terça-feira, 9 de agosto de 2011

E agora?


Daí você tá lá, vivendo sua vida, tentando "seguir em frente" como dizem que deve ser, quando de repente chega neste ponto.

E agora?

sábado, 6 de agosto de 2011

Desperdício

"Cada vez mais me convenço que a vida se perde na palavra não dita, no abraço negado, no ombro não emprestado, na conversa silenciada, na mão não estendida, na compreensão sufocada, na gentileza desprezada, no carinho desvalorizado, no amor não demonstrado..."

Li esta reflexão agora há pouco no facebook da Ju Ferrari e, com algumas inserções por minha conta, quis postar aqui porque, né? É bem isso... Infelizmente...
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Onde eu guardei o Desassossego

Uma sucessão de coisas acontecendo o tempo todo, não raramente todas ao mesmo tempo.

Coisas boas e ruins, alegres e tristes, empolgantes e frustrantes, prazerozas e doloridas, engraçadas e sem graça, positivas e negativas, bonitas e feias, legais e chatas, barulhentas e silenciosas, amáveis e odiáveis, que fazem rir e que fazem chorar, enfim... Todo tipo de coisas contraditórias, importantes e desimportantes.

Assim é a vida. A minha, a sua, a de todo mundo.

E a gente é o "como" a gente lida com essas coisas. De certa forma, ousaria dizer até que é isso que nos diferencia uns dos outros.

Tendo a acreditar que quem lida com as coisas de maneira mais intensa/visceral acaba, no fim das contas, sofrendo mais, porque sentimento - até quando muito bom - é algo que consome muita energia. Admiro profundamente quem consegue viver com intensidade moderada, porque essas pessoas acabam poupando uma energia que mais cedo ou mais tarde vai ser necessária, e eu, por exemplo, nunca tenho.

Por isso mesmo vivo experimentando novas técnicas pra tentar ser uma pessoa mais centrada e menos emocional, mas invariavelmente fracasso, e este fracasso acaba potencializando todos os outros sentimentos e... Bingo! A coisa fica ainda pior.

Não sei delimitar tempo, na verdade nem sei exatamente quando as coisas todas se intensificaram desta forma na minha vida, me perdi no mar de sensações, mas o fato é que ando numa batida de extremos tão extremos que minha vida se tornou algo quase inadministrável, uma oscilação eterna de céu e inferno que eu tenho plena consciência que é totalmente desnecessária e seria facilmente evitada se eu não fosse esse saco sem fundo de emoções superlativas e piegas.

E não há constatação pior na vida do que perceber que tudo começa e termina no seu próprio exagero, na sua própria visceralidade.

Daí eu mais uma vez coloco o Tico e o Teco pra funcionar numa tentativa desesperada de encontrar um caminho menos turbulento pra lidar com as coisas, busco modelos, traço estratégias, faço mil planos e decido fazer mais uma tentativa. Não posso ser assim pro resto da vida, não durarei muito se continuar nessa batida!

E então decido que o caminho talvez seja armazenar todas as emoções ao invés de lidar com elas. Já que não consigo dosar a intensidade, talvez o melhor caminho seja guardar tudo num lugar seguro e seguir adiante. Pode parecer covarde, mas a mim parece muito mais genial do que covarde, e então eu tento.

Crio um método de armazenamento de emoções e sensações e sentimentos dentro de mim, e a coisa começa a funcionar tão bem que faria inveja até à melhor empresa de logística do Mundo. Eu praticamente ganharia o selo Iso9001 de armazenamento de grandes quantidades de coisas em pouquíssimo espaço, e esta constatação me anima.

Talvez seja este o grande segredo da vida, afinal: Guardar todas as coisas no seu devido lugar, ao invés de insistir em deixá-las expostas só para parecer uma pessoa "intensa". (Aliás, quando é que ser "intensa" se tornou algo bom, admirável? Quem foi que propagou essa mentira???)

O fato é que assim me sinto livre. Livre para praticar o altruísmo, livre para experimentar outras coisas, livre para viver de verdade ao invés de passar todos os meus dias apenas administrando emoções. Me sinto leve, forte, segura, capaz de carregar o Mundo inteiro nas costas e ainda sorrir.

