quinta-feira, 17 de novembro de 2011

4.015 dias

E lá se vão 11 anos. Onze. O.N.Z.E.

Vocês me dêem licença, mas nessas horas todo clichê deve ser perdoado, porque não existe outro momento na vida em que seja tão apropriado dizer: O Tempo voa. Num jato supersônico!

Parece que foi ontem que eu, aos 24 anos e com 24 quilos extras, era consumida pela ansiedade e pela exaustão do barrigão prestes a explodir, morrendo de medo de não dar conta do presente de grego que os céus estavam me mandando.

E então Ele nasceu, e nasceu também esta mãe que agora, 11 anos depois, continua cheia de medos, mas supera todos eles em nome desse Amor infinito que só as mães têm o poder de sentir.

Meu Zelão está aí, lindo, saudável, inteligente, FELIZ. Já é oficialmente um pré-adolescente, com eventuais momentos aborrescente, mas ainda com aquela peculiar doçura infantil que o torna a criatura mais apaixonante do Planeta.

Um homenzinho cheio de personalidade, opiniões e dúvidas existenciais, mas que ainda quer ganhar brinquedo no aniversário.

Um homenzinho que já não aceita mais meus apertões e carinhos exagerados com a mesma receptividade de antigamente (outro dia ele reclamou: "Mãããe, por que você fica me apertando? Desgruda!"), mas que tem o melhor abraço e a mais gostosa gargalhada do Mundo.

Um homenzinho que já não aparece mais no meu quarto no meio da madrugada pedindo pra dormir comigo, mas que ainda me pede cafuné e carinho nas costas até conseguir pegar no sono.

Um homenzinho que já não me pede mais pra "fazer um leite", e que "faz um leite" pra mim (e o café da manhã completo) quando digo que estou com preguiça de sair da cama.

Um homenzinho que já fica sozinho em casa, esquenta comida, lava louça, varre o chão, se vira, mas me liga muitas vezes quando saio pra saber se já cheguei, se cheguei bem, que horas vou voltar, por que estou demorando.

O homenzinho da casa. Que manda e desmanda. Que cuida dele mesmo e de mim. Que olha se a porta está trancada antes de ir dormir. Que me dá bronca por eu ficar acordada até muito tarde sendo que acordamos super cedo no dia seguinte. Que pede a ficha completa de cada amigo meu que vem em casa. Que se preocupa comigo quando estou triste e não sossega enquanto não conto pra ele o que houve, e ainda me dá conselhos!

O Rei das frases de efeito que me deixam sempre de queixo caído. O Rei da argumentação (céus, como é difícil convencer esse homenzinho de qualquer coisa!). O Rei absoluto da minha vida!

Aquele que me enche de orgulho por ser sensível, justo, leal e humano, como no dia em que externou de maneira super natural sua opinião sobre homofobia, ou como no dia em que escreveu uma cartinha para o Papai Noel pedindo para ele "resolver os problemas do Mundo", ou como no dia em que me pediu o dinheiro da semanada adiantado pra poder dar uma esmola para uma senhorinha no Farol porque achou que ela estava com fome e triste.

Ele que me ensinou a ver o Mundo de um outro ponto de vista. Ele que me ensinou que gargalhar às vezes é o melhor que podemos fazer, até quando a vida não tá muito boa. Ele que me ensinou que milagres acontecem, e que podemos até fazer nevar no Natal!

Parando pra pensar agora, enquanto escrevo, chego à conclusão de que a vida fez o seguinte comigo: Pegou tudo, TUDO que podia existir de melhor e colocou nessa criatura que ganhei de presente assim, de uma vez.

Quando nasceu era o bebê dos sonhos de qualquer mãe: bonzinho, mamava bem, dormia a noite toda, quase não chorava, não deu um pingo de trabalho.

Sempre foi um poço de saúde, nunca ficou gravemente doente (aliás, nem lembro a última vez que precisou tomar remédios), nunca me fez passar noites em Hospitais, e os pequenos sustos foram sempre em decorrência de alguma arte, porque de tanta saúde e energia ele era uma máquina de fazer traquinagens, e de vez em quando rolava um tombo ou um arranhão mais profundo.

Nunca deu trabalho pra comer, devorava com gosto qualquer coisa que eu oferecesse, até mesmo aquele suco horroroso de beterraba com laranja.

