quarta-feira, 9 de abril de 2008

Músicas que me Inspiram - Parte III

Por absurdo que pareça, essa é uma música que me dá vontade de VOAR... algo como me jogar do topo de um prédio de muitos andares, criar asas no meio da queda e voar por aí sem rumo...

Foi o que senti desde a primeira vez que a escutei... E é impressionante como isso não muda... Ouço a música e automaticamente penso (e digo pra quem estiver por perto): "Ah, que vontade de voar!!!"

Com vocês, CLOCKS, by Coldplay.



sexta-feira, 4 de abril de 2008

De Porta em Porta

Estava chegando em casa hoje à tarde, e enquanto esperava o portão da garagem abrir, passou por mim um velhinho vendendo algodão-doce. Comprei 1 cor-de-rosa, entrei em casa, me joguei no sofá e fiquei me lambuzando igual criança com aqueles doces pedacinhos de nuvem...

E então comecei a lembrar de um passado que agora parece tão distante, mas um passado tão bom que não provoca em mim outra sensação que não seja uma saudade imensa...

Quando eu era criança, lá nos idos dos anos 80, meu avô materno vivia fazendo bicos pra faturar uma graninha extra... E uma vez ele comprou uma máquina de algodão-doce. Era uma geringonça esquisita, barulhenta, que fazia uma tremenda sujeira, mas pra nós - crianças - era apenas uma máquina de fazer nuvens coloridas...

Nessa época, ir passar o final de semana na "casa da vovó" era uma diversão... Meu avô era meio bravo, não gostava de criança mexendo nas coisas dele, mas deixava a gente ficar perto enquanto ele trabalhava na máquina, e era maravilhoso assistir a mágica que acontece quando o açúcar vira algodão... Aos poucos, ia-se formando aquele arco-íris de algodões-doces coloridos, que ele arrumava em degradê fincados em torno do suporte.

Domingo à tarde, depois do almoço, meu avô pegava seu suporte lotado e entregava outro pra minha mãe, e saíamos todos pra vender algodões-doces, fazendo longas caminhadas ziguezagueando pelas ruas do bairro, sempre tocando aquela buzininha pra anunciar que estávamos passando.

Vendíamos bem, conversávamos com as pessoas que compravam, ajudávamos a escolherem a melhor cor, e quase sempre voltávamos pra casa da vovó com o suporte vazio, ou com meia-dúzia de sobra, apenas... Era então que podíamos comer o doce, um inteiro ou uma parte se a sobra fosse pequena, e nesse momento a alegria estava completa... Às vezes, quando não sobrava nenhum, meu avô ficava de bom humor e ligava a máquina outra vez, e nos deixava fazer nossos próprios algodões-doces, e isso tornava o sabor ainda melhor...

Bons tempos...

Tempos em que o "de porta em porta" era comum... Quase tudo era vendido dessa forma, tinha o vendedor de algodão-doce, o vendedor de quebra-queixo, o vendedor de sorvete, a vendedora de Yakult, o vendedor de pão, o vendedor de livros (a famosa enciclopédia Barsa), o vendedor de colchões, as vendedoras de toalhas de mesa e outros itens de cozinha, o vendedor de pamonha, o vendedor de frutas, etc, etc, etc...

Durante as férias de Janeiro, passavam nas ruas umas caminhonetes velhas, anunciando a troca de vasilhames de vidro por doces, bolas ou pintinhos... Eles passavam recolhendo garrafas que seriam jogadas no lixo, e normalmente faziam isso no começo do ano porque era a época em que juntávamos algumas garrafas de Sangue de boi e de Sidra Cereser, só consumidas nas festas de Natal e Ano Novo... Quando essas caminhonetes passavam no bairro era uma farra... escutávamos o som do megafone, corríamos pra pegar nossas garrafas e ficávamos no portão esperando o carro se aproximar e parar. Juntava aquela roda de crianças afoitas em volta do carro, doidas pelos "brindes", e em tempos de vacas magras, num bairro pobre, ganhar um pirulito que fosse era motivo pra festa...

É bem verdade que ainda hoje alguns desses vendedores persistem... em bairros do subúrbio (como onde moro) de vez em quando passa o carro da pamonha, o carro da cândida, o carro do não-sei-o-quê... Mas não tem mais a mesma magia... é tudo muito impessoal.

