segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A Ditadura da Moral e dos Bons Costumes

Permitam-me relatar assim, mal-resumidamente, 3 fatos reais relativamente recentes:


1. Casal X Casal, e uma suposta traição:

Era uma vez 2 casais vizinhos que tornaram-se amigos. Possuiam uma vida social intensa, faziam vários programas juntos, compartilhavam seus cotidianos e sabiam quase tudo uns da vida dos outros.
A harmonia, contudo, foi quebrada quando surgiu entre eles uma suspeita de infidelidade. Um dos maridos teria assediado a esposa do outro, ou uma das esposas teria assediado o marido da outra (e a ordem dos fatos aqui, acreditem, realmente não faz diferença).
Confrontados com tal suspeita, ambos os "traídos" exaltaram-se, obviamente, mas reagiram de maneiras diferentes, porque, afinal de contas, cada ser humano é diferente do outro.
O problema é que a moça supostamente "traída" reagiu de forma mais "descontrolada", por assim dizer, e não mediu as consequências desastrosas de seus atos.
Objetivando vingar-se da ex-amiga "traidora", lançou mão dos recursos de que dispunha e publicou na internet toda sorte de conteúdo íntimo e ofensivo relacionado ao outro casal, agora inimigos declarados. Sem qualquer autorização, publicou imagens, emails, vídeos, informações confidenciais e tornou público um assunto que até então pertencia exclusivamente à esfera privada dos envolvidos.
Fez-se o caos, obviamente. Muita gente teve acesso ao material publicado (em blogs, sites de relacionamentos, etc), e o casal precisou mudar até de cidade para tentar reorganizar a vida devastada pela exposição indevida de sua intimidade.
Procuraram as vias legais (Delegacia) para tentar parar a ação da suposta "traída", e como não tiveram sucesso nesta tentativa, precisaram requerer a remoção do conteúdo da internet através de uma Ação Judicial.
Acontece que os envolvidos neste caso não são celebridades, são apenas cidadãos comuns que vivem problemas reais como todo mundo, e como são apenas "pessoas comuns", não tem acesso a uma tutela jurisdicional que "pessoas célebres" tem.
Como assim? Bem... independentemente do fato gerador do problema - a suposta traição - uma conduta inadequada foi tomada pela supostamente "traída", mais que inadequada, na verdade, uma conduta criminosa, já que calúnia e difamação são crimes e a privacidade e a intimidade são invioláveis, assim como a imagem é protegida, tudo segundo os mandamentos da nossa Constituição Federal.
Parecia óbvio que, ao chegar à apreciação de um Magistrado, a questão seria rapidamente resolvida, através da determinação imediata de suspensão do conteúdo indevido da web e posterior discussão dos prejuízos envolvidos.
Pelo menos é isso que vemos todos os dias na imprensa, quando casos similares - de uso indevido de imagem, por exemplo - envolvendo celebridades, chegam aos Tribunais.
Na nossa histórinha aqui, entretanto, houve uma decisão no mínimo curiosa (vergonhosa, na verdade), que lamentavelmente mudou todo o rumo dos fatos, e acabou funcionando como "lenha na fogueira", ao invés de funcionar como "extintor de incêndio" e apagar definitivamente o rastro que destruía a vida dos envolvidos.
Por motivos óbvios - éticos, especialmente, não posso entrar em detalhes sobre o caso, mas posso transcrever um pequeno trecho da primeira decisão judicial proferida no caso, até porque, à época, o próprio magistrado negou a tramitação em segredo de justiça, de modo que, a prevalecer seu entendimento, toda a questão seria pública até hoje - mas não, já não é mais.
Vamos ao despacho do Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito, titular de uma das Varas Cíveis da Capital de SP:
“... as fotografias com pouca roupa, para ficar em poucas palavras, teriam sido introduzidas na internet pela própria requerente. Se resolveu dar publicidade à sua intimidade, então não pode reclamar da veiculação atual, que partiu dela mesma. Plantou, agora colhe. O mesmo vale para os dizeres, porque a ré, em tese, estaria a divulgar pela internet informações que a própria autora teria veiculado ali, por e-mails, em atividade de mulher casada para marido alheio...”
Percebam que a decisão não só negava a tutela buscada pela parte como ainda impunha-lhe um pesado julgamento moral, valendo-se da máxima: "Quem planta, colhe."

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2. Juliana Paes X Jose Simão:

Abordei o assunto num post específico na época (julho deste ano), e para quem não se lembra (a questão foi bastante discutida) trata-se do processo movido pela atriz Juliana Paes contra o humorista José Simão, que citou-a em sua coluna diária de uma maneira "ofensiva", segundo os critérios da própria ofendida Juliana.
Na ocasião a Justiça concedeu liminar em favor da atriz, e proibiu o colunista de sequer citar seu nome na coluna, sob pena de uma pesada multa pecuniária.
A maioria das pessoas posicionou-se em defesa de José Simão, valendo-se do argumento de "liberdade de expressão" e de que se a própria ofendida já havia mostrado seu corpo publicamente (na TV, em revistas, etc.), não faria sentido pleitear proteção judicial à sua "honra". Sem querer ser repetitiva, mas se você não leu o post por favor clique aqui e leia, assim não preciso repetir todos os absurdos apurados à época agora, e torno este post menos gigante!

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3. Geyze X Colegas X Uniban

O assunto do momento. De maneira surpreendente, ganhou a internet, em seguida a imprensa sensacionalista e hoje foi manchete de todos os grandes telejornais. Com razão.
Uma moça vai para a aula de minissaia. Os colegas fazem piadinhas, assediam, e ela, para "revidar" a agressão verbal, provoca ainda mais, andando de maneira "rebolativa", dando voltinhas, subindo ainda mais a saia, e sei lá mais o que ( as versões são muitas e, mais uma vez, nenhum dos fatos secundários tem importância).
De repente, a situação toma proporções inimagináveis, e um batalhão de estudantes revoltados encurrala a moça, acusando-a de ser imoral. O vídeo, que todo mundo já viu, deixa claro o palavreado utilizado para agredir a moça, não preciso repetir aqui todos os palavrões, mas vamos dizer que, pra ficar no consenso (aquilo que todos gritavam em uníssono), a chamavam de Puta. A moça saiu escoltada da Faculdade, e sem a intervenção dos policiais, sabe-se lá o que mais poderia ter acontecido.
Da internet o caso foi para os programas de TV, Geyse logo apareceu com o vestido da discórdia para "provar" que não era tão curto assim, enquanto os estudantes da Uniban - aqueles que a "xingavam" de puta, tentavam defender a moralidade da Instituição de Ensino, justificando o comportamento animalesco que tiveram com o fato de a moça usar roupas insinuantes.
Depois de 2 semanas a tal Instituição de Ensino finalmente se posicionou sobre o caso, de maneira apoteótica, inclusive, publicando anúncios pagos nos principais jornais de SP no último domingo, onde informava a decisão de expulsar do quadro discente a causadora da confusão - ninguém menos que: a vítima, a moça do vestido curto, aquela que foi xingada, Geyze.
Imediatamente pipocaram manifestações indignadas contra a decisão, muita gente revoltada com a justificativa utilizada pela direção da Faculdade para expulsar Geyze, e depois de muita pressão, demonstrando uma total falta de identidade ou firmeza em seus "princípios morais e éticos", no início desta noite a Uniban divulgou a revogação da decisão, ou seja, Geyze não está mais expulsa, e pode voltar a frequentar as aulas.
Nem vou entrar no mérito da questão porque todo mundo já o fez. E acho realmente desnecessário repetir aqui toda a ladainha de que um fato não justifica o outro, e de que nem mesmo se Geyze estivesse desfilando nua pelos corredores da faculdade, nem assim haveria justificativa para o comportamento dos seus colegas, muito menos para a postura desastrada da Uniban.

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Queria apenas colocar pra vocês esses 3 casos reais para chegar ao ponto mais grave em todos eles, o ponto que os torna assuntos similares e que representa, no meu ponto de vista, uma ameaça real cada dia mais próxima: A Ditadura da Moral e dos Bons Costumes.

Uma Ditadura disfarçada que se aproveita da fraqueza de convicções da grande maioria das pessoas aliada a argumentos retrógrados e eventualmente religiosos, para impor um modo de se viver altamente contestável, para impor um padrão de comportamento tido como único aceitável, quando devíamos estar na verdade nadando na direção contrária, na direção da liberdade de se ser o que se é, do jeito que se quer, sem que isso seja motivo de segregação.

Imposições moralistas me assustam. Me assustam porque sei que as pessoas são altamente suscetíveis a elas, porque apesar de vivermos num estado Laico, ainda são princípios religiosos que guiam a maioria do comportamento social comum, e é neles que os imbecis se apegam quando querem se julgar superiores aos outros, ou, ainda pior, quando querem manipular a opinião alheia.

Podem reparar: em qualquer discussão, quando terminam os argumentos reais para se defender uma posição, uma das partes fatalmente acaba sucumbindo aos argumentos moralistas e/ou religiosos. Já falei sobre isso aqui muitas outras vezes, e só para ficar nos exemplos óbvios, vamos citar a legalização do aborto, a questão dos fetos anencéfalos, as pesquisas com células-tronco, a criminalização da homofobia, etc...

É a partir deste conceito de moralidade distorcido que jovens universitários de classe média se julgam no direito de agredir às putas - utilizando-as como xingamento - da mesma maneira que se julgam no direito de agredir à moça que se veste de maneira diferente dos demais, como se o diferente fosse sempre inaceitável.

É a partir deste conceito de moralidade totalmente distorcido que tanta gente supostamente sensata criticou Juliana Paes, na época da briga judicial entre ela e José Simão. Não me esqueço do tanto de absurdos que li no sentido de que "se a Juliana até já saiu nua em revista, não pode se sentir ofendida por ser mencionada de maneira jocosa". Como se uma coisa - mais uma vez - justificasse a outra.

É a partir deste conceito de moralidade totalmente distorcido que o Juiz do caso 1 acima se sentiu no direito de atacar a "mulher que teve conduta inadequada para com marido alheio", negando-lhe uma prestação jurisdicional apesar da garantia expressa da lei em sentido contrário, simplesmente por julgá-la menos merecedora da lei do que "pessoas de bem", aí entendidas como aquelas que não investem contra maridos alheios.

Quanta besteira! É deste mesmo ponto de partida que vem outras conclusões muito mais imbecis, como aquelas que julgam homosexuais menos respeitáveis do que heterosexuais, como aquelas que julgam cristãos mais respeitáveis do que ateus, enfim... aqueles que julgam condenável tudo aquilo que é diferente.

Percebem como tudo leva para uma Ditadura Moralista de critérios altamente contestáveis?

Percebem como no fundo a ideia que move todos esses fatos acima narrados é a adequação ou não das pessoas envolvidas aos "padrões morais aceitáveis"?

E que padrões são esses? Quem os fixou? Todo mundo tem que pensar de maneira igual agora, é isso?

E se eu disser que não vejo problema nenhum no vestido de Geyze, e que eu mesma já usei outros até mais extravagantes na minha época de universitária? E se eu disser que não condeno a moça do caso 1 por ter flertado com o marido da outra, especialmente porque não sei dos detalhes pessoais que os levaram a tal envolvimento, e por isso me sinto incapaz de tomar partido? E se eu disser que acho que Juliana Paes poderia até ter feito filmes pornôs, e ainda assim continuaria tendo o legítimo direito de processar qualquer um que diga seu nome de maneira ofensiva, porque uma coisa não tem nada a ver com a outra?

Vocês me considerariam uma pessoa imoral?

Pois então, saibam desde já, eu sou IMORAL. E não faço questão nenhuma de me integrar nesse pelotão aí que brada como maioria, não faço questão nenhuma de ser vista como uma "mulher de bem", porque nada disso importa de verdade.

Princípios morais são absolutamente subjetivos, frutos do meio em que crescemos e onde vivemos, fruto da nossa história e dos nossos antepassados, e por isso mesmo cada um tem o seu, não há e não deve haver um padrão.

