quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A História de um Delírio Consumista


Estou lendo um livro muito divertido, que minha irmã Cátia me emprestou... Chama-se "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom", e conta basicamente as desventuras de uma moça londrina atolada em dívidas por conta de seu ímpeto consumista, tudo com muito humor...

Lendo este livro, identifiquei-me bastante com a protagonista porque eu, Dona Farta, também sou uma pessoa extremamente consumista, e se hoje tenho algum freio para meus ímpetos de gastar, esse freio é a maternidade... Antes de ser mãe, no entanto, quando eu trabalhava e ganhava exclusivamente para me sustentar, ahhhh... não havia freio mesmo, e eu já me enrolei um bocado por conta disso...

Mas a história que eu vou contar agora não chegou a me enrolar financeiramente... é uma história que me "enrolou" de um outro jeito totalmente inusitado, mas eu juro que é verdade!

O ano era 1994... ano em que mudei de emprego e comecei a trabalhar numa grande empresa de comunicação... Como toda grande empresa (nos tempos das "vacas gordas"), recebíamos vários "mimos" no final do ano, e neste meu primeiro ano de empresa eu estava alucinada com tantos brindes, cestas, presentes, etc...

Um dos "presentes" de final de ano que ganhamos foi um "vale-compras" de um valor razoável, não me lembro exatamente o valor, mas devia ser algo em torno de R$ 300,00, R$ 400,00... Pra mim, aquilo era uma "fortuna", primeiro porque não era salário, era um "extra", e segundo porque eu não ganhava tanto na época, pagava faculdade, tinha muitas despesas, então receber uma grana assim pra gastar no que eu quisesse foi realmente de encher os olhos...

O tal vale era da rede Eldorado, uma rede que não existe mais, mas que na época tinha Loja de Departamentos e Supermercados.

Coisa de 10 dias, talvez uma semana antes do Natal, eu saí mais cedo do trabalho pra ir ao médico, ali na região de Pinheiros. Depois da consulta, me ocorreu que eu estava praticamente "do lado" do Shopping Eldorado, onde havia tanto a Loja de Departamentos da rede Eldorado como o Supermercado. O vale-compras estava na bolsa, e eu pensei: "por que não gastá-lo HOJE"???

Fui alegre e retumbante para o Shopping. Uma caminhadinha pequena (eu não tinha carro na época), e num instante eu estava no paraíso de consumo! Rodei por toda a Loja de Departamentos, fuçei muito, provei algumas roupas, pensei em comprar várias coisinhas pra mim, mas de repente me deu um estalo:

Era mês de Natal, e eu devia gastar aquela grana no Supermercado, pra comprar comidas natalinas e tranqueiras pra casa, coisa que não tínhamos no dia-a-dia por conta da dureza, por ser tudo muito caro... Pensei nas minhas 3 irmãs e na farra que faríamos com danones, salgadinhos, bolachas, etc... Pensei na minha mãe e na felicidade dela com a ceia de Natal incrementada por itens que normalmente não podíamos comprar...

Não tive dúvidas. Larguei todas as roupas lá no meio da loja e desci para o piso inferior, onde funcionava o Supermercado. Peguei um carrinho, e comecei a passear pelas gôndolas... Comecei a delirar, pensando que pela primeira vez na vida eu podia encher um carrinho sem me preocupar, porque eu tinha como pagar! Comecei a viajar com a sensação maravilhosa que é desfilar pelos corredores de um supermercado sem preocupação com a conta no caixa... sem precisar fazer somatórias mentais de cada item para não "ultrapassar" o orçamento...

Sim! Eu estava no paraíso!!! E queria mais era gastar, comprar muita coisa gostosa, chegar no caixa e exibir meu robusto vale-compras... quem sabe até sobraria um "contra-vale", né, porque era tanto dinheiro, que eu nem tinha certeza se seria capaz de gastá-lo...

