sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A Troca (Oscar 2009)

Baseado em fatos reais, A Troca conta a dolorosa história de Christine Collins (Angelina Jolie), uma mãe solteira que trabalha no serviço telefônico de Los Angeles em meados da década de 20.

Procurando dar o melhor possível a seu único filho Walter, Christine trabalha há anos na mesma companhia telefônica local, e faz a linha "funcionária padrão", daquelas que quase nunca dizem não a uma solicitação extraordinária. E foi numa destas ocasiões que precisou deixar o Walter sozinho em casa, enquanto passava mais um dia trabalhando em jornada extra. Ao voltar pra casa, no entanto, Christine não encontrou o filho como de costume, e iniciou sua dramática jornada em busca do paradeiro do menino.

Após 5 meses de investigações e buscas, a polícia finalmente alega ter encontrado Walter. Aproveitando-se da situação para ganhar alguma publicidade positiva, já que enfrentava uma das piores crises de sua história, a Polícia de L.A. arma um verdadeiro circo para promover o "encontro" entre mãe e filho, usando a história para tentar manipular a opinião pública e da mídia.

Entretanto, na mesma hora em que cruza seu olhar com o do garoto apresentado Christine percebe que não é seu filho e tenta esclarecer a confusão, mas é impedida porque a Corporação parece bem determinada em provar o contrário e manter a publicidade positiva a qualquer custo.

Este é o ponto de partida para a jornada de Christine Collins em busca da verdade e de sua esperança inesgotável de encontrar o filho verdadeiro. Ela é colocada à prova a todo momento, contestada e acuada pelas autoridades que valem-se de sua condição de mãe solteira para humilhá-la, e chega a ser submetida a um tratamento psiquiátrico forçado por supostamente ter renegado o próprio filho.

A sucessão de barbaridades que se segue é assustadora e revoltante, e num determinado momento parece que aquela frágil figura de uma esquálida Christine não vai suportar. Mas suas força de mãe é muito maior do que se pode supor, e é daí que ela tira seus últimos fiapos de energia para encontrar a verdade definitiva, apesar de tanta dor.

A Troca é uma história triste, chocante e profundamente comovente, de fazer chorar (e muito). E obviamente para quem é mãe (como eu), o apelo sentimental é ainda maior. Não há como supor nem por aproximação o tamanho da dor de uma mãe que tem um filho sequestrado, que perde um filho sem saber efetivamente o que aconteceu. Da mesma forma, não há como dimensionar a capacidade de superação de uma mãe quando o que está em jogo é a segurança de seu filho. E é exatamente isso que o filme retrata.

Outros acontecimentos paralelos surgem no contexto, como a grave crise institucional da Polícia de L.A., altamente corruptível e desacreditada, e o drama vivido por outras famílias que também perderam seus filhos misteriosamente. Mas o foco acaba ficando quase que exclusivamente na luta de Christine Collins, e o filme acaba virando um presente para Angelina Jolie que, competentemente e aproveitando-se muito bem da oportunidade, foi lá e buscou sua merecidíssima indicação ao Oscar de melhor atriz.

Sobre a atuação de Angie, aliás, preciso dizer que tenho sentimentos contraditórios. Ao mesmo tempo em que reconheço o capricho de sua atuação inspirada, fico com um pézinho levemente atrás por ver La Jolie num papel que remete tanto à atriz enquanto pessoa.

O que estou querendo dizer? Bem, preciso confessar que em vários momentos do filme me vinha à cabeça a imagem de Angelina e seus muitos filhos, até porque esse lado mãe da atriz foi muito explorado pela mídia - e por ela mesma - nos últimos anos, de modo que às vezes o papel no filme e o momento pessoal da atriz pareciam uma coincidência forçada demais, sei lá... Isso me incomodou um pouco, assim como me incomodou (e chocou) a excessiva magreza da atriz (que chega a parecer anoréxica).

Não sei se foi uma exigência do papel, mas o fato é que a magreza foi inclusive explorada por muitos ângulos da câmera, e em alguns momentos Angelina parece apenas um cabide ambulante com roupas acomodadas por cima. Considerando-se o estilo de roupas que as mulheres usavam na década de 20, e associando esse figurino ao chapéu que Christine Collins não tira da cabeça, temos no filme uma Angelina Jolie muito diferente daquela que nos acostumamos a ver em outros tantos filmes.