O que é moral pra mim, pode ser imoral pra você, e vice versa. Pessoas são diferentes. Tem princípios diferentes. E pra evoluir de verdade precisaríamos parar de lutar contra as diferenças e dedicar nossos esforços apenas em aceitá-las e respeitá-las.

Estamos dando passos largos numa direção totalmente contrária, e o mais triste é perceber que há toda uma "nova geração" alienada por essa ditadura moralista de fundo de quintal, uma geração que não se envergonha de mostrar a cara na mídia e defender o indefensável: a intolerância.

A Ditadura da Moral e dos Bons Costumes cega. É lobo em pele de cordeiro. E está aí, pronta pra te abduzir.

Cuidado!

domingo, 8 de novembro de 2009

Ayrton Senna Racing Day



Desde que virei uma atleta quase *cof* *cof* profissional e comecei a participar de tudo quanto é corrida de rua que aparece no circuito paulistano, deixei de fazer posts sobre as provas aqui no Blog porque achei que, bem... talvez nem todo mundo achasse o assunto assim tããão interessante...

Mas eu não parei, continuo no mesmo esqueminha "devagar-e-sempre", ainda sem muito condicionamento e sem conseguir obter grandes resultados, mas persistindo e vivendo experiências sempre muito valiosas.

Hoje participei pela primeira vez de uma prova bem diferente de todas as outras que já fiz, e o meu encantamento pela Ayrton Senna Racing Day justifica este post atlético depois de um longo período de silêncio.

Antes de mais nada, preciso frisar que qualquer evento que leve a "marca" Ayrton Senna já merece meu respeito, em qualquer circunstância. Porque se tem uma coisa que a gente tem certeza é da seriedade do Instituto Ayrton Senna e da dedicada direção da Viviane Senna.

A Maratona de Revezamento Ayrton Senna Racing Day não foge à regra. De cunho social, o evento tem a renda obtida com as inscrições dos atletas integralmente destinada à melhoria da qualidade da educação pública no país, beneficiando 11 milhões de crianças em todo o território nacional.

E, como se o cunho social por si só já não fosse motivo forte o bastante para motivar a participação na prova, trata-se de uma das corridas mais bem organizadas de todas que já participei. Impecável. Exemplar. Fiquei realmente impressionada, e louca para participar novamente no próximo ano! É ainda uma ótima oportunidade para conhecer detalhadamente o belíssimo Autódromo de Interlagos.

Como o próprio nome diz, trata-se de uma Maratona, ou seja, uma prova com percurso total de 42,2km, que pode ser disputada individualmente ou em revezamento por equipes de 2, 4 ou 8 corredores.

Sempre sob a liderança da minha mana-atleta Silvia e meu querido cunhado Laudo, organizamos as equipes segundo nível técnico de cada um e objetivos para a prova. Foram montadas 4 equipes só com a "nossa turma", 1 quarteto feminino, 1 quarteto masculino (todos "feras"), e 2 equipes de 8 corredores mistas, com a galera que, como eu, curte mais a festa e objetiva apenas participar de uma maneira bonita, dentro do próprio limite.

Às 7h da manhá já estávamos quase todos no Padock do Autódromo, organizando os comes e bebes na nossa tenda, e às 8h foi dada a largada da prova, após o que só paramos às 14h.

Eu fui a segunda corredora da equipe "suave" (a.k.a. lerdos), e completei a minha volta (5,3km) em menos de 50 minutos (ainda não temos o tempo oficial). Um desempenho pífio, se comparado ao de outros atletas "sérios", mas uma ótima marca pessoal, especialmente considerando minhas dificuldades nas últimas corridas de 5km.

A prova é bem puxada, especialmente porque o autódromo alterna muitos trechos de descida e subida, e para os pouco experientes como eu isso quebra muito o ritmo e torna tudo mais difícil. Ainda assim, é uma experiência deliciosa correr "à pé" pelo lugar que é palco de provas de tanta velocidade, e apesar do cansaço no último quilômetro, fiquei até com vontade de dar mais uma voltinha...

Um outro grande barato dessa prova é a confraternização que rola, porque enquanto um está na pista, os outros 7 estão na torcida, gritando, mandando vibrações positivas, fazendo aquele auê, e, na boa, essa é das melhores partes! Estou até sem voz de tanto que torci e gritei não só pela minha equipe, mas pelas outras equipes do nosso grupo.

E se o meu time "suaves" foi dos mais lerdos, que terminou a prova quase no tempo limite, também foi do nosso grupo que saíram as meninas mais velozes na categoria quarteto. A equipe "Ladies", formada por 4 corredores feras (inclusive minha mana Silvia) concluiu a Maratona em pouco mais de 4 horas, e ficou em 1o. lugar na classificação "Quarteto Feminino". Quer dizer, além da farra da corrida como um todo, ainda tivemos um gostinho especial de celebrar nossas meninas "de ouro" no topo do pódium.

"Tigotos Ladies", as FERAS. No ponto mais alto do Pódium... #orgulho!


Pura emoção!

Como sempre digo quando relato minhas corridas, até outro dia eu também era daquelas que achava um absurdo uma pessoa acordar às 5 horas da manhã num domingo pra ir correr a troco de "nada". Até outro dia eu também não me conformava como as pessoas pagavam pra correr e não ganhar nada. Mas hoje faço parte do grupo que diz o já clichê "correr vicia", e mesmo com todo o meu gingado típico de quem tem a "passada do elefantinho", ainda assim já sou do grupo das viciadas, adoro, e a prova de hoje, especificamente, vai ficar guardada pra sempre na memória como um dia muito especial!

O baile (quase) todo. Os mais velozes e os mais lerdos (especialmente Eu). Isso é democracia!


Que venha 2010! Se tudo der certo, estarei lá mais uma vez!

Bora?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ainda não sei exatamente quando, mas...

...Eu voltarei!

Vocês não fazem ideia da falta que eu estou sentindo de blogar... Da falta que estou sentindo de interagir com os queridos visitantes que sempre passam (ou pelo menos passavam) por aqui!

Ver meu blog tão abandonado há mais de um mês me deixa muito triste, principalmente porque não é falta de conteúdo - são textos e mais textos produzidos aqui, na minha caixola, ideias e mais ideias prontinhas pra serem colocadas em prática, mas... falta um pequeno detalhe, aqueeeele pequeno detalhe que anda cada dia mais raro na vida de todo mundo: tempo.

É bem verdade que o Twitter também tem uma considerável parcela de culpa neste processo, depois que a gente vicia naquilo lá não consegue mais largar, mas de um modo geral há bem menos tempo disponível no planeta, esta é a reclamação geral, e se todo mundo tá reclamando, bem... deve realmente haver algum problema!

Como eu disse outro dia, tenho a impressão que existem uns duendes endiabrados que ficam no controle do relógio da vida, e de vez em quando eles brincam de surtar pessoas, avançando as horas num ritmo muito mais acelerado que o normal, e aí a gente realmente surta, porque não consegue fazer nada e quando vê, o dia já acabou, a semana já foi, o mês já era, e, puxa, o Natal tá aí!

Mas como eu sou persistente e não desisto tão fácil, tenho certeza que logo esses maledetos duendes vão cansar da brincadeira e deixar o relógio da vida girar no ritmo certo, e então tudo voltará ao seu lugar, inclusive a Dona Farta à Fartolândia.

Vocês me esperam? Não desistam de mim, tá? Logo logo tem novidade boa, e vou adorar contar tudinho aqui!

Beijos Fartos!!!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A difícil arte de tentar manter-se jovem (ou minimamente digna)

Não vou enganar vocês não: Ser mulher é uma merda!

Ok, pode não ser uma merda assim tããão grande, é bem verdade que existem muitas vantagens, e particularmente acho que nem a idéia de fazer xixi em pé me faria querer ser homem numa outra encarnação, já que essa habilidade é compensada pela inteligência limitada e eu ainda prefiro poder exercitar a arte de pensar... (sem ofensas, meninos!)

O que eu quero dizer mesmo com a frase de abertura deste post é que ser mulher dá um trabalho desgraçado!

Não vou nem me aprofundar nas questões biológicas como cólica, menstruação, gravidez, menopausa, etc e tal porque esses são os desconfortos óbvios do "sexo frágil", único capaz de suportá-los, diga-se de passagem...

Mas daí que a gente é mulher, né? E **o tempo passa, o tempo voa, a poupança Bamerindus continua numa boa**, mas o nosso corpitcho... quaaaanta diferença!

Ah, o tempo... o implacável tempo!

E o que seria de todas nós sem as maravilhas da indústria cosmética? O que seria de todas nós sem essas poções mágicas disfarçadas de creme, sabonete, fluído, gel, e mais trocentos nomes que inventam todos os dias para fazer nosso cérebro acreditar em milagres?

É, porque a gente já não tem mais idade pra acreditar em Papai Noel, em Coelhinho da Páscoa, em Fada dos Dentes ou qualquer ser encantado do gênero, mas se tem uma coisa na qual acreditamos até o último dos nossos dias é em milagre, principalmente quando o milagre em questão significa a possibilidade de rejuvenescer, manter-se jovem ou pelo menos retardar o envelhecimento...

No fundo, enquanto seres superiores e inteligentes que somos, sabemos que isso tudo é uma grande bobagem, que milagres não existem e que o tempo vai derrubar tudo mesmo, mas de alguma forma fingir que acreditamos no creme X, no shampoo Y ou no gel W nos ajuda pelo menos a manter as esperanças de que as coisas não fiquem tããão ruins...

Daí a gente sijoga nos cosméticos. Sai comprando tudo que recomendam como se não houvesse amanhã, acredita até nas propagandas mais imbecis, gasta metade do salário com essas despesas que de repente se tornam "essenciais", dedica pelo menos 30% do espaço do quarto para estocar esses produtos e transforma o simples ritual durante e pós banho de todos os dias numa verdadeira maratona que consome inclusive uma boa parte do nosso tempo de sono, mas nada disso importa, porque o que a gente quer mesmo é ficar jovem e bonita (não necessariamente nessa ordem).

Só durante o banho são pelo menos 10 frascos abertos. Tem o sabonete esfoliante para partes ásperas, o sabonete hidratante para partes ressecadas, o sabonete normal para partes normais, o shampoo de limpeza profunda sem sal, o shampoo propriamente dito, o condicionador, a máscara de hidratação profunda para pontas duplas, o sabonete para combater a oleosidade na zona T, o gel de limpeza para rostos sensíveis e, claro, o sabonete íntimo (sem contar os sais e óleos de banho em ocasiões especiais).

E há toda uma sequência lógica para utilização desses produtos, de modo que tomar banho vira um momento de tensão, praticamente um teste de memória, já que qualquer deslize pode colocar a perder todo o tratamento milagroso que, vocês sabem, custou uma fortuna e vai fazer milagre!

Superada a etapa banho, não estamos ainda nem na metade da maratona, porque vem a sessão pós-banho, com mais uns 793183426 potes de cosméticos abertos, que devem ser usados de maneiras específicas e numa ordem coerente para surtirem os efeitos esperados.

E tome hidratante à base de manteiga de karité para as partes ásperas, hidratante à base de leite para as partes normais, fluído anticelulite para as partes celulitentas, gel redutor de gordura para as partes gordurosas, gel firmador para as partes moles, creme fortalecedor para as partes fracas, balm pós banho para uma sensação de frescor, creme anti-rugas para a área dos olhos, outro creme anti-rugas para as linhas de expressão, controlador da oleosidade para a zona T, creme firmador para o pescoço, hidratante antiidade para o rosto, isso sem contar as compressas para suavizar olheiras, máscaras para remoção de impurezas, e mais um monte de coisas que, de tantas que são, nem consigo lembrar agora.

Aí a gente finalmente pode deitar e dormir um sono da beleza que dura, sei lá, umas 3 horinhas, porque a gente gastou parte da madrugada na maratona que descrevi acima, e tem que acordar bem mais cedo para o ritual da manhã... É, minha gente, ritual da manhã!

Porque vocês acham que os produtos que servem para a noite servem também para o dia?