Vivo um inédito momento de calmaria até quando os tsunamis acontecem. Seguro todas as pontas sem derrubar uma única lágrima, e para uma "pessoa que chora" como eu isso é algo realmente significativo.

Vai tudo muito bem, e já consigo colher inclusive alguns resultados concretos.

Sou um sucesso! Um exemplo emblemático de equilíbrio físico-emocional. Cogito até escrever um livro de auto-ajuda que superaria inclusive o best seller "O Segredo".
Link
Mas... (porque na vida tem sempre que ter um MAS em algum momento)

De repente as coisas começam a ficar estranhas. Checo e constato que não há problema de espaço de armazenamento - a minha técnica de otimizar o pequeno espaço é realmente muito boa - mas as coisas que já armazenei parecem meio fora de ordem, não estão exatamente onde as coloquei.

Respiro fundo e decido tentar colocar ordem na casa. Tento pegar delicadamente cada emoção e removê-la para o seu devido lugar, mas é neste momento que tudo foge ao controle, e aquela visceralidade da qual tanto me esquivei vem à tona como um raio na minha cabeça, me levando de volta ao céu e ao inferno em frações de segundos, uma montanha russa de subidas e descidas tão radicais como eu jamais imaginei enfrentar.

Todas aquelas boas sensações que experimentei no curto espaço de tempo em que estive no controle do armazenamento das emoções desaparece como poeira no vento, e cada mínimo espaço da minha vida é preenchido automaticamente por um aglomerado de emoções tão intensas quanto contraditórias, e a única palavra que consigo encontrar pra me definir neste momento é perdida.

Me ocorre que talvez armazenar emoções não seja uma boa ideia. Fica bem claro, aliás, que guardá-las por um tempo apenas potencializa seus efeitos, e é impossível sair ilesa deste turbilhão.

Emoções armazenadas tornam-se armas de altíssimo poder de destruição, e eu definitivamente tô aprendendo a lição. Se ser intensa, dramática, visceral e piegas em tempo integral é horrível, mais horrível ainda é ter que lidar com tudo isso depois.

Mas o pior mesmo são os efeitos que isso produz nas relações que tenho com o Mundo. Não tenho como explicar de onde vem uma tristeza tão profunda ou uma alegria tão intensa. Não tenho como explicar porque estou gargalhando ou porque estou chorando. Não tenho como explicar tanta empolgação ou tanta frustração. Não tenho como justificar tanto amor e tanto ódio, e me torno uma pessoa ainda mais incompreensível.

Tudo porque tentei poupar o Mundo de mim.
Tudo porque tentei poupar eu mesma de mim.
Tudo porque nem sempre a gente é o que gostaria de ser, mas passa a maior parte da vida tentando ser o que a gente DEFINITIVAMENTE não é.




domingo, 24 de julho de 2011

I cry if I want to

Como fazer um post sobre Amy Winehouse sem cair no lugar comum?

Difícil.

Desde que a notícia pipocou nas redes sociais no começo da tarde deste sábado, todo mundo já falou de um tudo, como sempre acontece quando uma figura muito popular se vai. Houve despedidas emocionadas, apareceram os costumeiros "fãs de ocasião", muito se falou sobre drogas e lamentavelmente apareceram até opiniões cheias de pré-julgamentos que eu prefiro nem mencionar aqui. Nessas horas a gente vê que tem muito mais pseudo-deuses na face da terra do que o Soberano lá do Céu, todos ávidos a proferirem seus julgamentos e aplicar as condenações que acham corretas em nome de suas certezas individuais. Triste. Deprimente.

O fato é que no meio de toda essa falação em torno da vida e da morte de Amy, percebi mais uma vez algo que já tinha constatado há muitos anos, quando morreu Cazuza: as pessoas não conseguem, não sabem ou não querem separar a obra de arte da pessoa do artista. As pessoas têm uma necessidade bizarra - muito fruto dessa nossa cultura nojenta de mídia sensacionalista - de colocar a figura pessoal do artista à frente de sua obra, e é por isso que rola tanta polêmica.

