quarta-feira, 14 de maio de 2008

Uma Frase

"Às vezes, quando tudo dá errado acontecem coisas maravilhosas que jamais teriam acontecido se tudo tivesse dado certo."
Não sei quem é o autor. Recebi por email da minha querida amiga Carla (saudades!), e achei perfeita!

A História do Caroço de Ameixa (especial de aniversário)

Uma das coisas que faz mais sucesso aqui no Blog são as "Histórias de Dona Farta"... Todo mundo se diverte com o relato das minhas aventuras atrapalhadas, e não foi diferente com a história do caroço de ameixa, um marco da minha infância.

Pra quem não leu na época, aproveite agora! É um post longo (pra variar), mas garanto que vale à pena ler até o final!

(texto publicado originalmente em 13/11/07)

Tivemos uma infância extremamente simples, mas foi uma infância feliz... Bons tempos em que precisávamos apenas de um quintal pra brincar e descobrir o mundo...

Morávamos numa casa simples de 3 cômodos, e como o terreno era grande, tínhamos um quintal imenso, com mato, terra, pedra, e até um poço! Havia um pequeno pedaço do quintal pavimentado, protegido por uma cerquinha de madeira, onde minha mãe estendia roupa lavada, onde havia o nosso balanço de metal, e onde passávamos a maior parte do dia, brincando e aprontando...

Minha irmã Silvia sempre foi muito mais esperta do que eu... Apesar de ser um ano e meio mais nova, ela sempre foi muito "espoleta", era magrelinha então tinha facilidade de subir aqui, se pendurar acolá, correr, etc... Já eu sempre fui meio "tchonga", sempre fui meio lerda... Era gorduchinha, não tinha muita agilidade, era medrosa e uma manteiga derretida...

Mesmo com essas diferenças gritantes, eu e a Silvia éramos muito parecidas quando crianças, e minha mãe, é claro, costumava nos vestir iguais... me lembro que sempre quando saíamos alguém vinha e perguntava: "São gêmeas"?

Também éramos (e somos até hoje) muito diferentes na personalidade, mas isso nunca foi obstáculo para que fôssemos extremamente próximas, pelo contrário... pode até ser que isso tenha nos ajudado a ser tão amigas, como se uma completasse a outra.

Normalmente, casas onde existem muitos irmãos são também palco de brigas frequentes, brigas de irmãos são coisas super comuns, mas nunca foram comuns na nossa casa. Por alguma razão meio difícil de explicar, e também por mérito dos nossos pais, que souberam nos educar de maneira brilhante (dadas as condições), nunca tivemos uma briga feia, raríssimas vezes discutimos, e o clima de paz sempre reinou entre as "Irmãs Aguilhar", apesar de tantas diferenças... Cuidávamos umas das outras, e é assim até hoje.

Na época da história do caroço de ameixa, eu devia ter uns 5 ou 6 anos, e a Silvia uns 4 ou 5, não lembro com precisão. A Cátia (minha terceira irmã) era bebê ainda, devia ter pouco mais de 1 aninho, então as tardes no quintal eram uma exclusividade minha e da Silvia, estávamos sempre grudadas, inventando alguma brincadeira inimaginável, enquanto minha mãe estava envolta nos afazeres domésticos e nos cuidados com a bebê.

Certo dia estávamos lá no quintal tentando inventar algo novo. Não tínhamos quase nenhum brinquedo, então tínhamos que brincar com os materiais disponíveis no quintal - terra, mato, pedras, etc... Um garoto vizinho juntou-se a nós e trouxe um punhado de caroços de ameixa, já secos, e ficamos ali tentando inventar algo com aquela "novidade"... Gostávamos da sensação do caroço de ameixa nas mãos, aquela coisa meio escorregadia, aquele caroço tão perfeitamente ovalado, e nem me lembro qual foi a brincadeira, só sei que os caroços de ameixa fizeram da nossa tarde uma festa.

Logo o menino vizinho foi embora, e novamente ficamos só eu e a Silvia... Caroço de ameixa pra cá, caroço de ameixa pra lá, e a Silvia então teve a brilhante idéia de ver se o caroço cabia no nariz dela. Coisa de criança, ela simplesmente pegou o caroço de ameixa e enfiou no nariz, assim, sem titubear!

Eu, a medrosa "tchonga", claro que não me aventurei nessa experiência, mas fiquei olhando, e vi o caroço deslizar suavemente para dentro do nariz da minha irmã, ao mesmo tempo em que se formou uma enorme protuberância ao lado de sua narina. A princípio, a Silvia riu, e eu também ri. Foi mesmo engraçado, o caroço "mergulhou" nariz adentro, sem esboçar a mínima resistência. Mas aí veio o momento: "Vamos tirar!"...

E quem é que disse que conseguiríamos tirar o caroço de ameixa do nariz??? Claro que era quase impossível, justamente pelo formato ovalado do "objeto", associado ao fato de ser totalmente escorregadio. Primeiro, a Silvia tentou puxar, sem sucesso... Daí foi a minha vez, e quanto mais eu tentava encostar o dedo e formar uma garrinha pra puxar o caroço, mais ainda ele mergulhava narina adentro... Olhamos uma pra cara da outra com aquela pergunta velada: "E agora?"...

Eu, claro, já estava quase chorando, morrendo de medo de aquilo fazer mal pra minha irmã, e morrendo de medo também da reação da minha mãe quando soubesse da "arte" que tínhamos aprontado... Daí eu tive uma última idéia brilhante, que seria a nossa salvação:

"_ Silvia, se você "assoar" o nariz, pode conseguir botar o caroço pra fora! Vamos tentar?", e ela na maior tranquilidade (era eu que estava nervosa!), fez que sim com a cabeça.
Um, dois, três, e... "assoa!"...

Minha irmã se preparou para dar "aquela assoada", e então, achando que estava fazendo a coisa certa, pronta para ver o caroço voar, deu uma enorme INspirada, daquelas de encher completamente o pulmão de ar... Ela fez o processo inverso, e com isso ao invés de expelir o caroço fez com que ele entrasse ainda mais na sua narina, de modo que a pontinha nem estava mais visível...

