domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Leitor (Oscar 2009)

Berlim pós-guerra, meados da década de 50: Michael (interpretado por David kross na juventude e Ralph Fiennes na fase adulta), um adolescente de 15 anos conhece a jovem e misteriosa senhora Hanna Schmitz (Kate Winslet) absolutamente por acaso - passa mal ao voltar pra casa e ela o ajuda, na rua. Diganosticado com escarlatina, o rapaz fica acamado por cerca de 3 meses, mas a imagem da linda mulher que o ajudou não lhe sai da cabeça.

Recuperado, Michael procura a tal mulher para agradecer a ajuda, e após dois ou três encontros "forçados" pelo rapaz eles cedem a seus impulsos e iniciam uma tórrida relação quase que exclusivamente carnal, onde a mulher mais velha inicia a vida sexual do menino inexperiente.

Michael visita Hanna todas as tardes após a aula. Lê para ela trechos de romances que estuda na escola, e essa se torna a "preliminar oficial" do casal. Michael parece apaixonado, o que é de se esperar de um jovenzinho de 15 anos, e Hanna parece não perder aquela dureza que lhe toma desde o olhar até as mais simples atitudes, uma mulher totalmente dura e embrutecida pela vida.

O romance dura apenas um verão, e num dia qualquer, sem qualquer justificativa, Hanna vai embora sem se despedir e Michael nunca mais a vê. Os anos se passam e, já em meados da década de 60, o rapaz está cursando Direito na Universidade. É então convocado pelo professor para assistir um importante julgamento que tem mobilizado a opinião pública alemã - o julgamento de alguns criminosos de guerra acusados de terem trabalhado nos campos de concentração do regime nazista.

E é neste julgamento que Michael reencontra seu passado. Hanna é uma das acusadas, e ele vai descobrindo aos poucos, no curso do julgamento, toda a história imunda do passado repugnante daquela mulher que lhe apresentou à vida adulta anos antes. Sentimentos altamente conflitantes tomam conta de Michael, que parece querer lutar contra os fatos para encontrar uma forma de desacreditar nas acusações que pairam sobre Hanna, e ao mesmo tempo vai constatando que isso é impossível através da história que vem à tona durante o julgamento.

Ainda durante o julgamento, Michael descobre que Hanna guarda outro segredo, e ele percebe que este segredo é para ela muito mais importante do que seu próprio passado sombrio, capaz de fazê-la assumir coisas que não fez apenas para não ter que revelá-lo. Ele cogita interferir para mudar o destino da mulher, mas não tem coragem, e a sentença final traça um triste destino para aquela que até outro dia lhe saciava na cama.

Michael vive atormentado por esta história, muito mais pelo fato de saber uma parte da verdade que Hanna ocultou do mundo e que interferiu tanto em sua condenação, e não encontra paz de espírito até o dia em que, relembrando os tempos de romance quando lia para ela, decide gravar fitas com a leitura de livros e enviar para ela na cadeia.

As caixas de fitas chegam sem identificação, mas à primeira fala Hanna já identifica o autor do presente. Isso torna-se seu estilo de vida, e é através destas fitas e dos livros a que tem acesso que ela acaba conquistando seu maior tesouro dentro da prisão.

Não há muito mais o que falar sobre O Leitor sem revelar o seu mistério. O que posso dizer é que este é um filme que me surpreendeu bastante - positivamente. Eu não esperava tanto.

Quando digo que o páreo da disputa pelo Oscar está duríssimo este ano, por favor, acreditem em mim! Estou completamente dividida.

A questão crucial em O Leitor é que o filme provoca sentimentos tão conflitantes que eu mesma fiquei meio desnorteada depois. Porque odiamos os nazistas, sempre. Odiamos o que houve na segunda guerra mundial, odiamos saber que existiu o Holocausto e odiamos imaginar que pessoas normais possam ter cometido todas aquelas crueldades.

E aí o filme nos coloca diante de uma mulher áspera, grosseira, esquisita, uma mulher que demonstra claramente carregar uma amargura muito grande na vida, que deixa latente sua falta de doçura e ao mesmo tempo, nos sensibiliza com seu amor pelos romances e pelos livros, e pela vergonha que carrega dentro de si guardada a 7 chaves. Esta mulher, nazista e criminosa de guerra é condenada a pagar pelo que fez, e desperta no espectador - pelo menos despertou em mim - um desconhecido sentimento de piedade e compaixão.

Uma história muito perturbadora, e Kate Winslet arrebenta na interpretação. Impressionante o talento dessa lindíssima atriz. Impressionante a capacidade que ela tem de construir personagens assim, com tanta densidade e com tanta verdade. Acabei de assistir também Revolucionary Road com ela, e fico impressionada com os extremos a que Kate é capaz de chegar. E linda, sempre, sempre, sempre.

O papel de Hanna Schmitz seria originalmente de Nicole Kidman, mas ela não pode aceitá-lo por conta da gravideza. Penso que isso foi o que de melhor poderia ter acontecido à produção, porque mesmo conhecendo o talento e a competência de Nicole, não consigo imaginar uma Hanna que não fosse vivida Kate Winslet.