Querem que o artista seja exemplo de bom caratismo, de bom comportamento, querem que o artista tenha uma vidinha modelo como se isso fosse condição sine qua nom para a boa avaliação de sua obra. E não, não é.

Pra falar a verdade, eu não entendo essa necessidade que as pessoas tem de buscar exemplos fora do contexto de suas vidas particulares. Por que diabos Amy Winehouse precisava ser exemplo do que quer que fosse para pessoas que não faziam parte da vida dela? Por que diabos precisava ter um comportamento pessoal "certinho" pra ser aceita como a grande artista que era (e continuará sendo)?

Não quero me alongar neste discurso e nem era esse o propósito inicial do post, mas qualquer pessoa que entenda minimamente o que é arte e de onde vem a inspiração do artista talvez consiga compreender que muitas vezes um bom trabalho oferecido a nós - consumidores da arte - só pode ser criado às custas do sacrifício de alguém, na maioria das vezes do próprio artista. E exemplos disso existem aos montes, alguns dos maiores artistas de todos os tempos tiveram suas biografias marcadas por períodos bem conturbados.

No caso específico da Amy, sua música era a materialização de suas mazelas, mazelas essas que a levaram ao fim trágico. Isso justifica seu comportamento sem limites, autodestrutivo, exagerado, etc e tal? Não sei, mas também não cabe a mim fazer este tipo de avaliação, e muito menos julgá-la. Escolha ou não escolha, foi o caminho trilhado por ela, quem sofreu as duras consequências - mesmo antes da morte - foi ela, quem teve a vida revirada, explorada e massacrada foi ela, e me parece inconteste que foi uma trajetória de muito, muito sofrimento, que ficou eternizada na obra maravilhosa que ela deixou.

Lamento profundamente que Amy tenha se enveredado por um caminho sem volta, lamento profundamente que ela tenha dito NO NO NO pra Rehab e lamento profundamente sua partida prematura. Mas não a julgo, simplesmente porque não faço a mínima ideia do que ela sofria na sua initmidade, não sei como era sua vida antes, não conheço sua história e não sei nada sobre o ser humano Amy Winehouse. Tudo o que sei é o que a mídia me vendeu, mas nada disso importa, porque eu nunca gostei da Amy porque ela era boazinha ou porque era bonita ou porque era legal.

Eu admirava, admiro e continuarei admirando, consumindo e aplaudindo o trabalho sensacional que ela fez e a contribuição memorável que ela trouxe ao cenário musical em tempos tão medíocres.

Admirarei Amy sempre como uma menina de voz singular, de coragem admirável por escrever letras de canções que expunham suas mais íntimas mágoas, uma menina que eu vi em frangalhos em cima de um palco no Show em São Paulo no começo deste ano, sem conseguir cantar e mal se mantendo em pé, mas cujos CD's ouvirei pra sempre repetidas vezes, porque são CD's impecáveis, dignos de destaque em qualquer CDteca.

Não tenho uma música preferida do repertório dela, é quase impossível escolher. Amo de paixão o CD Frank, o primeiro, mas Back to Black é simplesmente perfeito, da primeira à última música.

Os discos pararam por aí, mas recentemente ela fez participação em um projeto em homenagem ao Quincy Jones cantando "It's my Party", um clássido "das antigas" gravado originalmente por Lesley Gore. É uma canção simples e muito sofrida, bem no estilo Amy. Preciso dizer que ficou incrível?

Me despeço com "It's my party" (and I'll cry if I want to), e algumas imagens daquela Amy que gostaríamos que ainda estivesse por aqui produzindo essas maravilhas.






"You would cry too if it's happened to you"

terça-feira, 28 de junho de 2011

#mimimi

Tento não ficar me vitimizando a cada pedra no caminho mas... PQP! Tem horas que a única vontade que eu tenho é de sentar e chorar...

Seria trágico, se não fosse cômico (embora às vezes eu ache que a ordem desta constatação seja justamente a inversa), e usando meu direito sagrado de resmungar eu vim aqui (aproveitando pra testar o app do Blogger para Android) choramingar que a vida só pode estar de sacanagem com a minha cara!