Sempre foi muito inteligente, aprende tudo com muita facilidade, e na escola sempre tem as melhores notas. Nunca ficou de recuperação, nunca precisou fazer reforço, e recentemente chegou bem perto da nota máxima numa prova de bolsa pra mudar de Colégio.

E estes são apenas alguns exemplos óbvios. Não me sinto no direito de exigir mais nada da vida. A bem da verdade é que tudo que preciso tenho Dele e Nele.

Toda a força que eu preciso está Nele, toda a coragem que eu preciso vem Dele, toda a vontade de ir à luta e fazer o amanhã melhor vem Dele, tudo ganha sentido diferente quando eu penso Nele, qualquer problema se torna superável por Ele, nunca vou desistir de ser uma pessoa melhor porque é pra Ele.

Claro que não é assim tão fácil. Filho dá trabalho, nos leva ao limite, às vezes nos enlouquece, custa caro, e é uma responsabilidade diária para o resto da vida. Mas o milagre que um filho opera na vida de uma mãe é tão indescritível que sacrifício nenhum se sobrepõe. Minha mãe dizia que eu me tornei uma pessoa melhor depois que tive filho, e ela estava certa. E isso resume tudo.

Sempre digo que antes de querer que Ele seja um homem de sucesso eu quero que ele seja um grande homem, no sentido mais amplo da palavra grandeza. E sem falsa modéstea, apesar de muitas falhas da minha parte, o resultado tá aí: quem conhece o pequeno-grande Zelão sabe que não é apenas babação de mãe, sabe que ele é assim, uma figuuuura... Impossível não amar!

Filho, sei que a vida às vezes é esquisita, outras vezes complicada, e tantas outras frustrante (palavra que você, aliás, adora usar!). Sei que nem sempre sou uma boa mãe, sei que muitas vezes não consigo atender suas expectativas, sei que talvez você merecesse uma mãe melhor.

Mas saiba, filho, que eu estou apenas tentando te preparar para os dias seguintes, para as durezas e asperezas que nos surpreendem quando menos esperamos, e para que eu consiga fazer isso às vezes preciso ser menos legal do que você gostaria.

Você é muito igual a mim, filho. Fisicamente todo mundo vê, todo mundo fala, mas suas semelhanças comigo vão muito além. Assim como eu, você é 100% coração. Assim como eu, você acredita nas pessoas, nas coisas, no Mundo. Assim como eu, você é generoso e dá tudo o que pode sem pedir nada em troca. Assim como eu, você é sensível e se emociona, e chora, e mostra seus sentimentos. Assim como eu, você se encanta rapidamente pelas pessoas, e sofre quando elas partem. Assim como eu, você é estudioso e se cobra muito, e se frustra quando não atinge suas metas. Assim como eu, você é um sonhador, um idealista, e fica inconformado com as coisas erradas que vê. E essas são apenas algumas das infinitas semelhanças que temos. E por isso eu sei muito bem tudo o que você sente de bom e de ruim, e gostaria de ter conseguido agora, aos 35 anos, uma fórmula de como viver sendo assim pra transmitir a você, para que você não precisasse sofrer tanto quanto eu sofri.

Mas não tenho, filho. Não sei quase nada, pra dizer a verdade. E por isso tudo o que posso é tentar fazer de você uma pessoa boa, justa, honesta, para que você encontre o seu próprio jeito de lidar com tudo que não for legal na vida e ser feliz do jeito que você é.

Tudo o que eu posso te oferecer, meu amor, é o meu apoio incondicional, sempre. Todos os dias da sua vida, aconteça o que acontecer, e mesmo que o Mundo pareça virar as costas pra você, estarei aqui pra segurar sua mão e te abraçar quando você precisar (e quando não precisar também, afinal seu abraço é indispensável em qualquer circunstância!).

E é só isso que eu quero que você saiba: Que eu vivo por você desde o dia que você foi concebido, e continuarei vivendo pelo máximo de tempo que eu puder porque, se nada mais na vida me parecer valer à pena, o simples fato de você existir será sempre, sempre, SEMPRE o maior motivo pra eu continuar respirando!

TE AMO TANTO QUE NÃO EXISTE NÚMERO INFINITO NENHUM QUE SEJA CAPAZ DE REPRESENTAR O TAMANHO DESTE AMOR.

Feliz Aniversário, Lucas!

Com todo amor, Mamãe.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Registro

Às vezes a angústia é tanta, e tão inexplicável, e tão inextravasável, e tão infinita, que a gente precisa escrever em algum lugar que ela EXISTE apenas pra tentar não explodir por mais alguns segundos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Bundas

Perdoem-me a analogia de gosto duvidoso, mas todo mundo sabe que "opinião é que nem bunda: cada um tem a sua e dá quando quer".

