Anyway, é também aquela semaninha meio morta do ano, e mesmo pra mim, que estou tecnicamente de "plantão", o ritmo diminui consideravelmente. Já não há mais nas ruas aquela correria desenfreada pré Natal, muita gente já viajou, a cidade fica deliciosamente vazia, e a sensação de não precisar correr o tempo todo ou de não estar constantemente atrasada para algum compromisso é deliciosa, mas estranha.
E no meio dessa minha
barata-tontice de não saber direito o que fazer, ou por onde começar a fazer o que quer que seja, tirei o dia hoje pra tentar arrumar algumas coisas na casa, nas contas, na vida, etc.
Só sei que lá pelas tantas precisei sair pra comprar pregos. O
Pereirão de
Wisteria Lane vem aqui amanhã cedo pra finalmente pendurar meus
Cupidos de Rafaello na cabeceira da minha cama, e eu precisava providenciar os pregos
(ou ganchos, ou parafusos, sei lá o nome do negócio!).Largadíssima do jeito que estava em casa
(leia-se de short, camiseta velha, havaianas, cabelo preso num coque preguiçoso e cara lavada), saí à pé mesmo pra ir até a loja de materiais de construção comprar os tais ganchos. Como a loja fica ao lado do Shopping, resolvi dar uma esticadinha pra comprar um negócinho, e acabei rodando um bom tempo por lá
(~~mulheres!~~), com direito a pausa para um café e mais um auto-presentinho
(o delicioso CD da Florence + The Machine!).
Considerando o adiantado da hora, resolvi dar uma espiada no Cinema, e acabei mijogando na última sessão para ver o filme
"Noite de Ano Novo".
Não esperava nada do filme, estava NA CARA que era algo previsível e descartável, mas fui mesmo assim, pelo elenco
(quanta gente linda!), pelo prazer da telona, pelo baldão de pipoca, pela coca-cola e pra fazer um agradinho a mim mesma.
O filme, como esperado, não era lá essas coisas. Uma sucessão de clichês de
histórias-desencontradas-que-se-reencontram-num-final-feliz. Na noite de Ano Novo.
Oh, really?Boring, né?
NÃO!!! E era aí que eu queria chegar.
Apesar de toda a previsibilidade, eu sorri, chorei e me emocionei no filme. E isso me fez um bem tão grande, que voltei pra casa à pé, quando já passava da meia-noite, admirando a beleza de um começo de madrugada de verão e pensando que a vida real, no fundo, não passa de um
clichêzão, e somos nós que damos o tom deste clichê, dia após dia... às vezes pesando a mão no
drama, às vezes inserindo doses exageradas de
suspense, às vezes com
tragédias inesperadas, e às vezes, por que não, assumindo o melhor lado das deliciosas
comédias românticas.A vida é duríssima e extremamente complexa. E talvez por isso mesmo devíamos todos nos permitir, pelo menos de vez em quando, deixar os pré-julgamentos de lado e apenas admirar histórias fofas e bonitinhas, mesmo que sejam totalmente clichês. Quem sabe até abrir espaço para que elas roteirizem nossa própria vida de vez em quando.
Porque, na boa? Super me senti uma
mocinha de filme voltando pra casa com um sorriso bobo no rosto e cabelos ao vento. Eu sei que não vou encontrar um grande amor presa num elevador na noite de
Reveillon, ou receber a declaração de amor mais linda do mundo de um astro-galã do rock no show da meia-noite.
Mas e daí?A vida é tão surpreendente o tempo todo, que uma hora essa criatividade pra surpreender pode acabar e até ela -
A Dona Vida - pode precisar se valer de algum clichê pra fazer a roda continuar a girar. Nunca se sabe...
Vai que, né? Melhor estar liberta de preconceitos e abertas a todas as possibilidades!
(super aceito um clichêzinho romântico, viu, Dona Vida? Se quiser, é só mandar!)
<3