Nã-nã-ni-nã-não! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E quando o galo canta lá estamos nós novamente, envoltas nos 39853754 frascos de sabonetes durante o banho, mais 89378538394 potes de cremes pós-banho para uso diurno, sem contar o filtro solar e a maquiagem, fundamentais para que estejamos deslumbrantes durante o dia inteiro...

Cansaço? Olheiras? Bobagem! Para isso existem outras tantas maravilhas cosméticas! Palidez? Olhos caídos? Para isso existem maquigens espetaculares que cobrem até a pereba mais assustadora, sem contar os truques que fazem até defunto parecer vivo, imaginem uns míseros olhos caídos! Nada que uma sombra e um delineador aplicados do jeito certo não disfarcem!

É o lema da indústria cosmética, minha gente: Não há mal sem solução, nada que um tiquinho de dinheiro não compre, nada que a mais nova maravilha cosmética não resolva!

E assim vamos levando nossa vida de mulheres maduras em busca da fórmula da juventude, totalmente escravizadas por essa indústria da vaidade, transformando nosso cotidiano num meticuloso esquema de guerra, digno dos mais respeitados exércitos do mundo.

*
Só não podemos esquecer de tomar um remédinho pra memória todo dia...
Porque, claro, todo esse ritual requer memória ágil e eficiente, e não quero nem pensar no que pode acontecer se a gente se atrapalhar e usar o sabonete íntimo no rosto, o esfoliante para partes ásperas na zona T, o adstringente nas partes íntimas, etc, etc, etc...

E ainda tem gente que pensa que é fácil!

(não, não é, mas no fundo a gente adora ser assim!)

domingo, 20 de setembro de 2009

Saudade

Há 4 anos ela partiu...
para além do arco-íris...
Levando um pedaço de mim...
E deixando muita, muita saudade!


TE AMO PRA SEMPRE, MÃE!

PRA SEMPRE!!!



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Mundo é Portátil...

...E agora que a portabilidade chegou ao alcance desta Dinossaura que vos fala, talvez o Blog não fique mais tanto tempo abandonado...

Porque assunto, vocês sabem, não falta... falta só tempo, paciência, disposição, criatividade, dinheiro, etc e tal... Mas com o "mundo nas mãos" a coisa fica diferente, e vou tentar postar mais vezes, nem que seja roubando o Wi-Fi do vizinho...

Não desistam de mim! É possível que novidades bem legais apareçam em breve... quem viver, verá!!!

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* Este é meu primeiro post feito integralmente pelo Smartphone, também conhecido como brinquedinho mais legal do Mundo... (presentinho "básico" do namorido)

** Parece que eu posso fazer muitas coisas por aqui, desde que eu aprenda a usar os recursos, né? Um pequeno detalhe... Nada que a leitura de um Manual de 6359472584137 páginas não resolva... :(

*** O único problema desses aparelhinhos ultramodernos é que eles estão cada vez menores, com teclas minúsculas, ao passo em que meus dedos estão cada vez maiores e mais desajeitados (a idade, né, vocês sabem )... Dito isso, peço desculpas por qualquer erro de digitação, até porque mal estou enxergando as letras, e conseguir colocar o post no ar de primeira já vai ser um grande feito!

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Bom Dia, Bom Feriado e Boa Sorte!!!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A História do Rodeio

Prontos para mais uma trapalhada da Dona Farta? Então senta que lá vem história!

Eu não tenho a menor ideia de como funciona o calendário do mundo dos Rodeios, só o que eu sei é que sempre nesta época do ano rola uma overdose do "movimento caipira" por conta da etapa mais famosa, a tão falada "Festa do Peão de Barretos".

Não é a minha praia, qualquer um que me conheça um tiquinho sabe disso, mas é também verdade que não posso renegar meu passado e tenho que admitir que houve um tempo em que eu era "mais aberta", digamos assim, ao mundo sertanejo. E neste tempo, há uma quantidade considerável de anos atrás, havia todo um glamour em torno do Rodeio de Barretos, e todo mundo que era cool de verdade tinha que participar pelo menos uma vez da festa.

Ah, os vinte e poucos anos! Bons e Bizarros tempos!

Eu tinha comprado meu primeiro carro havia pouco tempo, e estava ainda vivendo aquela fase de empolgação, de querer rodar o mundo guiando meu possante, de curtir minha liberdade, essas bobagens... E então um belo sábado acordei e ouvi alguma coisa na TV sobre a Festa do Peão de Barretos. Era o último final de semana do evento, e todos os telejornais faziam reportagens especiais a respeito, e aquele zumzumzum todo imediatamente me acendeu a luzinha da ideia: "É pra lá que eu vou!".

Liguei pra uma amiga e a convidei para ir comigo pra Barretos, como se convida alguém para ir ali na esquina, tomar um café. A amiga não se fez de rogada e aceitou na hora. Passei para pegá-la e no finalzinho da tarde caímos na estrada.

Não tínhamos a menor ideia de onde ficava Barretos. Não tínhamos noção do que encontraríamos por lá. Apenas nos jogamos na estrada e, perguntando aqui, perguntando ali, conseguimos descobrir mais ou menos qual seria o melhor caminho. Em um dos muitos postos de beira de estrada em que paramos pra pedir informações nos explicaram que teríamos que sair da estrada principal (acho que era Anhaguera, mas não tenho mais certeza), e pegar uma estradinha vicinal que nos levaria até a cidade de Barretos.

Já era noite, estávamos na estrada há pelo menos 3 horas e, contrariando toda a prudência recomendada pelas pessoas mais sensatas nos enfiamos na tal estradinha vicinal, uma via com sinalização péssima, iluminação inexistente, cercada pelo nada e que parecia levar a lugar nenhum. Tipo aquelas estradas de filmes de terror, de onde nunca se consegue sair...

Mas aos vinte e poucos anos a gente mal toma conhecimento do medo, e a empolgação de estar quase chegando à famosa Festa do Peão de Barretos superava qualquer outro sentimento. Vimos estrelas cadentes no caminho (e eu quase perdi a direção do carro de tanta emoção), vimos túneis que não existiam (eram apenas ilusão de ótica pela sombra das árvores na escuridão), vimos pessoas à margem da estrada - pessoas que não eram reais, e mais uma infinidade de coisas inexplicáveis, mas estávamos numa espécie de transe e nada disso nos dissuadiu de chegar à cidade.

Depois de muito tempo, nem me lembro mais quantas horas, de fato nós chegamos a Barretos. Fomos seguindo o "fluxo" até encontrar uma fila imensa de carros parados numa estrada de terra (de TERRA, guardem esta informação), e então nos informaram que aquela era a fila para chegar ao Parque do Peão. Foi meio frustrante, porque na nossa imaginação a chegada seria um pouco mais glamurosa, mas não tínhamos outra alternativa, então ficamos na fila de carros, que andava uns 2 ou 3 metros a cada 10 minutos.

Num determinado momento começou a rolar uma festinha à parte da galera da fila dos carros, o pessoal descia do carro pra comprar ou compartilhar bebida, paquerar, causar, essas coisas que a gente faz aos vinte e poucos anos. Eu e minha amiga encontramos um vendedor de chapéus e tratamos de nos paramentar, e então começamos a "pagar de gatinhas" a bordo do meu possante, vidros abertos, música quase alta, caras e bocas, aquela coisa... Não demorou para os cowboys chegarem, e assim fomos administrando a lenta fila até a chegada ao Parque do Peão, entre uma paquerada e outra, uma gracinha aqui, um fora ali, estávamos "nos achando"... De repente fazia muito sentido tudo o que diziam sobre o Rodeio de Barretos...

Já era bem tarde (por volta da meia-noite, eu acho) quando finalmente conseguimos estacionar no Parque. Largamos o carro lá no meio do estacionamento gigante e lotado e fomos explorar a festa. Na verdade a gente nem sabia o que exatamente se faz em uma festa de peão, mas mantivemos a pose blasè e fomos andando no meio das barracas, observando os outros, tentando entender o que tava rolando.

Decidimos que pagar o ingresso pra ver o Rodeio não era uma alternativa, já que não entendíamos patavina de bois, touros ou cavalos, e ao que parecia era na área livre da feira que as coisas aconteciam. Ficamos por ali, circulando, bebericando um negócinho aqui, outro ali, e quando a noite começou a ficar monótona nos jogamos em uma balada que parecia ser "o lugar". Por fora era apenas uma tenda montada no meio do Parque do Peão, mas por dentro era a reprodução fiel das mais badaladas casas noturnas da Capital, com a diferença que os Mauricinhos e Patricinhas de SP estavam ali travestidos de cowboys e cowgirls.

Em pouco tempo arrumamos companhia, e quando nos demos conta já estava amanhecendo, e a balada terminando. Saímos da tenda ainda escura acompanhadas dos nossos paquerinhas, e foi à luz de uma linda manhã de domingo que fomos confrontadas com a nossa realidade. Estávamos encardidas. Marrons. Parecíamos uma escultura de terra, algo assim. Era possível enxergar apenas nossos olhos e os chapéus, mas o resto era só poeira. Minha amiga olhou minha mão e fez um sinal discreto, e quando eu prestei atenção vi que até minhas unhas estavam tomadas pela terra, parecia que eu tinha cavado uma sepultura com as mãos. Um horror. E os rapazes também não conseguiram evitar uma certa cara de espanto ao nos enxergar melhor, à luz do dia.

Bem diz o ditado que à noite todos os gatos são pardos. Na noite anterior e na madrugada dentro da balada escura tudo parecia plenamente normal, e ficamos nos perguntando como ficamos daquela cor, em que momento desde a nossa chegada a Barretos a terra grudou no nosso corpo sem que tivéssemos percebido.

Os paqueras, obviamente, arrumaram uma desculpa e se mandaram, e eu e minha amiga decidimos que precisávamos encontrar algum lugar pra tomar um banho e trocar de roupa, já que pretendíamos ficar na festa também no domingo, pelo menos até o começo da noite.

Camelamos até o estacionamento gigante e demoramos um bom tempo pra encontrar meu carro, porque a situação já estava bem diferente da noite anterior, e também porque eu estava procurando um carro azul (eu tinha um corsinha azul lindo), quando na verdade devia estar procurando um carro marrom. Desacreditei quando reconheci meu carro pela placa e vi que também ele tinha mudado de cor, consumido pela poeira. Quase infartei quando abri as portas e constatei que o marrom não estava só do lado de fora, mas também - e principalmente - do lado de dentro. Poeira por todo lado, painel, bancos, volante, tapetes, tudo marrom, tudo terra, tudo imundo.

Chorei.

Então nos ocorreu que aquela poeira toda provavelmente veio da estrada de terra onde ficamos paradas por horas na noite anterior, e só o que nos consolou foi pensar que, bem... talvez todo mundo estivesse com o carro marrom, e talvez o marrom virasse realmente tendência da estação, algo como "moda Barretos", algo assim...

O fato é que não conhecíamos nadica de nada da cidade, não sabíamos nem pra que lado ficava o centro, onde poderíamos encontrar um lugar pra tomar banho e trocar de roupa, não sabíamos nada e tivemos que descobrir tudo perguntando aqui e acolá. Encontramos um posto de gasolina de beira de estrada que tinha banheiro imundo com chuveiro - aka bica meia-boca, mas foi lá mesmo que nos viramos e tentamos recuperar um tiquinho de dignidade. O moço do posto também tentou dar um jeito do carro imundo - sem muito sucesso, mas nós já limpinhas, de dentes escovados, banho tomado e roupa trocada ficamos novas em folha, e partimos para a exploração da cidade, tomar café da manhã, essas coisas.

Perto da hora do almoço retornamos ao Parque do Peão, porque segundo nos informaram era nesse horário que o movimento recomeçava. Estávamos cansadas, tínhamos virado a noite sem dormir, mas a empolgação de vivenciar Barretos intensamente era maior, além do que queríamos exibir nossos recém adquiridos celulares Nokia da BCB (vulgo tijolão), ostentando nosso "brinquedinho" orgulhosamente preso na cintura, de modo que lá estávamos nós debaixo de um Sol de 50 graus andando pra lá e pra cá, sendo laçadas por um cowboy engraçadinho aqui, sendo galanteadas por outro cowboy acolá, e depois de muito vai e vem entre barracas decidimos parar em um quiosque pra beber alguma coisa.