Evoluímos, mas nem tudo na "evolução dos tempos" é assim tão positivo... Antigamente, tínhamos a oportunidade de bater papo com o tiozinho que vendia o algodão-doce, conhecíamos o pamonheiro pelo nome, sabíamos o dia do aniversário do padeiro e assim por diante. Estabelecíamos relações com as pessoas, fosse numa ida ao banco ou atendendo mais um vendedor "de porta em porta".

Hoje, com o avanço tecnológico, está tudo mecanizado, quando vamos ao banco conversamos com a máquina do caixa eletrônico, quando vamos comprar pão, não precisamos mais falar com o padeiro, pois eles já estão numa prateleira embalados em quantidades redondas - 5, 10 ou 15 unidades, e nos recusamos a abrir a porta para os raros vendedores de bairro que ainda existem, por conta do medo, da insegurança, da paranóia da violência.

Nem mesmo ao telefone conseguimos humanizar essas relações. Se ligamos para alguma empresa, somos atendidos pelo sistema informatizado do "disque 1 para isso", "disque 2 para aquilo"; Se ligamos para um amigo muito ocupado, somos atendidos pela secretária eletrônica ou pela caixa postal do celular; Se queremos comprar qualquer coisa - até o yakult ou a pamonha - podemos fazer isso pela internet, e assim nos aprisionamos na solidão do mundo sem contato físico, onde ninguém se conhece, onde ninguém sabe o nome de ninguém, e vamos nos acostumando a ignorar o ser humano, como se não precisássemos mais dele.

Quando eu era criança, na época das Festas Juninas, a escola fazia uma competição entre as classes, pra ver quem arrecadaria mais prendas (prendas = tudo que possa ser vendido ou dado como prêmio nas barraquinhas das Festas Juninas). A classe campeã era sempre presenteada com um passeio, e os alunos se empenhavam a valer. Eu e minha irmã saíamos na vizinhança pedindo prendas, batíamos de porta em porta, tanto nas casas do vizinhos que conhecíamos como nas casas dos desconhecidos, e então explicávamos que era uma arrecadação pra festa da escola, blablablá... Geralmente conseguíamos alguma coisa em todas as casas, nem que fosse uma caixa de fósforos, e voltávamos felizes da vida com a sacola cheinha de coisas pra levar pra escola no dia seguinte, além das muitas histórias pra contar, sobre a "Dona" que foi grosseira, a outra "Dona" que queria bater papo, a outra "Dona" que ofereceu suco e bolo, e assim por diante.

Hoje em dia as escolas continuam solicitando aos seus alunos que levem as tais prendas. Mas sabe o que nós (mães e pais) fazemos? Vamos a uma dessas lojinhas de R$ 1,99 e compramos uma dúzia de tranqueirinhas, que nossos filhos levam como contribuição, porque ninguém mais cogita deixar os próprios filhos saírem na vizinhança batendo de porta em porta... é perigoso, não é de bom tom incomodar os outros pra pedir coisas, então fazemos o óbvio: pagamos. Compramos as prendas e nossos filhos ganham (ou perdem) a competição da escola, mas não vivem a sensação de voltar pra casa com a sacola cheia de coisas que ganharam graças à suas lábias, não vivem a sensação de ser convidado por um estranho - sem maldade - pra comer um doce, não ganham histórias pra contar um dia...

Por isso tenho tanta saudade da minha infância... Era uma época em que comprar era um verbo raramente conjugado, éramos muito humildes e não tínhamos acesso a tantas coisas bacanas do mundo moderno, mas improvisar brincadeiras sem brinquedos era mais divertido, balas, pirulitos e bombons eram mais gostosos porque eram raros, sair na rua não era nenhum bicho de sete cabeças e não precisávamos ter medo de aceitar um pedaço de bolo oferecido pela vizinha da casa ao lado, porque não vivíamos essa paranóia que nos afasta cada vez mais das relações humanas...

Acho que esse meu post ficou meio brega, eu sei... Mas a saudade é brega, afinal... essencialmente brega... E, a mais a mais, só o que eu queria era contar a história do algodão-doce, o pedacinho de nuvem colorido responsável por tantos momentos divertidos da minha velha infância!