Foi aí que eu me desesperei... Falei: "Silvia, e agora??? Esse caroço não vai sair nunca mais do seu nariz! Agora não dá mais pra puxar!!!"... Ela ainda estava calma, embora o ar faceiro tenha imediatamente desaparecido de seu rosto... Ficamos ali, alguns instantes, olhando uma pra outra, sem saber o que fazer... Pensei que talvez não fosse tão grave assim, e resolvi ir consultar a minha mãe, que estava no tanque esfregando roupa:

"_ Mãããããeeee (a voz já meio embargada pelo choro iminente)... mãe..."
"_ Ai ai ai, o que é menina? Não tá vendo que eu tô lavando roupa?"
"_ Mãe, eu queria saber uma coisa. Se uma pessoa enfiar um caroço de ameixa no nariz, ela morre?"

Minha mãe deu uma olhadela de lado pra mim, aquele olhar meio enviezado de quem tem muitas coisas pra fazer e não tem muito tempo pra perder com curiosidade infantil, e respondeu, brava:
"_ Claro que morre, Flávia! Mas quem é que vai enfiar um caroço de ameixa no nariz?"
"_ Buáááááááááá (eu, já em prantos)... Mãe, então a Silvia vai morrer!!!"

Só aí a minha mãe largou a roupa, endireitou o corpo, olhou pra mim e disse:
"_ O que é que você tá falando, menina? Quem vai morrer???"
"_ A Silvia, mãe... buáááááá... a Silvia vai morrer, porque ela enfiou um caroço de ameixa no nariz, e agora não sai!!! Buáááááá"

Minha mãe então, batendo o pé, largou o serviço dela e foi em direção ao quintal, onde a Silvia estava sentada num canto, com a maior cara de "paisagem"... Então minha mãe olhou, viu a protuberância exterior formada pelo caroço enfiado no nariz, levantou a cabeça dela, olhou pelo buraco da narina, e exclamou:
"_ Minha Nossa Senhora de Aparecida! O que vocês fizeram, meninas? Perderam o juízo???"

Eu só fazia chorar, e a Silvia continuava lá, como se nem fosse com ela... Não sei se minha mãe ficou mais nervosa com a situação do caroço ou com o meu drama, mas ela ficou brava pra valer... tentou fazer a Silvia "assoar" o nariz mais uma vez, brigou porque ela não sabia fazer do jeito certo, e então simplesmente disse:
"_ Teremos que esperar seu pai chegar do serviço pra ver o que vamos fazer."

E eu, no maior berreiro:
"_ Mas mãe, e se ela morrer??? A senhora não disse que quem enfia um caroço de ameixa no nariz morre, mãe? Então, ela vai morrer! Eu não quero que ela morra!"

Aí foi que minha mãe nos acalmou, disse que não era assim também, que a Silvia não ia morrer de uma hora pra outra, e que teríamos mesmo que esperar meu pai chegar pra resolver a situação...
Foram as horas mais longas da minha infância, eu acho... Eu me sentia meio culpada por ter deixado minha irmã fazer aquilo, e de certa forma até ter estimulado, já que fiquei curiosamente assistindo... Tinha medo (ah, que inocência!), que ela morresse mesmo, vejam só!!!

Mais tarde meu pai chegou, pegou minha mãe e a Silvia e foram ao Hospital. O caroço de ameixa foi imediatamente retirado por um enfermeiro com uma pinça, e em pouco tempo eles estavam de volta, a Silvia saltitando como se aquilo tivesse sido uma grande aventura, e eu ainda em estado de choque, ainda meio chorosa, ainda com medo da história do "morrer"...

Obviamente ninguém morreu, e nada mais grave aconteceu. A Silvia continuou aprontando todas, eu continuei ajudando, estimulando, encobrindo... e assim termina A História do Caroço de Ameixa no Nariz, apenas uma das muitas histórias que permearam a nossa infância, e das quais me lembro em detalhes, como se tivesse acontecido ontem...

Que delícia é lembrar! Mas, não custa avisar: "Jamais enfiem um caroço de ameixa no nariz!"

terça-feira, 13 de maio de 2008

Mil Mulheres em Uma

"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.

Sou a Miss Imperfeita, muito prazer!

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem...
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que se lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante"
(Martha Medeiros, publicada em sua coluna em "O Globo")


Li esse texto há alguns dias... Pensei, pensei, pensei e cheguei à conclusão de que definitivamente preciso aprender a desligar, pelo menos de vez em quando... O difícil é colocar isso em prática, mas é sempre bom ter uma luzinha de alerta acesa.

E preciso também aprender a dizer NÃO... ah, isso eu preciso mesmo! Porque enquanto a gente acha que está sendo legal, está cheio de gente por aí se aproveitando, e a gente acaba fazendo papel de tonta... Me sinto uma idiota completa às vezes... Essa minha maldita mania de querer ser boazinha sempre...

Como bem diz o ditado (e aquela comunidade do Orkut, que por acaso tem mais de um milhão e meio de membros), "Bonzinho só se Ferra" (sou boazinha demais pra escrever o palavrão original f***), e não é diferente comigo...

Mas ok. Estou tentando aflorar o meu lado durona, e um dia talvez eu chegue lá.

Voltando às super-mulheres, na mesma linha do texto da Martha Medeiros, mas com um pouco mais de humor (ou escracho), foi o quadro "Sexo Oposto" exibido no Fantástico do último domingo, com o tema Dia das Mães. Hilário. Me vi em muitas situações, e rolei de rir... Segue o vídeo.


segunda-feira, 12 de maio de 2008

Felicidades aos Noivos - Vanessa e Didi


No último sábado - dia 10 de Maio - realizou-se o casamento dos meus queridos amigos Vanessa e Didi, na Paróquia Nossa Senhora dos Pobres, no Butantã.

