terça-feira, 1 de abril de 2008

Prova de Fogo * *

Campeonato de soletração está em moda por aqui desde que o programa global "Caldeirão do Huck" lançou o quadro - que está atualmente na segunda edição - no ano passado. Mas ao assistir o filme "Prova de Fogo" (título original "Akeelah and the Bee), vemos que esse "esporte" é moda nos EUA há algum tempo, havendo inclusive um campeonato nacional de tamanha notoriedade que é transmitido pelos canais esportivos locais.

O filme mostra a saga da adorável Akeelah (Keke Palmer) em busca da vitória no Campeonato Nacional de Soletração. Ela é uma pré-adolescente negra, que vive numa família desestruturada emocionalmente após a morte do pai, estuda numa escola pública precária no subúrbio de Los Angeles e tem de enfrentar a hostilidade de alguns colegas de escola que a agridem por ser a CDF da turma. Sua notável inteligência especialmente com as palavras logo é percebida pela professora, e o diretor da escola vê na garota uma oportunidade de atrair investimentos e melhorias no ensino da instituição. Resolve então apostar no talento de Akeelah, que a princípio reluta diante da idéia de participar do concurso, mas logo acaba cedendo e mergulha de cabeça na preparação para atingir seu objetivo.

Ela é treinada pelo por um notável Professor Universitário (Laurence Fishburne), o primeiro negro a vencer um concurso nacional de soletração há muitos anos, um homem extremamente inteligente mas igualmente amargurado pela perda da família em uma tragédia. Obviamente não demora para que ambos encontrem uma afinidade que vai além do objetivo da competição, e os motivos pessoais acabam sendo mais importantes do que qualquer outro em busca da vitória.

"Prova de Fogo" é um filme exatamente no estilo "sessão da tarde", recheado de clichês e de qualidade bem razoável. Vários pontos já exaustivamente abordados em outros filmes são aqui novamente explorados, como a inclusão racial por meio do esporte (no caso a soletração), a redenção de alguém amargurado que reencontra a capacidade de amar, a superação da carência material e moral, enfim, uma série de assuntos que são quase invariavelmente fadados à mesmice,

Entretanto, não é um filme totalmente descartável. Apesar de toda a previsibilidade já mencionada, é um filme delicado, leve, e mesmo clichê, não deixa de ser uma lição de vida, uma lição de que a dedicação é às vezes a única arma que temos pra alcançar nossos objetivos nesse mundo selvagem onde os fracos são oprimidos o tempo todo, uma lição de amizade, de caráter, de amor ao próximo e de amor próprio.

Assisti o filme com meu filho de 7 anos. Ele é doido por soletração desde que viu o quadro pela primeira vez na TV, adora soletrar e (acreditem!) lê o dicionário para aprender novas palavras. Lógico que ele adorou o filme. Mas o que achei mais legal mesmo foi que quando terminou, ele imediatamente me disse: "Puxa, a Akeelah conseguiu porque ela estudou muito, então se eu estudar muito também posso conseguir, né, mãe?".

Já é uma grande lição!!!

Crimes em Wonderland * * * *

Particularmente, gosto muito de filmes baseados em fatos reais, mais precisamente filmes policiais baseados em fatos reais... É um gosto meio mórbido, eu sei, mas dou o braço a torcer e admito esse meu lado meio trash... E Crimes em Wonderland é um dos mais genuínos exemplos de um bom filme do gênero, tanto que o reassisti por esses dias com o mesmo interesse que assisti da primeira vez.

John Holmes (Val Kilmer) foi um lendário ator pornô que ficou famoso nos anos 70 por conta de seus "dotes avantajados", mas chegou ao fundo do poço ao tornar-se totalmente dependente de drogas pesadas. Vivia à margem da sociedade, frequentando o submundo dos inferninhos de Los Angeles, onde drogas eram traficadas e consumidas indiscriminadamente. Assim como a grande maioria - senão todos - os usuários de drogas, John envolveu-se cada vez mais com os "caras barra pesada", sujeitando-se a qualquer coisa para pagar suas dívidas e liberar seu crédito para consumir mais e mais e mais drogas.

E foi em nome do seu vício que ele se envolveu numa trama criminosa que resultou no famoso Crime da Rua Wonderland, uma chacina de grandes proporções que chocou a população e ganhou espaço na mídia da época justamente pela brutalidade e por envolver o famoso ator pornô como um dos principais suspeitos.

O filme mostra, através de flash-backs, a versão do crime apresentada à polícia por dois dos envolvidos - o próprio John Holmes e o único sobrevivente da gangue de Wonderland, David (Dylan McDermott). Obviamente são versões conflitantes quanto à autoria, mas o espectador não precisa se dar ao trabalho de tentar desvendar qual a versão real dos fatos (embora isso seja facilmente possível no decorrer do filme), porque a questão é esclarecida no final de uma maneira bem interessante e coerente, aliás.

