segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Meu Nome Não é Johnny

Arrebatador... esse foi o primeiro adjetivo que encontrei para descrever esse excelente filme nacional que está em cartaz em grande circuito.

Arrebatadora é a história real na qual o filme se baseia, a história de João Guilherme Estrella, um cara nascido em berço de ouro, que através das drogas conheceu o céu mas também chegou ao inferno;

Arrebatadora é a redenção de João Estrella, é ver que nem tudo está perdido e que, pelo menos neste caso, houve uma luz no fim do túnel, alcançada a duras penas, mas alcançada, e mantida até hoje (João Estrella é produtor musical e compositor);

E, mais arrebatadora ainda é a brilhante atuação de Selton Mello. Não dá pra negar... Selton é, se não o melhor, certamente um dos melhores atores de sua geração... versátil e extremamente talentoso, ele dá mais um show na pele de João Guilherme Estrella, e carrega, digamos assim, 60% da responsabilidade pelo filme ser tão bom quanto é.

Os outros 40% ficam divididos entre a direção dinâmica, o roteiro muito bem elaborado e a trilha sonora que é fantástica.

"Meu nome não é Johnny" começa nos apresentando ao protagonista ainda na infância, quando era uma criança feliz, que tinha tudo o que queria, inclusive e especialmente o amor dos pais. Ao contrário do que se pode imaginar sobre os grandes figurões do tráfico de drogas, o Johnny do título do filme não teve traumas na infância, não sofreu de abandono, tampouco de carência material. Muito bem educado, tinha tudo pra chegar longe em qualquer profissão, mas algo deu errado no meio do caminho.

João Guilherme acaba entrando no mundo das drogas ainda na adolescência, e com seu carisma e talento natural para ser o "líder" da turma, logo desfilava com uma legião de seguidores por onde quer que andasse. Outro traço peculiar de sua personalidade é o humor... sempre cheio de sacadas certeiras para qualquer situação, João Estrella era do tipo que seduzia muito facilmente as pessoas ao seu redor.

Só que o negócio cresceu, e justamente por essa capacidade de centralizar as atenções foi que João Estrella logo passou de simples usuário de drogas para traficante. Era o traficante da playboyzada, aquele que nunca pisou numa favela, aquele que lidava apenas com um determinado tipo de consumidores, aqueles do seu próprio meio social.

A imaturidade de João Estrella para lidar com os "negócios" era proporcional ao seu carisma = enorme. Ele traficava para consumir, e mesmo quando ganhava rios de dinheiro em operações envolvendo grandes quantidades de drogas, sua primeira reação era querer torrar tudo do jeito mais rápido que pudesse.

Encontrou na namorada Sophia (a lindíssima Cléo Pires) uma fiel companheira para suas aventuras mundo afora, e viveu dias de rei. Mas a hora de João Estrella chegou, e em meados de 1995 ele foi preso, julgado e condenado a 2 anos de prisão num manicômio judicial, pois foi considerado relativamente incapaz de compreender a gravidade de seus próprios atos.

E é lá, no manicômio judiciário, no meio de toda sorte de malucos e perigosos, que João de certa forma encontra sua redenção, Pode parecer clichê demais, mas não podemos esquecer que estamos falando de uma história real. Talvez para o garoto inconsequente que começou a lidar com o mundo das drogas sem entender direito onde isso podia chegar, esse tempo recluso tenha realmente servido para que ele recuperasse a vontade de viver, dessa vez dentro da lei.

O fato é que a personagem principal de "Meu nome não é Johnny" existe de verdade, é um cara de meia-idade que hoje em dia trabalha honestamente como produtor musical na cidade do Rio de Janeiro. Obviamente com todo o holofote do filme, João Estrella tem sido alçado ao posto de "celebridade" nacional, já deu muitas entrevistas para diversos canais de TV e está na mídia o tempo todo. E confesso que entendo ser natural essa curiosidade da mídia e das pessoas sobre ele...

Se o João Estrella da vida real é mesmo tão parecido com o João Estrella de Selton Mello, sem dúvida até eu gostaria de conhecê-lo... por alguma razão meio inexplicada, mas algo ligado a essa pureza de viver intensamente que fez com que o nosso Johnny, mesmo agindo "errado" para os padrões sociais, tenha vivido sua vida de maneira tão intensa.

Um filme imperdível, sem dúvida! Desfila com fluidez pelo humor, pelo romance, pela aventura, pelo drama... E aquela que talvez seja sua maior virtude: Não pretende julgar nada nem ninguém, não coloca a história como algo "do bem ou do mal", não alça João Estrella ao posto de mocinho tampouco de bandido... é simplesmente verdadeiro, genuíno...
Se puder, vá ver no cinema. A trilha sonora é fabulosa, e nada como ouví-la num bom som doubly-digital de uma sala bacana. O elenco é muito bom, e a história por si só, como eu disse no início, arrebatadora!


Bravo!!!

3 comentários:

Dani disse...

Tô tentando organizar a vida pós casório, a casa, a família, o trabalho, orkut, blog...tem fotos novas, dá uma conferida no blog!
beijos**

Fê, a noiva neurótica! disse...

Esses dias estava vendo entrevista do Selton pela milésima vez falando a mesma coisa: " bla bla bla, mas ele já pagou pelo que ele fez".

Pagou pelo o que ele fez meu koo pra falar o portugues sujo e claro!


Eu tenho vontade de encontrar o Selton de frente e perguntar: VC, UMA PESSOA BRILHANTE, LINDO, FODAO NA TELA, NAO TEM VERGONHA NA CARA EM ENCHER O PEITO PRA FALAR DUM BOSTA DESSES? NAO TEM VERGONHA NA CARA DE SAIR POR AI FALANDO DE BOCA CHEIA QUE ELE "PAGOU POR TUDO O QUE FEZ?"

explico: cadeia na minha opinião, nao é tudo pra um traficante.
Ele pode ser preso 30 anos, 50 anos... mas nao vai pagar a dor de pessoas que tiveram familias corrompidas pela droga, nao vai abrandar a dor daquela mãe que perdeu seu filho que ficou devendo, nao vai recuperar pessoas que morreram em busca da maldita droga.

Traficante nao merece NUNCA absolutamente NADA.
Ex traficante tbm é meu "koo". Pelo simples fato de ter deixado rastro de dor, morte e vício, pra mim é eterno traficante.

Não merece respeito, nao merece prestigio, nao merece ser ouvido. Ele nao roubou um banco, um supermercado, sequestrou alguem. ELE ACABOU COM MUUUUITAS PESSOAS DIRETA E INDIRETAMENTE. E um tipo de fim que na verdade nunca terá fim... imagina quantas familias ainda sofrem resquícios pela culpa do famoooooooooooso joão estrella?

Flávia Aguilhar disse...

*** Comentário deixado no meu scrapbook do Orkut ***

Elieser:
Na verdade sobre o comercio de drogas, foi feita uma trilogia: CIDADE DE DEUS; TROPA DE ELITE E AGORA MEU NOME NÃO É JHONY....logico que ja assisti e vc acaba tendo uma visao geral sobre as drogas dos diversos pontos de vista.....BEIJOS.....