O Cúmulo do Mau Gosto

"Playboy lança edição especial com a Mulher Melancia na capa.
Dançarina mais famosa do funk carioca, ela mostrará os seus 120 cm de quadril.
(Da Redação - 28 de Março de 2008, 17:42)
(...) O fotógrafo Jorge Bispo foi o responsável pelo ensaio, que em parte foi realizado na laje de uma casa na favela do Catete, no Rio de Janeiro. O restante das fotografias foram tiradas em São Paulo, inclusive dentro de um caminhão lotado com 1.500 melancias(...)"
É apenas uma "soma de fatores". Vejam:
Mulher Melancia
+
Fotografada pelada
+
Na Laje de uma favela
+
120 cm de "pandeiro"
+
************* (censurado)
=
A capa mais horrenda de todos os tempos da Revista Playboy. O cúmulo do cúmulo do cúmulo do mau gosto!
Obs.: Me recuso a postar a tal foto aqui, mas se você ainda não viu (pense bem se quer realmente ver), basta digitar "mulher melancia" lá no google. Isso é que nem praga, está em tudo que é lugar... afffffffff

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Músicas que me Inspiram - Parte II

Agora vou de "Girl You´ll Be a Woman... Soon", de Urge Overkill.

Eu amo essa música, lembro que corri na loja pra comprar a Trilha Sonora do filme Pulp Fiction (filme que eu também adoro) logo depois de assisti-lo, porque eu "precisava ter" esta música... Perdi a conta das vezes em que a coloquei no último volume no som do carro e toquei um "f***-se" ao trânsito, e fiquei lá, relax, chacoalhando a cabeça e viajando na melodia... É isso que esta música me inspira... desligar, viajar, abstrair totalmente...



E, já que falei de Pulp Fiction - Tempo de Violência - um filmaço (proibido para menores por conter muuuuuuita violência), vou postar também o vídeo de uma das minhas cenas favoritas, não só do filme, como do cinema em geral... Essa cena é simplesmente demais... John Travolta e Uma Thurman inspiradíssimos... Show!

Músicas que me Inspiram - Parte I

Ontem à noite eu estava assistindo a mais recente temporada de "American Idol" - reality show gringo que eu adoro acompanhar (porque, ao contrário da bizarra versão nacional, é um programa super bem produzido e que revela talentos de verdade), quando um dos participantes - Jason Castro - cantou "Fragile", uma música lindíssima do Sting, que eu não escutava há um tempão... Corri na minha muvuca de CD´s pra encontrar a coletânea do Sting que eu tenho com essa música, e a escutei umas 3 vezes seguidas...

É uma linda canção, e independentemente da letra sobre "o quão frágil nós somos", me remete a uma época boa, a pessoas especiais com as quais não tenho mais contato, e provoca em mim uma nostalgia gostosa...

Resolvi então fazer uma "série" aqui no Blog, sobre músicas que me inspiram (positiva ou negativamente), e pra começar, vamos de FRAGILE:


Parabéns, Cu... nhadinho!!!


Hoje é o aniversário do meu querido cu... nhadinho! O namorado da minha irmãzinha Ligia, que entrou para a família há pouco mais de 2 anos (ou quase 3, não sei direito), e é extremamente querido por todos nós!

Eles se conheceram lá em Bauru, onde ambos cursam Jornalismo na UNESP, e como moram a quilômetros de distância de nós, não posso dizer que passamos muito tempo juntos, mas posso dizer que o pouco tempo que convivemos foi sempre muito intenso, muito agradável, muito divertido, porque o Ulisses é um rapaz "de ouro", um irmãozinho querido que nós ganhamos...

Atualmente eles estão em Las Vegas/EUA, ralando muito e faturando um dindinzinho pra voltar para o Brasil com um pé-de-meia razoável, e se tem uma coisa que me deixa tranquila nessa história toda é saber que a Li está sendo "cuidada" pelo Uli, um namorado apaixonado, esforçado e super dedicado... Aprovado! hehe

Cu, querido, imagino que seja um pouco difícil passar um dia tão especial longe da família, longe de casa, longe dos amigos... Sei que tem um lado bem pouco glamuroso na estadia de vocês aí, mas saiba que nós, daqui, torcemos muito pra que vocês conquistem muitas coisas bacanas nessa "aventura", não só materialmente, mas que essa experiência sirva também de amadurecimento e engrandecimento pessoal!!! Temos certeza de que vocês darão conta do recado, e voltarão pra cá cheios de histórias incríveis pra contar (além das muambas, é claro!!! hihihi),

Feliz Aniversário, Ulisses!
Que seja um dia super-ultra-mega especial!!!
Você é muito querido por todos nós!!!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Eu Voltei !!!