Gosto particularmente de Val Kilmer nesse tipo de papel - talvez o único tipo de papel que ele interprete bem. Em Crimes em Wonderland ele está praticamente com a mesma cara do Jim Morrison (que eu adoro) também vivido por ele anos antes, e igualmente competente. A personagem, que parece estar constantemente chapada, provoca no espectador emoções conflitantes, ora parecendo um crápula miserável e manipulador capaz de qualquer atrocidade, ora parecendo um pobre coitado viciado, digno de pena.

Há ainda no elenco outros nomes de destaque como Lisa Kudrow (num papel dramático muito diferente da Phoebe que estamos acostumavos a ver em Friends), Kate Bosworth, Josh Lucas, Christina Applegate, dentre outros.

Assim, "Crimes em Wonderland" é um ótimo filme, que retrata uma história verídica chocante com bom ritmo, com a dose certa de suspense, a produção é caprichada, as atuações são convincentes e, não posso deixar de comentar, a trilha sonora é incrível! Veja se puder!!!

Curiosidade Mórbida: para quem alugar o DVD, não deixe de ver os extras (se tiver estômago). Há um extra com imagens reais da cena do crime, imagens feitas precariamente na época da chacina pelos peritos, e é algo, como vou dizer, bem "picante"...

A Rainha * * * *

Se tem um Oscar que foi merecido nos últimos anos foi aquele conferido à extraordinária Helen Mirren pelo seu papel em A Rainha. Ellen tornou-se praticamente um clone da Rainha Elizabeth II, mas a semelhança física a que chegou não é nada diante de sua estupenda atuação, merecidamente consagrada.

Filmes sobre a Rainha da Inglaterra não são originais, tampouco novidade... A figura emblemática da grande monarca, desde Elizabeth I, é sem dúvida fonte de grande inspiração para a indústria cinematográfica, o que leva consequentemente ao risco da mesmice depois de tanta exploração do tema, mas não é o que acontece com esse longa que consegue ser histórico, dramático, humano e divertido, surpreendentemente divertido.

"A Rainha" nos leva para os bastidores de uma das maiores tragédias da história britânica - a morte de Lady Di. Mas, ao contrário do que pode parecer a princípio, não é este o foco da trama, é apenas um pano de fundo para mostrar grande parte dos conflitos que se sucederam à tragédia nos bastidores do poder, é um pano de fundo para mostrar a maneira como a família real teve de lidar com pressões vindas de todos os lados para tentar fazer a coisa certa diante da morte de uma figura tão carismática, acontecimento que abalou o mundo inteiro e que colocou em xeque todos os protocolos reais, principalmente pelo fato de Diana não pertencer mais à realeza quando de sua morte.

Quando acontece a tragédia que vitimou Lady Di, o Primeiro Ministro Tony Blair (Michael Sheen, também ótimo no papel), acabara de ser eleito, e a Família Real estava passando férias no Castelo de Balmoral. De início, os modernos e populares métodos de Tony Blair confrontam-se com as tradições invocadas pela Rainha, e aí começa o conflito que poderia colocar ambos definitivamente em posições opostas - a decisão sobre como seria o funeral de Diana - mas que acabou por aliá-los da maneira mais inesperada, principalmente porque, como vemos no filme, ambos corajosamente enfrentaram seus preconceitos, assumiram suas fragilidades e incertezas e buscaram a racionalidade para fazer o necessário e encontrar a saída mais elegante para lidar com um "acontecimento sem precedentes e para o qual não havia protocolo pré-estabelecido".

O filme mistura cenas de ficção com cenas reais da época da tragédia, e a pesquisa histórica é tão cuidadosa que alguns dizem que é praticamente um documentário dos bastidores do poder, quase não dá pra perceber quais são as cenas documentais e quais são as cenas ficcionais, o que não deixa de ser um grande atrativo, já que pode ser bem interessante desvendar, ou pelo menos conhecer uma parte tão importante da história contemporânea.

Eu disse no início deste texto que A Rainha é também um filme divertido, e talvez isso soe estranho já que estamos aqui falando de um assunto tão sisudo. Acontece que de tão caprichado, o roteiro consegue, mui respeitosamente, inserir aquele humor tipicamente britânico em diálogos afiadíssimos, e é impossível não rir em algumas cenas. Aliás, há uma cena particularmente divertida, em que a Rainha, pouco antes de sair para seu passeio matinal com seus muitos cachorrinhos, consegue silenciar os animais com um simples olhar enviezado e um levantar de mão, como quem diz: "esperem", ao que os cães obedecem fielmente, colocando-se um ao lado do outro e matendo-se absolutamente silentes até que a Rainha ordene que a acompanhem. Apenas uma amostrinha do inimaginável poder - e carisma, por que não dizer - dela, "The Queen".