E lá fui eu... num vai-e-vém controlado por todos os corredores (para não correr do risco de esquecer nenhum deles), fui abastecendo o carrinho... Era tanta coisa legal, tanta novidade... coisas que eu nem sabia que eram vendidas em um supermercado...

Neste ponto da história, preciso fazer um parênteses e esclarecer que eu não era exatamente uma "caipira que nunca tinha visto um supermercado"... Não era bem assim, mas a verdade é que cresci num bairro muito pobre, nosso orçamento doméstico era extremamente apertado, e nunca fizemos compras de mês em grandes redes de supermercados, isso na nossa infância era um sonho distante, porque o máximo que meu pai conseguia era reservar o dinheiro do mercadinho que tinha no final da rua, onde ele e minha mãe iam pra comprar arror, feijão, óleo, açúcar, macarrão, etc... essas coisas básicas de dia-a-dia, não sobrava grana pra extravagâncias...

Lembro inclusive da primeira vez em que fomos num grande supermercado, na época o "Jumbo Eletro" de Osasco (essa rede também não existe mais)... Eu devia ter uns 12 anos, e foi um mês em que meu pai tinha feito muita hora-extra no trabalho, ou tinha recebido um abono, não lembro exatamente, então nos levou lá num sábado para fazermos as compras... Nós éramos muito pequenas, e ficamos maravilhadas com aquelas gôndolas enormes, cheias de mercadorias, porque no mercadinho da rua de casa não era assim, era praticamente um armazém mais organizado, mas nada de muita variedade, muito menos quantidade...

Essa era a maior referência que eu tinha de um "supermercado de verdade", e acho que foi por isso que eu fiquei tão deslumbrada com o Eldorado...

E, voltando ao fatídico dia das compras no supermercado, lá estava eu abastecendo meu carrinho... Perú para o Natal, frios, refrigerante, sidra, bolachas, chocolates, danones, muitos danones, panetone, congelados, bom-ar (lembro bem de ter pego 2 frascos de bom-ar porque minha mãe sempre dizia que achava uma delícia, tinha sentido o cheirinho na casa de alguém, mas era sempre muito caro pra ela comprar), sabonete, pasta de dente, fui pegando tudo que me dava vontade de pegar...

Cheguei na sessão de hortifruti e o carrinho já estava relativamente cheio... Daí parti para a maçã (coisa que nunca podíamos comer porque custava muito caro), uva, manga, mexerica, pêra, melão, ameixa, verduras, legumes... me acabei na "feira", comprei muita coisa...

Já com o carrinho cheio, dei mais uma volta no supermercado inteiro, pra ter certeza de que não estava esquecendo de nada... Lembrei dos salgadinhos, e peguei vários pacotes pra mim e pras minhas irmãs... e do Elma-Chips, porque a gente nunca comia, quando muito comíamos aqueles vendidos nos saquinhos pelos ambulantes no ponto de ônibus. Lembrei também do bolinho Ana Maria, da Bisnaguinha e do pão de forma... Refiz a lista mentalmente e concluí que já tinha pego tudo, então fui para o caixa.

Me assustei quando cheguei ao caixa e consegui enxergar a rua, e vi que já era noite (eu tinha entrado no supermercado ainda estava dia)... Quanto tempo eu tinha passado lá dentro? Olhei no relógio e vi que já passava das 21h30, portanto eu tinha ficado no supermercado pelo menos umas 3, 4 horas inteiras...

Pensei: "Que maravilha... esse lugar é um Paraíso!!!" Fiquei me perguntando porque tanta gente reclama de ter que fazer supermercado... como alguém podia não gostar??? Era tão bom... Lamentei por minha mãe e minhas irmãs não estarem comigo, porque elas com certeza teriam se divertido também!