Eu voltei, agora pra ficar... porque aqui, aqui é o meu lugar...
Foram apenas alguns poucos dias de reclusão motivada, e só o que posso dizer é que senti muita falta de vir aqui escrever sobre tudo e sobre nada... Bloguear vicia, e eu tive até crises de abstinência nos últimos dias, mas o sumiço foi necessário para que eu pudesse colocar algumas coisas da minha "nada mole" vida em ordem...

Vocês lembram quando eu escrevi aqui um texto enoooorme sobre a correria que toma conta de nossas vidas e algumas possíveis soluções? Então... tive que encontrar minhas próprias soluções para colocar em dia trabalho atrasado e assuntos pendentes... Não posso dizer que está tudo absolutamente em ordem, isso aliás parece impossível, mas consegui dar uma boa "limpada" da minha mesa, consegui resolver alguns problemas particulares há muito adiados, e consegui pelo menos retomar o fôlego pra continuar na luta, matando um leão por dia...

Foram dias extremamente difíceis e exaustivos... Tenho a minha rotina de mulher multifuncional que vocês já conhecem, rotina que já é bem puxada normalmente, e durante essa maratona intensiva de trabalho então, puxa... não sei como consegui... Mas consegui, e apesar de ainda estar sofrendo as consequências físicas do excesso, estou muito animada e satisfeita com os resultados positivos alcançados.

Trabalhei muito, muito, mas muuuuuuuuuito mesmo, como há tempos não trabalhava... Foram páginas e mais páginas de petições e relatórios jurídicos redigidos e digitados, horas e mais horas de reuniões profissionais com diversos clientes, viagens e mais viagens de trabalho para diversas cidades, além dos afazeres domésticos que simplesmente não dão trégua... Fiquei tão acelerada que, mesmo quando dava pra dormir um pouquinho, eu não conseguia "desligar" (santo e maldito red bull)... Cheguei a ficar 48 horas direto "no ar", e já não aguentava mais a cara de piedade das pessoas quando me encontravam e olhavam para minhas profundas olheiras, geralmente dizendo: "Nossa, você está péssima! Está tudo bem?"

Como dormi muito pouco nestes últimos dias, e como não conseguia desacelerar facilmente, acabei aproveitando as raras horas de descanso pra distrair a mente com um dos meus hobbys prediletos: Ver filmes. Vi dezenas de filmes, alguns muito bons, outros ruins, sempre de madrugada e, por incrível que pareça, essas distrações me relaxaram o suficiente para que eu aguentasse o dia seguinte, e assim por diante... Aproveitei a última madrugada para escrever as resenhas de alguns dos muitos filmes que vi, e já publiquei todas, de modo que logo abaixo desse post há uma sequência gigantesca de textos sobre filmes, textos que sei que não são atrativos pra todo mundo que me lê mas, de qualquer modo, fica o registro da minha opinião sobre cada um deles para quem quiser usar como referência na próxima ida à videolocadora.

Também li um livro lindíssimo na última semana, "O Menino do Pijama Listrado", sobre o qual falarei melhor num post próprio nos próximos dias, e como é um livro curtinho, consegui lê-lo da forma mais improvável, nas salas de espera de reuniões, nos saguões dos Aeroportos e nos engarrafamentos monstruosos quando o trânsito parava de vez.

Fiquei muito lisonjeada por receber inúmeros emails, comentários e scraps daqueles que me prestigiam visitando o Blog, todos demonstrando preocupação e/ou apoio ao meu recesso, e esse elemento também foi fundamental para eu aguentar o tranco e tentar resolver tudo para poder voltar logo pra cá. Fica desde já registrado o meu sincero agradecimento a todos que me visitam e que sentiram a minha falta... A única coisa que posso fazer para retribuir tamanho carinho é voltar à ativa, coisa que estou fazendo agora, e dizer pra vocês que é muito bacana escrever, melhor ainda quando há pessoas que, mesmo ocupadas e com coisas mais interessantes a fazer, dedicam ao "Dona Farta" alguns minutinhos de atenção de vez em quando, minutinhos esses que pra mim, com certeza, fazem toda a diferença!