Particularmente, acho Angelina Jolie simplesmente espetacular. Se ela não é "A" mais linda é certamente UMA DAS 5 mulheres mais lindas do mundo na atualidade. Mas essa magreza exagerada tirou muito do seu brilho, deixou-a muito mais velha e com aparência nada saudável, e espero sinceramente que ela recupere a boa forma logo, até porque ela tem um monte de filhos pra criar e nem vai dar conta de carregar nenum deles com aquele corpinho franzino.

A indicação ao Oscar foi merecida, sem dúvida, e digo isso conscientemente porque já vi quase todas as outras indicadas. É bem difícil analisar e comparar atuações tão diversas como as das indicadas deste ano, e avaliar esta atuação de Angelina Jolie, especificamente, é ainda mais difícil, já que estamos falando de uma atuação forte mas contida, muito contida. Completamente diferente de seu outro papel de destaque, que inclusive lhe rendeu o Oscar de Atriz Coadjuvante há alguns anos, por Garota, Interrompida!

Se ela leva a estatueta? Não sei... Particularmente acho e espero que não, tenho outra favorita que revelarei na resenha do respectivo filme. Lá no fundinho, na verdade, eu adoraria ver o casal 20 de Hollywood subir ao palco e levar pra casa cada um seu respectivo Oscar. Angie e Brad ganhando Oscar no mesmo ano seria histórico, sem dúvida, e não seria nenhuma injustiça. Mas eu duvido que isso aconteça. Este ano, na verdade, ele tem mais chances do que ela, então vamos aguardar para ver... Dia 22 tá aí, façam suas apostas!

Para finalizar, preciso dizer que fiquei meio chocada quando vi que a direção do filme é de Clint Eastwood. Porque não tem muito a ver com o estilo dele, se é que vocês me entendem. Como eu fui ao cinema para ver outro filme e acabei vendo A Troca meio por acaso, não tinha nem prestado atenção no nome do diretor, e quando vi nos créditos finais fiquei meio incrédula.

O filme é bom, e apenas bom. Acho que poderia ser ótimo se o roteiro tivesse uma linha um pouco diferente. Podia ser um filme mais curto (são 2h20!), podia ter um pouco mais de surpresas ou momentos de reviravolta, e fatos paralelos poderiam ter sido explorados como importantes trunfos para manter o ritmo do filme. Esta falha do roteiro compromete inclusive a direção de Eastwood - monótona demais, e talvez por isso mesmo eu tenha me surpreendido tanto, neste caso negativamente.

Vale ver pela história, pelo capricho técnico e visual que inclusive renderam ao longa outras indicações ao Oscar, por ser um filme bom e, claro, por Angelina Jolie.

Confira, e depois me conte o que achou!


INDICAÇÕES AO OSCAR 2009:

Atriz - Angelina Jolie
Direção de Arte
Fotografia

2 comentários:

Maciel Queiroz disse...

Flavinha,

Essa sua idéia de fazer uma série sobre o Oscar desse ano é no mínimo brilhante, pode ter ctz.

Apesar de saber que deve dar um trabalhinho grande fazer esses textos tão detalhados, elaborados e recheados de belos comentários seus, nota-se de longe o qto vc faz isso com a dedicação de quem escreve msm por prazer. Acho isso show de bola!

Qto ao filme, vc tem toda razão ao falar que ele remeteu muito a vida particular de Jolie focando no lado maternal da atriz, mas por outro lado, acho q fugiu um pouco do esteriótipo gostosona fatal que ela faz na maioria de seus trabalhos.

Sem falar claro que a história parece ser muito interessante msm.
Realmente os pais, aqueles que amam de verdade, fazem tudo por seus filhos e não medem a consequencia de seus atos para protege-los.

Vou ficando por aqui, mas vou comentar devagar cada um deles depois, ok priminha?

Bjos!

WILL CARVALHO disse...

Dois dias atrás, comentei no seu blog a respeito do filme Lutador, e sem querer coloquei Anônimo. Já que cometi essa indelicadeza,vou comentar aqui pois achei bastante interessante o seu texto. Acredito que o filme a troca, teve um roteiro digno de framboesa, sei lá, e o fato de eu associar a Angelina como uma atriz que não gosto, acho que já comecei a assistir o filme não gostando da atuação dela. O seu drama apresentado não me comoveu, achei que estava vendo uma novela da Globo de época. Uma grande produção, uma história boa, mas mal executada, e uma Angelina magra demais para representar o estilo da mulher nos anos 20.