Faz parte da democracia, é direito soberano, liberdade de expressão, etc e tal.



Por outro lado, se "o peixe morre pela boca", muita gente (inclusive EU) tem mais é que agradecer por não ter escamas, porque, né? Vivemos perdendo oportunidades incríveis de calar a boca, coisa que aliás eu devia fazer sobre este asunto, mas NÃO CONSIGO, tamanha minha indignação.

USP. Universitários. Maconheiros. Ocupação. Baderna. Polícia. Repressão. Imprensa. Circo.

Antes de mais nada, por favor entendam que eu NÃO ESTOU TOMANDO PARTIDO nesta situação. Não estou tomando partido porque sei muito pouco sobre o assunto. Assim como a maioria das pessoas, apenas li/vi/ouvi as notícias através da imprensa (vários veículos e não apenas os de direita ou de esquerda, que fique claro), e não acredito que essas informações não raras vezes tendenciosas sejam suficientes para que eu, que não tenho nada a ver com a USP e não lido com esses assuntos no meu cotidiano, forme uma OPINIÃO concreta e bem fundamentada.

Tenho alguns palpites de acordo com a minha própria interpretação do que li aqui e ali, mas posso estar redondamente enganada, então sigo apenas acompanhando o caso e torcendo pra que tudo termine bem, afinal, estamos falando, por um lado, de Universitários que ingressaram na maior Faculdade pública do país através de um concorridíssimo vestibular (e independentemente de serem filhinhos de papai ou não, maconheiros ou não, conquistaram a vaga com mérito) e por outro lado de uma Universidade que não tem a fama que tem à toa. É talvez a melhor ou uma das melhores. Todo mundo quer estudar na USP.

Fato é que, na minha modesta e limitada opinião, houve excessos de todos os lados, desde o começo. E quando eu digo todos os lados, estou me referindo a todos mesmo, inclusive ao Poder Público / Polícia, Imprensa (às vezes tão podre), e aos próprios Universitários que colocaram a perder as razões que eventualmente tivessem ao agirem de maneira infantil e intrasigente, segundo consta.

Não vejo culpados nem inocentes; vejo apenas um monte de erros baseados na abdicação do argumento em prol da violência, o que é uma contradição quase incompreensível se lembrarmos que estamos falando de uma situação ocorrida dentro de uma Universidade, que deveria ser ambiente para a prática da boa inteligência, e não da DESINTELIGÊNCIA vista.

Porque é isso que a violência (em todos os sentidos) faz: ela sufoca qualquer possibilidade de alternativas inteligentes e criativas, ela se sobrepõe à argumentação e abre espaço para radicalismos que não levam ninguém a lugar nenhum, e no fim das contas sai todo mundo perdendo. Até quem estava com a razão (e a razão podia estar dividida entre vários lados) acaba perdendo a razão. Sobra apenas o retrato de um fato lamentável onde nada se aprendeu e muito se perdeu. Perda de tempo, de recursos, de dinheiro, de dignidade... Perda de OPORTUNIDADE de exercer a civilidade!

O que me causou mais espanto / nojo / vergonha / desesperança nesse episódio todo, contudo, não está ligado às atitudes dos Universitários, nem da Reitoria, nem da Polícia, nem da Imprensa. O que me causou e está me causando NÁUSEAS são algumas manifestações que as pessoas têm expressado a respeito do caso, especialmente nas Redes Sociais.

"Esta pessoa acha que a Polícia tem mais é que descer a porrada / o sarrafo / a borracha / o cacete nestes Maconheiros!"

A frase acima e uma infinidade de variáveis que dizem a mesma coisa está circulando, em forma de banner ou charge ou imagem no Facebook há alguns dias. E me causa arrepios cada vez que leio.

Pior que isso é saber que existem muitas pessoas dentro do meu limitado círculo de "amigos" do Facebook que postam isso, e curtem, e bradam que, "sim, tem que descer a porrada!".

Genteeeeee, pelo amor de Deus! Quem são vocês, que não reconheço?

Em que momento voltamos à Idade da Pedra e ganhamos autorização pra agir como selvagens primitivos? Em que momento retrocedemos tanto a ponto de existir quem se orgulhe de incitar a violência?