Um grande beijo, e Sorte pra todos nós!!!

Hairspray - Em Busca da Fama * * * * *

Os incríveis anos 60 já renderam ao cinema excelentes filmes que marcaram a infância e adolescência de muita gente, especialmente os deliciosos musicais como Grease - Nos Tempos da Brilhantina, que quase todo mundo já assistiu pelo menos uma vez na vida. Eu, particularmente, sou encantada pela época, e sempre digo que gostaria muito de ter vivido aquela euforia histérica dos moçoilas sempre bem "montadas" com seus vestidos rodados e seus cabelos esculpidos em penteados espalhafatosos...

Como os tempos de hoje são muito mais sisudos do que antigamente, o gênero musical também caiu em desuso, e é raro encontrar público que se empolgue com um novo musical raramente lançado no mercado cinematográfico, como Chicago e Dreamgirls, dentre poucos. Ainda bem que, apesar dessas dificuldades comerciais, ainda existem empenhados cineastas capazes de se aventurar pelo gênero, como fez Adam Sankman ao refilmar o músical Hairspray - Éramos Todos Jovens, de 1988.

Neste novo filme, novamente somos levados para os anos 60 de uma maneira deliciosa, através da gordinha adorável Tracy (Nikki Blonsky), uma adolescente fanática por um famoso programa de dança na TV. Ao tomar conhecimento de um concurso promovido pelo canal para a escolha de uma nova dançarina para o elenco do programa, Tracy fica empolgadíssima com a oportunidade de alcançar a fama, já que é considerada por todos que a conhecem como uma excelente dançarina. Entretanto, ela não preenche os padrões estéticos impostos pela diretora do show Velma (Michelle Pfeiffer, sempre lindíssima), e é sumariamente excluída da competição, também porque Velma sente que no fundo a carismática gordinha pode ameaçar a hegemonia da atual estrela do show - a "rainha do laquê" Amber (Brittany Snow), que por acaso é sua filha.

Paralelamente, Tracy é muito bem "aceita" pelo grupo dos dançarinos negros liderados pela personagem vivida por Queen Latifah, que estrelam um show à parte em um único dia da semana no canal de TV, já que naquela época as raças não podiam se misturar e, sob o argumento hipócrita da abertura de espaço, aos negros era reservado um único dia para que pudessem também apresentar suas coreografias muito mais criativas e sensuais. É com esse grupo que Tracy aprende alguns de seus melhores passos de dança, e persistente que é, não desiste do sonho da Fama, abraçando a causa da integração em nome dos amigos negros e em nome de sua própria aceitação apesar de fugir dos padrões, mesmo sabendo que isso pode colocá-la como persona non grata na mídia, arriscando definitivamente sua chance de estrelato.

Os sonhos de Tracy são "conduzidos" por sua complexada mãe Edna, vivida por um John Travolta quase irreconhecível debaixo de muitos enchimentos que o tornam uma mulher gorducha e desajeitada. Depois de passar muitos anos escondida dentro de casa (Edna não sai na rua desde que usava o manequim 38), ela vê na popularidade da filha a oportunidade de também recuperar a alegria de viver, e abraça a causa inicialmente com certa insegurança, mas logo fica completamente envolvida pelo fantástico mundo da TV a que tem acesso.

Há ainda a participação do veterano Christopher Walken, como o pai de Tracy, responsável por uma das sequências mais hilárias do filme, quando está em sua "loja do riso fácil" tentando resistir à tentativa de sedução de Velma. Outra participação que pode servir de chamariz para o público mais jovem é a do ídolo pop Zach Efron, adorado pelas adolescentes fãs de High School Musical, mas o destaque fica mesmo para a talentosa Nikky Blonsky e para John Travolta que, como não podia deixar de ser, dá uma dançadinha básica em algumas cenas, e está extremamente cômico no papel da mulher gorducha.

Por todo o capricho e por toda a leveza, aliados ao clima constantemente alegre e engraçado, Hairspray - Em Busca da Fama é um filme inspirador, daqueles que levanta o astral de qualquer um (como levantou o meu próprio astral quando o vi)... é uma deliciosa comédia musical que merece ser vista!