Um filmaço. Permita-se, e surpreenda-se!

Flores Partidas * *

Don Johnston (Bill Murray) é um solteirão convicto de mais de 50 anos de idade, que após viver o auge de uma carreira de sucesso no ramo de computadores, parece ter encontrado um novo estilo de vida, um misto de "Don Juan" com "Lobo Solitário".

Tanto que ser abandonado pela linda e jovem namorada Sherry (Julie Delpy), parece não lhe causar nenhum sofrimento. Ele está assistindo ao clássico "Don Juan" quando ela avisa que vai embora, e ele não faz nenhum esforço para que ela fique, apenas permanece diante do monitor de TV assistindo ao filme, inerte, inexpressivo, imcompreensível.

Ao receber uma carta anônima dizendo que ele tem um filho de 19 anos que saiu numa viagem em busca do pai, a monótona vida de Don ganha algum movimento. Ele acaba cedendo à pressão do seu vizinho e aparentemente único amigo Winston (Jeffrey Wright), um cara que é o seu oposto, pai de uma enorme família, falastrão e, o mais divertido da história - metido a detetive.

Don parte então numa viagem pelos EUA em busca de pistas sobre quem poderia ser a mãe do tal filho mencionado na carta. A princípio, existem 4 possibilidades, suas ex-namoradas de 20 anos atrás, e com a ajuda investigativa de Winston (que lhe recomenda levar para cada uma das mulheres um buquê de flores cor-de-rosa), Don faz um tour pelas cidades onde atualmente vivem suas ex-conquistas.

Cada encontro traz à tona um pedaço do passado. Cada encontro reserva a Don confrontos inesperados, memórias esquecidas e emoções desenterradas, de modo que num determinado momento o foco já nem está mais no filho procurado.

Flores Partidas é um filme que tinha tudo pra dar certo, e resultar numa excelente comédia dramática. O Roteiro é bem intencionado, os diálogos são afiados, inteligentes, enfim...Mas foi vítima do exagero daquilo que deveria ser seu maior charme, e acabou tornando-se um filme chato, insoso, cansativo.

Acontece que Bill Murray foi escolhido para o papel, segundo li, justamente por ter aquele jeitão peculiar que o re-consagrou recentemente em Encontros e Desencontros. Aquele jeitão de quem não está nem aí com nada, aquele jeitão de quem não sabe muito bem para que veio ao mundo, aquele jeitão de quem está constantemente deslocado em qualquer lugar, deslocado na própria vida. Essas características, sem dúvida, tornam o ator muito apropriado para esse tipo de papel mais contido, mas foi utilizada à exaustão em Flores Partidas, e cansou já na primeira meia hora.

Não dá pra ser cult o bastante ao ponto de ver graça num filme onde o protagonista estampa a mesma cara de nada o tempo todo, onde nenhuma emoção é demonstrada com o mínimo de intensidade, e, o pior, onde o final parece tão particular a quem escreveu o roteiro que o espectador fica "boiando" completamente.

É uma pena, porque poderia ser realmente um ótimo filme, mas ficou devendo, tornando-se algo apenas regular, e pouco digno do elenco de peso escalado. Dispensável.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Fechada para Balanço


Por mais que isso seja doído pra mim, precisarei me ausentar por uns dias... Estou com um milhão de coisas na cabeça pra escrever, mas não tenho conseguido o tempo necessário pra formular os posts como eu gostaria, de modo que precisarei tirar essa "folguinha" pra tentar colocar outros pontos caóticos da minha vida em ordem e então, quem sabe, liberar novamente umas horinhas eventuais pra vir aqui escrever meus devaneios com o devido capricho...

Sentirei saudades, com certeza, mas serão apenas alguns dias... sei que não vou conseguir ficar longe por muito tempo... e se as coisas continuarem caminhando nesse ritmo, sem sombra de dúvidas vou precisar - mais do que nunca - da minha terapia "escrevedorística"...

Torçam por mim! Estou precisando!

Até a volta! Muitos beijos, e não me abandonem!!!

terça-feira, 18 de março de 2008

Mania de Perseguição

A pessoa que acusa o outro de invejá-la, além de invejosa é doentiamente vaidosa.
O vaidoso patológico quer tanto ser admirado que justifica como invejoso qualquer olhar que lhe lancem.
No fundo, mais do que vaidoso o invejoso é só um entre tantos carentes em busca do que lhe falta: atenção.
(Rosana Hermann)
Já falei muito sobre esse "assunto" aqui no Blog e inclusive teci algumas considerações a respeito lá no meu perfil de Orkut.
Mas dada a minha inexistente capacidade de síntese, eu nunca jamais conseguiria traduzir em tão poucas linhas essa mania de perseguição que algumas pessoas têm, como fez brilhantemente Rosana Hermann no seu excelente Blog "Querido Leitor".