Inteligentíssimas que éramos, achamos apropriado tomar um porre de Amarula. Muito apropriado. Várias doses depois, estávamos consideravelmente bêbadas naquele Sol infernal, bêbadas de A-ma-ru-la! Decidimos tirar um cochilo no carro pra estar "inteira" à noite, e voltamos aos trancos e barrancos até o estacionamento lááá longe, entramos no carro, deitamos os bancos, ligamos o ar frio (não ar condicionado, ar frio, sabe, aquele da ventilação?), ar frio este que na verdade estava fervendo, já que o carro estava debaixo do Sol escaldante, mas mesmo assim conseguimos pegar no sono, porque bêbado, vocês sabem... dorme em qualquer canto, de qualquer jeito...

Horas depois, não sei bem quantas, acordamos torradas, suadas, com o corpo todo doendo, praticamente desidratadas pelo Sol e pelo ar quente do carro. Nosso humor já não era mais o mesmo, tenho que confessar, e a sensação incrível de estar em Barretos também desaparecia subitamente. Mesmo assim retornamos ao Parque do Peão para mais umas voltinhas e azaração (e hidratação, desta vez apenas com água). Já estava anoitecendo, e o senso de responsabilidade nos fez decidir ir embora, já que ambas trabalharíamos na segunda-feira de manhã. Sensação de alívio, preciso confessar.

O problema é que chegamos ao carro e quem disse que ele pegava? Eu girava a chave no contato e não havia sequer um sinalzinho do motor, nada, silêncio absoluto. A princípio estranhamos, mas alguns minutos depois lembramos das horas dormidas com o ar ligado, e nos ocorreu que, bem... talvez isso tivesse descarregado da bateria! Inteligentíssimas!

A alternativa era tentar dar o famoso tranco, mas minha amiga se irritou comigo muito rapidamente, porque eu realmente não sabia (e não sei até hoje) esse negócio de dar tranco em carro... Faço tudo do jeito errado e a pessoa que está empurrando fica sempre fula da vida com o esforço em vão. Depois de vários minutos de paspalhice nossa - 2 moças completamente fora de controle tentando colocar um carro em movimento - apareceram alguns caras e se ofereceram pra nos ajudar, não sem antes fazerem toda sorte de piadinhas envolvendo mulheres e volante. Ódio!!!

Só sei que com muito sacrifício conseguimos sair daquele lugar, com uma única certeza: Jamais retornar. A verdade é que foi meio traumático. Estávamos tão cansadas que nem conseguimos voltar direto pra São Paulo, precisamos fazer uma parada estratégica na casa da minha irmã que na época morava em Rio Claro (mais ou menos o meio do caminho entre Barretos e São Paulo), dormimos por lá e pegamos a estrada de volta pra Sampa na segunda-feira de manhã, e fomos ambas direto para o trabalho, onde, obviamente, não produzimos absolutamente nada.

Ficamos estragadas por dias. Meu carro nunca mais voltou a ser a belezura que era antes, mesmo depois de várias lavagens completas e lavagens do estofamento. Mas nada disso tinha importância diante da cara de espanto / admiração que as pessoas faziam quando contávamos que tínhamos ido para a Festa do Peão de Barretos. Naquela época, pelo menos, isso era status. E aos vinte e poucos anos, bem... a gente faz (quase) qualquer coisa pra impressionar.

Seguuuuuuura Peão!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O Dia DELA

Hoje minha mãezinha completaria 53 anos... Estaria ainda muito jovem, cheia de planos e sonhos, cheia de energia como ela sempre foi...

Mas a vida é injusta e ela partiu antes mesmo de chegar aos 50 anos, e agora o dia 18 de agosto é apenas um dia triste, daqueles em que a saudade aperta e a ausência dói ainda mais...

Muita saudade, Mãe!
Te amo pra sempre!!!




terça-feira, 11 de agosto de 2009

Era uma vez...

...Duas pessoas que se conheceram e flertaram, e então se apaixonaram, e namoraram, e procriaram, e foram morar juntos, e depois de muitos anos finalmente se casaram, e então se separaram, e, separados, se reapaixonaram, e então voltaram a namorar...



Let's stay together...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O que eu também não entendo...

Sabe quando você deseja muito uma coisa, tanto que acaba idealizando-a inconscientemente, e transformando-a em algo que ela não é de verdade?

E aí depois de muito sacrifício e empenho você finalmente consegue esta coisa?

E então percebe que aquilo não é exatamente do jeito que você pensou, porque, afinal de contas, você idealizou algo que não existe?

A vida é muito sacana e vive dando essas rasteiras na gente. Ou talvez a culpa seja mesmo da mente humana, tão doentia...

Por que a gente quase nunca consegue sincronizar razão e emoção?

Por que a gente complica o que é simples o tempo todo, quando inteligente mesmo seria fazer o exercício inverso?

Que prazer sádico se esconde em nosso cérebro, que é capaz de nos levar a atitudes às vezes tão inteligentes, e em outras vezes tão estúpidas?

Aliás, de onde surge tanta estupidez assim, do nada? Uma estupidez capaz de fazer uma pessoa contradizer todos os seus princípios e agir como um ser irracional?

Como sair deste engodo? Como reencontrar o equilíbrio e começar de novo?

A única certeza que eu consigo ter no meio de tantas questões sem respostas é que ninguém nos conhece completamente. Muito menos nós mesmos.

Eu não me conheço. Não me reconheço. E me surpreendo o tempo todo... E quando eu acho que encontrei a resposta que precisava aparece uma nova questão que eu nem sabia que estava dentro de mim, e aí o complicado fica mais complicado, e a solução cada vez mais distante.

Talvez seja isso. Talvez o grande desafio da vida não seja compreender nada nem ninguém, senão a nós mesmos.

E como a autocompreensão é algo impossível, o segredo é aprender a administrar o caos. Ou sucumbir. Ou apenas deixar rolar, e ver no que vai dar. Até um terremoto mudar as rotativas.

É isso.

domingo, 19 de julho de 2009

O Escafandro e a Borboleta


Jean-Dominique Bauby (vivido brilhantemente por Mathieu Amalric) foi um bom vivant, apaixonado pela vida e pelas mulheres, acostumado a desfrutar das regalias proporcionadas por sua fama no meio fashion editorial, já que era editor da famosa revista Elle francesa.

Aos 43 anos foi vitimado por um derrame cerebral que o deixou em coma durante cerca de 20 dias, após o que acordou plenamente lúcido, mas descobriu-se completamente paralisado, acometido pela rara síndrome de locked in, conseguindo movimentar apenas o olho esquerdo.

Com o auxílio de uma empenhada equipe médica, especialmente as fisioterapeutas do hospital, Bauby reencontra uma maneira de comunicar-se com o mundo, utilizando uma improvável técnica de piscar os olhos para formar palavras. E foi assim que conseguiu escrever suas memórias, publicadas através do livro homônimo que inspirou este excelente filme.

Apesar do tema trágico que poderia transformar o filme num dramalhão recheado de clichês, somos brindados com uma ode à vida e à morte, uma poesia em movimento na tela do cinema (ou da TV), tanto por mérito da visão pessoal de Bauby narrada em seu livro como pela magistral direção de Julian Schnabel (brilhante diretor não só neste filme mas também no já antigo Antes do Anoitecer, um dos meus filmes preferidos de todos os tempos)

Fecham o "pacote" com chave de ouro uma fotografia estonteante que conseguiu me teletransportar para o belíssimo litoral francês, ao som de uma trilha sonora inesquecível.

Não deixe de assistir "O Escafandro e a Borboleta".

Realmente Imperdível!

"Sua imaginação é a única coisa completamente livre. Pode te levar pra onde você quiser"


Você é Moralista?

Acompanhem comigo a seguinte historinha:

Personagem 1)
Juliana Paes, uma mulher linda, famosa, influente no meio artístico, atriz consagrada de muitas novelas, já posou nua para revistas masculinas e já fez tantos outros ensaios sensuais, tendo, inclusive, integrado uma famosa lista internacional de mulheres mais sexys do mundo.

Personagem 2)
Juliana Silva (fictício), uma mulher linda, anônima, que exerce um trabalho burocrático numa repartição pública, nunca mostrou seu corpo em público e é inclusive famosa entre os colegas por seu comportamento discreto e pelas roupas que veste, sempre muito comportadas e nada sensuais.

Pois bem. Um belo dia um famoso colunista de humor resolveu usar a personagem 1 em sua coluna, e cedendo à obviedade de seus estonteantes atributos físicos, fez uma piada de duplo sentido dizendo que ela "não era casta", em alusão à condição da personagem indiana vivida pela moça na novela do momento.

Muitos riram da piada. Outros, como eu, acharam-na bastante sem graça, apesar do esforço do carismático humorista. Até aí, ok... acontece com os melhores, e nem todo mundo consegue fazer piada boa todo dia.

Acontece que a personagem 1, protagonista da piada em questão, por alguma razão que não nos cabe compreender sentiu-se ofendida com o que foi dito/escrito, e procurou a Justiça para obter a reparação à ofensa sofrida, assim como para evitar que outras piadas fossem feitas a seu respeito pelo tal piadista.

A Justiça, por sua vez, entendeu que procedia a reclamação da personagem 1, entendeu ser legítima a ofensa por ela alegada e penalizou o humorista com uma multa pecuniária, além de proibi-lo de citar a moça em outras piadas.

Em razão de ambos os envolvidos no incidente serem figuras públicas que estão constantemente na mídia, criou-se todo um burburinho em torno do caso, sendo que a grande maioria das pessoas posicionou-se contra a personagem 1 e contra a decisão da justiça, defendendo que a liberdade de expressão deve prevalecer sempre e que a proibição imposta ao humorista era uma vergonhosa demonstração de censura.

É uma questão polêmica, por assim dizer, e cada um tem o direito de formar sua opinião e tomar o partido que quiser.

O problema não é a posição que a maioria das pessoas tomou. O problema, meus queridos, é a fundamentação desta posição, são os critérios que as pessoas utilizaram para chegar a esta conclusão. Este é o ponto.

Um famoso blogueiro, celebridade virtual e também real, formador de opinião e idolatrado pelos fãs de seu programa de *cof cof* humor ingeligente, rapidamente abordou o assunto no seu Blog, defendendo ferrenhamente o humorista e dizendo-se indignado com a atitude da atriz e a decisão da justiça. Abre seu post com uma fotografia sensual da atriz, e é nela que baseia todo o seu raciocínio:

Ora, se a moça já mostrou a bunda para o país inteiro, não pode sentir-se ofendida com uma mera menção em uma piada, pelo contrário: devia se sentir honrada por ser citada pelo humorista, como se a citação inclusive a elevasse a um patamar de respeito que ela perdeu no dia em que posou pelada.

Vocês entendem onde estou querendo chegar? Que P* de argumento é esse? Como pode uma pessoa supostamente descolada e modernex, uma pessoa supostamente politizada e que briga tanto pela democracia e pela igualdade dizer uma coisa dessas? Em qual escola esse moço aprendeu o sentido de democracia? Qual foi o conceito de igualdade que ensinaram pra ele?

Obviamente estou usando o Marcelo Tas apenas como exemplo. Porque lamentavelmente é nessa mesma linha de pensamento que a maioria dos indignados se baseou (ou, pior, foi esta linha de raciocínio que a maioria das pessoas copiou). As pessoas acham que o fato de a personagem 1 já ter mostrado seu corpo no vídeo ou em fotos tira-lhe o direito de se sentir ofendida. Como se aquele ensaio fotográfico da Playboy fosse o passaporte para o eterno desrespeito.