Ela está fantástica no papel, perfeita, mereceu o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante que ganhou por este filme e está forte na disputa pelo Oscar de Melhor Atriz, embora estejam dizendo que o fato de ela ter sido indicada na categoria principal e não como coadjuvante possa lhe prejudicar. Eu não acho, até porque tudo que Kate não é em O Leitor é coadjuvante. Ela "carrega" o filme com sua competência, e merece ter seu trabalho brilhante reconhecido com o prêmio.

O roteiro - adaptado do best-seller internacional "O Leitor" de Bernhard Schlink, é caprichado e amarra todas as situações sem deixar aparas, mas comete uma grande falha ao deixar de explorar um debate importantíssimo que o filme abre num determinado momento:

Por quê condenar meia dúzia de criminosos de guerra se o Nazismo ocorreu abertamente, se tantas pessoas sabiam do que acontecia e ningúem fez nada para mudar a história na época? Os cúmplices da tragédia seriam menos responsáveis do que seus executores? Como o mundo pode deixar que algo tão absurdo acontecesse sem tomar uma medida para evitar? Não seriam todos culpados, afinal?

Eu mesma, toda vez que leio um livro ou vejo um filme sobre o Holocausto me faço esta pergunta. Me pergunto como o Mundo pode deixar aquilo acontecer sem fazer nada, como foi possível que tantos judeus fossem exterminados aos olhos de um mundo que cegou diante da guerra, e como todas estas pessoas são igualmente responsáveis pela tragédia.

O Leitor levanta este debate num determinado momento, mas acaba por deixá-lo de lado e isso foi uma falha significativa, porque foi-se uma grande oportunidade de abrir uma discussão ainda mais complexa.

Esta falha não chega a comprometer o resultado, até porque o filme já aborda questões complexas demais. Eu amei o filme, e ainda estou meio passada com toda essa história, com todas as suas contradições e com as consequências duríssimas que marcaram definitivamente a vida dos envolvidos.

Acho que praticamente não tem chances de levar o Oscar - nem de melhor filme, nem de melhor diretor, e provavelmente as maiores chances do filme na premiação estejam nas mãos de Kate Winslet, que merece muito levar a estatueta pra casa desta vez. A disputa está duríssima porque há no páreo Meryl Streep num papel arrasador em Dúvida (resenha em breve), e na verdade todas as indicadas possuem chances reais de faturar neste ano, mas vou torcer muito por Kate, há anos injustiçada no prêmio.

Por ser um belo filme, por conter uma linda história de amor, por ter Kate Winslet linda e arrasando e por ser uma outra visão (muito perturbadora) sobre o nazismo, é que O Leitor é um filme obrigatório para quem gosta do bom cinema, e você deve assiti-lo assim que puder!


INDICAÇÕES AO OSCAR 2009:


Melhor Filme;
Melhor Diretor - Sthephen Daldry;
Melhor Atriz - Kate Winslet;
Melhor Roteiro Adaptado;
Melhor Fotografia.

Milk - A voz da Igualdade (Oscar 2009)

Porque é possível mudar o mundo, e algumas pessoas vão lá e mostram como.

Não faz muito tempo, escrevi aqui no Blog sobre a minha indignação com a postura conservadora de muitos políticos e uma parte considerável da sociedade que se posicionava contra a criminalização da homofobia. Minha vontade real era (é) sair às ruas protestando contra este absurdo, gritar aos quatro cantos o que eu penso sobre pessoas preconceituosas e deixar bastante claro o meu ideal de igualdade.

Obviamente minha vontade de protestar ficou (bem) limitada a um texto meia-boca aqui neste espaço, porque ir além é algo que requer dentre outras coisas coragem e determinação, e isso poucas pessoas têm de verdade. Uma pena, porque são estas qualidades que tornam qualquer mortal capaz de mudar o mundo, e a cinebiografia Milk - A Voz da Igualdade nos traz um destes retratos magníficos que marcou história e transformou vidas.

Harvey Milk (o magnífico Sean Penn) migrou para São Francisco numa época em que aquele parecia ser o lugar mais tolerante dos EUA para pessoas que, como ele, tinham uma opção sexual diferente da "padrão". E ser mais tolerante não necessariamente significa que sua opção sexual fosse livremente aceita, mas foi ali que encontrou o caminho aparentemente menos espinhoso para iniciar sua jornada, sendo que nem ele mesmo seria capaz de imaginar onde conseguiria chegar.

No início da década de 70, aos 40 anos, Milk queixava-se de não ter feito nada do que pudesse se orgulhar na vida, e num momento "virada de mesa" resolveu abrir um negócio no comércio local, que logo tornou-se uma referência para o público gay e movimentou bastante a economia da cidade.

Claro que a maioria conservadora não aprovou aquela "novidade", e não foram raros os episódios de abuso policial e de homosexuais agredidos imotivadamente, tudo em nome da moral e dos bons costumes.