domingo, 16 de março de 2008

A Distância Entre Nós

Todas as manhãs na Bombaim contemporânea, Bhima, uma empregada doméstica, deixa seu barraco na favela para cuidar da casa de Serabai Dubash. Ali, Bhima esfrega o chão de um lugar em que será sempre uma estranha, limpa os estofados em que jamais poderá se sentar e lava a louça que não pode usar. No entanto, ainda que apartadas pela classe social e pelo sangue, Bhima e Serabai estão unidas pelos laços femininos e pelas experiências de vida que compartilham.
Sera é uma dona de casa de classe média alta cuja opulência da vida material esconde a vergonha e a desilusão de seu casamento violento. Viúva, ela se dedica à família e gasta quase todo o seu tempo cuidando da filha grávida Dinaz, uma pessoa dócil e excelente profissional, e de Viraf, seu atraente e bem-sucedido genro.
Bhima, analfabeta resignada, endurecida por uma vida de sofrimento e perdas, trabalha na casa de Sera há mais de vinte anos. Amaldiçoada pelo destino, ela sacrifica tudo pela bela e teimosa Maya, sua neta, uma universitária cuja educação - bancada pela patroa - lhes possibilitará deixar seu bairro pobre.

(trecho da "orelha" do livro)

Estou ainda consideravelmente estarrecida com essa história comovente e arrebatadora. Uma história que inicialmente parece muito distante, até pelo cenário em que se passa - a Índia contemporânea - mas que na realidade é muito mais próxima de todos nós do que podemos imaginar... Mais do que uma visão da sociedade oriental, é uma perspicaz análise do mundo contemporâneo, é uma história que poderia se passar na Índia ou no Brasil, na Arábia Saudita ou nos Estados Unidos.

Este romance da Jornalista Thrity Umrigar, que eu li em poucos dias, acaba sendo uma enorme bofetada na cara de quem o lê, porque coloca o dedo naquela que talvez seja a maior ferida da humanidade - a eterna distância que só parece aumentar entre os mundos que ao mesmo tempo parecem ter fronteiras invisíveis, mas que têm na verdade uma enorme muralha que talvez nunca possa ser derrubada, a enorme distância que existe entre o rico e o pobre, o enorme abismo social que divide o Mundo apesar de sermos todos seres humanos...

Um dos maiores méritos do livro é não glorificar a pobreza em detrimento da riqueza e vice-versa, é não vitimar os miseráveis nem condenar os mais abastados por sua condição, o que seria uma saída bem mais fácil para um romance. Ambas as protagonistas dessa dolorosa história são cheias de virtudes da mesma forma que são falíveis a toda sorte de erros ou "equívocos" por conta das circunstâncias da vida. Por mais que Sera e Bhima sejam, de certa forma, amigas, a verdade é que jamais isso será admitido, porque antes disso elas são patroa e empregada, e a vida não permite que essa barreira seja transposta.

Ambas são vítimas, antes de qualquer outra coisa, de suas origens e da ignorância dos mundos em que foram criadas, dos seus destinos trágicos e das escolhas que fizeram no passado. Ambas são vítimas das grandes perdas e encontram suas maneiras caladas de lidar com essa avalanche de emoções e frustrações, sem se dar conta do tamanho do reflexo disso tudo no mundo ao seu redor, e nas pessoas que mais amam.

Sem dúvida foi um livro surpreendente pra mim, e como citado na contra-capa, "eu não conseguia parar de lê-lo, e não era a mesma quando alcancei a última página"... A narrativa é invadida por uma melancolia às vezes sufocante, mas que sutilmente consegue dar o exato tom da realidade dessas duas vidas ao mesmo tempo tão abençoadas e tão desgraçadas.

Há um final corajoso, aberto a interpretações variadas, e achei essa uma outra grande "sacada" da escritora, porque depois de muito pensar concluí que a interpretação que podemos dar ao final da história diz muito sobre a nossa própria posição diante dessa problemática, o que pode ser um pouco perturbador.

De qualquer forma, é um livro importante, envolvente e emocionante enquanto romance, mas também muito corajoso enquanto crítica social. É uma leitura agradável, apesar de melancólica, e sem sombra de dúvida eu recomendo!!!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Lucaslândia

A história de Lucaslândia:

A Lucaslândia vivia lá no espaço sideral, mas no dia 12 de Fevereiro, em 1992, caiu um meteorito e a Lucaslândia caiu no Planeta Terra.
A Lucaslândia caiu num lugar perto da França, e virou uma Cidade, e agora a Lucaslândia já existe no Mapa.
Na Lucaslândia não existe guerra, e todo mundo é feliz.

E foi isso que aconteceu.