Fui colocando as compras no balcão do caixa, de peito estufado, orgulhosa por ter feito a escolha certa sobre como gastar o meu vale-compras! A conta deu um pouco mais do que o valor do meu vale, passou só um pouco, e ainda bem que eu tinha um dinheirinho na carteira para pagar a diferença! Enquanto eu pagava, um funcionário do supermercado já tinha embalado tudo nas sacolinhas, e minhas compras já estavam acomodadas dentro do carrinho.

Pronto! Agora eu podia ir embora pra casa... Estava doida pra chegar em casa cheia de compras, minhas irmãs ficariam eufóricas, iam abrir as sacolas todas ao mesmo tempo, iam delirar com tanta guloseima! Fui empurrando o carrinho pra fora do supermercado, e quando cheguei no portão lateral do Shopping Eldorado, aquele que dá para uma passarela sobre a Avenida Eusébio Matoso, foi que minha ficha caiu:

Como é que eu ia embora pra casa carregando tudo aquilo??? Engoli seco, fiquei atordoada, encostei no portão e pensei: "PQP, ferrou! Como sou burra!!!"

Eu não tinha carro! E não poderia levar o carrinho do supermercado comigo, não poderia ir andando até minha casa simplesmente empurrando um carrinho cheio de compras! Onde é que eu estava com a cabeça???

Respira, Flávia, Respira! Tem que haver um jeito! Eu poderia ligar pra casa e pedir pro meu pai vir me buscar, mas meu pai também não tinha carro! Eu poderia ligar pra casa e pedir pro meu pai vir me encontrar pra me ajudar a carregar tudo, mas não tínhamos telefone em casa! E agora???

Olhei no relógio, e já passava das 22h00... Estava bem tarde, meus pais inclusive deviam estar preocupados, porque já tinha passado muito do horário em que eu costumava chegar quando não estava em aula... Caramba! Eu ia levar uma bronca!!!

Fiquei por alguns minutos ali, parada no portão de saída lateral do Shopping Eldorado, olhando as pessoas passarem apressadas por mim... O movimento aumentou na saída do Shopping justamente porque estava no horário de fechamento, várias lojas fechando, e as pessoas indo embora, e eu ali, sem saber o que fazer... Pensei que talvez se eu ficasse ali parada uma hora acabaria aparecendo uma alma generosa que me ofereceria uma carona... Ou talvez um conhecido que se propusesse a me ajudar...

Não adiantou... as horas começaram a voar, até que eu olhei pra passarela sobre a avenida e pensei: "Talvez eu consiga atravessá-la carregando as sacolas... E se conseguir atravessá-la, chego no ponto de ônibus do outro lado e ponho as sacolas no chão enquanto espero o ônibus, e quando o ônibus chegar terei apenas o trabalho de colocar tudo pro lado de dentro, e depois estará tudo resolvido, rapidamente eu chegarei em casa! É, acho que dá!".

Organizei as sacolas todas da melhor forma que pude... fui diminuindo a quantidade de sacolas, colocando o máximo de itens que cabia dentro de cada uma, reforçando as mais pesadas com outra sacolinha, e depois de um tempão nessa arrumação fui pros finalmentes... Fui colocando as sacolas no braço, uma a uma, cada um dos braços lotados de sacolas. Encaixei todas... E lá fui eu... Praticamente uma "mulher-sacola"... Quase não dava pra me enxergar no meio daquele volume...

Um esforço sobrehumano e consegui levantar com aquele peso todo... um, dois, três passos, coloca tudo no chão de novo, respira! Outra vez! E mais outra... Acho que demorei mais de meia hora pra conseguir atravessar a passarela... As pessoas passavam e me olhavam como se eu fosse uma alienígena, talvez não acreditassem que eu estivesse sozinha tentando carregar aquilo tudo, talvez achassem mesmo que eu fosse doida, sei lá...

