terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Insustentável (e nonsense)

Às vezes fico cheia de dedos pra abordar certos assuntos aqui, e isso é uma belíssima droga, já que o Blog é meu e eu deveria me sentir confortável pra escrever qualquer bobagem que me desse vontade, mas não é bem assim. Na verdade, o problema é a preguiça eterna que eu tenho desse mundinho megalomaníaco infestado de gente que só consegue enxergar o próprio umbigo como centro do Universo e tem mania de perseguição, é a preguiça eterna que eu tenho de ter que explicar piada, ironia, deboche, trocadilho, entrelinhas, é a preguiça eterna que eu tenho de egos hiperinflados e descontrolados, enfim... o problema é basicamente preguizzZZzzzz...

Anyway, tentarei me desapegar deste mimimi por alguns instantes porque preciso contar que entrei numas de brincar de fazer perguntas (tipo criança curiosa ou o burrinho do Shrek, sabem?), e ando consideravelmente perturbada com algumas descobertas aí.

Na verdade eu descobri - EUREKA! - que não existe pergunta sem resposta. Absolutamente NENHUMA. Na verdade o uso da palavra "descobri" nesta frase deve-se apenas ao fato de eu querer muito gritar eureka, mas correto mesmo seria substitui-la por "constatei", ou "confirmei", mais adequadas.

E não apenas não existe pergunta sem resposta, como também não existem respostas-filosóficas-ultracomplexas-escondidas-em-algum-lugar-do-universo, como seria mais confortável acreditar; cada pergunta traz em si mesma uma resposta curta e grossa, sem nenhum blablabla, que dá o recado e fim.

Quando a gente descobre (ou constata, ou confirma) isso, imediatamente caem por terra aquelas desculpas esfarrapadas do tipo "certas coisas são inexplicáveis" que a gente adora usar pra evitar o confrontamento com respostas que a gente tenta a todo custo evitar. E então não há escapatória, a única alternativa é encarar a brincadeira crua, sem firulas, no melhor esquema toma-lá-dá-cá. É isso ou a resignação. Mas resginação não é, não foi e nunca será uma opção, de modos que...

A coisa toda funciona de maneira estupidamente simples: É só perguntar de maneria direta e com atenção que a resposta sairá dali imediatamente, sem titubear. Mas não vale roubar! Não vale fazer uma pergunta tendenciosa pra manipular a resposta. Não vale se encher de dedos em pisar em ovos. Não vale exceder na cautela. Não vale usar meias palavras. Não vale tentar suavizar a aspereza das palavras com panos quentes. É preciso ousar, ser curto e grosso, perguntar na lata, e peitar a resposta que também virá assim, na lata.

Como por exemplo: Que interesse esta pessoa tem em mim?

É uma pergunta clara e direta com uma resposta clara e direta. Tudo escrito, explicado e fundamentado nestas 7 palavrinhas. Sem margem pra interpretações ou dúvidas. Pá e Pum!

É exatamente este o exercício que tenho feito bastante nos últimos tempos. Obviamente tenho encontrado respostas um tanto desconfortáveis, não me orgulho disso. Em alguns dias me bate até uma certa revolta. Em outros eu fico tentando encontrar uma lacuna pra provar pra mim mesma que nem tudo tem resposta. Mas não há lacunas. As respostas estão sempre ali, redondinhas. É assim que é, estando eu revoltada ou não.

Eu tenho um lado muito visual, de precisar enxergar de verdade as coisas pra que elas façam mais sentido pra mim. Uma coisa meio "Fantástico Mundo de Bobby", sabem? E este meu lado visual tem enxergado o mundo mais ou menos como uma cena do filme Inception.




O Mundo é essa gigantesca realidade virtual onde tudo pode ser exatamente do jeito que a gente quiser. Mas é tão insustentável quanto improvável, e até o cenário mais perfeito, imponente e sólido pode se desfazer em frações de segundos, ao mais discreto comando, ao mais inocente gesto. E se desfaz até o último grão. E se reconstrói. Às vezes mais lindo e imponente. Outras vezes nem tanto. Mas em qualquer cicunstância, sempre frágil. Sempre destrutível ao menor solavanco.