Cansado de ser constantemente acuado e ver os amigos violentados por uma sociedade preconceituosa, e ciente do poder que possuía por conta de seus carisma e tino natural para a política, Harvey acabou por ingressar nesta carreira, construindo uma trajetória que, após muitas derrotas, acabou por coroada com sua eleição para um cargo legislativo em São Francisco, tornando-se o primeiro homem assumidamente gay a ocupar tal posição.

Uma trajetória que marcou a história americana principalmente por ter começado a construir um olhar diferente para os gays. E que angariou importantes conquistas à causa.

Harvey Milk foi assassinado por um adversário político em 1978, mas deixou seu legado aos colegas igualmente comprometidos com os ideais de igualdade, e frutos deste trabalho são colhidos aos poucos, até hoje.

Eis mais um forte concorrente ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Provavelmente com menores chances que os favoritos Slumdog Millionaire e Benjamim Button, mas igualmente valioso, e se der uma "zebra" e a estatueta for para Milk, não haverá nenhuma injustiça!

Encontramos aqui um Gus Van Sant diferente daquele ousado diretor de filmes marcantes como Gênio Indomável e Paranoid Park (este último que eu assisti há pouquíssimo tempo). Aqui ele apresenta um trabalho um pouco mais tradicional, talvez porque tenha entregue ao seu protagonista a tarefa de surpreender, e Milk o faz muito bem.

Aliás, um dos méritos do filme é segurar bem a onda e não se deixar cair no lugar-comum de transformar Harvey Mlk em um santo, coisa que ele também não era. Apesar de ser uma abordagem mais superficial, várias fraquezas do protagonista são mostradas ou insinuadas aqui e ali, e isso só o aproxima ainda mais do público, tornando esta uma cinebiografia digna e respeitável.

Harvey Milk conhece aquele que foi provavelmente seu mais intenso amor - Scott (James Franco) de uma maneira totalmente casual e ousada. Logo numa sequência inicial do filme percebemos sua dificuldade de lidar com os sentimentos e com a solidão, e esta questão reaparece num outro momento, quando ele rapidamente substitui o posto do ex-amor por um novo amor. Um ser humano normal que tem suas fraquezas e, apesar da grandiosidade enquanto figura pública, era apenas um coração em busca de amor e aceitação na sua vida pessoal.

O roteiro é muito bem elaborado e mantém um ritmo bem interessante. Cenas de ficção são mescladas com cenas reais das épocas de campanha de Milk, e em determinados momentos é quase impossível diferenciar o que é real do que não é.

Sean Penn é um dos grandes atores de sua geração. Já provou isso muitas vezes, vivendo muitos personagens marcantes de todos os estilos em todo tipo de filme. Imagino que isso seja ruim para o ator, porque vai lhe tirando o fator surpresa filme após filme (a gente já meio que sabe o que esperar), mas neste Sean teve a vantagem da semelhança física com o Harvey Milk real (comprovamos isso com as várias cenas reais inseridas no filme e especialmente no final), e construiu brilhantemente o personagem sem cair no estereótipo fácil, dosando do jeito certo o estilo semi-afetado do protagonista

Aliás, justiça seja feita, o destaque nem fica só para Sean Penn. Todo o elenco é responsável por este resultado quase documental, há muita entrega por cada um dos atores envolvidos e isso fica muito claro, e torna o filme ainda mais saboroso de se assistir, porque cada gota de dedicação dos envolvidos transparece na delicadeza das cenas mais singelas até a fúria das cenas mais acaloradas.

Um filme apaixonante, uma história admirável, um legado incrível deixado por um ousado rapaz de meia-idade que teve sua vida brutalmente interrompida aos 48 anos, no auge de sua tão almejada carreira política. Até nisso há poesia, se formos ver direito... Porque o fato de Milk ter sido assassinado nas condições em que foi de certa forma mexeu ainda mais com os ativistas da causa, e talvez isso tudo - emblemático demais - seja o combustível de muita gente até hoje.

Antes de concluir, só mais uma curiosidade: Eu, particularmente, não sabia, mas a Parada Gay (que acontece em muitas cidades aqui no Brasil todos os anos) teve sua origem justamente lá em São Francisco, na época da militância de Harvey Milk.

Mais um filme na lista dos IMPERDÍVEIS. Não deixe de conferir!

INDICAÇÕES AO OSCAR 2009:.

Melhor Filme;
Melhor Diretor - Gus Van Sant;
Melhor Ator - Sean Penn;
Melhor Ator Coadjuvante - Josh Brolin;
Melhor Roteiro Original;
Melhor Trilha Sonora Original - Danny Elfman;
Melhor Figurino;
Melhor Edição.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Quem que ser um Milionário? (Oscar 2009)

Quem quer ser um Milionário???

Esta frase, proferida numa das sequências iniciais do filme e associada à música e aos aplausos que vêm na sequência nos remetem imediatamente ao famoso Show do Milhão que já tivemos em versão tupiniquim há alguns anos. E é mais ou menos por aí mesmo.

Só que agora o cenário é a Índia. A grande, mística, populosa e desorganizada Índia. E "Who wants to be a Millionaire" é por lá um fenômeno de audiência.