O que houve com o "Paz e Amor", minha gente? O que houve com a evolução da espécie humana conquistada a duras penas ao longo de centenas de anos?

Porque eu realmente não consigo crer que seres humanos evoluídos e civilizados sejam capazes de, em sã consciência e em pleno ano 2011, defenderem a violência como única alternativa para solução de um problema, seja ele qual for. As pessoas desaprenderam (ou talvez nunca tenham compreendido) o significado de democracia e de civilidade.

Sim, eu sei que em determinados casos, como disse o Alexandre Borges numa discussão no facebook outro dia, a função da Polícia é justamente utilizar a força pra manter a ordem pública. Eu sei disso. Todo mundo sabe disso. Mas daí a TORCER pra que isso aconteça, e comemorar quando acontece, bem... há uma enorme diferença!

Eu sempre admirei aquelas raras operações policiais que a gente vê no noticiário quando uma situação limite é resolvida na base da INTELIGÊNCIA, e ninguém ou quase ninguém sai ferido. Isso pra mim faz sentido, esgotar todos os esforços para que a violência seja uma alternativa muito remota. Isso pra mim é evolução, democracia, civilidade. INTELIGÊNCIA.

E nas tantas outras vezes em que a violência é necessária, mesmo sabendo que foi necessária, ainda assim eu lamento. Lamento porque violência é algo PRIMITIVO, e, sem-querer-me-repetir-já-me-repetindo, faz apenas com que todo mundo contabilize muito mais prejuízos do que lucros.

Não entendo esse ódio que as pessoas estão expondo de maneira tão nojenta! De verdade, não entendo. Não sou melhor nem pior do que ninguém, mas não consigo me ver inserida numa sociedade que pratica esse tipo de "liberdade de expressão", pra incitar a violência, o ódio, o preconceito.

Quem são vocês? O que fizeram com a INTELIGÊNCIA que Deus lhes deu?

Às vezes tenho a impressão que o Cara la de cima olha pra esses comportamentos bizarros e pensa: "Por que raios eu não dei a inteligência para os Macacos?"

Porque, né? Humanos... que VERGONHA de pertencer a esta espécie!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aleatórios

Radicalismos e Extremismos nascem mortos.
(principalmente quando se fundamentam em fatos analisados sob um único ponto de vista)

Opinião é que nem bunda: cada um tem a sua.
(mas seria bom se as pessoas parassem de querer imitar a bunda alheia e tentassem compreender / aceitar a própria anatomia)

Viver é muito mais do que existir.
(e seria tão bom se as pessoas parassem de se escorar nos outros e encontrassem o próprio caminho, desenvolvessem suas próprias opiniões e buscassem suas próprias verdades)

Julgar é tão mais fácil do que analisar.
(vivemos uma fase tão radical... cadê os dois pesos e as duas medidas? De repente o Mundo virou um lugar povoado de Juízes e seus dedos em riste, invariavelmente sustentados em argumentos tão frágeis quanto desembasados)

Seguir padrões e regras inventados por sabe-se lá quem é tão medíocre!
(nunca vou entender por que as pessoas se contentam em viver eternamente dentro do quadradinho cheio de limitações sem jamais ter a curiosidade de experimentar o que existe além do muro)

Ninguém é igual a ninguém.
(por que raios então as pessoas ficam se colocando como referência soberana para a vida alheia?)

Homens são tão estúpidos - lato sensu.
(perdem tantas oportunidades de surpreender... será de fato uma limitação genética?)

Mulheres fazem doce demais.
(e se esquecem que até o doce mais nobre pode "entalhar" se passar do ponto)

... ... ...

O ser humano de um modo geral é bastante limitado, parte por sua natureza, parte porque subutiliza o cérebro e se deixa limitar.

(mas EU, pessoalmente, ainda que de maneira igualmente limitada, tento ser diferente... nem melhor, nem pior: apenas diferente, de modos que tento sempre que possível derrubar as barreiras para enxergar além-muro, até quando elas têm a função de me proteger. É uma espécie de cuirosidade nata, instinto de contestação, rebeldia, inconformismo, whatever...)

(Foda-se se eu não me encaixar! Não sou LEGO pra ter obrigatóriamente que me encaixar em algum lugar, porra!)


(Quer me julgar? Julga aê! Mas aproveita e depois passa aqui em casa pra pegar o bolo de contas que tá pra vencer e paga pra mim, porque, né? Se quer cuidar da minha vida, tem que cuidar direito!)