Já falei da Vanessa aqui outras vezes. Nos conhecemos nesse mundinho virtual às vezes surpreendente, e entre uma troca de recado e outra acabamos nos tornando grandes amigas... Ela é uma figura ímpar, e quando eu conheci o então noivo - Didi, tive certeza que estava diante do par mais perfeito do mundo... Eles se completam de um jeito muito legal, são idênticos em algumas coisas e opostos em outras, mas rola uma sintonia tão grande de fazer até o mais cético dos mortais acreditar no amor verdadeiro...

Fui honrada com um gentil e sincero convite para dividir esta data especial com eles, e então lá estávamos nós, eu e o Odylo, assistindo uma cerimônia religiosa lindíssima, emocionante, verdadeira e inspiradora... Depois, pudemos soltar a franga numa festa também muito bacana, e eu fui até homenageada pela noiva, vejam só... Coisas da Van, sempre tão carinhosa comigo...

Sei que os noivos agora estão curtindo a merecida lua-de-mel, mas mesmo assim quero deixar registrado aqui o meu puro e sincero desejo de que eles sejam eternamente felizes, e que continuem ensinando a todos que os cercam que o amor existe, é lindo e plenamente possível... sempre!

domingo, 11 de maio de 2008

2º Domingo de Maio = "Dia da Saudade"


Dia das Mães é pra mim uma espécie de Dia da Saudade... Não é o único, existem muitos dias que eu poderia facilmente nomear como dia da saudade, mas esta data sem dúvida mexe muito comigo...

É especialmente difícil lidar com isso quando também se é mãe. Eu sou mãe, e não posso ser injusta com meu filho, não posso simplesmente ignorar a data como eu gostaria, não posso me distanciar desse tema que há semanas toma conta das propagandas televisivas, das lojas, enfim... Só se fala em Dia das Mães... E eu fico dividida entre a emoção de também ser homenageada e a dor de não ter mais a minha mãe para comemorar...

Dá muita saudade... muita mesmo, tanta que às vezes acho que meu coração não vai aguentar passar por isso todos os anos que tenho pela frente...

Mas estou aqui, mais um domingo, mais um Dia das Mães, mais uma daquelas datas em que a ausência DELA dói e dilacera, mais uma data em que nada, absolutamente nada tem sentido porque ELA não está aqui.

Hoje não sou mãe. Sou apenas uma filha, uma filha órfã que não vê o menor sentido nessa história toda de comemorações, uma filha órfã que sente saudade, uma filha órfã que queria efetivamente ter motivos pra comemorar essa data de outra forma que não fosse apenas como um dia de saudade.

TE AMAREI PRA SEMPRE, MÃE!

sábado, 10 de maio de 2008

Festas, Festas e mais Festas

Este final de semana está sendo totalmente atípico... Por uma daquelas coincidências que rendem inclusive piadinhas (pobre nunca tem nada pra fazer, quando tem é tudo de uma vez), estamos com nossa "agenda social" lotada... uhuuuuuuuu...

Sou partidária da teoria que ensina que um convite feito é uma gentileza enorme, uma demonstração de carinho que merece ser retribuiída à altura, com a presença (desculpa esfarrapada pra ocultar o fato de que somos "arroz de festa"), então estamos dando um jeito de aparecer em todos os eventos, mesmo que isso signifique pouquíssimas horas de sono e quilos de corretivo facial para esconder as olheiras.

Tudo começou ontem (sexta-feira), com a Festa de Debutante da Anna Letícia. Acho que nunca fui a uma Festa de Debutante no modelo atual... Na minha época as festas eram bem mais modestas, mas hoje em dia é um grande acontecimento, e eu acho lindo... É sem dúvida uma idade especial para a menina, e poder comemorar em grande estilo é uma dádiva.

Estivemos lá, e a festa foi muito bacana, mas o que mais me impressionou foi a beleza da Debutante... Como a beleza juvenil é imaculada!

Deu saudade dos meus 15 anos, os bons tempos que não voltam mais...

Sente só o charme do garoto! Tão pequeno e já pensa em agradar as garotas no baile... Ele estava "se sentindo", arrasou na pista de dança, foi muito legal!


E hoje tem mais festa... depois eu conto! ô, vida difícil!!!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Confissões de uma Noiva Neurótica, Surtada e Desesperada no auge da crise (especial de aniversário)

Mais uma republicação divertida.

Achei esse texto apropriado pra hoje porque, além de engraçado, estamos no mês das noivas, vou a um casamento amanhã, e tenho muitas amigas noivinhas que sempre passam por aqui...

Divirtam-se com minhas neuroses!!!

(Texto publicado originalmente em 26/08/07)


Faltam exatos 26 dias para o meu "grande dia"!!!

Minha vida esteve tão atribulada nos últimos meses, tanta coisa inesperada aconteceu que na verdade só agora estou começando a sentir o peso da proximidade da data... É a "TPC" tomando conta de mim!!!

Desde ontem estou sentindo um friozinho na barriga, um nó na garganta, não consigo dormir direito e fico pensando em tudo que pode dar errado... típico de noiva, nem adianta falar pra eu não ficar assim...

Fico pensando se foi uma boa idéia escolher um dia de semana... onde é que eu estava com a cabeça??? Estamos em São Paulo, todos os dias têm mais de 100 km de congestionamento, e no meio disso tudo as pessoas precisam sair do trabalho, ir pra casa, se arrumar e chegar a tempo, lá no "miolo" da grande metrópole... ai ai ai ai ai... Começo a achar que não vai aparecer ninguém... Será???

Mas estou tentando tirar essa idéia da minha cabeça, pra não pirar... nosso casamento será um evento bem íntimo, pra poucos convidados, todos pessoas muito próximas, e eu já fiz meu "terrorismo" com a maioria das amigas intimando-as a conseguirem uma folga no trabalho de pelo menos meio expediente, assim todo mundo consegue se organizar e chegar a tempo mesmo com congestionamento... Será???