Cheguei no ponto de ônibus, larguei tudo no chão, meus braços estavam roxos, marcados pela alça das sacolas, e eu ofegante, quase morrendo... Todo mundo me olhando... Que vergonha!!! Olhei no relógio, e passava das 23h30... Pensei: "Meu Deus, vou pegar o último ônibus! Minha mãe vai me matar!!!".

Logo chegou o ônibus, e então um rapaz caridoso se ofereceu pra me ajudar. Pediu para o motorista abrir a porta de trás, e me ajudou a colocar as sacolas. Embarcadas todas as sacolas, corri pra porta da frente, entrei, e me apressei pra pagar a passagem e chegar logo às minhas compras, que estavam lá, soltas no meio do corredor no fundo o ônibus... o motorista arrancou, e uma das sacolas tombou... logo tinha uma mexerica rolando sob os meus pés, e eu ainda estava na catraca! Olhei e pensei na catástrofe que aquilo poderia se tornar se eu não chegasse rápido pra segurar tudo, e implorei para o cobrador me dar meu troco logo!

Pronto! Cheguei! Alguém me deu lugar pra sentar, porque o ônibus estava cheio, e eu fiquei lá, tomando conta das minhas trocentas sacolas. Uma senhora se encorajou e me perguntou, espantada: "Menina, você carregou isso tudo sozinha?"... E então várias outras pessoas se encorajaram e começaram a me sabatinar sobre a razão de eu ter comprado tanta coisa se não tinha quem me ajudasse a carregar... Fiquei brava, porque nem eu mesma sabia a lógica daquele meu comportamento, logo, não queria que os outros me perguntassem algo cuja resposta eu não sabia!

Desconversei. Tentei ficar na minha, e uma curva acentuada fez mais uma sacola tombar... Dessa vez foi o melão que rolou pelo corredor do ônibus, e alguém o resgatou lá na frente... me devolveu, com a piadinha: "Ei, moça, acho que esse melão quer descer antes de você!"... Todos riram, menos eu... Affffffffff... Por que aquele pesadelo não acabava logo???

E foi assim... uma viagem de mais ou menos meia-hora até o meu destino final, cheia de piadinhas e de frutas que teimavam em rolar pelo corredor do ônibus... Algumas eu perdi mesmo, outras foram resgatadas, e eu finalmente cheguei no meu ponto. Gritei lá de trás para o motorista esperar eu desembarcar as sacolas, alguém me ajudou, e lá estava eu novamente, no ponto de ônibus com minhas sacolas.

O ponto de ônibus não ficava na rua da minha casa. Na verdade ficava na avenida principal, e pra chegar à minha casa eu teria que descer uma rua comprida, e depois subir até a metade da minha rua pra chegar em casa.

Já passava da meia-noite. A avenida deserta. Enganchei novamente as sacolas no meu braço já meio dormente por conta do esforço anterior, e fui descendo... Na descida foi mais fácil, mas mesmo assim precisei parar várias vezes pra respirar e pra não cair com o desiquilíbrio do meu corpo provocado pelo excesso de peso das sacolas... Quando eu estava quase terminando a descida vi meu pai... Ele vinha subindo porque estava indo atrás de mim, minha mãe estava em casa arrancando os cabelos por eu não ter chegado até aquela hora e mandou meu pai subir até o ponto pra ver se me encontrava.

Parei. Larguei o peso todo no chão, e mais uma fruta rolou rua abaixo. Meu pai me alcançou e me olhou espantado. Com aquele jeitão de poucas palavras dele, simplesmente pegou parte das sacolas e rumou na direção de casa. Eu peguei as demais sacolas e fui atrás, já quase chorando, porque a cara do meu pai dizia que o clima em casa não devia estar nada bom... Realmente, minha mãe devia estar doida com o meu atraso, e brava como ela era... aiai... o bicho ia pegar!!!

Chegamos em casa... minha mãe olhou espantada para aquele mundo de sacolas, e com aquele olhar cortante que só ela tinha me perguntou, ríspida: "De onde é que você está vindo uma hora dessas, com esse monte de sacolas?"