Tão insustentável quanto a leveza do ser.

A moral de toda essa histórinha confusa é que nada é verdadeiro, não para sempre. O que guia o mundo, as relações e as pessoas são os interesses, sempre os individuais, até quando espertamente se travestem de coletivos.

~~If they say: Why, why?
Tell them that it's human nature~~

E, antes que alguem diga, estas afirmações não sao fruto de uma reflexão amargurada, pelo contrario. Até porque não existe maior amargura do que acreditar naquilo que não existe, não é mesmo?

Ouro de tolo só é Ouro para o Tolo. E tenho dito!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Espelho Meu

2012 começou bombando (clichê detected), e como se não bastassem as trocentas mil funções que já vêm agregadas ao começo do ano, eu ainda invento mais moda, porque tenho em mim essa inquietação de querer fazer tudo ao mesmo tempo agora como se meu dia tivesse 240 horas.

Um caos! Mas no fim das contas tudo sempre dá certo, como sempre deu e sempre vai dar. A diferença é o durante, sempre tão tumultuado por minha culpa, minha máxima culpa. É o preço que se paga por querer viver com emoção. :p

Blábláblá à parte, já nos primeiros dias do ano me surgiu a oportunidade de participar de um Teste Cego de uma nova linha cosmética antissinais, e considerando que uma das minhas metas para 2012 é "cuidar mais de mim", mijoguei de cabeça na história.

A história é mais ou menos assim: Uma empresa nacional do ramo de cosméticos vai lançar no mercado uma linha de produtos antissinais, produtos estes que, segundo consta, já foram testados e são altamente eficazes e tecnológicos.

A fim de mostrar para a imprensa e para o mercado o poder dos tais produtos, essa empresa selecionou 30 mulheres de 30 a 65 anos de idade e com variados tipos de pele, para usarem os produtos durante 21 dias e registrarem a evolução do tratamento, as impressões e os resultados obtidos diariamente através de um espelho-câmera instalado na casa de cada uma. Trocando em miúdos, é um "big brother das rugas".

E Titia Farta aqui é uma destas 30 mulheres, porque a idade já bateu na minha porta e não é de hoje que me enquadro no grupo de mulheres que PRECISAM urgentemente de tratamento antissinais.

O teste é cego porque não sabemos qual é a marca fabricante dos produtos, somente teremos essa revelação após os 21 dias de tratamento.

Há alguns dias aconteceu o evento de apresentação oficial do Teste Cego Espelho Meu num elegante hotel daqui de São Paulo, e durante o café da manhã rolou o maior burburinho entre a mulherada, todas especulando qual seria a marca por trás deste grande esquema misterioso. Imaginem vocês: 30 mulheres que nunca se viram na vida, das mais diversas faixas etárias e profissões, todas reunidas em torno de algo ligado a vaidade e com a curiosidade aguçadíssima. Foi divertido. Mulherada reunida é sempre muito engraçado.




Foi neste evento, conduzido pela linda Chris Nicklas, que obtivemos maiores detalhes sobre todo o procedimento e objetivo do Teste Cego, além de uma excelente palestra com a Dra. Carla Vidal, dermatologista respeitadíssima que além de dar mais credibilidade aos produtos, ainda nos deu dicas e orientações valiosíssimas sobre os cuidados com a pele.

Cada participante recebeu um kit com todos os produtos da linha adequados à faixa etária - Esfoliante, Espuma de Limpeza, Loção Tônica, Sérum e Creme Antissinais (Diurno e Noturno), nas embalagens originais, porém sem qualquer identificação da marca. E cada participante teve também o tal do Espelho Meu instalado em sua casa, para a gravação dos vídeos diários.