Tudo bem... estou quase me convencendo... os convidados comparecerão... Mas, quisera eu fosse apenas essa a neurose de noiva... Claro que não é... Além desta idéia fixa de que as pessoas não irão, tem várias outras, como o vestido rasgar, o salto do sapato quebrar, o cabelo "desmontar", meu Deus!!! Quanta coisa pode dar errado!!! Socorro!!!

E lá no local, será que estará tudo como eu imaginei??? Já sonhei diversas vezes que chego pra casar e não há decoração, não há flores, nem mesmo para o meu buquê... Em um dos sonhos um padrinho, pra me consolar, buscava umas flores no jardim do vizinho e dizia: "Ah, pelo menos um buquê você vai ter!"... Imaginem o terrorismo que estou fazendo com a minha Decoradora, né??? rsrs... Coitada... nem tem culpa dos meus sonhos malucos, mas já pensou alguém casar sem flores decorando o local??? Nãnãninãnão!!! Não posso correr esse risco!!!

E a comida, estará boa??? Será que a cerveja vai estar "bem gelada"??? Será que os garçons darão conta de deixar todo mundo satisfeito??? E o DJ, será que lembrará de todas as "restrições" que impusemos??? Já sonhei que estava lá na festa, alegre e retumbante, e de repente o DJ coloca pra tocar "Calypso" e logo em seguida "Boquinha da Garrafa", e eu caio dura, e todo mundo vai embora... affffffffffff... Falei tantas vezes pro DJ que Calypso e outras coisas de mau gosto estão proibidas, que acho que até ele está sem dormir com medo de "errar" e ser massacrado.... hahaha

Tem também o pânico da cerimônia... Será que vou conseguir ficar séria??? Tenho sempre a impressão de que estarei em um dos dois extremos... Ou chorando de soluçar, e borrando toda a minha maquiagem que custou uma fortuna (opção mais provável), ou então tendo um "ataque de risos" que me impeça até mesmo de repetir os votos... ai ai ai ai ai...

Mas, pra quem me conhece bem, agora vai um desafio: Adivinhem só qual é o meu maior medo???
CAIR

Este é o meu maior pânico... Cair um enorme tombo, porque eu "sou uma pessoa que cai"... Já contei minhas histórias de quedas aqui no blog em outros posts, e todo mundo que me conhece bem sabe que isso é uma coisa que acontece com certa frequência... rsrs... Já pensei em várias possibilidades de tombos, como por exemplo:

1) na descida do carro, chegando no local, enrosco o salto do sapato na barra do vestido e me estatelo no chão, sob o olhar atento de todas as câmeras de filmagem e foto... essa hipótese nem é tão ruim, porque neste caso a queda seria presenciada por um número pequeno de pessoas, e com um pouco de sorte eu até conseguiria me recompor a tempo de entrar triunfante para a celebração...

2) começa a tocar a música e eu vou finalmente entrar para a cerimônia... então, tropeço no degrauzinho de 2 cm. que existe entre o hall e o salão principal e, no primeiro acorde da macha nupcial, caio de cara no chão, levando comigo meu pai que, apesar de tentar me segurar, não deu conta do peso e se espatifou em cima do meu vestido branco... essa hipótese é péssima, claro, porque neste exato momento eu teria todos os convidados de pé olhando para a porta aguardando minha entrada, e obviamente após a queda eu escutaria muitas vezes aquela perguntinha que quem cai odeia ouvir: "Coitadinha... Machucou?"... arrrrrrghhhhhhhhh... fora os risinhos de fundo, porque, claro, sempre há quem dê risada... é inevitável, tenho que concordar...

3) consigo chegar ilesa à frente da nave... não caí na saída do carro nem na entrada, o que já será uma grande vitória, mas aí chega aquele momento da cerimônia em que os noivos vão cumprimentar os pais e padrinhos... Bom, este momento também representa um enorme risco... imaginem aquele monte de barras de saias longas juntas, o meu vestido enorme e os das madrinhas... imaginem EU no meio disso tudo, querendo andar com classe... Desastre na certa, né??? Nessa hipótese, pior do que cair na frente de todos os convidados seria fazer um verdadeiro "strike" com as madrinhas, que certamente não dariam conta de me segurar... ai, meu Deus... acho que minhas madrinhas vão desistir da função se souberem desse risco... rsrs...

4) ok... nada aconteceu, e a cerimônia termina sem que nenhum tombo tenha ocorrido... saímos todos do salão, vamos lá pro hall tirar algumas fotos, e tal... e alguns minutos depois fazemos a "reentrada" no salão, já como casados, para fazer o tradicional brinde e corte do bolo, ao som de uma música linda... neste momento provavelmente eu estarei bem mais relaxada, o que faz com que exista um quantidde enorme de opções de tombo... talvez a pior seja aquela em que eu, tentado mostrar animação e descontração, me arrisco a dar uma "dançadinha" e tropeço em meus próprios pés, à frente da mesa do bolo, e caio por cima dele, destruindo o bolo, a mesa e o meu próprio rosto, tipo uma cena de comédia pastelão... Imaginem a frustração dos convidados ao verem que o bolo já era...

5) sobrevivi a todas as formalidades iniciais, consegui brindar, fazer o corte simbólico do bolo, e está tudo lindo... então vamos fazer a nossa primeira dança, outro momento "tradicional", e nem preciso dizer aqui o risco é iminente o tempo todo, né??? Pior se for no momento de um "passo" mais elaborado, e eu cair em uma posição totalmente constrangedora, tipo, com as pernas pra cima, no meio daquele monte de saias de baixo do vestido... affffffffffffffff... Nesse caso, há até uma possibilidade de ser necessário um guindaste pra me colocar de volta na posição vertical, já pensou???

Agora, se eu sobreviver a todos esses momentos, se conseguir não tropeçar nem cair até terminar a dança, então acho que será vitória certa... rsrs... é bem verdade que eu terei todo o restante da festa pra cair, na pista de dança, da cadeira ou em cima de algum convidado, e isso provavelmente vai acabar acontecendo, mas daí já estará todo mundo mais "alegrinho", e eu sempre posso por a culpa naquele que bebeu demais e acabou "me derrubando"... hahaha... aí, será só alegria!!!