Chego a procurar as câmeras escondidas obssessivamente, certa de que a qualquer momento o Serginho pulará na minha frente e soltará o manjado "Rá! Pegadinha do Mallandro!", mas até agora nada, o que tá deixando a coisa toda muito, MUITO sem graça.

Tá osso!

#prontoresmunguei
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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Momento "owwwwwnnnnn!!!"

Mais de um mês sem postar nada, e pra justificar o sumiço vou parafrasear Clarice Lispector:

"Não tenho tempo pra mais nada, ser [feliz] PEÃO me consome muito"

Tá muito dura essa minha vida de escrava, mas... pra quem não tá? O jeito é seguir em frente esperando os míticos "dias melhores" (que devem estar vindo no lombo de uma tartaruga, porque, né? Chegam nuncaaaaaa...)


Mas não foi pra resmungar que eu apareci por aqui... embora essa continue sendo minha especialidade, arrumei 5 minutinhos no meio do caos pra compartilhar um vídeo foférrimo que acabei de ver no Homorrealidade, e que deu aquela alegradinha no meu dia.

LinkRomântica-Melosa-Sonhadora-Quase(quase?)-Brega-e-Piegas assumida que sou, não tinha como não suspirar com todas essas declarações espontâneas feitas ao som de uma canção bem bonitinha que fala de AMOR! Tem até pedido de casamento no final!

Ownnnnnnn!!! =D




DOIS SORRISOS

As quatro estrelas do meu céu são suas
E os oito postes da avenida são meus
E se você quisesse todos eles te dava
Lembra, minha luz, foi você quem me deu

As sete cartas do tarô são suas
E os dez destinos mais prováveis são meus
E se você pedisse para abrir um caminho
Este iria dar na nossa casa, meu bem

As trinta e uma rosas do jardim são suas
E há somente um cravo, que é meu
E se você quisesse um arranjo ou um buquê,
Minha querida, o cravo era...

Seu sorriso é o que preciso
E quanto ao resto, eu juro tanto faz
Sua ausência me condena à dor

As nove luas sobre o mar são suas
E o escuro embaixo dos seus pés é meu
Mas se você quiser a vida um pouco mais clara
Por você, querida, eu roubo os raios de zeus

As mil e uma noites que virão são suas
E meu, só um minuto antes do sol nascer
Mas se você pedisse uma fração da eternidade
Eu me virava, e o tempo era...

Seu sorriso é que eu preciso
Pra abraçar o mundo e muito mais
Sua ausência me condena à dor da saudade

Especial

Você me completa, amor
E sabe que meu sonho só é um sonho porque
Você me completa, amor
Meu sonho só é um sonho porque
Você está nele

Seu sorriso é o que preciso
E quanto ao resto, eu juro tanto faz

Seu sorriso é que eu preciso
Pra abraçar o mundo e muito mais

Seu sorriso é que eu preciso
Pra apagar a dor...
Da saudade!

(Móveis Coloniais de Acaju / Leoni)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

E os desatinos...

Que semana foi essa?

Na noite do último domingo eu já sabia que vinha chumbo grosso na sequência, meu sexto sentido é um fanfarrão e até quando tento ignorá-lo ele insiste em ficar pulando e piscando na minha frente até que eu tome conhecimento do que ele quer me dizer.

Tenho buscado estratégias diferentes pra lidar com as chateações cotidianas, uma tentativa quase desesperada de mudar as habituais tempestades em copo d'água que eu provoco não raramente por motivos tolos, mas não deu muito certo. Deu bem errado, na verdade. Porque o que divide o controle do descontrole é uma linha tão tênue que a gente quase nunca percebe quando a atravessa. E eis o meu sexto sentido zombando de mim e dizendo mais uma vez: "Tá vendo? Eu avisei!"