E não, não é. Cada um tem uma opinião particular sobre mulheres que vendem a imagem nua do seu corpo, e eu tenho a minha. Cada um tem uma opinião sobre mulheres que vendem o seu próprio corpo, e eu também tenho a minha. Mas considerando que vivemos num pais democrático, essas opiniões são apenas opiniões. Que podem, sim, ser expressadas como bem entendermos, pela liberdade de expressão tão propalada, mas que em momento nenhum tiram a legitimidade de quem quer que seja se sentir ofendido e buscar a reparação por uma ofensa.

Foi isso que Juliana Paes fez. Se para mim parece bobo processar alguém que disse apenas que ela "não tem casta", pode não ter sido tão insignificante pra ela. E quem sou eu pra medir o tamanho da ofensa que ela sentiu? Como posso eu saber de que maneira isso A atingiu?

A ofensa é personalíssima, meus queridos. Só sabe a dimensão quem a sofre. Quem está de fora fica apenas no achismo, e isso muda todo o contexto do que aconteceu.

E aí vocês vão me perguntar: Onde entra a personagem 2, a Juliana anônima?

Pois bem... suponhamos então que a ofendida fosse a personagem 2. Suponhamos que lá na repartição onde ela trabalha, um colega saísse dizendo para todos os outros que ela não era casta. Suponhamos que ela decidisse processar o colega de trabalho por sentir-se profundamente ofendida com a piada. E suponhamos que a justiça decidisse de forma parecida como no caso famoso.

O que vocês achariam? Ficariam também contra a moça neste caso?

Aposto que diante de uma situação assim, isoladamente, a maioria das pessoas que agora condena a atitude da Juliana famosa defenderia o direito da Juliana anônima, porque entenderiam que esta sim, teria uma honra a zelar. O fato de a personagem 2 nunca ter mostrado o corpo em público e ser uma pessoa discreta a tornaria legítima possuidora do direito de reparaçao por uma ofensa, ao contrário da personagem 1.

Quanto moralismo, não acham? Moralismo, machismo, preconceito, tudo ao mesmo tempo. E era aqui que eu queria chegar.

A verdade, meus queridos, é que julgar é fácil. E seguir a onda também. Difícil é refletir e tentar manter-se coerente com aquilo em que se acredita.

Não tenho nada contra José Simão, muito pelo contrário, gosto bastante dele, principalmente porque ele é muito carismático e bem humorado, mesmo quando (não raramente) faz piadas ruins.

Também não tenho absolutamente nada contra Juliana Paes, muito menos contra o fato de ela já ter mostrado seu corpo por aí. Acho-a lindíssima, inclusive, e também muito carismática.

No episódio propriamente dito, tendo a achar que ela exagerou, a piada foi besta e aparentemente inofensiva, não justificaria uma medida tão extrema como o processo. Mas isso é apenas o meu achismo. Certamente ela tem razões próprias para ter agido como agiu. E se foi ofendida, pois bem, que a Justiça repare. É assim que deve ser. Para quem já posou pelada ou não. (Igualdade, lembram?)

Pra finalizar, também não tenho nada contra o Marcelo Tas, e trouxe o assunto pra cá porque realmente fiquei inconformada com o grau de machismo e preconceito que ele expressou no post sobre o caso. Dizer que o fato de Juliana Paes ter posado pra fotos sensuais a torna imune a qualquer ofensa de cunho sexual é das coisas mais grotescas que ouvi nos últimos tempos.

Seria o mesmo que dizer que qualquer cidadão pode livremente bater a carteira de um político, e que sua atitude estaria justificada uma vez que o político também rouba dinheiro público. Seria o mesmo que dizer que um erro justifica o outro, ou avalisa o outro, e não é por aí.

Quem com ferro fere, com ferro será ferido? Claro que não! Os tempos da Lei de Talião já se foram. Agora quem manda é a democracia. Sem moralismos, sem machismo, sem preconceitos.

É isso.

O Banheiro do Papa


Imagine uma cidadezinha pequena localizada no interior de um país de 3o. Mundo, onde não há riquezas, não há trabalho, não há progresso, onde nada acontece e a rotina das pessoas é absolutamente previsível, dia após dia.

E então o Papa, Sua Santidade em pessoa decide visitar justamente esta cidadezinha perdida no mapa, fato este que, obviamente, será um marco na história do lugar e virará notícia no mundo todo.

Considere também que o Papa arrasta multidões por onde passa, de modo que é mais do que esperado que a tal cidadezinha, tão absolutamente pacata, tenha sua rotina violentamente alterada em razão do evento religioso.

Eis o cenário de "O Banheiro do Papa".

Baseado em fatos reais - em 1988 o Papa João Paulo II visitou a cidade de Melo no Uruguai (localizada próximo à fronteira com o Brasil) - este adorável filme (produzido pelo brasileiro Fernando Meirelles) retrata o processo de renovação das esperanças que toda a população de Melo viveu com a expectativa da visita do Papa, e a consequente oportunidade de mudança de vida que vislumbraram por conta das centenas de milhares de pessoas que eram esperadas na cidade para acompanhar o evento religioso.

O foco do filme está na personagem de Beto (César Trancoso) e sua família (esposa e filha adolescente). Ao perceber que praticamente todas as pessoas da cidade já tinham encontrado um negócio para explorar - alguns fabricariam artigos religiosos e a maioria venderia comida, Beto tem a brilhante ideia de fazer um banheiro, já que "depois de comer tudo que haveria pra se comer, obviamente as pessoas precisariam usar o banheiro".

Acompanhamos então sua dura e atrapalhada batalha para a construção do Banheiro do Papa, e mergulhamos num universo de tanta esperança, criatividade e otimismo mesmo diante de uma vida miserável que em determinado momento dá até vergonha de sermos (eu sou, às vezes), tão derrotistas ao menor obstáculo.

É um filme tão singelo e ao mesmo tempo tão grandioso... faz chorar mas também diverte tanto... é leve e ao mesmo tempo tão profundo...

Imperdível!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Involução aérea

Eu sou do tempo em que viajar de avião era uma coisa bacana. Elitizada até. Chique. Porque as passagens custavam absurdamente caro, mas as aeronaves, ah... as aeronaves... Eram aquelas geringonças enormes e tão confortáveis que a gente até se sentia importante dentro delas. Era bacana, sabe? Era realmente legal.

Mas, vocês sabem, o tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa...

E é impressionante como as coisas podem ir de um extremo ao outro em apenas alguns anos. Porque se antigamente viajar de avião era um privilégio para poucos afortunados que podiam unir conforto + segurança + rapidez (nessa ordem), hoje em dia é uma tortura para muitos desafortunados que precisam deixar até dignidade do lado de fora para conseguir embarcar no minúsculo teco-teco e tentar chegar ao seu destino sem nenhum conforto, em condições de segurança nebulosas, e nem sempre de maneira rápida, já que os horários marcados dos voos se tornaram meras informações referenciais que não necessariamente (quase nunca, na verdade) são cumpridas.

Aí hoje eu vi essa matéria veiculada no Bom Dia Brasil (link postado no twitter pelo @jlpedroso), e tive que rir. Porque, né? Deve ser uma piada, disfarçada de reportagem. Só pode! (estou me referindo ao conteúdo, e não à matéria em si... só pra esclarecer).

Porque quando a notícia é que a ANAC precisou fazer uma pesquisa pra concluir que os passageiros sofrem um certo desconforto por conta do mínimo espaço entre as poltronas, eu só posso concluir que eles estão tirando sarro da cara de todos nós.

Ou então todas as pessoas que trabalham na ANAC são alguma espécie de gnomos ou duendes ou anões que não medem mais do que 1 metro de altura e não pesam mais do que 30 quilos, única chance de eles nunca terem percebido antes que os aviões são latas de sardinha onde as pessoas viajam esmagadas e grudadas umas nas outras praticamente sem respirar.

Em que mundo essas pessoas vivem, que precisaram fazer uma pesquisa para tirar essas conclusões?

Eu queria muito que o Sr. Presidente da ANAC viajasse numa poltrona do meio num voo lotado de 4 horas de duração num aviãozinho furreca desses da nova Varig ou Gol e depois me dissesse se ele realmente acha que era necessária uma pesquisa pra concluir o óbvio.

Mas isso nem é o pior. O pior é que, de posse do resultado da tal pesquisa, qual é a sugestão da ANAC? Aumentar o tamanho das poltronas e reduzir o número de assentos, tornando a viagem minimamente confortável? NÃÃÃÃO!!! A sugestão é de obrigar as Cias. Aéreas a promover sessões de exercícios com os passageiros de voos de mais de 4 horas de duração, para evitar, sei lá, uma gangrena? Será que a ideia dele é que os comissários façam sessões de alongamento com os passageiros? Dentro dos aviões? E quer dizer então que agora os comissários vão precisar estudar educação física e os voos serão transformados em sessões de academia, onde se desafiará as leis da física tentando fazer 2 corpos ocupar um mesmo lugar no espaço???

Sabe, eu não teria acreditado nisso se me contassem. Mas vi o vídeo da matéria, né, e ouvi lá da boca do próprio homem. LOUCO. Absolutamente SEM NOÇÃO. Sugere isso a pessoas que já passam pela humilhação de ter que se esfregar umas nas outras para conseguir chegar à sua poltrona, como se todo o constrangimento do mundo já não fosse suficiente.

Eu sei que quem tem grana e vai viajar para lugares mais distantes pode se valer da 1a. classe e garantir algum glamour, mas e para voos de ponte aérea feitos quase que exclusivamente por aeronaves minúsculas? Eu sempre vejo altos executivos de empresas importantes se espremendo junto à ralé na ponte aérea... acho que nem eles conseguem se livrar disso.

Eu mesma viajo com uma frequência regular principalmente a trabalho. Tudo bem que não sou uma pessoa exatamente do tamanho padrão sugerido pela ANAC (leia-se anoréxica), e mesmo sendo Farta, estou longe de qualquer extremo, sou uma "quase magra", como disseram outro dia.

E sou mulher. E sou brasileira. E tenho curvas (bem) fartas, e essas minhas curvas (leia-se bunda, quadril, coxas) simplesmente não cabem nos 45cm do assento da lata de sardinha chamada avião. Não cabe. Não entra. Não encaixa. Não serve. A cada viagem eu desafio a física e dou um jeito de me espremer no assento, às custas de muito desconforto, dor e até marcas roxas que às vezes aparecem nas regiões espremidas. E isso, repito, porque eu sou apenas Farta, sem chegar ao extremo de ser realmente obesa.

Aí eu fico pensando o que acontece com as pessoas que são maiores do que eu, e elas não são poucas. Fico pensando na pane que pode se instalar se uma pessoa grande, acomodada na janela de alguma das fileiras tiver um pirepaque no meio do voo e precisar se levantar rapidamente. É impossível. Há uma engenharia elaborada instintivamente pelos passageiros a cada embarque / desembarque que permite que todos se acomodem de maneira razoavelmente organizada, mas isso requer muito constrangimento e muito senta-levanta-senta-levanta. E se houver uma emergência, bem... a coisa toda pode sair do controle.

(me ocorreu agora, como será que a mulher melancia viaja? taí uma pergunta que eu faria pra ela se a encontrasse... porque, né? o tamanho da pessoa... impossível que caiba nos 45 cm. da poltrona padrão, impossível! eu não caibo... como será que ela faz? compra 2 passagens? viaja em pé? senta no colo do comandante? se alguém souber, deixe a resposta aí nos coments, que dependendo da ideia posso adotar também)

Eu, confesso pra vocês, tenho um certo pânico desse aperto todo. Sou meio claustrofóbica. E sempre que faço check-in minto para o funcionário que tenho síndrome do pânico e por isso preciso viajar na fileira 1. Na maioria das vezes a mentira cola, e eu consigo pelo menos movimentar os pés durante a viagem, já que não há outra poltrona à minha frente. Mas às vezes eles desconfiam e vem com aquela ladainha de que os assentos da fileira 1 são reservados para portadores de necessidades especiais, blablabla, e aí eu sou obrigada a dar um pequeno piti do tipo "Ok, mas se eu tiver um surto durante o voo, posso colocar em risco a integridade física dos outros passageiros, e não sei se vocês querem isso. Depois não digam que não avisei".