É isso, gente... estou sucumbindo à Tensão Pré-Casamento... Me segurei o máximo que pude, e como eu estava muito envolvida com o casamento da minha irmã também, acabei conseguindo mudar o foco por um bom tempo, mas agora que falta menos de 1 mês, está me dando um pânico total...

E o meu lado racional sabe que é pura neurose... meu lado racional me diz o tempo todo que eu só vou formalizar um casamento que já existe de fato há muitos anos, e que eu não preciso ter tanto medo assim...

Mas meu lado emocional, que é quem manda na maior parte do tempo, está vivendo dias de pura adrenalina... Por mais que eu saiba que já está tudo contratado, por mais que as pessoas me digam que comparecerão e chegarão no horário, por mais que eu peça pra modelista reforçar as costuras do vestido pra ele não rasgar, por mais que eu deseje do fundo do meu coração que fique tudo lindo como eu imaginei, ainda assim dá uma mega insegurança, um pânico de que tudo dê errado, e vocês terão que aturar esse papo de "Bridezilla" até o grande dia...

Vou tentar me manter calma... juro que vou tentar... ainda faltam alguns pequenos detalhes para os quais vou precisar estar tranquila... Um deles é a escolha da trilha sonora da cerimônia e da primeira parte da festa... Como sou enjoada!!! Eu sei, eu sei, ninguém aguenta mais me ouvir falar nesse assunto, mas ainda não consegui fechar a relação de músicas... Quero surpreender... Vamos ver se vou conseguir... Depois eu conto!!!

Beijos Estressados e Abraços Nervosos,
BRIDEZILLA


P.S.: Só para deixar registrado agora, quase 8 meses depois do big day, eu realmenten não caí.

Tudo bem que tivemos algumas pequenas videocassetadas, o vaso da primeira coluna da nave girou girou girou e quase foi ao chão bem na hora da minha entrada, depois que meu pai esbarrou nele, mas como todos os convidados prenderam a respiração de pânico no exato momento, deve ter acontecido algum fenômeno da física que conseguiu fazer o arranjo ficar no lugar (um vaso redondo de vidro sobre uma coluna estreita também de vidro), e no fim deu tudo mais que certo!

De qualquer forma, foi uma enorme vitória pessoal. Eu não caí no dia do meu casamento! Viva!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Shoes and the City (especial de aniversário)

Dando início à Retrospectiva de Aniversário do Blog, segue uma das primeiras histórias surreais e engraçadas que eu adorei escrever.

Neste caso, porém, embora exista um breve preâmbulo sobre como eu me tornei uma pessoa que cai, o foco foi minha amiga Carrie-Ann Borgshaw, cuja identidade foi preservada em troca dessa alusão à personagem Carrie Bradshaw, do seriado Sex and the City.

(Texto publicado originalmente em 11/05/07.)


São Paulo é uma Metrópole perigosa... isso todo mundo já sabe...
Mas, preciso alertar... O perigo está em toda parte, até nos locais mais improváveis...

O Metrô, por exemplo... O Metrô de São Paulo é um dos grandes orgulhos da população... É eficiente (na maior parte do tempo), é seguro, é rápido, é limpo, é organizado... Mas pode significar um perigo para a integridade dos que por ali circulam...

Eu mesma, já fui vítima do Metrô... Isso foi há bastante tempo, é verdade, talvez uns 12 ou 13 anos, quando eu ainda estava começando a Faculdade... Tempos difíceis, eu não tinha carro, morava e trabalhava longe, e agradecia todos os dias por existir o Metrô, o único transporte capaz de me levar rapidamente do local de trabalho pra Faculdade, da Faculdade pra casa, etc... Era corrido, eu saía do trabalho ali na região da Paulista às 18h30 e tinha que estar às 19h00 na Liberdade, então corria para a estação do Metrô, fazia baldeação na estação Paraíso e quase sempre conseguia chegar à tempo na FMU... Muito estudiosa que sempre fui, vivia carregada de livros e cadernos, estava sempre com os braços ocupados dos pesados livros de Direito...

Pois bem. Eis que um belo dia eu, atrasada como sempre, enfrentei aquela loucura que é o embarque na estação Paraíso. Ali, costuma acontecer quase um fenômeno da física, pois mesmo que você esteja parado, quando as portas do trem se abrem você é empurrado pra dentro do trem, nem precisa se mexer... a multidão que vem atrás se encarrega de te levar naquele comboio humano para dentro da lata de sardinha, ops! do trem! E neste fatídico dia eu, sendo empurrada pela multidão, abraçada aos meus preciosos livros e à minha bolsa, de repente me vi descendo para o nível inferior ao das demais pessoas... trocando em miúdos, eu caí no vão que existe entre a plataforma e o trem, simplesmente caí, mas não completamente porque a certa altura eu "entalei"...

Quando as pessoas perceberam, foi aquele auê, todo mundo gritando para que o trem não partisse, pedindo socorro, apareciam mãos de todos os lados tentando me puxar, e eu só conseguia ficar estática, não olhava pra cima, nem pra baixo, nem para os lados, de tanta vergonha que sentia... foi patético, lógico... mas um guindaste humano formado por quase todos que estavam na plataforma finalmente conseguiu me "desentalar", e eu queria sair andando, como se nada tivesse acontecido... minha perna toda machucada, e eu de cabeça baixa dizendo "tá tudo bem, tá tudo bem"...

O resumo do "mico" foi que tive que ser transportada de cadeira de rodas pela equipe do metrô até o lado de fora da Estação, onde uma viatura já aguardava para me levar ao Hospital... Não houve nada grave, tive que tomar vacina anti-tetânica por ter me machucado na estrutura de ferro do trem, fizeram um curativo no machucado e eu sobrevivi... E, passada toda a vergonha da situação, essa história virou uma das melhores piadas sobre a minha vida entre os meus amigos mais próximos, para os quais caí na besteira de contar o ocorrido...