(Lucas Aguilhar Ribeiro - 7 Anos)

(Explicação redigida pelo meu filho sobre a "Cidadezinha" que nós criamos quando fizemos essa maquete, um trabalho dele para a aula de Geografia no Colégio. Juro que copiei cada letrinha do manuscrito original.)

quarta-feira, 12 de março de 2008

A História do Anúncio na Revista

Final da década de 80... Talvez 1988, 1989, sei lá... Só sei que eu era uma pré-adolescente de 12 ou 13 anos de idade, estava terminando o ensino fundamental, e não tinha muito acesso à cultura senão aquela vinda da TV (???)... eram tempos difíceis, como já contei aqui outras vezes, grana curta, vida simples, blablablablabla...

Na época, comprar revistas de qualquer gênero que fosse era um luxo... As meninas que tinham alguma grana costumavam ler "Capricho", mas isso não fazia parte da minha realidade. Só que uma revista semanal da época - a Revista Semanário - lançou uma coleção que encheu os olhos da estudantezinha CDF aqui... Era uma coleção sobre História Antiga, se não me engano, e toda semana a revista vinha acompanhada de um livrinho - sobre a Mesopotâmia, o Egito Antigo, e assim por diante.

Com o argumento de que aqueles livrinhos seriam fundamentais para a minha formação e para o enriquecimento dos meus estudos, convenci meu pai a bancar a coleção pra mim, de modo que a cada início de semana ele me dava a grana (se fosse hoje seria uma dessas revistas que custam R$ 1,99, sabem?), e eu passava na banca, quando saía da escola, para comprar o exemplar.

Claro que não era só o conteúdo dos livrinhos que me atraía... Como eu já disse, revista era um artigo de luxo, então eu e minha irmã Silvia nos deliciávamos com as páginas recheadas de notícias de celebridades da época, com os resumos das novelas, fotos da Xuxa e das Paquitas (que nós adorávamos), e outras inutilidades do gênero.

Havia na Revista uma seção de "anúncios pessoais", e todo tipo de conteúdo era encontrado: Os anúncios eram divididos em "sessões", tipo "Procura-se um Amigo", "Procura-se um Amor", "Procura-se um Companheiro", "Procura-se alguém para dividir um Apartamento", etc. Na época, não havia internet, e esse era com certeza o meio mais popular de busca de relacionamentos (o que hoje é feito pelo Orkut, pelos sites de namoro ou amizade, etc...).

Como eu e minha irmã "devorávamos" as revistas, líamos cada linha, inclusive os tais anúncios pessoais. Várias vezes ficávamos interessadas por anúncios que pareciam bem atraentes, tipo: "Jovem de 15 anos procura moças e rapazes que gostem de se divertir para fazer amizade", ou "Menina meiga da periferia procura expandir seus horizontes e fazer novas amizades". Tudo parecia muito ingênuo, muito bem intencionado.

Nós não víamos maldade nesses anúncios (da sessão "Procura-se Amigos"), éramos muito bobinhas e há que se lembrar que os tempos eram outros, quando não havia tanto psicopata pedófilo solto por aí (ou pelo menos não sabíamos da existência deles, sequer tínhamos idéia do que seria um pedófilo). Na verdade, ouso dizer que, senão todos, a maioria dos anúncios era realmente bem intencionada, era algo como o Orkut de hoje, onde as pessoas escreviam seus perfis para se corresponderem com outros desconhecidos e iniciarem todo tipo de relacionamento.

Toda semana também, no final da sessão de anúncios, havia um depoimento de alguém que tinha utilizado o "serviço" e tinha coisas positivas a relatar, tipo "Encontrei o Amor da Minha Vida", ou "Viajei para o Nordeste para encontrar Meu Melhor Amigo". Acreditem: aquilo era muito atraente... Só de pensar na possibilidade de conhecer zilhões de pessoas dos mais diversos lugares do país, só de pensar em conhecer zilhões de amigos legais que tivessem muitas histórias bacanas pra contar, eu ficava extasiada... Eu era muito tímida na época, tinha poucos amigos, e via nesse tipo de "negócio" uma grande oportunidade de expandir meus horizontes...

Aquela idéia martelou na minha cabeça por algumas semanas, até que um dia eu falei pra minha irmã: "Podíamos escrever um anúncio pra Revista! Eles publicariam e nós receberíamos um monte de cartas legais! O que você acha?". E minha irmã, que também se viu atraída pela idéia, logo me incentivou a colocar o "plano em prática". Não contamos nada para os nossos pais porque achamos que seria desnecessário, e decidimos que daríamos só as notícias boas depois, tipo "Mãe, você não vai acreditar, mas eu tenho um melhor amigo que mora na Amazônia!". Ela ficaria orgulhosa por termos conquistado pessoas de lugares tão distantes, e quem sabe até se animaria a fazer uma viagem de férias conosco para algum lugar bem distante... Sim! Era uma oportunidade incrível!