Infalível! É claro que se aparecer alguém com uma necessidade especial real eu cedo o lugar, mas até hoje nunca aconteceu. Estatisticamente, aliás, é bem improvável que as 6 poltronas da fileira 1 tenham destino a pessoas nessas condições, então garanto logo a minha necessidade especial de ter ar para respirar e espaço para mexer os pés. É o mínimo.

Não vou nem comentar o serviço de bordo porque isso alongaria demais o post, vou apenas dizer que já estou com saudade da tão falada barrinha de cereias, e quando uma barrinha de cereais deixa saudade, bem... por aí vocês tiram suas conclusões. Quando eles te oferecem em um avião um pacotinho de bolacha murcha de uma marca que você nunca ouviu falar e que tem gosto de detergente, talvez seja hora de voltar a viajar de ônibus e recuperar um mínimo de dignidade, porque nos Aeroportos dignidade tem, mas acabou.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Então, Adeus!

Estou há dias resistindo à tentação de fazer uma post sobre Michael Jackson, porque não queria cair no lugar-comum nem parecer a oportunista que diz "eu sempre fui fã" só agora que ele morreu.

Mas a verdade é que eu também era fã. Não aquele tipo de fã obcecada que tem todos os discos e conhece todas as músicas e cada detalhe da história de vida do artista, não. Eu nunca fui esse tipo de fã de ninguém, não é o meu estilo, e quando gosto de um artista só o que importa pra mim, mesmo, é a sua arte.

Isso devia ser uma regra, mas infelizmente não é. Não vou ficar debatendo o papel da mídia nessa desconstrução dos mitos em busca de alguma sordidez que possa vender jornais porque não quero transformar esse post em algo chato, cansativo e óbvio. Vou apenas dizer que isso é extremamente negativo, porque muitas vezes uma obra de arte - seja ela uma música, um poema, uma pintura - é tão grandiosa quanto as adversidades vividas pelo artista, então esperar uma vida comum e exemplar dessas pessoas é uma grande bobagem.

E pra comprovar isso, basta que façamos uma rápida e superficial análise da vida de grandes ícones das artes. Desde Beethoven até John Lennon, passando por Leonardo Da Vinci, Janis Joplin, Ray Charles e Elvis Presley (só pra ficar em exemplos óbvios), temos sempre histórias de vida conturbadas que provavelmente contribuíram muito para a construção da obra dessas pessoas. É triste, mas a arte não é nada senão a expressão maior dos sentimentos mais íntimos.

Infelizmente vivemos um tempo em que a mídia, para vender notícia, impõe essa coisa de não se poder avaliar uma arte sem avaliar também a vida pessoal do artista, e uma coisa deveria ser totalmente separada da outra. Você não precisa aprovar a vida pessoal de um artista para gostar da sua obra. Você não precisa aprovar o comportamento bizarro e autodestrutivo da Amy Winehouse, por exemplo, para gostar da excelente música dela, assim como você não precisa concordar com as bizarrices de Michael Jackson para gostar do seu trabalho. Admirar o trabalho de um artista que tenha cometido algum deslize, alguma excentricidade ou até mesmo um crime não significa aprovar o comportamento "errado", porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Minha irmã Silvia escreveu lá no Orkut dela, e eu assino embaixo: "Michael Jackson, você foi incrível, e sua vida pessoal não é da minha conta".

Isso significa que sejamos contra ou a favor de algum comportamento bizarro que ele tenha apresentado, isso significa que concordamos com o estilo de vida que ele levava? Não, claro que não! Mas se estamos falando da admiração a um artista, devíamos nos ater à sua arte, concordam?

Michael Jackson foi uma grande vítima de sua própria história, desde a infância roubada e traumatizada pelo pai explorador e louco, até a convivência com a mídia sanguessuga que nunca lhe deu um único minuto de paz. Eu não sei você, que me lê, mas se EU tivesse passado por tudo o que Michael passou, com certeza seria também uma aberração, e das grandes.

E, sem polemizar, só queria dizer que eu tenho filho. E se um dia alguém encostasse 1 único dedo no meu filho, acordo financeiro milionário nenhum calaria a minha boca. Eu lutaria por justiça até meus últimos dias, com o único objetivo de ver o pedófilo atrás das grades (isso se eu não o matasse antes e fizesse justiça com minhas próprias mãos). Sendo assim, duvido muito das acusações que fizeram contra Michael. E como nada foi provado contra ele, não tenho razões para julgá-lo por aquele que seria, em tese, seu único crime realmente condenável (já que o que ele fez com o corpo dele não prejudicou a ninguém exceto a ele mesmo).

O fato é que a música de Michael Jackson fez parte da minha infância. Tenho 33 anos, então quando eu era criança de 7, 8 anos, ele já estava em carreira solo, e lembro muito bem como assistir aos videoclipes era hipnotizante, como a gente tentava imitar as coreografias, como tudo relacionado a ele era sempre muito grandioso, e como a música era sempre muito boa. Um artista completo - cantor, compositor, dançarino, produtor, ator, etc, etc, etc.

É o tipo de arte que as pessoas podem até não morrer de amores, mas dificilmente você encontra alguém que diz: "Ah, eu odeio essas músicas do Michael Jackson". É meio universal, sabe, supera a questão do gosto musical de cada um, é simplesmente Michael, diferente, único, incrível. Uma perda lamentada nos quatro cantos do mundo, como você pode ver Neste link, com as fotos das capas dos principais jornais.

Fiquei bem triste com sua morte. Ele era muito jovem e tinha muita vontade de retomar o controle da vida, amava seu público, queria fazer mais shows, queria sempre oferecer o melhor de si para o mundo, ainda que o conceito de melhor dele fosse diferente do nosso. Não dá pra saber o que se passava na cabeça dele, mas acho que aquelas emocionantes imagens dos últimos ensaios deixam isso tudo bem claro.

E depois de 12 dias da perda, veio o Funeral. Showneral, como muitos chamaram. Circo, como tantos outros criticaram. E na minha modesta opinião, foi simplesmente a homenagem mais linda que eu já vi na vida. Digno mesmo do Rei do Pop.

Que muita gente pode ter feito aquele "circo" pra tirar algum proveito da situação? Mas não tenham dúvidas! O ser humano é mesmo nojento e em qualquer situação tem sempre alguém querendo levar alguma vantagem. Sempre foi assim, sempre será. Só que isso não tira a legitimidade do sentimento verdadeiro de familiares, amigos e muitos fãs que estavam ali com o coração voltado exclusivamente para prestar uma reverência ao ídolo que partiu.

Achei muito coerente que tenham feito o funeral da maneira que fizeram. A vida de Michael Jackson foi pública praticamente desde que ele nasceu, não tinha sentido querer privacidade logo agora, que nada mais pode atingi-lo. A família dele é absolutamente bizarra e desestruturada, mas foi coerente pelo menos nesta decisão. Os fãs mereciam esta oportunidade de adeus, e ele mesmo merecia essa grandiosidade. E agora há de descansar em paz.

Sobre o Memorial, como eu já disse, foi lindo e emocionante. Não teve nada de circo (exceto a ridícula Mariah Carey com aquele decote totalmente inapropriado), foi muito respeitoso, digno, e com certeza um marco na história da música, que eu vi ao vivo e que vou lembrar pra sempre. Um típico funeral americano, com um toque "over" para deixá-lo à altura do adeus ao Rei do Pop.

Não consigo eleger um único momento marcante. O depoimento emocionado e sincero da pequena Paris foi de estraçalhar até os corações mais duros, e a homenagem de Stevie Wonder também tão sincera foi de arrepiar. E é com ela que encerro o post, fazendo minhas as palavras de Stevie.

Descanse em Paz, Michael.


terça-feira, 7 de julho de 2009

Falando sério (mas só um pouquinho)


Vi esta campanha no Blog do meu primo e resolvi espalhar a ideia por aqui também, embora talvez fizesse uma ressalva por achar que para cargos executivos a reeleição pode sim ser positiva (mas explico isso melhor em outra oportunidade).

Falar sobre política é algo sempre muito arriscado, e eu mesma tenho comprado algumas briguinhas por conta disso.

Porque tá rolando essa mobilização toda aí, né, por conta do Sarney, e coisa e tal. Todo mundo gritando "Fora, Sarney", todo mundo querendo queimar o velho em praça pública, como se tivessem descoberto assim, do dia pra noite, que, "Oh, meu Deus, ele não presta!"

Falo sem medo de errar que pelo menos 1/3 dessas pessoas inflamadas contra o Presidente do Senado provavelmente sequer conhecem a história do político José Sarney, provavelmente sequer conhecem detalhadamente os fatos que culminaram na atual crise da Casa, e estão bradando "Fora, Sarney" muito mais no embalo do que por convicção.

Tudo bem, ainda assim sobram 2/3 que, teoricamente, estariam defendendo uma posição legítima, e obviamente todos (inclusive o primeiro terço) estão no exercício mais do que legítimo de questionar, contestar, protestar.

Não sou contra o movimento e muito menos estou defendendo José Sarney, quero deixar bem claro. Esta questão inclusive provocou uma certa rusga entre mim e algumas pessoas no twitter - incluindo-se aí um velho amigo, o que me deixa bem chateada pela constatação de que, caramba! Talvez eu realmente não esteja conseguindo me fazer entender.

O que eu disse lá no Twitter, que provocou todo o mimimi, foi que eu estava (como de fato estou) de saco bem cheio desse carnaval "Fora Sarney". E que as pessoas deviam lembrar de dizer FORA para qualquer político na hora de elegê-los, naquele processo democrático pelo qual passamos periodicamente chamado ELEIÇÕES.

É muito fácil eleger as Raposas Velhas para depois ter contra quem gritar. É muito fácil votar em qualquer um, porque analisar um plano de governo ou uma proposta de campanha dá trabalho. Quem entra no site do candidato pra saber quais são suas plataformas na época da campanha? Quantos eleitores conhecem verdadeiramente os candidatos que escolhem para votar? Poucos... muito poucos.

E por causa dessa falta de memória absurda do povo brasileiro, por causa dessa preguiça vergonhosa que nós, eleitores, temos de estudar melhor nossos candidatos, é que pessoas como José Sarney, Fernando Collor de Mello e Renan Calheiros (só pra ficar nos exemplos óbvios) estão perpetuados no poder há tantos anos. Não podemos esquecer que todos eles estão onde estão legitimados pelo voto popular, pelo processo democrático das eleições, todos eles só são detentores do poder que possuem porque nós, brasileiros, entregamos esse poder por vontade própria nas mãos de cada um deles.

Entendem agora a minha linha de raciocínio? Qual o sentido em reeleger compulsivamente políticos conhecidamente imorais, ano após ano, para depois ficar fazendo essa algazarra de "Fora Fulano", "Fora Beltrano"? Como queremos ter alguma expectativa de decência no cenário político nacional, se nós sequer conseguimos mudar as coisas?

O poder está e sempre esteve (pelo menos nos últimos 20 anos) nas nossas mãos. E tudo que conseguimos fazer enquanto nação foi manter no poder os coronéis da estirpe de José Sarney.

A culpa é nossa. Exclusivamente nossa.

E por isso eu me irrito. E por isso eu acho patacoada ficar fazendo movimento virtual de #forasarney. E por isso a ladainha toda me enche o saco.

Claro, como eu já disse, temos o direito de protestar, temos o dever de cobrar e fiscalizar, e não há nada errado em promover uma mobilização pela moralidade. O que eu não aceito é que as coisas comecem e terminem na gritaria, no mimimi, no blablabla, e que o máximo que consigamos fazer seja barulho.

Quero muito vir aqui após as próximas eleições admitir que eu estava errada, ah, como eu quero, mas aposto e ganho que mais uma vez teremos a reeleição de pelo menos metade desta corja, e nada mudará. Não há a menor chance de mudança política sem que mudemos OS POLÍTICOS. Só não enxerga quem não quer.