Semana que começou também bombando de trabalho. Sabe quando todos os clientes resolvem ter todos os problemas e fazer todas as solicitações ao mesmo tempo? Então... De certa forma foi bom, aquela velha história de mergulhar no trabalho pra tentar poupar a cabeça das questões insolúveis e dramáticas da vida, mas tudo tem seu preço, e neste exato momento (noite de sexta-feira 13), meu corpo sabe exatamente o preço que pagou. Exaustão Total.

Foram em média 15 horas de trabalho por dia, e encerro meu expediente agora acumulando mais de 70 horas trabalhadas na semana, quase integralmente "na rua" (o que significa também muitas horas no trânsito delicioso de São Paulo), em diligências nos Fóruns, reuniões com clientes, viagens, audiências, etc. Isso sem contar os afazeres domésticos que ocupam todas as outras poucas horas que "sobram". Eu sei, essa é a rotina de 10 entre 10 "mulheres modernas" que tem jornada tripla (ou quádrupla, ou quíntupla), mas permitam-me esse breve desabafo antes de prosseguir. Vida dura que reinventa todos os dias o conceito de dureza.

Mas o fato é que nessas muitas idas e vindas, entre um congestionamento e outro, nem todo o stress profissional do mundo foi capaz de me poupar daquelas reflexões filosóficas aka piegas que a gente tende a fazer quando as coisas não vão bem.

E uma das questões que pulou na minha mente e está aqui me incomodando até agora é:

"Se a gente sabe que vai errar de qualquer jeito (porque muitas vezes o erro é inevitável), qual a opção menos pior: errar pela ação ou pela omissão? pelo excesso ou pela falta?"

A resposta que vem automaticamente é o velho clichê: "Prefiro errar pela ação do que pela omissão, é melhor se arrepender do que a gente fez do que se arrepender do que a gente não fez", e muitas outras variações que querem dizer basicamente a mesma coisa.

É uma afirmação "de efeito" que a gente aprende a fazer na vida o tempo todo, muito também pra justificar nossos desatinos, e que não deixa de ter um grande fundo de verdade, mas...

Será que é mesmo melhor errar sempre pela ação, pelo excesso? Tenho minhas dúvidas...

Será que às vezes não é melhor ficar quieto / passivo / calado e deixar o tsunami passar, evitando maiores estragos, ao invés de tentar mudar o rumo da onda e acabar servindo de combustível pra que ela seja ainda mais devastadora?

A gente se acostuma a justificar as coisas dizendo "ah, eu tentei, pelo menos eu tentei", mas muitas outras vezes tudo que a gente consegue pensar de verdade lá no fundo é: "por que diabos não fiquei quieta e deixei as coisas seguirem seu rumo até chegar a calmaria?"

Não sei... sou do tipo que não consegue fazer essa reflexão ANTES e saio por aí agindo / fazendo / falando, tudo na ânsia e colocar as coisas em ordem, sempre confiante de que vou acertar, mas essa semana tive uma lição muito grande de que às vezes não vale à pena, e se jogar no meio de uma onda gigante em formação vai provocar apenas uma alteração na minha própria racionalidade e... voilá! Eis os pés metidos pelas mãos... Eis o tsunami potencializado, o caos inconsertável, irreparável, imperdoável.

Se a gente não pode voltar no tempo pra recuperar oportunidades perdidas, também não pode voltar pra desdizer ou desfazer aquilo que já foi sacramentado. E isso dói tanto quanto (ou talvez muito mais) do que o arrependimento por "não ter feito nada".

Resta a esperança do perdão, a tentativa de consertar (mesmo sabendo que é inconsertável), o arrependimento e, o principal: A admissão do erro. Como costumo dizer,


"admitir um erro prova, na pior das hipóteses, que hoje você está mais inteligente do que ontem."


Não é fácil admitir um erro (especialmente para alguém como eu, obcecada pelo acerto e tão fiel às minhas convicções), mas é o primeiro passo para que a máxima da frase acima se torne uma verdade. Que assim seja! Esse tem sido meu mantra.


Como diz a música (fofíssima) da novela Cordel Encantado:

"E os desatinos... também tivemos que vivê-los bem juntinhos e os caminhos nos trouxeram para esse lugar... Aqui vamos ficar... amar, viver, lutar... até tudo acabar..."