No centro de um luminoso cenário estão 2 pessoas - o famoso apresentador do programa e o ousado rapaz que está prestes a responder a última pergunta e ganhar 20 milhões de rúpias. Mas uma sirene avisa que o tempo do programa acabou, e o suspense é transferido para a noite seguinte, quando o participante deverá voltar para decidir se responde ou não a pergunta milionária.

Na saída do show, no entanto, Jamal Malik (Dev Patel), que tem apenas 18 anos de idade, é aprisionado por 2 investigadores de polícia contratados pelo apresentador do programa para averiguar uma suspeita de fraude, já que parece impossível que alguém nascido e criado nas favelas de Mumbai conseguisse ter conhecimento para - sozinho - responder todas as perguntas corretamente.

Utilizando-se de métodos nada apropriados a polícia interroga Jamal violentamente, e com muito sacrifício o rapaz consegue convencer os policiais a ouvirem sua história de vida e, consequentemente, entender através de cada fato isolado como encontrou a resposta para cada um das perguntas do programa dentro da sua história pessoal. E é para lá que somos levados, através de flash-backs.

Uma história recheada de desgraças e miséria, dor e superação, aventuras e conquistas. Jamal e seu irmão Salim moravam com a família na grande favela dos arredores de Mumbai, até o dia em que ficaram órfãos. A partir daí, crianças entregues à própria sorte, foram sobrevivendo um dia após o outro, cometendo pequenos delitos e sofrendo toda sorte de violência, situação típica de quem vive nas ruas.

O cenário é uma Índia muito menos charmosa do que aquela que atrai os turistas ocidentais, e a forma como a miséria e as feridas daquela sociedade à beira do caos são expostas me fazem lembrar muito - salvadas todas as proporções, logicamente - do nosso "Cidade de Deus".
Também relembrei durante o filme a comovente história da empregada doméstica Bhima, que eu já apresentei aqui no blog quando escrevi sobre o livro "A Distância entre Nós". Este livro me mostrou uma descrição nada turística da Índia, e várias cenas do filme me remeteram às detalhadas descrições da favela onde Bhima morava.

E é nesta Índia injusta, miserável, pobre, suja e lotada (dentre tantos outros adjetivos pouco lisonjeiros) que Jamal e seu irmão vivem aventuras dignas dos melhores livros do gênero, crescem e aprendem lições preciosas, sofrem perdas irreparáveis e se transformam em adultos cujo caráter reflete basicamente a própria história de cada um deles, quase como se fosse um conto de fadas às avessas. No meio deste caos, surgem amizades marcantes e uma linda história de amor, daquelas de deixar mocinhas suspirando e com lágrimas nos olhos, e acho que é nesta sutileza que encontra-se o principal e maior mérito de Quem quer ser um Milionário, um dos favoritos ao Oscar de melhor filme e direção, dentre outros.

Sem dúvida é uma empreitada espetacular, ousada, corajosa. Danny Boyle é meu favorito ao Oscar de Diretor, e merecidamente já ganhou o Globo de Ouro na categoria. Há que ser muito, muito, mas muuuuuito bom para obter o resultado que vemos em Slumdog Millionaire.

Sucesso no Globo de Ouro e em outras premiações pré-oscar, Quem quer ser um Milionário é meu segundo-favorito. Porque eu o assisti e na mesma hora tive certeza que era o melhor filme do ano, de longe. Mas depois eu vi Benjamin Button (escreverei sobre ele em breve) e fiquei dividida, então eu tenho 2 favoritos, e pronto!

Acabo tendendo a torcer um tiquinho mais por este aqui porque estamos comparando Davi e Golias, e considerando-se os recuros de cada uma das produções, talvez eu decidisse finalmente dar o Oscar a Slumdog Millionaire por somar ainda mais este mérito: Ser excelente e um sucesso sem tantos investimentos ou grandes astros de Hollywood como atrativo.

Outro destaque é a trilha sonora, a cereja do bolo, por assim dizer. No final do filme, inclusive, há uma sequência de dança deliciosa e divertidíssima, que deixa qualquer um com vontade de sair dançando por aí, imaginando que a vida pode e deve ser bela, que o amor existe e que tudo nesta vida é possível. TUDO.

Eis um filme imperdível. Confira!


INDICAÇÕES AO OSCAR 2009:

Melhor Filme;
Melhor Direção - Danny Boyle;
Melhor Roteiro Adaptado;
Melhor Fotografia;
Melhor Montagem;
Melhor Trilha Sonora Original;
Melhor Canção - Jay Ho;
Melhor Canção - O Saya;
Melhor Edição de Som;
Melhor Mixagem de Som.

A Troca (Oscar 2009)

Baseado em fatos reais, A Troca conta a dolorosa história de Christine Collins (Angelina Jolie), uma mãe solteira que trabalha no serviço telefônico de Los Angeles em meados da década de 20.