Não me ocorreu outra resposta: "Mãe, é que eu fui ao médico, daí tava perto do Shopping Eldorado, daí resolvi ir ao supermercado, blablabla"...

E minha mãe: "Você é doida? De onde tirou dinheiro pra comprar isso tudo? E por que é que foi gastar esse dinheirão se nem podia carregar as coisas?"

E eu: "Mas, mãe, não gastei dinheiro, gastei o vale-compras, e foi porque eu queria comprar umas coisas pra casa, olha, eu trouxe muita coisa legal... cadê as meninas?"

Minha mãe: "Estão dormindo, porque, não sei se você sabe, mas já é quase uma hora da manhã! Você quer matar a gente de preocupação, Flávia? Como é que você faz uma coisa dessas?"

Eu, chorona que sou, só consegui começar a chorar... Percebi na hora que minhas compras maravilhosas não amenizariam a braveza da minha mãe, então não respondi mais nada... Sentei no sofá, e fiquei lá com cara de coitada... só fui interrompida um tempo depois pela voz da minha mãe, já mais branda:

"Você pode pelo menos me ajudar a guardar tudo isso?"... O choro secou... me animei... fui pra cozinha e comecei a abrir as sacolas... fomos colocando tudo na mesa, algumas frutas estavam amassadas, bolachas paçarocadas, salgadinhos esfarelados... Mas até que salvamos bastante coisa... No final das contas, minha mãe ficou brava comigo, com toda razão, disse que eu não sei gastar dinheiro, que não sei economizar, blablabla (se ela soubesse das frutas que eu perdi no caminho, virgi...), mas também ficou contente com as compras, e naquele ano nosso Natal foi, por assim dizer, bem mais Farto!

Hoje em dia ainda enfrento problemas com compras de supermercado. Não raro, ultrapasso a capacidade do limitado porta-malas do meu Celta, e sempre que chegamos em casa tem alguma coisa amassada... Mas no fim, tudo dá certo... Continuo amando fazer supermercado, e continuo passando de 2 a 3 horas fazendo compras todo mês... Coisa de gente consumista, fazer o que, né?

4 comentários:

Flávia Aguilhar disse...

*** Comentário deixado no meu Orkut pelo meu amigo Elieser ***

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Elieser:
acabei de ler o episodio da compra no mercado e achei uma irresponsabilidade da tu parte tão grande.....tipo, eu nunca faria uma coisa dessas na minha vida...se ainda fosse uma televisão........BEIJOS.,

Flávia Aguilhar disse...

*** Comentário deixado no meu Orkut pela amiga Tina ***

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Maristina:
Pois é amiga, aqui estou eu, será que eu também vou ficar viciada???? Bom, adorei o texto, espero que eu e o Renato continuemos jogando muito frescobol.... Agora o texto da mulher sacola é de morrer de rir, adorei.

Flávia Aguilhar disse...

EXPLICAÇÃO SOBRE O COMENTÁRIO DO ELIESER:

A explicação toda na verdade merece um post próprio, mas basicamente tivemos um "delírio consumista" juntos há alguns anos relacionado a uma televisão de muitas polegadas que ele insistiu em enfiar dentro do meu corsinha...

Alguns têm fascinação por compras de supermercado, outros por aparelhos de televisão, né... fazer o que!

Euzer Lopes disse...

Vai gostar de supermercado assim lá longe...

É o tipo da pessoa que compra primeiro e vê como vai transportar depois...

hehehehehehe

Eu sou totalmente o oposto. Entro num sabendo o que vou comprar, onde fica e qual o "itinerário" que vou fazer dentro do mercado para ficar o menor tempo possível lá dentro...

Namoradas detestam ir comigo ao shopping fazer compras. Ao mercado, então? Elas preferem que eu vá pra piscina ou fique vendo futebol na TV (ufa).