Por isso esta "campanha" é tão bacana. E seria realmente bem legal se todo mundo tivesse por princípio não reeleger ninguém. É o que tenho feito há algumas eleições. Me recuso a votar em pessoas que já estão / estiveram exercendo algum cargo público. Mesmo que seja um político teoricamente bom, mesmo assim eu me recuso. Porque nunca saberemos se as coisas podem ficar melhores se não tentarmos mudar. Estou fazendo a minha parte.

Há risco de colocarmos no poder outras pessoas ruins? Sim, não temos garantias, e o risco de quebrar a cara é sempre grande... mas se for pra errar, que seja na tentativa de mudar... Porque errar conhecendo o erro, bom... aí vocês já sabem, né? É burrice!

P.S. só pra não dizer que não falei "das flores podres do nepotismo"
(e aproveitar e - tentar - desentalar um sapo gigante):

Nepotismo me enoja. Principalmente porque as pessoas criticam os outros políticos que empregam suas famílias, mas quando elas mesmas tem uma chance, bem... não hesitam em mamar nas tetas dos cofres públicos. Infelizmente tenho um exemplo disso muito próximo, uma parte da família, sabe, cheia de princípios e convicções e ostentações e blablablas, que passou a vida apontando com o dedo em riste o nariz sujo dos outros, mas que quando teve sua chance, bem... "deitou e rolou, e sujou o próprio nariz". E a sujeira? Sempre varrida para debaixo do tapete. Porque é assim que as pessoas são. No fundo o que todo mundo quer, sempre, é levar alguma vantagem.

Tô fora! E não posso falar mais nada, infelizmente...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cabelão (da sessão "papo de mulherzinha")

Esse negózdi que ter "cabelo bom" (aka liso) é o sonho dourado de toda mulher não é bem assim não, viu?

Dependendo da pessoa (aka EU), isso pode ser praticamente um pesadelo.

//Como assim, Bial?//

Explico: Eu tenho o cabelo mais lindo do mundo. Em todos os sentidos. Posso dizer que é inclusive um cabelo "fofo" enquanto pessoa, porque resistiu bravamente ao longo dos anos apesar da quase falta de cuidado da dona e do massacre de tinturas, luzes e afins, ou seja, ele me ama.

Só que, gente... é tipo mó cabelão, sabe, no meio das costas, lisão, e tal... E naqueles dias em que eu acordo meio estragada (tipo quase todo dia), me olho no espelho e vejo apenas aquela carona de crente que não muda há séculos. Coisa mais sem graça.

Me dá uma vontade absurda de mudar, radicalizar, tosar, raspar, qualquer coisa pra fugir da monotonia cabelão-lisão-sempre-igual. E é justamente ESTE o ponto onde eu queria chegar.

Eu simplesmente não posso encurtar meu cabelo. Mas de jeito nenhum. E a explicação é muito simples: Senso de ridículo.

Porque eu podia ter nascido com um rosto anguloso como o da Bündchen, eu podia ter um rosto triangular, quadrado, podia até ter aquele rostão meio comprido tipo cara-de-cavalo, mas, né? Tenho essa carona redonda como a lua cheia. E qualquer corte de cabelo curto me deixa parecendo uma bolacha trankinas, e eu realmente não tô a fim de ser abordada por crianças na rua ao ser confundida com o personagem dos pacotes de bolacha.

Não posso nem mesmo prender o cabelo, nem usar uma tiara, nada que exponha demais o carão. Então fico refém do cabelão no meio das costas, sempre solto, e mantê-lo assim dá um trabalho do cão. E como a maioria dos cabelos lisos, o meu também é bem oleoso, absurdamente oleoso, aliás, então tenho que lavar todos os dias se quiser ter uma aparência minimamente decente, e haja shampoo, e haja cuidado, e haja tempo de fazer todo esse ritual.

Entendem agora o que eu quero dizer com quase pesadelo? Não tá fácil não...

(* que post mais ridículo, quem quer saber sobre o meu cabelo? só vou publicar porque perdi uns minutos escrevendo, e não tem nada melhor pra substituir)

(** na verdade eu queria mesmo era escrever pra resmungar e tirar sarro de outras coisas como de costume, mas ando meio inibida com a patrulha dos anônimos moralistas que taí doida pra me chamar de mal amada mais uma vez, e como esses dias eu ando querendo evitar aborrecimentos, fiquei no post de inutilidade pública mesmo. Será que mesmo assim vão achar motivo pra me chamar de problemática?)

(*** a boa - ou má - notícia é que, vocês sabem, toda trégua tem um fim. volto logo, na boa e velha forma, porque os sapos entalados já começam a me causar engulhos, e mais cedo ou mais tarde, a coisa vai explodir)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

4 Sapos

A vida é uma sucessão de pequenos sapos engolidos. Faz parte.

Mas aí chega um dia em que, do nada, uns sapos-boi absurdamente grandes aparecem no nosso caminho, e tornam todo o processo de engolimento praticamente impossível. O famoso sapo entalado, sacaram?

Pois então. Vou contar 4 histórinhas pra vocês:

=====

Sapo 01:

Fui almoçar como sempre perto das 4 da tarde. É um horário bem difícil porque, exceto as maledetas praças de alimentação de shoppings, poucos restaurantes ficam abertos durante a tarde. Mas existem alguns, e supomos que se estão com as portas abertas, bem... deveriam estar atendendo, não é mesmo?

Não vou nem entrar nos detalhes da péssima vontade do garçom e do sushi man, porque senão este post ficará imenso, mas depois de comer bem mal e estar profundamente arrependida de ter ido ao tal Zushi, chegou a hora da conta. Pago (uma pequena fortuna), e peço a Nota Fiscal Paulista como de costume (todo mundo devia fazer o mesmo, ficadica):

_ Ah, a senhora vai desculpar, mas estamos sem sistema essa hora e eu não tenho como tirar a sua notinha.
_ Tudo bem, moço, você emite a nota manual então e anota meu CPF, dá na mesma...
_ Então, dona, nós não temos nota manual... (claramente me dispensando)
_ Como assim "não tem" nota manual? Vocês tem que ter, é obrigatório!
_ É, mas nós não temos, e com o sistema fora do ar... (tentando me dispensar mais uma vez)
_ Mas o sistema fora do ar não é um problema meu, moço... (e antes que eu concluísse ele me interrompe)
_ Olha, senhora, não posso fazer nada. Nós não temos talão de nota manual, e não tenho sistema... (e provavelmente ele teria emendado um "desapareça" na sequência, se pudesse)
_ Mas, moço, isso é absurdo e errado, muito errado. Todo estabelecimento comercial deve manter um talonário de Notas Fiscais. Você sabia que se houver uma fiscalização vocês serão multados?
_ Sim, dona, eu sei... se houver uma fiscalização, a gente "tá na roça" (claramente segura a vontade de rir e dá apenas uma piscadela, deixando bem claro que está se referindo àquele Reality Show tosco)

Depois dessa, desisti da briga, sabe? Não devia, mas desisti, porque ficou muito claro que o moço não estava me levando a sério, e eu não sei onde a história teria ido parar se eu realmente tivesse "comprado a briga".

Mas o sapo, né... ficou entaladão. Porque eu tenho muita raiva de lugar caro e metido a besta que não trabalha direito, não emite nota fiscal e nem dá bola para a argumentação dos clientes. Principalmente depois de um atendimento que não valeria 10% do valor cobrado na conta.

Operação sapo-boi entalado na goela #1: successful.

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Sapo 02:

Fui com a minha irmã comprar umas coisinhas na padaria, para um café da tarde. Por sugestão dela fomos a uma padaria "bacana", uma tal de San Paolo, na região do Alto da Lapa, que é um bairro... bacana.

Padaria "bacana" só para o dono, aliás, que deve estar bem rico com os preços absurdos que tem coragem de cobrar por 1 pãozinho de queijo, por exemplo. Mas até aí, beleza... quando você vai tomar um café da tarde (começo de noite, na verdade) na Ilha de Caras pode até se dar alguns luxos. E foi o que fizemos. Ou tentamos.

Estacionei meu carro - um Celta velhinho e cansado de guerra - na área reservada à frente da própria loja, ocupando uma das 6 ou 8 vagas (não lembro exatamente), ao lado de algumas super máquinas bem imponentes.

Já estávamos indo para o caixa com as compras quando um senhor que aparentemente era o dono ou gerente ou algo que o valha perguntou de quem era o Celta, me identifiquei, e então ele pediu a chave para manobrar.

Expliquei que já estávamos indo para o caixa e que não iámos demorar muito mais, e perguntei também o porquê de ele querer manobrar um carro que já estava certinho na vaga, e então ele disse rapidamente que "ia dar uma puxadinha para caber um outro carro atrás".

Aquilo não fazia muito sentido, mas eu nem liguei, dei a chave pro moço e me dirigi ao caixa, onde deixei uma pequena fortuna em reais por meia dúzia de croissants. O moço voltou, devolveu a chave do carro quando eu já estava de saída da padaria, e falou:

"_Coloquei seu carro aqui do lado, na outra calçada."

Não entendi e perguntei por que raios ele tirou meu carro da vaga para colocá-lo lááááá do outro lado, e ele falou meio depressa (tentando disfarçar), enquanto sumia:

"_Ah, eu só precisava liberar a vaga para outro carro" (e evaporou).

Olhei com cara de ué pra minha irmã, mas estava achando que, sei lá, tinha realmente alguma razão lógica pra ele tirar meu carro de uma vaga e colocá-lo na calçada do outro lado, à frente de outro estabelecimento, que por sinal estava fechado e sem iluminação.

Quando saímos da padaria foi que eu vi que e a vaga onde eu havia estacionado meu carro estava VA-ZIA. E, debaixo de garoa, tivemos que ir láááá para o outro lado, onde meu celtinha feinho e velhinho estava estacionado assim, no escuro, meio escondido.

No estacionamento da própria Padaria, aquele lugar onde eu parei inicialmente, estavam agora lindamente estacionados apenas alguns carrões, daqueles que valem umas 10 vezes o valor do meu carro, por baixo.

Mataram a charada? O cara não queria o meu carro velho enfeiando a entrada do estabelecimento metido a besta dele! Viu aquela carrocinha ali na frente, destoando do restante da "decoração", e tratou logo de dar um jeito na situação.

Sabe, a minha ficha só caiu mesmo quando eu entrei no meu carro e pensei: Puta que Pariu, que discriminação da Porra! (desculpem os palavrões). Gastei uma pequena fortuna naquela padaria de merda (San Paolo, na Rua Pio XI, pra deixar bem claro), mas como tenho apenas um Celta não sou digna de utilizar o estacionamento frontal deles. Sabe, isso é muito revoltante!

Eu devia ter descido do carro e voltado lá pra fazer um escândalo. Mas desisti - porque estava chovendo, porque eu estava com pressa, enfim, porque no fundo eu sabia que não adiantaria de nada...

Mas, sabe, o sapão ficou bem entalado, quase me sufocando. Tanto que o café de começo de noite na Ilha de Caras nem teve a mesma graça, e depois eu me arrependi muito de não ter feito um belo barraco lá na padaria de merda daquele imbecil.

E, ó, nem é tudo isso não, viu? Tem padariazinha de bairro suburbano por aí que faz um croissant infinitamente melhor. Corrão desse lugar, gente! Sério!

Operação sapo-boi entalado na goela #2: Successful

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Sapo 3:

Depois do episódio padaria, e pouco antes de chegar à Ilha de Caras, minha mana lembrou que precisava comprar café, então paramos rapidamente no supermercado Dia % que tem na Rua Tito. Quer dizer, rapidamente é modo de falar, né?

Primeiro eu queria dizer que nenhum estabelecimento chama "Dia %" impunemente.

Minha irmã ficou no carro e eu entrei pra pegar o café e o filtro. Por muito pouco não caí um tombo cinematográfico, porque estava chovendo, o piso do estacionamento molhado e o piso de mármore ou granito ou algo que o valha no interior da loja estava um sabão. E, gente, pra que colocar antiderrapante, se a gente pode conseguir boas vídeocassetadas, não é mesmo? Respeito ao cliente é isso, aprendam!