Procurando dar o melhor possível a seu único filho Walter, Christine trabalha há anos na mesma companhia telefônica local, e faz a linha "funcionária padrão", daquelas que quase nunca dizem não a uma solicitação extraordinária. E foi numa destas ocasiões que precisou deixar o Walter sozinho em casa, enquanto passava mais um dia trabalhando em jornada extra. Ao voltar pra casa, no entanto, Christine não encontrou o filho como de costume, e iniciou sua dramática jornada em busca do paradeiro do menino.

Após 5 meses de investigações e buscas, a polícia finalmente alega ter encontrado Walter. Aproveitando-se da situação para ganhar alguma publicidade positiva, já que enfrentava uma das piores crises de sua história, a Polícia de L.A. arma um verdadeiro circo para promover o "encontro" entre mãe e filho, usando a história para tentar manipular a opinião pública e da mídia.

Entretanto, na mesma hora em que cruza seu olhar com o do garoto apresentado Christine percebe que não é seu filho e tenta esclarecer a confusão, mas é impedida porque a Corporação parece bem determinada em provar o contrário e manter a publicidade positiva a qualquer custo.

Este é o ponto de partida para a jornada de Christine Collins em busca da verdade e de sua esperança inesgotável de encontrar o filho verdadeiro. Ela é colocada à prova a todo momento, contestada e acuada pelas autoridades que valem-se de sua condição de mãe solteira para humilhá-la, e chega a ser submetida a um tratamento psiquiátrico forçado por supostamente ter renegado o próprio filho.

A sucessão de barbaridades que se segue é assustadora e revoltante, e num determinado momento parece que aquela frágil figura de uma esquálida Christine não vai suportar. Mas suas força de mãe é muito maior do que se pode supor, e é daí que ela tira seus últimos fiapos de energia para encontrar a verdade definitiva, apesar de tanta dor.

A Troca é uma história triste, chocante e profundamente comovente, de fazer chorar (e muito). E obviamente para quem é mãe (como eu), o apelo sentimental é ainda maior. Não há como supor nem por aproximação o tamanho da dor de uma mãe que tem um filho sequestrado, que perde um filho sem saber efetivamente o que aconteceu. Da mesma forma, não há como dimensionar a capacidade de superação de uma mãe quando o que está em jogo é a segurança de seu filho. E é exatamente isso que o filme retrata.

Outros acontecimentos paralelos surgem no contexto, como a grave crise institucional da Polícia de L.A., altamente corruptível e desacreditada, e o drama vivido por outras famílias que também perderam seus filhos misteriosamente. Mas o foco acaba ficando quase que exclusivamente na luta de Christine Collins, e o filme acaba virando um presente para Angelina Jolie que, competentemente e aproveitando-se muito bem da oportunidade, foi lá e buscou sua merecidíssima indicação ao Oscar de melhor atriz.

Sobre a atuação de Angie, aliás, preciso dizer que tenho sentimentos contraditórios. Ao mesmo tempo em que reconheço o capricho de sua atuação inspirada, fico com um pézinho levemente atrás por ver La Jolie num papel que remete tanto à atriz enquanto pessoa.

O que estou querendo dizer? Bem, preciso confessar que em vários momentos do filme me vinha à cabeça a imagem de Angelina e seus muitos filhos, até porque esse lado mãe da atriz foi muito explorado pela mídia - e por ela mesma - nos últimos anos, de modo que às vezes o papel no filme e o momento pessoal da atriz pareciam uma coincidência forçada demais, sei lá... Isso me incomodou um pouco, assim como me incomodou (e chocou) a excessiva magreza da atriz (que chega a parecer anoréxica).

Não sei se foi uma exigência do papel, mas o fato é que a magreza foi inclusive explorada por muitos ângulos da câmera, e em alguns momentos Angelina parece apenas um cabide ambulante com roupas acomodadas por cima. Considerando-se o estilo de roupas que as mulheres usavam na década de 20, e associando esse figurino ao chapéu que Christine Collins não tira da cabeça, temos no filme uma Angelina Jolie muito diferente daquela que nos acostumamos a ver em outros tantos filmes.

Particularmente, acho Angelina Jolie simplesmente espetacular. Se ela não é "A" mais linda é certamente UMA DAS 5 mulheres mais lindas do mundo na atualidade. Mas essa magreza exagerada tirou muito do seu brilho, deixou-a muito mais velha e com aparência nada saudável, e espero sinceramente que ela recupere a boa forma logo, até porque ela tem um monte de filhos pra criar e nem vai dar conta de carregar nenum deles com aquele corpinho franzino.

A indicação ao Oscar foi merecida, sem dúvida, e digo isso conscientemente porque já vi quase todas as outras indicadas. É bem difícil analisar e comparar atuações tão diversas como as das indicadas deste ano, e avaliar esta atuação de Angelina Jolie, especificamente, é ainda mais difícil, já que estamos falando de uma atuação forte mas contida, muito contida. Completamente diferente de seu outro papel de destaque, que inclusive lhe rendeu o Oscar de Atriz Coadjuvante há alguns anos, por Garota, Interrompida!