Apenas para "abrir o apetite" de quem se interessar pelo filme, segue um vídeo da sequência inicial, embalada pela música "Goodmorning Baltimore", sequência que dá vontade de sair rodopiando pela sala:




Rainhas * * * *

Depois de anos de muita luta, uma grande vitória do público gay está prestes a se concretizar: Será celebrado oficialmente o primeiro casamento homossexual na Espanha. A notícia, por si só, já seria novidade suficiente para toda a sociedade espanhola e para a mídia, afoita pela melhor cobertura do grande acontecimento histórico, mas há um detalhe ainda mais interessante: Será um grande casamento coletivo, através do qual vários casais homossexuais oficializarão suas relações".

Inspirado no melhor estilo "Almodóvar", o diretor Manuel Gomés Pereira acerta em cheio ao conduzir essa trama recheada de conflitos familiares, onde sentimentos reprimidos são expurgados nas situações mais improváveis, através das brilhantes atuações do elenco competentíssimo, tudo com muito humor, resultando em um dos filmes mais divertidos que eu assisti nos últimos tempos.

No final de semana do "grande casamento", os noivos recebem a visita de suas respectivas mães, todas aparentemente apoiadoras e extremamente empolgadas com o acontecimento. Mas como acontece até mesmo nas melhores famílias, a presença materna na vida desses casais pode desencadear uma série de confusões e conflitos, e todos os envolvidos serão forçados e encarar de frente seus medos, seus preconceitos, seus sentimentos reprimidos, suas neuroses e paranóias, o que pode colocar em risco a concretização do casamento e a felicidade de todos.

São 3 os casais que "encabeçam" a trama: um personal trainner bonitão (filho de uma argentina totalmente perua e alienada) que se casará com o mocinho mimado e milionário (filho de uma famosa empresária do ramo hoteleiro); o rapaz pobre e atraente (filho do jardineiro de uma grande atriz do cinema) que se casará com o rapaz rico e carente (filho da tal atriz, a "patroa"); e o engajado e jovem deputado (filho de uma ninfomaníaca em tratamento) que se casará com um inseguro e indeciso rapaz (filho da Juíza que celebrará o casamento).

A união de todas essas personagens peculiares num mesmo ambiente e com os mesmos interesses não poderia resultar em outra coisa que não fosse uma enorme confusão. De uma maneira bem amarrada pelo divertido roteiro, as histórias independentes dos jovens casais e suas respectivas mães vão se cruzando no decorrer do filme, culminando num final inteligente, coerente, humano, sensível e muito, muito engraçado.

O elenco masculino é bastante competente, e apesar de um ou outro estereótipo utilizado para a construção das personagens, ainda assim resulta em atuações generosas e cativantes. Mas, sem sombra de dúvida, o destaque maior está no elenco feminino, nas "Rainhas" do título. Elas dão um baile, e é um verdadeiro deleite assistir às inspiradas atuações de Carmem Maura, Verônica Forqué, Marisa Paredes, Mercedes Sampietro e Betina Blum.

Em tempos de escassez de comédias inteligentes no cinema mundial, o longa Rainhas é uma ótima pedida. Diversão garantida!

Conduta de Risco * * * * *

Michael Clayton (o estonteante George Clooney) é mais um dos muitos advogados de uma grande firma de advocacia americana. Entretanto, diferentemente de seus colegas que lidam com questões essencialmente jurídicas (e políticas), Michael possui "um talento natural" para administrar conflitos, e justamente por isso cuida de um departamento interno da firma responsável pela imagem do próprio pessoal interno, sendo um dos "homens de confiança" dos acionistas majoritários do escritório.

Apesar da aparente segurança profissional, o fato é que Michael não é satisfeito com a profissão, já que gostaria de ter a chance de desenvolver trabalhos que lhe dessem alguma notoriedade capaz de levá-lo ao topo, e essa insatisfação reflete-se também na vida pessoal dele, bastante bagunçada, já que não se relaciona bem com os irmãos e nem mesmo com o único filho fruto de um relacionamento fracassado, além de estar em situação de penúria financeira por conta de um negócio mal sucedido e de seu vício - jogos de azar.