Aliás, o episódio do espelho é um capítulo à parte, porque eles me disseram que instalariam um espelho-câmera e eu estava esperando um espelho normal, algo de pendurar na parede, sei lá... Daí o porteiro interfona avisando que "vieram entregar um espelho mágico" (sic!), e quando os moços subiram com aquele negócio gigante eu levei um susto. É um móvel que parece uma penteadeira de camarim, todo espelhado e com o monitor e a câmera no centro. Muito interessante! Mas também muuuuito maior do que eu imaginava. E requer toda uma logística de instalação, e coisa e tal... Olha... quanta modernidade, viu! hehehe




Comecei a usar os produtos e a gravar os vídeos há 1 semana, e tem sido uma experiência bem bacana. Eu até já usava uns creminhos antissinais antes (quando lembrava de passar ou não era consumida pela preguiça), mas nunca prestei muita atenção nesse ritual, e fazer o teste está também me ensinando a cuidar do meu rosto, me ensinando a prestar atenção na minha pele, e é claro que isso só pode trazer resultados positivos!

O duro é a vergonha de conversar com o espelho todos os dias. Porque eu sou essa pessoa prolixa que vocês já conhecem e uma matraca que não pára nunca de falar em qualquer roda de amigos, mas falar pra uma câmera é muuuuuuuuito diferente. E tenso. E difícil. E estar de cara limpa não ajuda. Nunca na minha vida que eu imaginei que ia gravar vídeos diários, muito menos de cara lavada, sem passar nem um rimelzinho. É tenso, gente! Tenho 35 anos, e essa maldita câmera HD é implacável!

Além do mico da cara lavada, descobri também, neste processo todo, que odeio minha voz, que não sei ficar parada nem pra gravar o vídeo (fico chacoalhando pra lá e pra cá como se estivesse embalando um bebê), e que não tenho coordenação motora pra passar o creme e falar ao mesmo tempo. Basicamente sou um fiasco. E definitivamente não nasci pro vídeo. Mas já saí na chuva, não tem mais volta, então agora vou me molhar até a última gota, durante todos os próximos dias, até o final dessa história toda.

Minhas impressões diárias sobre o teste e sobre a evolução da minha pele vocês podem acompanhar diretamente lá no site www.espelhomeu.com.vc. Tem um vídeo de apresentação do projeto que é bem bacana, e pra ver os meus vídeos (que duram no máximo 90 segundos) é só clicar na minha fotinha e escolher o dia do teste (ai, que vergonha!). Aliás, sugiro que vejam os vídeos de outras participantes também. Eu tenho acompanhado os depoimentos das minhas colegas de aventura sempre que posso, e é muito legal ouvir os relatos de tantas outras mulheres de verdade. Nelas eu acredito!

Porque propaganda de cosmético milagroso com modelo a gente tá cansada de ver, e eu, particularmente, nem dou bola. O grande mérito deste teste cego é justamente estar mostrando os resultados da linha antissinais em mulheres reais, que não tem nenhum outro compromisso que não seja dizer a verdade sobre o que estão achando e sentindo, até mesmo se estiverem achando ou sentindo algo ruim. Em 21 dias qualquer pessoa poderá conferir os resultados reais lá no site, poderá ouvir os depoimentos reais e poderá tirar suas próprias conclusões.

Aí sim!!!

E que venham os efeitos milagrosos, até porque eu super estou precisando, e ia adorar recuperar um pouco daquela pele linda que eu tinha até meus vinte e poucos anos. Vamos acompanhar!


Este post não é patrocinado e não tem nenhum outro objetivo que não seja compartilhar a minha experiência com vocês. Não estou fazendo propaganda de nada, até porque não faço ideia de qual seja a marca dos produtos que estou usando.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Six Feet Under


No Natal de 2010, minha irmãzinha Ligia me deu de presente o box de Six Feet Under com todas as temporadas completas. Na ocasião ela fez muita propaganda, disse que considerava "a melhor série de todos os tempos", que todo mundo tinha que ver, que era uma obra prima, blablabla. Confesso que não dei muita bola, achei que rolava um exagero (um seriado que já era velho até na grade do SBT não podia ser essa coca-cola toda!), e prometi assistir assim que tivesse um tempinho, sem muita convicção.