Passamos alguns dias, eu e minha irmã, rascunhando nossos perfis... Tinha que ser algo realmente atraente para que qualquer um que lesse tivesse vontade de nos conhecer! É uma pena eu não me lembrar exatamente de como ficou a versão final do anúncio, mas foi algo mais ou menos assim:

"Jovem de 15 anos, madura, inteligente, alegre e carinhosa, que gosta de estudar e de passear, procura pessoas que gostem de curtir a vida para fazer novas amizades. Não tenho preconceito com idade, pois acho que o que importa é o sentimento. Escreva para mim! Flávia xxx, Rua xxx, Cep xxx."

Embora o texto não tenha sido exatamente este, lembro bem de ter mentido a idade (porque 15 anos me faria parecer mais "madura"), e de ter colocado que não tinha preconceito com idade (porque imaginava que podia encontrar um melhor amigo de 20, 30 anos, e isso seria bem legal! eu seria a única menina da minha turma a ter um amigo mais velho!).

Minha irmã também fez um perfil mais ou menos nesse estilo, e às escondidas mandamos as cartas para a Revista Semanário. Lembro que passamos as semanas seguintes anciosíssimas, esperando o dia em que abriríamos as páginas de anúncios pessoais e encontraríamos nossos próprios nomes! Seria demais!

Demorou um pouco, talvez 1 mês, sei lá, e já estávamos com medo de a grana da revista cessar porque a coleção de História Antiga estava prestes a terminar, quando uma bela segunda-feira, voltando da escola, no ônibus, abrimos a revista que tínhamos acabado de comprar e lá estavam eles: Nossos anúncios, impressos nas páginas de anúncios pessoais da Revista Semanário, todinho, com cada vírgula que tínhamos escrito! Era muito legal ver nossos nomes e endereços completos impressos em uma revista de circulação nacional! De certa forma isso nos fazia parecer importantes, famosas, sei lá... Só sei que curtimos muito aquele momento, e ficamos lendo e relendo os anúncios até não aguentarmos mais...

A partir desse dia, todos os dias eram uma eterna espera pela hora em que o Carteiro passaria... Morávamos numa casa de Bairro, havia um mesmo Carteiro que passava todos os dias e já era meio "amigo" da vizinhança, já conhecia todo mundo pelo nome, enfim... Tínhamos certeza de que quando nossas cartas começassem a chegar o Carteiro nos veria como "as meninas populares do Bairro", talvez até imaginasse que fôssemos famosas, ou algo assim...

E não demorou para que as cartas chegassem... No começo era uma por dia, duas no máximo, e de alguma forma conseguíamos driblar nossa mãe para que ela não ficasse fazendo muitas perguntas sobre quem estaria nos escrevendo... Pegávamos os envelopes, corríamos para o quarto e ficávamos lá nos deliciando com cartas de todo tipo, escritas à mão, às vezes de uma página só, às vezes de várias... Haviam cartas de meninas de diversos lugares, de meninos, de homens mais velhos, no começo sempre em tom de amizade mesmo, às vezes com alguma poesia, às vezes com alguns versinhos conhecidos, mas pra gente tudo era sempre muito interessante... Depois de ler minhas cartas, eu trocava com minha irmã e lia as dela, e ficávamos fazendo planos de quando íamos responder e se talvez um dia poderíamos nos encontrar com aquelas pessoas tão legais...

Na época eu já tinha algum olho crítico para redação (pretensiooooosa!), e me julgando "muito importante", decidi que o critério para responder às cartas começaria por aí: eu descartaria as que não tinham sido bem escritas, as que tinham erros crassos de português, e daria mais atenção àquelas que pareciam mais caprichadas.

Antes mesmo que pudéssemos começar a responder às cartas mais interessantes, o negócio começou a ficar mais "sério"... Começamos a receber 6, 8, 10 cartas por dia, às vezes mais de 10, e não demorou para o Carteiro fazer um comentário do tipo: "Nossa, vocês estão importantes, heim! Recebendo cartas de tantas pessoas!". Também não demorou para nossa mãe descobrir o que estava acontecendo. Ela pegou os envelopes, mais de 20 entre os meus e os da minha irmã, e perguntou, daquele jeito enérgico dela: "Meninas, de onde é que vêm essas cartas? Quem são essas pessoas que estão escrevendo tanto pra vocês?".

Ok. Era chegada a hora. Cheias de orgulho, fomos buscar a Revista de semanas atrás para mostrar pra nossa mãe os nossos belos anúncios, crentes de que ela acharia o máximo! Minha mãe pegou a revista, leu os anúncios, olhou para as nossas caras anciosas incrédula, olhou de novo para a revista, e então soltou: "Que porcaria é essa? O que vocês fizeram?". Melindradas, tentamos explicar que era um anúncio pra que pudéssemos fazer novas amizades, e que estava dando certo porque há semanas vínhamos recebendo cartinhas adoráveis de pessoas bem legais...