Tudo corre dentro da rotina esperada, até que Michael é acionado pela direção da firma para "abafar" um princípio de escândalo provocado pela conduta inadequada de um de seus mais brilhantes advogados, Arthur Edens (Tom Wilkinson), que teve um surto psicológico durante uma audiência de um dos mais importantes processos da firma - uma ação coletiva proposta contra a poderosa corporação U/North, que fabrica suprimentos agrícolas que seriam letais à saúde dos que os utilizam. O problema é que o tal "surto psicótico" de Arthur parece não ter sido simplesmente um surto, e Arthur parece definitivamente decidido a levar a cabo sua idéia de desmascarar a U/North, tocado que ficou por conta do acesso que teve às histórias das vítimas de seus produtos.

O trabalho de Michal não é nada fácil já que Arthur, além de bastante decidido, está efetivamente desequilibrado emocionalmente, e a pressão para que reverta imediatamente os estragos causados pelo colega vêm não só de dentro da firma como da própria cliente U/North, através da dedicada RP Karen Crowder (Tilda Swinton), que vai demonstrando-se aos poucos muito mais do que dedicada, na verdade obcecada pela lisura do nome da empresa que representa, característica que ela tenta manter a qualquer preço, literalmente.

Conduta de Risco é um filme que mostra um lado negativo da advocacia e do mundo empresarial em geral, o que não é novidade. Mostra como grandes corporações são capazes de qualquer ação, mesmo que prejudique incontáveis cidadãos, desde que seus lucros sejam protegidos, da mesma forma que mostra como a advocacia pode ter um lado negro ao defender a qualquer custo tais interesses. É tão curioso, aliás, que Arthur, o tal advogado psicótico, em certo momento do filme declara: "Somos todos faxineiros, estamos aqui para limpar a sujeira dos outros". E é bem por aí mesmo, o filme mostra isso de maneira escancarada, a grande corporação infringindo todas as leis em nome de seus negócios e o grande escritório de advocacia invocando todas as leis e interpretando-as parcialmente, manipulando a Justiça para esconder a sujeira de seu cliente.

Não é exatamente um tema original. Muitos filmes já seguiram essa linha investigativa do mundo dos negócios jurídicos, como Erin Brocovitch, A Firma, O Júri, O Informante, e tantos outros. Mas Conduta de Risco veio para "ensinar" a matéria, e é tão bem feito e tão consistente que além de entretenimento inteligente para o espectador disposto a entender sua complexa trama, é também um divisor de águas para o gênero de suspense jurídico. Eu sou, claro, suspeita pra falar, mas adoro o gênero, adoro o tema e adorei o filme.

O único senão fica por conta do Oscar concedido a Tilda Swinton como melhor atriz coadjuvante. Sem dúvida a insosa Tilda está bem no papel, mas daí a ganhar o Oscar achei um pouco demais. Não sei se é ela ou a personagem, mas o fato é que não gostei do conjunto da obra no final das contas, nada que comprometesse o filme, pelo contrário, mas também nada que fosse digno de receber o Oscar. No entanto, como não vi nenhum dos filmes das concorrentes desse ano na categoria, vou deduzir que dentre as opções disponíveis essa era a melhorzinha, única justificativa para o prêmio.

Por outro lado, temos George Clooney... ahhhhh... Clooney... suspiros, suspiros e mais suspiros... Como pode um homem ser tão abusrdamente estonteantemente lindo, sexy, charmoso, sedutor e... excelente ator??? é muita humilhação para os demais, não é? Eu sempre evito exaltar demais as belezas e atributos masculinos dos filmes que vejo para não parecer parcial e apenas mais uma fãzinha que adora qualquer coisa do ator X. Mas dessa vez não posso me conter, não devo me conter... Clooney recebeu sua segunda indicação ao Oscar pelo papel, indicação mais do que merecida. É impressionante como ele melhora com o tempo, é impressionante como sua atuação vai ficando poderosa, ponderada, minunciosa, apurada... É impressionante como ele vai se demonstrando um grande ator que veio para ficar, e mais impressionante ainda, vou ter que repetir, é ver como ele fica lindo lindo e mais lindo a cada trabalho... Que venham muitos outros grandes papéis de Clooney para que nós, reles mortais, possamos admirar sua beleza atordoante e seu talento incontestável.

Só para finalizar, Conduta de Risco é um excelente filme. Imperdível!