(porque maior do que qualquer desatino é a vontade que move qualquer ação ou omissão: salvar o que realmente importa, o que é fundamental e não se pode perder jamais!)

domingo, 8 de maio de 2011

S2



Esta foto foi tirada no dia 17/11/2000 na Maternidade Pró Matre Paulista, totalmente à revelia da Dona Fátima, que nunca gostou de fotografia e brigaria horrores comigo hoje se me visse publicando "no computador" uma de suas raras fotos pra todo mundo ver.

Foi o dia em que EU me tornei mãe pra valer.

Meu filho nasceu pouco depois das 17h30 daquela sexta-feira ensolarada, e minha mãezinha estava lá pra me dar a confiança que eu precisava e pra me dizer do jeito dela - implicitamente entre um resmungo e outro - Dona Fátima era brava!, que tudo ia ficar bem, e que eu iria sim dar conta do recado.

Esta foto é o meu melhor retrato, mesmo eu não estando nela. Tudo que eu sou, tudo o que eu faço, tudo o que me tornei e tudo o que pretendo me tornar é por causa desses dois. Eles são o melhor de mim.

Me esforço pra fazer um bom trabalho como mãe do Lucas, e não tenho motivos pra reclamar da minha sorte até hoje... ele é o melhor filho que alguém podia querer ter. Sou suspeita pra falar, mas o que posso dizer se é a mais pura verdade?

No entanto ainda assim, vivendo a plenitude da maternidade em cada um dos dias da minha vida ao lado da minha cria linda, ainda assim eu serei sempre, SEMPRE, muito mais Filha da Dona Fátima do que Mãe do Zelão.

FELIZ DIA DAS MÃES!


Essa data será sempre muito mais sua do que minha, Mãezinha! Que saudade!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Orgulho Multicolorido

Depois de acompanhar ao vivo pela internet a decisão histórica proferida pelo STF no começo da noite desse inesquecível 05 de Maio, fiquei aceleradíssima...

Um misto de sensação de alma lavada (tá, é só o começo, mas é "O Começo"), de orgulho por existirem juristas capazes de decisão tão sensível e corajosa, de alegria por saber que tantos amigos e amigas poderão se beneficiar e fazer valer seus direitos, e por ver finalmente o Judiciário, que anda tão desacreditado por mim (e pelas torcidas do Corinthians, do Flamengo, etc) atuando daquela maneira que eu sempre achei que deveria atuar: com isenção de moralismos, com coerência, com sobriedade, socorrendo democraticamente TODOS os cidadãos, independentemente de suas diferenças.

Foram lindos os discursos, e as fundamentações dos votos me deixaram arrepiada. Eu não queria estar em nenhum outro lugar que não na frente do notebook assistindo a transmissão online da sessão do STF de onde saíram frases como:

"Estamos construindo uma sociedade mais decente, porque uma sociedade decente não humilha seus integrantes" (citação da Ministra Ellen Gracie)

"Esse julgamento não é o ponto culminante, mas sim o ponto de partida para novas conquistas" (Ministro Celso de Mello)

"Reconheço que o direito à busca da felicidade representa derivação do princípio da dignidade da vida humana" (Ministro Celso de Mello)

"Não há qualquer fundamento legítimo que sustente o não reconhecimento do direito à união homoafetiva" (Ministro Celso de Mello)

"Não pode ser considerado um julgamento em favor de apenas alguns. Ganha toda a sociedade" (Ministro Celso de Mello)

"Atos que beneficiem apenas heterossexuais estão em franca incompatibilidade com a Constituição Federal" (Ministro Marco Aurélio)

"Homossexuais tem os mesmos deveres civis. Tem que ter os mesmos direitos civis também" (Ministro Luiz Fux)

"É preciso que certas obviedades sejam ditas e reafirmadas" (Ministro Celso de Mello)


Essas e muitas outras frases de efeito, por si só, resumem bem a ópera toda. O STF DESENHOU o que já consta na nossa Constituição Federal desde 1988, e eu espero sinceramente que todas essas afirmações e reflexões surtam, ainda que a longo prazo, o efeito que devem e precisam surtir na sociedade como um todo...