Mamãe, claro, quis ver as tais cartas, e leu cada uma delas com a mesma incredulidade que leu o anúncio... Ficou estarrecida, boquiaberta, em estado de choque. A essa altura, já tínhamos um bolo considerável de cartas guardadas, e demorou um tempo pra ela se atualizar com todo o material, a cada leitura sua expressão ficava mais transfigurada, e logo nos demos conta de que aquilo tudo poderia, afinal, não ter sido uma boa idéia.

Algumas cartas tinham sido escritas por homens bem mais velhos do que nós... A maioria dizia a idade - 20 e poucos anos, 30 e poucos anos, na verdade a maioria das cartas eram de homens, algumas com desenhos incríveis feitos à lápis preto, algumas com páginas e mais páginas de poesias, algumas com letras de músicas, quase todas com muitas páginas escritas caprichosamente à mão, mas pra nós tudo parecia sempre muito lisonjeiro, muito bem intencionado...

Minha mãe parou, e lembro bem do que ela disse: "Que tipo de homem tem tempo pra ficar escrevendo tantas páginas de cartas com versinhos e desenhos pra uma menina que nem saiu das fraldas ainda?". Argumentamos que eram pessoas legais que também estavam procurando novas amizades, e minha mãe balançou a cabeça: "Meninas, vocês não entendem nada mesmo, não é? Deixe-me ver os envelopes!". Pegou os envelopes, e começou a ler os endereços dos remetentes, percebendo logo um fato que nos tinha passado totalmente batido: Muitas das cartas vinham do mesmo endereço, do mesmo lugar: "Rua xxx, Bloco xxx, Carandiru / SP".

Na hora, só dissemos, meio sem graça: "Ah, vai ver que são amigos que moram perto, no mesmo condomínio, algo assim... um deles deve ter visto o anúncio e comentado com os outros amigos, e talvez eles estejam todos disputando sobre quem vai conseguir a nossa amizade!" (juro que não éramos imbecis, apenas inocentes!). E então mina mãe falou: "Meninas, vocês sabem o que tem no Carandiru? Vocês sabem por que essas cartas vêm todas do mesmo lugar? O Carandirú é um presídio, Meninas, esses homens que estão escrevendo pra vocês são presos, são bandidos!".

A casa caiu. Mesmo! Não podíamos imaginar que estivéssemos recebendo cartas de presidiários! Isso nunca sequer passou perto de nossas cabecinhas ocas! Mas de repente, tudo que minha mãe dizia fazia muito sentido: Que homem de mais de 20 ou 30 anos teria tempo de escrever cartas quilométricas cheias de poesias, floreios e desenhos? Que homem de mais de 20 ou 30 anos teria tempo de escrever para duas meninas pré-adolescentes que não disseram nada tão particular num anúncio? Claro! Só poderiam ser presos, que passam o dia sem fazer nada e, talvez, lendo anúncios pessoais em Revistas, e "atirando pra todo lado", tentando ganhar a confiança e admiração de adolescentes com poesias de quinta categoria e desenhos pouco criativos! Só que a gente não fazia idéia de que isso podia acontecer, a gente nem fazia idéia que a Revista Semanário chegava a algum presídio! A mesma revista que nós, inocentes meninas de família decente líamos semanalmente!

De repente ficou muito claro pra nós duas que tudo aquilo tinha sido uma enorme estupidez! Como pudemos ser tão burras? Claro que levamos uma bronca gigante, ouvimos o "sermão da montanha", e tivemos que engolir cada palavra que minha mãe nos disse energicamente cheias de terror, coisas do tipo: "Meninas, vocês colocaram o endereço da nossa casa numa revista que circula sabe-se lá por onde! Esses caras que estão presos um dia podem sair da cadeia e vir atrás de vocês, vocês já pensaram nisso?". Ficamos em pânico, e tentamos dar uma rápida buscada na memória pra ver se tínhamos respondido alguma daquelas cartas.

Na verdade, como tudo aconteceu muito rápido, não tínhamos ainda conseguido responder muita coisa, eu mesma tinha respondido meia dúzia de cartas apenas, e as primeiras que recebemos não eram do presídio - porque provavelmente a carta saída de lá demorava mais pra chegar, ou talvez eles recebessem a revista com algum atraso, sei lá!

O fato é que a mesma emoção que nos deixava eufóricas dias antes da "descoberta" quando o Carteiro passava tornou-se desespero nos dias seguintes. Rezávamos pra que não chegasse mais nenhuma carta, pra que tudo já tivesse caído no esquecimento, e pra que pudéssemos finalmente nos livrar daquele medo que passou a tomar conta de nós - medo dos presos e medo da minha mãe, sempre com sermões enérgicos preparados para nos lembrar da grande besteira que tínhamos feito.