Mas ok, eu também achava engraçado, e era mesmo... e a verdade é que mais cedo ou mais tarde eu acabaria mesmo caindo no metrô, porque eu sou, como diz uma grande amiga minha, "uma pessoa que cai"... tenho problema de equilíbrio, sempre foi assim, e já caí nos lugares públicos mais inimagináveis, até grávida de 7 meses eu caí... já senti muita vergonha, mas acabei desenvolvendo uma técnica comportamental para esse tipo de situação, então hoje em dia eu tiro de letra...

Agora, o que ninguém nunca espera é que uma pessoa fina e elegante sofra uma situação assim, publicamente constrangedora...

Tenho uma amiga, na verdade a amiga de uma grande amiga que acabou também virando amiga, que é de uma elegância incontestável. Carrie-Ann Borgshaw é única... Desfila elegantemente pela cidade sempre num muito bem cortado terninho Chanell, mantendo a elegante postura nos altos saltos dos chiquérrimos sapatos Manolo Blanik... Não há quem não note tanta elegância... E como uma pessoa fina e elegante que é, utiliza o Metrô como meio de transporte entre um compromisso e outro, pois ela é politicamente correta e procura contribuir para a diminuição do trânsito e da poluição na cidade, deixando seu carro importado na garagem do suntuoso prédio onde mora...

Mas... como eu disse no começo... São Paulo é um perigo... e o Metrô é praticamente um lobo em pele de cordeiro!!!

Eis que ontem, no final da tarde, Carrie-Ann Borgshaw deslocava-se entre um compromisso e outro, sempre apressada e concentrada, e mais uma vez estava na Plataforma de uma certa Estação do Metrô aguardando o próximo trem... Gente elegante não se importa em usar transporte público, eu já disse isso, né??? Então, como sempre, Carrie-Ann Borgshaw estava impecável, cabelo muito bem escovado, roupa de primeira linha, e os belíssimos Manolo Blanik recém comprados em seus privilegiados pés... Mas...

Chega o trem. Carrie-Ann dirige-se para o seu interior, levemente empurrada pelo povão mal-educado que vinha atrás, e o impossível acontece! Não, Carrie-Ann Borshaw não caiu no vão entre o trem e a plataforma, ela jamais cairia, ela, ao contrário de mim, é uma "pessoa que não cai"... Mas o Manolo, ahhhhh... algum infeliz atrás de Carrie pisou em seu calcanhar, e o Manolo, um sapato que jamais apertaria o pé de alguém, simplesmete escorregou vão abaixo...

Sim!!! Carrie-Ann Borgshaw perdeu seu Manolo Blanik novinho, no vão do Metrô!!!

A cena que se seguiu foi horrível... Carrie-Ann tentando desesperadamente sair de dentro do trem para recuperar o salto, o sapato e, consequentemente a elegância, enquanto aquela multidão que não faz a menor idéia do valor de um Manolo vinha na contra-mão, empurrando-a de volta para o interior do trem...

Desesperada com a possibilidade de perder para sempre seu seu precioso calçado, Carrie-Ann, movida de uma fúria momentânea e repentina, conseguiu livrar-se daquele bando de pobres na contra-mão e saiu do trem desesperada, com medo que as engrenagens do metrô atropelassem seu sapatinho... Gritou, esperneou, chamou um funcionário, até que apareceu uma mulher da equipe de segurança (pobre, é lógico) e lhe perguntou: "Ah, mas esse sapato é assim, tão importante??? Você não pode deixá-lo lá???"

Carrie-Ann Borgshaw sentiu vontade de tirar o outro pé do sapato e enfiar o salto agulha na testa daquela mulher... O que acabara de dizer era uma heresia!!! Ninguém largaria um Manolo no vão do metrô, em lugar nenhum do mundo!!! Mas até para perder a elegância nessa vida há um limite, e Carrie-Ann já tinha dado sua cota de contribuição para o mundo do "barraco" naquele dia, então respirou fundo, refez a postura mantendo o pé descalço em ponta, olhou fundo nos olhos da funcionária e disse apenas, em tom suave, mas severo: "Por favor, preciso do meu sapato... agora!!! Nenhum trem partirá enquanto ele não for resgatado".

Compreendendo a gravidade da situação, a funcionária finalmente acionou a equipe de resgate que, após interditar as linhas do Metrô por cerca de 40 minutos, conseguiu retirar o Manolo dos trilhos, ainda intacto, apesar de um leve arranhãozinho aqui e ali... Para Carrie-Ann Borgshaw foi quase como nascer de novo... A vontade que tinha naquele momento era de acariciar seu sapato e de beijá-lo, mas deixou para fazer isso num momento mais íntimo, e apenas calçou seu sapato, recompôs-se, gentilmente agradeceu aos 36 funcionários do Resgate envolvidos na operação e retirou-se da Plataforma...

Dessa vez, achou que seria mais seguro pegar um táxi até seu destino... E realmente foi...

Carrie-Ann Borgshaw e os Manolo Blanik passam bem, mas serão a piada mais engraçada da turma de amigos por um bom tempo...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

1 Ano de Dona Farta

Um justo motivo pra comemorar!


Apesar de todo o meu amadorismo, escrever é um enorme prazer, e eu queria apenas um cantinho onde pudesse exercitar essa arte, sem nenhuma pretensão que não fosse simplesmente divagar sobre tudo que me desse na telha.

Não esperava audiência (afinal, a quem poderia interessar o meu mundinho tão trivial?), e cheguei a duvidar que fosse conseguir levar essa idéia adiante por muito tempo, achei que fosse acabar desanimando e desistindo do Blog assim como já desisti de tantos e tantos esboços e projetos começados.