Foi lindo!

E eu fiquei emocionadíssima, porque se tem uma coisa na qual sempre acreditei e pela qual sempre tentei lutar foi isso: Incorporação dos homossexuais à sociedade comum, tirando-os da vida marginal em que muitos vivem totalmente contra a vontade, mas por necessidade diante da negligência do Estado em proteger seus direitos.

Eis que no meio da minha empolgação sou questionada pelo meu filho, que quer saber por que, de uma hora pra outra, fiquei tão "feliz".

Expliquei o assunto da maneira mais didática que consegui, e não precisei ir muito longe para que ele me interrompesse:

"Ah, entendi, mamãe... quer dizer então que agora um homem que casa com um homem e uma mulher que casa com uma mulher vão ser iguais os homens que casam com mulheres?"

Expliquei que não é exatamente casamento e sim união estával, mas que na prática, SIM, é mais ou menos isso, e então ele me interrompe mais uma vez:


"Ah, que bom, né, mamãe? Quem sabe agora as pessoas que tem homofobia param logo com essa besteira!".



ORGULHO MÁXIMO TOMOU CONTA DO MEU SER...

Abracei meu filho e disse que tenho muito orgulho por ele, na simplicidade dos seus 10 anos, entender uma coisa tão óbvia que tanta gente grande não entende, e chorei pela milésima vez no dia.

Sou sonhadora, sou idealista, tento manter-me fiel aos meus princípios e enquanto houver algo que eu possa fazer pra mudar o Mundo, FAREI.

Acredito que as únicas chances de salvarmos um Mundo tão doente residem no trabalho de formiguinha que todos podemos (e devemos) fazer no universo de nossas casas. Vejo crianças da idade do meu filho já extremamente preconceituosas e intolerantes, e chego bem perto da desesperança total. Mas ouvir uma frase como essa que o meu filho disse funciona como um turbo para que eu renove minhas esperanças e siga lutando por aquilo que acredito.

Voltando ao STF, não devemos perder de vista que 10 senhorzinhos e senhorinhas (com todo o respeito aos Ministros) que tinham tudo para serem conservadores, tomaram uma decisão profundamente sensível e justa. Apesar de suas crenças pessoais (e tenho certeza que cada um dos Ministros tem sua própria fé, seus próprios conceitos de moral, etc), colocaram o RESPEITO às diferenças e o tratamento igualitário a TODOS os cidadãos como questão preponderante para configuração de uma sociedade mais justa, e isso é uma grande e importante lição!

Dia 05 de Maio de 2011 ficará gravado como o dia em que os casais homossexuais tiveram assegurados seus direitos decorrentes das uniões homoafetivas que vivem ou pretendam viver.

E ficará gravado também como o dia em que os "velhinhos do STF", assim como uma criança de 10 anos (meu filho, que orgulho!), expressaram de maneira incontestável, cada um do seu jeito - com palavras rebuscadas, citando Platão, ou com expressões simples e coloquiais como no caso do meu filho - que:

nada na vida é mais importante do que o
AMOR AO PRÓXIMO.


E só há amor se houver respeito.
Só há amor se houver tolerância.
Não devemos esquecer disso. JAMAIS!

É nesse mundo que eu quero viver, e é por ele que vou lutar, sempre!

PELO PODER DO ARCO-ÍRIS!!!


terça-feira, 3 de maio de 2011

Complete a Frase: "Mulher no volante..."

... Perigo constante???

Garanto que não! Não todas as mulheres, pelo menos...

É sobre isso, e sobre várias outras coisinhas relacionadas a mulheres X carro X trânsito X homens que eu, Paula Bastos e Livia Figueiredo falamos no podcast que foi pro ar no portal Grandes Mulheres hoje...


"Depois homem não sabe por que tá trocando óleo sozinho"

"Todo mundo sabe que o carro é a extensão do p****"

"Eu não sei encaixar o macaco"


Essas várias outras pérolas você encontra clicando aqui. Para escutar online ou fazer download...

Vai perder??? =D