Os DVD´s foram parar no fundo da prateleira e lá permaneceram juntando poeira até recentemente.

Há poucas semanas, durante o recesso de final/começo de ano e com um pouco mais de tempo disponível, andei procurando entretenimento alternativo, já que a programação da TV é aquela porcaria que já conhecemos e nem os cinemas têm oferecido opções muito atrativas (mês de férias escolares é sempre um inferno, a programação fica toda comprometida). Além disso, esta ausência prolongada do meu filho que viajou e nunca mais volta (mãe morrendo de saudade mode ON) estava deixando minha vida assustadoramente tranquila, e eu precisava de alguma emoção pra me sentir viva, nem que fosse na ficção.

Pois bem. Peguei os tais DVD´s outro dia e resolvi ver qual era. E só parei AGORA, às 3h30 da madrugada de uma quarta-feira, depois de ver as 5 temporadas inteirinhas, inclusive a cereja do bolo que foi o deslumbrante episódio final.

Não vou fazer resenha nem comentários nem nada, primeiro porque já tem textos incríveis na internet sobre Six Feet Under, textos que eu fui procurando e lendo ao longo dos últimos dias, e segundo porque não há a menor condição de fazer nenhum comentário que não seja:

UAU!!!!

Vejam bem: Esta não é apenas mais uma série boa. É SENSACIONAL. É definitivamente A MELHOR. É tão tocante e tão envolvente que num dado momento é a nossa história - independentemente de quem sejamos - que está passando lá na telinha. E isso é perturbador. E transformador. E deixa a gente assim, com esse UAU gigante colado na cara.

Eu não sei vocês, mas eu adoro quando a ficção consegue me fazer enxergar a minha própria vida por um outro ângulo, numa outra perspectiva. Por mais doloroso que seja, é um exercício que pode somar muito, se a gente souber aproveitar.

Então vim aqui agora, no meio da madrugada - porque depois do episódio final não vou conseguir dormir tão cedo mesmo, tô muito extasiada ainda - pra registrar que a partir de hoje eu divido o mundo assim: Pessoas que viram Six Feet Under e Pessoas que Não viram Six Feet Under. Porque vai ser impossível não nutrir um pouco mais de repeito e admiração por quem já passou por essa experiência visceral que eu passei agora.

Eu sei que é uma série antiga e posso parecer uma sem noção falando dela agora em 2012, mas aposto que muita gente nunca viu porque não botava uma fé, como eu mesma... E por isso...

Fica a Dica!
TEM QUE VER!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Pois é... [3]

"A verdade numa relação não torna a vida melhor; Ela torna a vida possível."

By Padre Jack, In Six Feet Under

sábado, 7 de janeiro de 2012

Pois é... [2]

"A vida não é fácil assim. Ela joga as coisas no seu colo e você tem que se virar e fazer o melhor que puder, estando preparado ou não."

By David, In Six Feet Under

Pois é...

"O FUTURO é um conceito cretino que inventamos para fugir de viver o HOJE."

By Brenda, In Six Feet Under

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Modéstea às favas!

Alguém 1:
"Mas você é teimosa, heim, garota! O que mais precisa acontecer pra você entender que isso foi uma péssima ideia?"

Alguém 2 (corrigindo/complementando o Alguém 1):
"Teimosa nada... é persistente, como poucas vezes vi! Desiste nunca essa daí!".


(cri cri cri)

Ambas as frases foram dirigidas à minha pessoa hoje, num contexto que não vem ao caso agora, mas ambas me provocaram a mesma reação: Cara feia seguida de um estufamento de peito quase automático, que serviram de preâmbulo para a minha própria afirmação pretensiosa:

"Nem teimosa nem persistente. Apenas sou fiel às minhas certezas, e vou atrás delas, por mais absurdas que pareçam e por mais que incomodem a quem quer que seja!"