Só que descobri nessa empreitada uma atividade realmente gratificante, uma atividade que me proporciona momentos diários de muita satisfação, aqueles poucos minutos, às vezes altas horas da madrugada (como agora), quando eu finalmente consigo desacelerar de todo o resto, sento na frente do laptop e deixo meus dedos me guiarem pelo teclado, em perfeita sintonia com meu cérebro a mil por hora, resultando em textos bons ou ruins, bobos, úteis, inúteis, dramáticos, engraçados, chatos, longos, cansativos, emocionantes, etc, etc, etc.

Essa sensação é tão boa que a idéia de desistir do Blog jamais me passou pela cabeça nesse primeiro ano, pelo contrário: estabeleceu-se uma relação de dependência tão forte que nos dias em que não consigo postar fico chateada... Queria realmente conseguir escrever com mais frequência. Material não falta, falta é tempo mesmo, mas vocês já ouviram essa ladainha muitas outras vezes, então vamos pular esse assunto!

O fato é que sobrevivi a todos os reveses, e ouso dizer com toda a modéstea que me falta que acho até que evoluí durante esse processo... pessoalmente, emocionamente, gramaticalmente. Claro, eu gostaria de saber escrever bem melhor, bem de verdade, gostaria de ser muito mais criativa (às vezes sou tão óbvia!), gostaria de ser menos prolixa e mais interessante dentre tantos outros desejos, mas continuo fazendo a minha parte, lendo muito, estudando bastante, e talvez, quem sabe, um dia eu chegue a um nível de excelência digno dos meus queridos leitores.

Sim, meus queridos leitores, não posso deixar de falar neles! Como já disse, comecei o Blog sem pretensões de audiência, sem pretensões de que muita gente viesse me ler, até porque só quem sabia da existência do site eram os amigos mais próximos que, em tese, leriam qualquer coisa só pra me prestigiar durante um tempo, e depois esqueceriam do assunto. Mas esse mundinho virtual é tão cheio de surpresas que as coisas não necessariamente acontecem como imaginamos.

Primeiro, aqueles amigos que eu achei que logo esqueceriam essa minha idéia e ocupariam-se de coisa melhor na verdade nunca me abandonaram. Estiveram sempre por aqui, lendo meus devaneios, rindo comigo, chorando comigo, concordando comigo ou discordando de mim. E, quem escreve escreve para ser lido, de modo que essa força dos amigos foi sem dúvida um estímulo importantíssimo.

Esses amigos, por suas vezes, foram comentando sobre o Dona Farta com seus próprios amigos no trabalho, em casa, em qualquer lugar, e então outras pessoas que eu sequer conheço começaram a passar por aqui, e algumas voltaram 1, 2, 10, trocentas vezes. Vaidosa que sou, só posso dizer que é muito, muito, muuuuuuuito legal saber que uma pessoa que nunca me viu na vida visitou o Blog pelo simples fato de querer me ler.

Pra encurtar a história (já que pra variar esse post vai longe), acabei "conhecendo" muita gente bacana por aqui, fiz amizades incríveis e já troquei muita experiência com pessoas de outras cidades, outros estados e até outros países. Algumas dessas pessoas, blogueiras também, não deixam de dar uma passadinha sempre que podem, deixam sempre comentários adoráveis, carinhosos, solidários, divertidos. Grandes resultados para uma aventura que começou tão despretensiosamente!

E eu venho orgulhosamente cooptando leitores a cada dia. Até meu marido que não era assim tããããooooooo empolgado com essa história vem me acompanhando com maior frequência ultimamente, vários parentes distantes também têm me visitado, além da legião de ilustres desconhecidos / nobres amigos que nunca me deixam só!

Em 1 ano de Blog foram 220 postagens e 13.300 acessos (treze mil e trezentos acessos! pensem!) Uma marca que vale muito pra mim, porque este é um Blog, em tese, "fechado" (querendo dizer pessoal, privado, não sou famosa, enfim... sei lá qual é a expressão correta para o que quero dizer, mas acho que vocês entenderam!), não faço propaganda, não divulgo por outros meios, simplesmente vou escrevendo, e os leitores vão aparecendo... em tese quem chega aqui chega por indicação, o que torna a marca ainda mais valiosa. Não sei precisar em quantos outros Blogs o Dona Farta está linkado, mas sei que são muitos (a maioria das pessoas manda um aviso que vai linkar, mas já descobri meu endereço em Blogs onde eu nem fazia idéia!).

Falei sobre muitas coisas, embora tenha deixado de falar sobre tantas outras que gostaria... Escrevi sobre assuntos sérios mas também contei muitas histórias surreais da minha própria vida (as preferidas da audiência!). E, claro, dividi com vocês os mais importantes acontecimentos da minha vida pessoal, da minha família, babei muito o meu filho, meu marido, dividi tristezas e compartilhei emoções pessoais, de coração aberto, sem medo de ser feliz!

Pretendo manter o Blog, pelo menos nesse mês de aniversário, atualizado diariamente, pra que tenha "pão quentinho" todos os dias para os leitores (como diz uma amiga blogueira). Como não vou conseguir escrever algo novo todos os dias, vou fazer um revival dos melhores posts deste 1º ano, vou subir os textos que causaram mais reações nos meus leitores (positivas ou negativas), e assim aqueles recém-chegados poderão atualizar-se sobre essa pessoa tresloucada que vos fala e suas histórias igualmente malucas.

Por enquanto, vou ficando por aqui, deixando um AGRADECIMENTO enorme para todos os queridos amigos que me deram força e incentivo para escrever desde o começo, um AGRADECIMENTO do fundo do coração para todos aqueles que foram chegando e ficando, um AGRADECIMENTO sincero para todos aqueles que elogiam, criticam, tiram sarro ou consolam através dos comentários que fazem tanto a alegria de um blogueiro!

Parabéns para Nós! E vamos Blogar!!!

sábado, 3 de maio de 2008

Ócio Movimentado

Feriadão... Um dos poucos deste ano de 2008...