Se ela leva a estatueta? Não sei... Particularmente acho e espero que não, tenho outra favorita que revelarei na resenha do respectivo filme. Lá no fundinho, na verdade, eu adoraria ver o casal 20 de Hollywood subir ao palco e levar pra casa cada um seu respectivo Oscar. Angie e Brad ganhando Oscar no mesmo ano seria histórico, sem dúvida, e não seria nenhuma injustiça. Mas eu duvido que isso aconteça. Este ano, na verdade, ele tem mais chances do que ela, então vamos aguardar para ver... Dia 22 tá aí, façam suas apostas!

Para finalizar, preciso dizer que fiquei meio chocada quando vi que a direção do filme é de Clint Eastwood. Porque não tem muito a ver com o estilo dele, se é que vocês me entendem. Como eu fui ao cinema para ver outro filme e acabei vendo A Troca meio por acaso, não tinha nem prestado atenção no nome do diretor, e quando vi nos créditos finais fiquei meio incrédula.

O filme é bom, e apenas bom. Acho que poderia ser ótimo se o roteiro tivesse uma linha um pouco diferente. Podia ser um filme mais curto (são 2h20!), podia ter um pouco mais de surpresas ou momentos de reviravolta, e fatos paralelos poderiam ter sido explorados como importantes trunfos para manter o ritmo do filme. Esta falha do roteiro compromete inclusive a direção de Eastwood - monótona demais, e talvez por isso mesmo eu tenha me surpreendido tanto, neste caso negativamente.

Vale ver pela história, pelo capricho técnico e visual que inclusive renderam ao longa outras indicações ao Oscar, por ser um filme bom e, claro, por Angelina Jolie.

Confira, e depois me conte o que achou!


INDICAÇÕES AO OSCAR 2009:

Atriz - Angelina Jolie
Direção de Arte
Fotografia

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Fúria Tepeemística

Então, né.

A pessoa é o que é, e faz tudo que pode nessa vida pra manter a crasse até nas situações mais adversas.

Mas só que a pessoa faz parte da maioria da população mundial, sabe qual é? Aquele grupinho que todo-mês-sangra. Sacou? Então.

E a maioria daquelas pessoas que todo-mês-sangram não só sangram como são submetidas à tortura da dor no fatídico período (malditas cólicas!), e à tortura da tensão pré durante vários dias que antecedem o período negro (ops! vermelho), de modos que a estas pessoas o tempo de vida útil é violentamente reduzido em relação ao tempo de vida útil do outro espécime da raça - aquele que não-sangra.

Mas então, voltemos à pessoa. A pessoa que, nascida bem longe de um berço de ouro, mora mal. É. Mora mal. Lugar ruim, prédio ruim, aquela coisa. Mas é o lar da pessoa, e é o que ela tem para o momento, então a pessoa faz tudo nessa vida pra ser feliz apesar de seus muitos pesares.

Há pouco tempo, no entanto, muita coisa mudou na rua onde a pessoa mora. Porque é uma ruela minúscula onde até então existiam apenas os prédinhos meia-boca de 4 andares e mais uma meia-dúzia da casas velhas sem movimento. Até então.

Porque na cidade que só cresce pra cima constroem-se prédios até onde não cabe, e o fato é que por algum milagre da engenharia 2 torres gigantes de 16 andares ergueram-se ao lado dos prédinhos onde a pessoa mora, da noite para o dia. É. Um belo dia a pessoa acordou e quando olhou pela janela haviam trocentas janelinhas ao fundo, onde antes ela avistava apenas aquela paisagem feiosa de um bairro suburbano de casebres.

E a ruela onde a pessoa mora, obviamente, não tem estrutura para os novos moradores. Imaginem vocês, os postes que transmitiam eletricidade aos prédinhos meia-boca e à meia-dúzia de casinhas mal acabadas não dariam conta de fornecer energia elétrica para o condomínio gigantesco onde vão morar, sei lá, trocentas famílias? Os cabos telefõnicos também não aguentariam, nem a tubulação de esgoto (já imaginou o cano por onde passam os dejetos de 100 pessoas de repente terem que comportar os dejetos de 1000 pessoas? então!).

E depois de toda essa explicação inicial, o que eu queria mesmo contar é que a rua onde a pessoa mora virou um inferno (como se o fato de o lugar ser ruim já não fosse ruim o bastante). Porque, né? É uma ruela que mal comportava o trânsito das carroças velhas dos antigos moradores, e de repente tem que comportar o trânsito lá dos trocentos novos moradores do condomíno de luxo. Nem tem espaço pra circular tantos carros, muito menos para estacioná-los. Considerando-se que a pessoa mora num local onde a noção de civilidade das pessoas é praticamente nula, pode-se dizer que a rua onde a pessoa mora está em "estado de sítio". Impossível chegar e impossível sair.

Mas isso não é tudo, porque as companhias de energia elétrica, de telefonia e de águas e esgotos precisaram tomar providências pra dar vazão aos novos moradores, e foi um tal de buraco pra cá, buraco pra lá, passa cano não sei por onde, passa fio acolá, troca poste, corta e energia pra refazer a infraestrutura, e blablabla. Caos. Caos. Caos.