Entendam como quiserem.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crente

Existem momentos na vida em que a gente PRECISA lutar contra o ceticismo e tentar acreditar em alguma coisa, porque a gente percebe que não vai dar conta sozinho e PRECISA contar com alguma ajuda mágica, divina, milagrosa, whatever.

Daí que eu fui no salão outro dia e a moça me falou sobre a Acupunturista ótima que estava trabalhando lá, e não precisei ouvir 2 minutos de propaganda pra dizer "yes, yes, yes", e pouco tempo depois já estava deitada na maca feliz e retumbante crente que minha vida mudaria porque - oh, meu deus! - acupuntura! Os orientais que inventaram esse negócio são tão equilibrados e zens e tal que com certeza seria a terapia perfeita pra mim!

Quem me conhece sabe o quão cética eu sou em relação a quase tudo na vida, de modos que esta minha reação à ideia de fazer acupuntura é a mais óbvia demonstração do desespero de alguém que tá topando qualquer parada e procurando desesperadamente acreditar em qualquer coisa pra tentar tornar essa fase de caos menos caótica, etc.

Dentre várias coisinhas, a acupuntura pretende tratar também minha ansiedade.

Pois bem. Deitada no aconchego da minha super cama ainda agora, no começo desta madrugada de terça-feira, acabei de arrancar na unha, de tanta ansiedade, as 9 microesferas que estavam aplicadas na minha orelha esquerda e deviam permanecer nela até a próxima quinta-feira.

Daí a pegunta que não quer calar é: Será que tá funcionando?

Haverá salvação para mim?

Céus, cadê o espírito zen dos orientais?

Quero ser possuída pelo espírito de um sábio e equilibrado Samurai righ now! Não era essa a ideia?

#BIGFAIL


Incongruências

A gente constrói um castelo com tanto amor, cuidado e carinho, pretendendo morar ali para sempre, até que num belo dia, do nada, vem um terremoto e acaba com tudo.

Então a gente acorda do trauma entre os escombros daquilo que um dia foi a nossa razão de viver, fica chocado, arrasado, horrorizado, amedrontado, e se entrega ao sofrimento porque a gente tem certeza de que não há nada a fazer, apenas esperar o fim.

E a gente efetivamente fica esperando o fim, alternando momentos de revolta, tristeza, resignação, autocompaixão. É uma etapa horrível, e dura uma eternidade insuportável.

Mas é uma eternidade finita, porque feliz ou infelizmente em dado momento, ainda que a gente não queira ou não espere, acaba aparecendo a tal luz no fim do túnel, e a gente tem obrigatóriamente que levantar, sacudir a poeira e recomeçar.

E então a gente tenta recomeçar a construção, aproveitando uma infinidade de materiais novos que a gente descobre, aplicando a experiência adquirida, tentando melhorar as fundações para evitar um novo desabamento, tentando melhorar o conjunto da obra para, quem sabe, aproveitar pelo menos um pouco quando a nova construção estiver pronta, antes que outro desabamento acabe com tudo de novo.

Devia ser o momento em que tudo começa a melhorar. Se por um lado não existe sub-solo do fundo do poço, por outro lado existe apenas o céu como limite na caminhada inversa, então não haveria, em tese, motivos pra se preocupar...

Entretanto, aquele momento de retomada do controle, quando todos os caminhos se abrem sorridentes e totalmente iluminados, que devia encher a gente de otimismo e boas expectativas pode, sorrateiramente, se transformar na pior de todas as etapas, pior até mesmo que o próprio fundo do poço.

A vida não faz sentido, e a gente também não ajuda! Acho que nem Freud explica...

Depois do ápice do sofrimento, reconstruir o castelo devia ser menos doloroso, mas não é. E o pior é saber que não é porque a gente não deixa ser. Porque a gente não quer que seja. Porque a gente não quer sair dos escombros. Porque a gente no fundo fica alimentando esperanças de que em algum momento seremos salvos heróicamente, então a gente prefere ficar lá no fundo do poço esperando o momento épico acontecer, ao invés de seguir adiante na reconstrução.

A gente não gosta de sofrer, mas a gente não quer parar de sofrer. Porque a gente tem apego àquilo que a gente construiu, mesmo depois que tanto esforço se resumiu a um amontoado de escombros.

No fundo a gente quer acreditar que, por algum passe de mágica ou algo do tipo, em algum momento a gente vai acordar confortavelmente dentro do nosso castelo intacto, certos de que tudo não passou de um pesadelo.