Como sempre, não planejei nenhuma viagem e nenhum programa mais elaborado, porque o que eu gosto mesmo de fazer em feriadões é curtir a preguiça... Eu sei que parece coisa de velho, como dizem alguns amigos meus, mas pra alguém que tem uma vida sempre tão agitada a oportunidade de passar alguns poucos dias sem fazer nada é extremamente tentadora.

Era esse o meu plano para o Feriadão de 1º de Maio: Não fazer nada. E então chegou o frio, ah, o frio... Não existe coisa melhor do que curtir preguiça no frio, poder dormir até bem tarde, enrolada em trocentos edredons, depois levantar e calçar uma pantufa bem quentinha, comer o pão quentinho que a máquina panificadora acabou de preparar, jogar-se no sofá e enrolar-se novamente nos edredons, e ficar ali, vendo TV, cochilando, vendo o tempo passar sem ter que correr pra fazer o que quer que seja...

Só que eu sou uma pessoa agitada por natureza... Tenho o hábito de fazer pelo menos 2 coisas ao mesmo tempo, sou do tipo que carrega um livro no banco do passageiro do carro pra poder dar uma lidinha enquanto o farol está fechado (existe maior perda de tempo nessa vida do que os minutos que passamos parados no farol? e nos engarrafamentos então!), falo ao telefone enquanto respondo um email, faço tricô enquanto assisto a novela, de modo que ficar assim, sem fazer absolutamente nada é um desafio enorme que eu raramente consigo cumprir...

1º de Maio, quinta-feira, dia do Trabalho. Frio. Preguiça. E assim passaríamos nosso dia, mas a minha cabeça que não desliga nunca logo imaginou que, já que não estávamos fazendo nada mesmo, poderíamos talvez não fazer nada comendo, bebendo e conversando... Poderíamos não fazer nada enquanto estivéssemos nos divertindo, então logo a idéia de um programinha básico formou-se na minha cabeça, e no início da noite estávamos aqui, com minha irmã e meu cunhado, pãozinho quente saindo do forno, petisquinhos preparados, cerveja gelada e baralho do uno distribuído... Moral da História: ficamos jogando uno, comendo e bebendo até 3 horas da madrugada... delícia!

2 de Maio, sexta-feira (in)útil. Frio. Chuva. Tempo cinza, céu feio, vontade de ficar na cama o dia inteiro, até mesmo sem comer. Só que a sacanagem é que alguns órgãos públicos que não trabalham nunca e emendam todos os feriados resolvem funcionar justamente no dia mais feio do ano em São Paulo, e eu, sortuda como sempre, tinha um prazo justamente para o dia 02 de Maio. Não tivesse o TRT expediente neste dia, meu prazo ficaria para segunda, mas como houve expediente normal, lá fui eu sair da cama antes do horário que eu gostaria, sentar na frente do computador, trabalhar, e sair daqui de casa rumo ao Fórum do Lalau em plena 5 horas da tarde, debaixo da maior chuva, atravessando a cidade pra conseguir cumprir a porcaria do prazo... E lá se foi meu plano de ócio para sexta-feira...

3 de Maio, sábado atípico, o Sol apareceu mas continua frio. Pensando sobre o tão desejado ócio, minha cabeça não desliga. Acordamos tarde, sem grandes planos para o dia bonito lá fora, até que meu cunhado liga sugerindo aproveitarmos o Sol para um passeio diferente. Pouco tempo depois estamos todos (4 adultos e 1 criança) a bordo do mesmo carro, passeando entre os bichos do Simba Safári, dando de comer a Avestruzes que enfiam suas cabeças dentro do carro, acariciando os mansinhos cervos que vêm se exibir à nossa frente, rindo descontroladamente dos macacos obscenos que resolvem acasalar bem na frente dos visitantes do parque e debatendo sobre qual será o animal mais lindo da natureza (Gamei nesse Tigre da foto! Animal Deslumbrante!). Passeio adorável, que eu nunca tinha feito, e o melhor: baratinho!

A partir daí, não precisamos de muita desculpa pra esticar... primeiro fomos comer, porque saco vazio não pára em pé, e depois, só pra tirar a ferrugem dos ossos encolhidos sob casacos pesados e cachecóis para nos abrigar do vento frio, fomos jogar Boliche... já estávamos na rua mesmo, então... sabe como é, uma coisa puxa a outra, e outra, e outra...

Chegamos agora há pouco, e de repente me dei conta que amanhã é o último dia do Feriadão, Caramba! E eu ainda nem consegui não fazer nada como planejado... Tá difícil esse tal ócio, viu!

Ouvi outro dia a Maitê Proença dizendo numa entrevista que ela considera o ócio extremamente importante para o processo criativo. Acho que ela está certa. É durante o ócio que conseguimos viajar nos pensamentos mais absurdos, e talvez só durante o ócio a criatividade encontre um terreno seguro o bastante para manifestar-se no seu grau mais elevado.

Comigo também é assim. Às vezes estou na cama, já quase pra dormir, começando a desligar dos assuntos do dia, e então começo a pensar em coisas que gostaria de fazer, em assuntos sobre os quais gostaria de escrever, chego até mesmo a redigir mentalmente parágrafos e mais parágrafos de textos sobre vários assuntos, mas não tenho coragem de levantar pra colocar tudo no papel, porque geralmente isso acontece num estágio muito próximo do sono... No dia seguinte eu posso até lembrar vagamente das idéias, mas entro no rolo compressor das obrigações cotidianas, me envolvo com outros assuntos mais urgentes, e acabo não conseguindo recuperar aquele momento - um pequeno momento da noite anterior, quando o ócio abriu espaço para a minha mente elaborar coisas muito mais interessantes do que aquelas que elaboro "de caso pensado". Uma pena. Mas um dia eu chego lá.

Enquanto isso vou ficando por aqui, anciosa para curtir meu último dia de ócio, o domingão que encerra o final de semana prolongado. Quem sabe assim eu consiga voltar aqui nos próximos dias pra escrever algo mais interessante, mais criativo, divertido, emocionante, ou simplesmente diferente.

Boa Noite, e Boa Sorte!