Os velhos moradores dos prédinhos meia-boca (incluindo-se aí a pessoa) e os velhos moradores das casinhas mal acabadas tiveram que pagar o preço do conforto dos novos moradores do condomínio de luxo com piscina e quadra poliesportiva. Mas tudo bem, a pessoa nem quer ficar reclamando muito disso porque senão as outras pessoas vão acabar dizendo que é despeito por não morar no condomínio de luxo e sim no prédinho meia... ah, vocês entenderam!

Mas aí, né, vamos associar uma coisa à outra. A pessoa tava na TPM e, acreditem, nem era uma simples Tensão Pré-Menstrual. Na verdade a pessoa estava mais como Treinada Para Matar, sabe? Daquele jeito. É, aquele extremo, aquele perigoso que inclusive pode ser atenuante de pena se uma mulher comprovar que cometeu o crime no tal estado, porque a tensão é forte, colega, e até a ciência tem medo de discordar disso.

E daí o caos na rua. Os carros da Sabesp, Eletropaulo, Telefônica e o Diabo tudo furando o que sobrava dos asfalto, onde um furava o outro queria tampar, coisa de doido. E a pessoa ia sair pra levar o filho no colégio, né?

E como a vida da pessoa é muuuuuuuuuuuito corrida, a pessoa faz tudo de forma cronometrada, tipo quartel. Tudo calculadinho para não sobrar nem faltar tempo, mais ou menos assim:

1 minuto pra descer as escadas
+
1 minuto pra entrar no carro
+
1 minuto pra sair da garagem
+
16 minutos de percurso até o colégio
=
20 minutos de antecedência pra sair de casa (com o luxo de ter ainda 1 minuto de "sobra" nesta conta).

Então a pessoa sai de casa 12h40, né? Porque o filho entra no colégio às 13h00. E isso sempre funcionou e sempre deu certo em mais de 2 anos, antes que alguém diga o contrário.

E no dia X a pessoa, seguindo sua rotina, sai de casa, correndo como sempre. Entra no carro, liga o carro, manobra o carro, aperta o botão do controle pra abrir o portão da garagem e... Depara-se com um caminhão betoneira parado bem em frente à saída do seu prédinho meia-boca, despejando concreto ou seja lá o que fosse aquilo numa vala gigante que alguém tinha aberto dias antes.

Tipo assim, o caminhão estava OBSTRUINDO a saída de qualquer pessoa porque estava exatamente em frente ao portão.

Então a pessoa, né, já naquele estado, dá um bip-bip de leve na buzina do seu carro, coloca a cabeça pra fora e pede para um dos operários que estavam do lado de fora do caminhão mexendo lá no concreto:

'_ Moço, pode me dar licença por favor?"

Havia ali uma meia dúzia de homens uniformizados mas a pessoa nem lembra de qual Compania eles eram, não tinha tempo pra reparar no logotipo do uniforme. A pessoa não entendeu muito bem o que todos eles estavam fazendo porque um segurava um negócio lá grudado no caminhão, outro fuçava no concreto com uma pá, os outros olhavam, enfim.

Neste momento todos os operários em questão levantam a cabeça e olham pra pessoa com cara de desdém, e um deles diz:

"_ Ih, madame, pode esperar que o negócio aqui vai demorar um bocado ainda!"

A pessoa, né, já se contorcendo porque seu único minutinho de folga estava prestes a se esgotar e aí sim ela estaria oficialmente atrasada, sem acreditar muito no que ouviu pediu novamente:

"_ Ai, moço, vocês podem me dar licença - e LOGO - porque eu preciso sair AGORA?"

E na segunda vez alguns dos operários até riram levemente, e o mesmo desaforado que falou da primeira vez repetiu:

"_ Ah, madame, a senhora vai ter que esperar porque nós não podemos parar o que estamos fazendo aqui não!".

Aquelas 2 palavras - "VAI TER" - funcionaram como uma chicotada para a pessoa. Vai ter. Como assim "vai ter"? Como alguém ousa dizer o que a pessoa vai ter que fazer num dia normal, quiçá quando a pessoa está no auge da pior TPM de sua vida?

Ah... grande erro... grande erro...

Dessa vez a pessoa desceu do carro, chegou bem perto dos operários e disse, num tom de voz já bem enérgico:

"_ Eu vou pedir com educação mais 1 vez. Saiam da minha frente por favor, que eu tenho mais o que fazer e vocês estão obstruindo a saída do meu prédio! Eu preciso sair agora, me dêem licença por favor antes que a coisa fique feia!"

A pessoa não sabe direito o que foi, mas da meia dúzia de operários uns 4 pelo menos recuaram depois que ela deu este últimato. Talvez fosse a sua fisionomia, porque dizem que uma mulher no auge da TPM por incorporar as feições do Capeta, e talvez isso tenha assustado alguns dos moços. Esses que se amedrontaram um pouco começaram a contemporizar que talvez fosse melhor o caminhão dar uma descidinha para liberar a saída, e depois voltar de ré.