Porque, né? O problema das pessoas é que elas desistem rápido demais... entregam a vitória de mão beijada para o adversário, que sequer precisa ser criativo no desafio imposto. Tudo porque têm preguiça de pelo menos TENTAR superar um obstáculo. Tudo porque, desde que o Mundo é Mundo, o blábláblá é muuuuito mais conveniente do que a ação!

Nem sou dessas... O que não é lá grande vantagem, muito pelo contrário, mas pelo menos me atribui algum valor genuíno, nem que seja a ingenuidade de quem acredita até naquela batalha que nasceu perdida.

Quero nem saber... Se eu resolvi fazer um negócio, se eu me propus a fazer tal negócio, ahhh, minha gente, cês vão desculpar minha teimosia e ingenuidade, mas saiam da frente porque eu só paro quando conseguir. Ou quando alguém me nocautear. O que acontecer primeiro!

(Cada um dá emoção e sentido à vida como lhe convém. Pra mim não tem sentido se não for assim.)
( Com todo o respeito e sem ofensas, por favor!)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Genuinidade

Estou há um bom tempo olhando pra tela do notebook pensando em como começar um post de fim/começo de ano. Pensando se na verdade eu DEVO escrever mais um post-clichê no meio de tantos outros que inundam a blogosfera nesta época do ano. E até agora não cheguei a conclusão nenhuma.

Porque assim: é FATO que 2011 foi um ano difícil pra muita gente. Pelo menos no meu universo particular, vejo pessoas reclamando deste ano o tempo todo, fila que aliás é encabeçada por mim, que já devo ter dito / escrito / pensado umas 9803248038023048028402483023 vezes que 2011 tinha que acabar logo, e blablabla.

De fato, não foi dos melhores anos da minha vida. Talvez tenha sido um dos mais difíceis, aliás. Mas sei que já tive sensação parecida em anos anteriores, o que me leva à conclusão de que talvez não tenha sido assim, o pior dos piores. Talvez tenha sido apenas mais um ano de descidas bruscas nestas constante montanha russa que é a vida. Só que a gente tem memória curta e tende a supervalorizar as dificuldades da vez, esquecendo todas as outras que já superamos em outros tempos. Desde que o Mundo é Mundo é assim.

Também não quero fazer deste post algo do tipo "senta que lá vem história" porque afinal de contas hoje é o último dia do ano e todo mundo tem mais o que fazer do que ler textos gigantes de gente prolixa. E cada um teve suas próprias dificuldades ao longo do ano, e cada um, à sua maneira, já deve ter feito (ou fará) as reflexões pertinentes, porque tudo isso faz parte dos rituais desta época de festas.

Sim, tive um ano terrível, um ano de perdas doloridas, um ano de medos horripilantes, um ano de provações tremendas, um ano de mudanças bruscas, um ano de decepções que me entristeceram profundamente, um ano em que meu coração foi triturado por pessoas e situações inimagináveis, um ano em que sofri como há muito não sofria.

Mas também houve alguma beleza no meio de tanto caos. E é a elas que quero me apegar, o resto a gente aproveita o ritual de passagem de ano pra enterrar, nem que seja simbólicamente.

Porque, é claro, a vida não muda da água pro vinho só porque amanhã será o primeiro dia de um novo ano. Mas é aquela história da renovação das esperanças, das forças, etc e tal. É como começar um caderno novo: mesmo que a história a ser escrita seja apenas uma continuação daquela escrita no caderno que acabou, o simples fato de começar a escrever num caderno novinho faz a gente caprichar na letra, no cuidado, na redação. Depois de um tempo a gente relaxa e volta tudo a ser a bagunça de sempre, até que o caderno termine de novo, e venha outro, e outro, e mais outro.

E a gente sempre vai reclamar do que não foi bom, sempre vai achar que podia ter sido melhor, e sempre vai desejar que tudo seja diferente. Viver é uma constante expectativa, como eu já disse aqui. A insatisfação é da natureza humana, e é um combustível importante que nos move pra frente e dá sentido à nossa existência.