Sambei 2 minutos no piso escorregadio com meu salto 20 e por um milagre da física consegui recuperar o equilíbrio a tempo de salvar um resto de dignidade (e só um restinho, porque a cena do escorregão foi detalhadamente assistida por toda a galera que estava nas filas dos caixas.

Em 5 segundos peguei o que tinha que pegar e vou para os caixas. 3 Caixas.

No. 01 - "Caixa rápido até 10 unidades", com uma fila de umas 30 pessoas com poucos itens, e estava bem claro que aquele "rápido" da placa não fazia o menor sentido.

No. 02 - "Caixa Normal", com uma fila de umas 5 pessoas com a "compra de mês", sabe, aquelas compras de 2 carrinhos lotados até a boca? Então!

No. 03 - "Caixa PREFERENCIAL para idosos, gestantes, portadores de necessidades especiais e mães com bebês NO colo". Neste caixa não havia uma viva alma, e a "simpática" funcionária olhava para o nada com cara de poucos amigos.

A primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Meu Deus, por que raios essa gente toda tá na fila gigante do caixa rápido se este caixa está livre?".

E, lógico, fui direto ao Caixa No. 03 (absolutamente vazio); e quando ia colocar o pacote de café na esteira a moça "suuuuuper simpática" só apontou a plaquinha acima da sua cabeça e falou: "Aqui é só pra idosos, gestantes, blablabla".

Então eu disse: "Não, meu bem, aqui está escrito que o caixa é PREFERENCIAL, e não EXCLUSIVO, e como não tem ninguém nestas condições..."

Bom, gente, aí a moça zuuuuuuper simpática me olhou como se eu tivesse falado aquelas palavras em aramaico, grego ou mandarin, e ficou bem claro que ela não fazia a menor idéia da diferença entre PREFERENCIAL e EXCLUSIVO.

Desisti de qualquer argumentação antes mesmo de tentar, sabe? Resignada, fui para a fila gigante e fiquei lá pensando que realmente nenhum estabelecimento se chama "Dia %" impunemente.

Que tipo de estabelecimento treina seus funcionários para deixarem uma fila gigante em um caixa quando existe um outro caixa totalmente inoperante? Isso num universo de... bem... 3 caixas apenas? A gente tem mesmo vontade de largar tudo lá e ir embora, pra não esperar uma fila gigante enquanto assiste uma terceira funcionária coçando as partes.

E fica ainda pior quando você vê uma mulher chegar com uma criança enorme de 3, 4 anos, sei lá, uma criança bem grandinha num carrinho de bebê, e essa fulana sim ser atendida pelo caixa PREFERENCIAL. Quando na plaquinha está claramente escrito: "mães com crianças NO colo".

O que acontece com o Mundo, gente, alguém me explica? Porque nada faz muito sentido, sabe?
Deu muita raiva, e mais uma vez eu desisti de brigar, porque eu ia discutir O QUÊ com alguém que não tem a menor idéia do que significa atendimento preferencial? Me poupei, sabe? Mas o sapo, né...

Operação sapo-boi entalado na goela #3: Successful.

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Sapo 4:

Nada é tão ruim que não possa ficar pior. Lembrem-se sempre disso.

Cheguei em casa umas 21h30. Podre de cansada, com frio, triste com a notícia da morte de Michael (mas nem vou desenvolver o assunto agora, porque ainda tô meio passada), louca pra tomar um banho quente, ver um pouco de TV e descansar na santa paz.

Mas paz é artigo de luxo nos dias de hoje. Lembrem-se sempre disso... também.

Meu apartamento dá para o terreno vizinho, onde funciona uma empresa. Mais precisamente para os fundos desta empresa, onde fica o estacionamento.

E sabe-se lá por quê eles resolveram que hoje, QUINTA-FEIRA, era dia de festejar os Santos Juninos. Fogueirona acesa bem no meio da área aberta, e música ruim comendo solta no galpão mais ao fundo, num volume tão alto que de qualquer cômodo do meu apartamento você poderia jurar que o DJ estava aqui dentro.

A música ia de "cair, beber, levantar" a "robocop gay", passado por "i will survive" e "calypso". E teve também putz putz... E o som muito, muito, muito alto mesmo!

Revoltante, sabe? Área residencial, 5a. feira, à noite... o mínimo que as pessoas merecem é um pouquinho de paz. Mas isso é artigo de luxo, como eu já falei.

Resolvi esperar até as 22h00, pra ver se "já estava acabando", mas quanto mais tarde ia ficando, mais alto o som parecia. E como minha quantidade de sapos engolidos ao longo do dia já estava alta o bastante, dessa vez resolvi agir.

Disquei 190 para ouvir:

"Polícia Militar. No momento nosso sistema está sobrecarregado, favor ligar mais tarde".

Gente, achei que era algum tipo de trote ou brincadeira, né, e tentei a 2a. vez, pra ouvir a mesma gravação.

Pára tudo! Como assim "Nosso sistema está sobrecarregado"? Desde quando isso acontece? O 190 não é um telefone de EMERGÊNCIA?

E se eu estivesse morrendo, ou sendo sequestrada, ou assaltada?

Juro pra vocês, eu tentei 5 vezes totalmente sem sucesso. Só na 6a. tentativa fui atendida por um PULIÇA zuuuuuuuuper simpático que ignorou totalmente a minha pergunta sobre a gravação.

Expliquei que queria fazer uma denúncia de perturbação da tranquilidade e bem nessa hora começou a tocar o Créu, bem a tempo de eu dizer: "O senhor está escutando isso? Isso é a festa da empresa vizinha! E agora são 22h40, e as pessoas precisam descansar".

O Seu Puliça me prometeu que uma viatura viria em seguida averiguar a festa, pegou meus dados e o número do meu apartamento, disse inclusive que viriam aqui para verificar o "vazamento" do som, etc e tal, e eu achei mesmo que resolveriam aquele inferno.

Mas eu pergunto: "Alguma viatura da PULIÇA" apareceu por aí?" Não, né? Então... NEM AQUI.

Meia-noite e cinco e tocava super-fantástico-amigo-que-bom-estar-contigo-no-nosso-balão no último volume, enquanto as pessoas da festa gritavam U-HUUUU! Só pra vocês terem uma idéia...

Sabe, gente, eu fiquei muito perto de surtar. Muito, muito perto.

A polícia provavelmente nem levou a minha denúncia a sério, sabe? Porque, né, eles sempre alegam que tem mais o que fazer, bandidos pra prender, e coisa e tal... como se o mundo fosse mesmo um lugar bem seguro e protegido.

Operação sapo-boi entalado na goela #4: Successful.

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E, sabe, eu precisava contar isso aqui. Pra aliviar um tantinho pelo menos, né? Eu precisava.

(mesmo correndo o risco de aparecer alguém dizendo que, puxa, como eu sou mal amada, e infeliz, e blablabla. Mesmo correndo esse risco.)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Proposta a (alguns) leitores

Considerando o teor de comentários (anônimos, claro!) recebidos aqui no Blog recentemente, gostaria de propor a (alguns) leitores que ainda não entenderam o propósito dos meus posts um pequeno exercício de "interpretação de texto".

Sabe, aquilo que a gente estudava na escola, lá no Ensino Fundamental?

Pois então! Interpretação de texto faz toda a diferença, não só na leitura do meu Blog, mas principalmente na leitura da vida!

Fico impressionada, espantada e assustada com a incapacidade que algumas pessoas tem de ir além do óbvio, de ir além do que está escrito e desvendar a verdadeira intenção por trás de meia dúzia de palavras.

Eu sempre fiz essa analogia e muitas vezes fui incompreendida, mas a verdade é que o nosso país padece de um problema crônico de péssima (pra não dizer nula) interpretação de texto.

Problema este que acarreta a eleição dos políticos errados ano após ano, problema este que é o responsável pela falta de identidade do povo e pela cultura do "maria-vai-com-as-outras", problema este que é o grande responsável pelo enorme poder que se encontra hoje nas mãos das mídias de massas, que manipulam a opinião pública a seu bel prazer, porque ninguém quer ter o trabalho de interpretar coisas/fatos/notícias complexas para formar sua própria opinião, então é mais fácil comprar o que já vem pronto.

É meio constrangedor ter que explicar isso como se eu estivesse me dirigindo a uma classe pré-primária, mas quando digo que "meu pai dirige mal", se você inserir a afirmação no contexto do que foi postado e tiver um mínimo de interpretação óbvia vai entender que eu nem estava falando só sobre ele, muito menos estava falando mal dele (sem contar que existem ressalvas explícitas no próprio post, nem precisaria de interpretação pra entender isso!);

O mesmo vale para quando eu mando um "como tem gente feia no mundo!". Não é óbvio que eu quero dizer muito mais do que isso? Um tiquinho de interpretação já não deixaria claro que o post faz uma crítica ácida e bem humorada ao comportamento acomodado de uma parte da população?

Você pode até não gostar do texto, achar que eu escrevo pessimamente mal, tem todo o direito de me achar um fiasco e tudo o mais que quiser. Só não precisa subestimar a MINHA inteligência e achar que eu só sei escrever se for sempre literal.

Interpretação de texto, meus queridos, interpretação de texto! Porque se vocês não conseguem entender nem mesmo as bobagens que eu escrevo por aqui, tenho realmente medo do que devem pensar quando leem o jornal, quando leem um livro, quando leem um poema (se é que leem).

Trabalhem isso nem que seja pra voltar aqui a destruir qualquer um dos meus posts. Eu adoraria ser confrontada e criticada com argumentos adequados e coerentes, que demonstrassem um raciocínio minimamente acima do literal.

Fica a dica!

(E obrigada pela audiência, sempre!)

(Ah, sim, só pra constar: Qualquer um que já leu outros posts aqui no Blog sabe muito bem que na maior parte do tempo EU MESMA sou o alvo dos meus textos - seja em uma piada escrachada ou até mesmo em uma autocrítica impiedosa. Digo sempre que não quero nunca perder a capacidade de rir das minhas mazelas, e isso sim é algo que levo muito a sério.
Só pra constar.)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Olhe sempre pelo lado brilhante da vida!



Recebi esta pérola com os cumprimentos de um querido amigo, via twitter. Não é perfeita?

Daqui pra frente será meu lema: Olhar sempre pelo lado brilhante da vida!

(Até porque a vida é mesmo uma risada,
e a morte uma grande piada!
)

** pena que eu não sei assobiar! **



(e para aqueles que como eu tem /muita/ dificuldade com inglês, segue de brinde a tradução)

Algumas coisas na vida são ruins

Elas podem deixá-lo realmente louco
Outras coisas só o fazem xingar
Quando você está mastigando a cartilagem da vida
Não resmungue, dê um assobio
E isto ajudará as coisas mudarem para melhor
E...

...sempre olhe pelo lado brilhante da vida
(assobio)
Sempre olhe pelo lado claro da vida
(assobio)

Se a vida parece divertidamente podre
Existe algo que você esqueceu
E isto é rir e sorrir e dançar e cantar
Quando você está se sentindo no lixo
Não seja bobo, amigo
Só enrugue seus lábios e assobie - esta é a solução

E...sempre olhe pelo lado brilhante da vida
(assobio)
Sempre olhe pelo lado brilhante da vida
(assobio)

Por a vida ser absurda
E a morte a palavra final
Você deve sempre encarar a cortina com uma saudação
Esqueça sobre seu pecado - dê à platéia um sorriso
Aproveite - é a sua última chance mesmo

Então sempre olhe pelo lado brilhante da morte
Antes de soltar seu último suspiro
A vida é uma pedaço de merda
Quando você olha para ela
A vida é uma risada e a morte é uma piada, isto é
Verdade
Você verá, isto tudo é um show
Continue sorrindo enquanto você vai
Só se lembre que a última risada está em você

E sempre olhe pelo lado brilhante da vida
(assobio)
Sempre olhe pelo lado certo da vida
(assobio)

Vamos lá, caras, animem-se

Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...

Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...

As piores coisas acontecem no mar, você sabe

Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...

Eu digo - o que você tem a perder?
Você sabe, você veio do nada
- você está voltando para o nada
O que você perdeu? nada!

Sempre olhe pelo lado brilhante da vida...