Só que as cartas continuavam chegando... sempre um bolo de cartas, mais de 10, mais de 20... E sempre a maioria vinda da Rua xxx, Bloco xxx, Carandirú / SP... Pensem num pânico! Abríamos os envelopes e o conteúdo era sempre muito parecido: poesias de homens que se diziam solitários e reflexivos, desenhos de flores, de mulheres, de paisagens, frases meio manjadas, artifícios que logo percebemos que os presos aprendiam a usar durante o ócio do cárcere. Rasgávamos tudo e jogávamos no lixo, mas no dia seguinte outro bolo de cartas chegava.

Foi assim por alguns meses. Juro! Recebemos pilhas de cartas, durante mais de um mês chegava um monte por dia, não houve um único dia em que não chegasse uma carta. Nem conseguíamos mais achar graça em cartas que não vinham do Carandirú, mesmo quando pareciam genuinamente legais e bem intencionadas. Tudo virou motivo de medo, tudo virou um pesadelo, e lá se foi nosso sonho dourado de fazer amizades pelo mundo!

Claro, algum tempo depois o pesadelo chegou ao fim, e as cartas desapareceram, chegando só uma ou outra bem eventualmente, em espaços cada vez maiores. Fomos nos tranquilizando com a situação, mas durante um bom tempo ficamos neuróticas com a possibilidade de um preso ser solto e vir atrás de nós! Isso nunca aconteceu, meu pai mora no mesmo endereço até hoje e não tenho notícia de nenhum sujeito estranho rondando por lá. Ainda bem!

Essa foi literalmente uma "arte infanto-juvenil". E uma arte das grandes. Logo nós, que sempre fomos meninas exemplares e que nunca demos grandes dores de cabeça aos nossos pais. Logo nós que sempre fomos tão "certinhas", principalmente naquela época. Uma estupidez, na verdade, mas uma estupidez recheada de boas intenções de meninas que podiam ser ingênuas em tempos onde não havia tanta malícia no mundo. Pelo menos não aos nossos olhos.

Hoje conseguimos até mesmo rir dessa história, porque no mundo de hoje isso tudo parece surreal demais. E hoje, eu garanto, temos muito mais cuidado com esse tipo de coisa... Estamos aí, no mundão virtual que toma conta das nossas vidas, mas pelo menos aprendemos a lição de que não se divulga o endereço nem o telefone sem o mínimo de critério, afinal, da mesma forma que a tecnologia nos levou para uma outra geração de publicidade pessoal, também nos levou a um tipo de exposição onde todo cuidado é pouco.

Loucos existem aos montes pelo mundo, e como acabou ficando provado nessa história das cartas, não necessariamente o perigo está relacionado a presidiários, que acabam vivendo à margem da nossa sociedade pelo preconceito que nos impede de separar sensatamente o joio do trigo. Nenhum dos presos que nos escreveu nos ameaçou ou veio atrás de nós, e ainda bem que foi assim!

Mas a verdade é que há muito mais lobos em pele de cordeiro do que podemos imaginar, e às vezes o perigo vem de onde menos de imagina, de modo que todo cuidado é pouco mesmo! Não podemos ser ingênuos, e embora o lógico seria a tecologia ser usada para o bem, na prática é bem diferente.

Que fique a lição pra todo mundo como ficou pra nós. Antes de ceder à tentação de uma exposição fácil que parece providencial, antes de ceder à tentação de exercitar a vaidade ao expor detalhes de sua vida publicamente, lembre-se que muitas vezes essas informações atingem lugares que sequer podemos imaginar, e o que pode acontecer a partir daí é um risco muito grande a se correr, desnecessariamente.

Sou defensora da internet, dos Blogs, do Orkut e de outras coisas do gênero. Ainda acredito que há de prevalecer a utilização dessas ferramentas tecnológicas "para o bem". Inclusive escrevi no meu perfil de Orkut esses dias que não entendo a paranóia das pessoas em reclamarem da bisbilhotice alheia, em trancar seus álbuns e scrapbooks pra que ninguém tenha acesso, porque o Orkut, por exemplo, é um site de relacionamentos e se você está lá é para se relacionar, e não para se esconder. Mas há uma diferença enorme em postar suas fotos, seus filmes, livros, vídeos e comidas favoritas, e postar seu endereço e o número do seu telefone. E, acreditem, há muita gente que faz isso indiscriminadamente, sem a menor noção do perigo que podem estar correndo!

Hoje já está mais do que claro que para nos relacionarmos com outras pessoas de interesses em comum não precisamos nos expor tanto, e nesse ponto, bendito seja o email, que é apenas um endereço eletrônico que nos protege fisicamente, ou pelo menos deveria, e com ele raramente precisamos divulgar nosso endereço físico. A tecnologia, afinal, também pode nos proteger.

Que assim seja!