Vamos focar, então, na expectativa da vez, que é o aclamado ano de 2012, o "Ano do Fim do Mundo". Vamos tentar começar o caderno novo com capricho, vamos tentar consertar o que for possível, vamos tentar evitar os mesmos erros e vamos abrir espaço para novos erros.

Basicamente é isso que, na minha modesta opinião, pode fazer um ano ser verdadeiramente bom: A oportunidade de viver novas experiências, e, consequentemente, cometer NOVOS erros.

** deixando claro que não digo "novas experiências" apenas no sentido literal, já que elas podem ser vividas também em "velhas situações", desde que se mude o ponto de vista, por exemplo. **

Pois então que seja! Que venha 2012, e que tenhamos a sabedoria necessária pra usar a experiência adquirida neste 2011 difícil como combustível para construir uma trajetória mais feliz!

GENUINIDADE é o que eu espero de 2012!
E é também o que eu desejo pra todos vocês!


Que todos os sentimentos e experiências de 2012 sejam tão genuínos como a felicidade estampada no rosto dos molequinhos dessa foto!


FELIZ [ano] CADERNO NOVO!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Abraçando Clichês

É apenas meu segundo dia sem a cria (que foi passar longas férias no Nordeste com o pai e os avós), e já estou perdidinha, sem saber direito o que fazer, por onde começar, etc e tal. Impressionante como a quebra da rotina nos tira dos eixos! A gente vive reclamando da rotina, mas a verdade é que é bem difícil SAIR da rotina.

Anyway, é também aquela semaninha meio morta do ano, e mesmo pra mim, que estou tecnicamente de "plantão", o ritmo diminui consideravelmente. Já não há mais nas ruas aquela correria desenfreada pré Natal, muita gente já viajou, a cidade fica deliciosamente vazia, e a sensação de não precisar correr o tempo todo ou de não estar constantemente atrasada para algum compromisso é deliciosa, mas estranha.

E no meio dessa minha barata-tontice de não saber direito o que fazer, ou por onde começar a fazer o que quer que seja, tirei o dia hoje pra tentar arrumar algumas coisas na casa, nas contas, na vida, etc.

Só sei que lá pelas tantas precisei sair pra comprar pregos. O Pereirão de Wisteria Lane vem aqui amanhã cedo pra finalmente pendurar meus Cupidos de Rafaello na cabeceira da minha cama, e eu precisava providenciar os pregos (ou ganchos, ou parafusos, sei lá o nome do negócio!).

Largadíssima do jeito que estava em casa (leia-se de short, camiseta velha, havaianas, cabelo preso num coque preguiçoso e cara lavada), saí à pé mesmo pra ir até a loja de materiais de construção comprar os tais ganchos. Como a loja fica ao lado do Shopping, resolvi dar uma esticadinha pra comprar um negócinho, e acabei rodando um bom tempo por lá (~~mulheres!~~), com direito a pausa para um café e mais um auto-presentinho (o delicioso CD da Florence + The Machine!).

Considerando o adiantado da hora, resolvi dar uma espiada no Cinema, e acabei mijogando na última sessão para ver o filme "Noite de Ano Novo".


Não esperava nada do filme, estava NA CARA que era algo previsível e descartável, mas fui mesmo assim, pelo elenco (quanta gente linda!), pelo prazer da telona, pelo baldão de pipoca, pela coca-cola e pra fazer um agradinho a mim mesma.

O filme, como esperado, não era lá essas coisas. Uma sucessão de clichês de histórias-desencontradas-que-se-reencontram-num-final-feliz. Na noite de Ano Novo. Oh, really?

Boring, né? NÃO!!! E era aí que eu queria chegar.