No fundo a gente não quer abrir mão, porque pra gente nenhuma possibilidade de uma nova construção, por mais sólida e rebuscada que seja, é capaz de fazer a gente esquecer cada tijolinho empenhado naquilo que jamais devia ter ruído.

Há quem diga que isso é amor, e se for... POHANNN... Que merda que é o Amor, heim!

Serve apenas pra fazer a gente ser incongruente. E não sair nunca mais do lugar.

Doa-se um coração! Quero mais ter esse negócio que só me faz mal não!

Posso perfeitamente viver só com o cérebro, e inclusive ensiná-lo a suprir a função do coração de maneira mais inteligente e menos estúpida.

Seria muito mais legal viver!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Falou e Disse! [5]

"Eu me casaria de novo se encontrasse um homem que tivesse uns US$ 15 milhões, dividisse metade comigo e me desse a garantia de que estaria morto em um ano."

(Bette Davis)

sábado, 5 de novembro de 2011

Não!

O psicanalista provavelmente teria alguma explicação freudiana para o fato de eu ser uma pessoa que tem necessidade de dizer sempre SIM, mas acho que nem é preciso ir tão fundo.

De maneira extremamente simplista (e óbvia), ouso concluir que todos os meus SIMs decorrem de uma necessidade evidente de ser legal, de ser aceita, de ser querida. Necessidade típica de quem já sofreu (e ainda sofre, ou acha que sofre) muita rejeição, e que por isso precisa se esforçar mais que os outros pra se encaixar.

Assim construí minha vida, minha história, o que sou. E fui me encaixando, sendo aceita, sendo querida. Escolhi o caminho mais fácil, que é também um caminho covarde. E não, não me orgulho disso.

Acontece que de uns tempos pra cá tenho me esforçado (antes tarde do que nunca!) pra mudar esse padrão patético, não apenas por ter constatado de maneira traumática minha própria covardia, mas também porque acabei descobrindo que nem sempre "se encaixar" é a melhor opção. Raramente é, aliás. Existe muita superficialidade na aceitação decorrente do SIM, e como tudo que é superficial, chega uma hora que fica insustentável.

E então comecei a dizer alguns NÃOs.

Houve no início deste processo (e ainda há) muita dificuldade em cada NÃO, o SIM continua sendo extremamente tentador e resistir é quase impossível, mas estou tentando manter o foco, estou me esforçando, estou resistindo.

Não é uma experiência das mais agradáveis, devo pontuar. Além do medo de ser excluída e rejeitada, há um fator que pesa muito mais e com o qual ainda não aprendi a lidar: A CULPA.

Cada NÃO está diretamente ligado a uma CULPA absurdamente pesada, especialmente por eu saber que poderia muito bem ter dito SIM e facilitado tudo. E culpa é um negócio capaz de transformar a vida num limbo de dúvidas e incertezas, e é inevitável questionar se o NÃO foi mesmo uma escolha inteligente e corajosa, ou se foi apenas uma grande estupidez.

Quanto mais eu penso a respeito, mais dúvidas eu tenho.

Existe, entretanto, uma única e absoluta certeza neste blábláblá todo: Cansei de ser uma pessoa conveniente. Cansei de dançar conforme a música. Cansei de amputar pedaços de mim pra me encaixar em espaços que não me comportam. Cansei de ser aceita em lugares onde no fundo no fundo eu nem queria estar.

Preciso encontrar minhas verdades, mesmo sabendo que morrerei sem tê-las encontrado. Preciso pelo menos fazer esta busca, pra exorcizar tudo aquilo de mim que não tem nada a ver comigo.

O preço é bem alto, e já estou pagando, a duríssimas penas.

E, apesar de uma ou outra recaída (porque eu não sou de ferro), sigo explorando este novo, desconhecido e arriscado caminho da maneira mais honesta que consigo, de mãos dadas com o meu atual melhor amigo:



o NÃO.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Reflexão N. 95643289

Tenho espírito kamikaze.
Só isso justifica o fato de eu me meter nas situações mais difíceis e desafiadoras e pouco prováveis evah.

(por outro lado, eu raramente desisto, então... entre mortos e feridos, tudo indica que sobreviverei... Vamos acompanhar!)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Falou e Disse! [4]

"Quando é que o amor acaba? Se você disse que se encontraria com alguém às 7 horas e chega às 9, e ele ainda não chamou a polícia, o amor acabou mesmo."

(Marlene Dietrich)