... A minha profissão, fui feita pra ela e ela pra mim, e modestamente eu sou muito boa no que faço! Acontece que na vida nem tudo são flores e até o poeta mais brega já disse que toda rosa tem seus espinhos, de modo que uma parte muito chata do meu trabalho é essa que escrevi aí, e se eu suporto o que suporto é justamente porque amo o que faço, e, lógico... pagando bem, que mal tem? hehe!
a