Apesar de toda a previsibilidade, eu sorri, chorei e me emocionei no filme. E isso me fez um bem tão grande, que voltei pra casa à pé, quando já passava da meia-noite, admirando a beleza de um começo de madrugada de verão e pensando que a vida real, no fundo, não passa de um clichêzão, e somos nós que damos o tom deste clichê, dia após dia... às vezes pesando a mão no drama, às vezes inserindo doses exageradas de suspense, às vezes com tragédias inesperadas, e às vezes, por que não, assumindo o melhor lado das deliciosas comédias românticas.

A vida é duríssima e extremamente complexa. E talvez por isso mesmo devíamos todos nos permitir, pelo menos de vez em quando, deixar os pré-julgamentos de lado e apenas admirar histórias fofas e bonitinhas, mesmo que sejam totalmente clichês. Quem sabe até abrir espaço para que elas roteirizem nossa própria vida de vez em quando.

Porque, na boa? Super me senti uma mocinha de filme voltando pra casa com um sorriso bobo no rosto e cabelos ao vento. Eu sei que não vou encontrar um grande amor presa num elevador na noite de Reveillon, ou receber a declaração de amor mais linda do mundo de um astro-galã do rock no show da meia-noite. Mas e daí?

A vida é tão surpreendente o tempo todo, que uma hora essa criatividade pra surpreender pode acabar e até ela - A Dona Vida - pode precisar se valer de algum clichê pra fazer a roda continuar a girar. Nunca se sabe...

Vai que, né? Melhor estar liberta de preconceitos e abertas a todas as possibilidades!

(super aceito um clichêzinho romântico, viu, Dona Vida? Se quiser, é só mandar!)

<3

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cotidianices

Alguns dias são apenas difíceis, essencialmente difíceis, irremediavelmente difíceis.

(...)

Nos acostumamos tanto com repetidos erros de uma mesma pessoa, que até quando há um acerto imputamos a ela mais um erro. Estamos inconscientemente sugestionados pelo pré-conceito que nos domina. Mas raramente admitimos isso.

(...)

Pequenos tiranos exercitam a tirania sobre súditos que voluntariamente lhe baixam a cabeça. E quando aparece um rebelde que se recusa a agir como os demais, dá-se o caos. Porque, afinal, é uma tirania oportunista que não se sustenta. É uma tirania covarde. É uma tirania de mentirinha que só exite e resiste e persiste porque há sempre alguém para permitir.

(...)

A posição mais confortável do Mundo é "em cima do muro". E às vezes é também a mais inteligente. Mas apenas ÀS VEZES.

(...)

Situações extremas requerem atitudes extremas. E TEMPESTIVAS.

(...)

E, pra finalizar, APOIO é muito mais do que uma palavra com 5 letras e um tritongo.

(...)

A verdade é que anda sobrando blábláblá e discursinho politicamente correto (ou não) no Mundo, e tá faltando muita ATITUDE.
Tá faltando muito ABRAÇO.
Tá faltando muito CARINHO.
Tá faltando muita COMPREENSÃO.
Tá faltando muita JUSTIÇA.
Tá faltando muita TOLERÂNCIA.
Tá faltando muita coisa.
E estou falando de atitudes, na prática.
Porque de palavras bonitas e fortes eu também estou bem abastecida (e o dicionário tá cheio!), obrigada!

Às vezes, tudo que a gente precisa e quer é de um abraço.
Só que nem tudo na vida é matematicamente justificado/explicado.
Nem tudo na vida faz sentido óbvio, real e imediato.
Nem tudo na vida é literal.
Mas as pessoas insistem em discutir horas a fio, às vezes dias, às vezes meses, as razões da sua necessidade de abraço.
Passam um tempão discutindo se a maneira como você demonstrou querer um abraço foi correta ou não, se suas atitudes são ou não coerentes com as de quem realmente precisa de um abraço, se você não está dramatizando demais ao querer um abraço, se você não está sendo fraca por assumir a necessidade de um abraço, enfim...
As pessoas perdem todo o tempo que têm pra provar que você está errada em querer um abraço ou que o pediu da maneira errada.
E o tempo passa.
E o que se perde, se perde pra sempre.
Tudo porque BUROCRATIZARAM o abraço.