Mas tinha uns 2 mais abusadinhos que apenas disseram para os colegas, num tom alto suficiente paItálicora que a pessoa - já de volta dentro do carro - escutasse:

"_ Ah, Zé, relaxa! Vamo fazê aqui o nosso, a madame que espere, nem deve ter nada importante pra fazer mesmo, essas madames desocupadas! Nós é que temos aqui que cumprir nosso horário pra terminar o silviço logo."

O que se sucedeu depois que a pessoa escutou aquela frase imbecil não é totalmente publicável, porque, né? A pessoa faz tudo que pode nessa vida pra manter a crasse, como disse no começo do post, mas tinha a pior TPM ever, né?

Só sei que a pessoa chegou a pegar um bastão que carrega no carro pra lutar com algum ninja que apareça na sua frente e chacoalhou o tal bastão na frente dos operários, já bem longe do diálogo sensato, gritando impropérios e fazendo ameaças que são - repito - impublicáveis.

A princípio os homens riram discretamente da atitude da pessoa enlouquecida, mas em poucos segundos perceberam a seriedade da situação e recuaram, e finalmente foram conversar com o motorista do caminhão sobre a possibilidade de sair da frente daquela louca.

A louca, por sua vez, entrou no carro e começou a buzinar, buzinar, buzinar, buzinar... entre uma buzina e outra gritava para sairem logo da sua frente, e continuava a buzinar, buzinar e buzinar. Os vizinhos começaram a aparecer nas janelas, tanto nos prédinhos meia-boca como nos prédios chiques vizinhos.

"_ A culpa é de vocês!", gritou a pessoa olhando na direção daquela infinidade de janelinhas do prédião vizinho, mas acho que a essa altura ninguém entendeu o que ela disse porque, né, a situação estava um tanto quanto tumultuada com outros barulhos.

Cerca de 5 minutos depois de começada a confusão, finalmente o caminhão saiu da frente, e a pessoa saiu como um furacão. Sua vontade real era fazer um strike de operários, pegando em cheio o grupinho de meia-dúzia que segundos antes ria da sua cara.

Graças a Deus um fiapo de responsabilidade jurídica persistiu e a pessoa, embora tenha passado voando e bem perto dos homens (o suficiente para assustá-los e fazê-los molhar as calças), não atingiu nenhum deles, nem qualquer outro ser vivo durante todo o dia, o que é, concordemos todos, uma grande vitória.

Foi por pouco. E a TPM, meu povo, não é brincadeira não, viu!

Jamais desafie uma mulher em fúria tepeemística. Jamais! Fica a dica.


Ah, sim, como nem tudo nessa vida é desgraça, apesar do contratempo dos homens e do portão obstruído, a pessoa conseguiu chegar no colégio do filho com apenas 1 minuto de atraso. Como? Bem... se chegar alguma multa por excesso de velocidade nos próximos dias, então saberemos. E desde que a multa não chegue bem durante a TPM, estará tudo (quase) certo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Grammy 2009

Festa... Adoro festa, até mesmo quando não é para o meu bico... Aliás essas são as minhas preferidas, e sempre fico babando na frente da TV horas a fio diante de tanto glamour...

Apesar de a minha praia ser mais cinema (não perco o Oscar e o Globo de Ouro por nada nesse mundo), também gosto muito de ver as premiações musicais, e ontem à noite aconteceu lá em Los Angeles a cerimônia de entrega do Grammy 2009, que foi transmitida (sem tradução simultânea - protestos!) pelo Canal Sony.

Como sempre embasbacada pelo luxo e pelo visual arrasador (ou horrendo) das celebridades, assisti a transmissão quase toda (e como é longa!), e posso dizer que isso não é uma tarefa exatamente fácil, porque a diversidade musical abrangida pela premiação nos obriga a assistir performances de doer, mas... todo mundo deve merecer seu lugar ao Sol, afinal....

De qualquer forma, muita coisa bacana rolou por lá, e vou fazer aqui minha lista particular de destaques:


1. Valeu muito à pena aguentar horas e horas de Hip-Hop e afins (porque eles gostam tanto disso, meodeos?) para depois ser brindada com uma apresentação live da música que me dá vontade de voar 2 (a música que me dá vontade de voar 1 também é do Coldplay e eu até já postei aqui no blog):

Viva la Vida - Coldplay, que recebeu o prêmio de Canção do Ano.

(para ver e ouvir, clique aqui)


2. Valeu muito à pena aguentar musiquinhas chatas e uns apresentadores que eu nunca vi na vida fazendo piadas que não pareciam ter o menor sentido porque a Rainha sempre voltava exuberante, linda, divertida como sempre e com aquele figurino que me mata de inveja:

Queen Latifah faz jus a seu nome e reina soberana, sempre. Assisti uma outra premiação apresentada por ela estes dias (não lembro o nome), e só posso dizer que o stylist dela é tudo de bom... Vestidos lindíssimos completamente adequados ao seu biotipo Farto, que a deixam estonteantemente linda e colocam muuuuuuuuuita magrela no chinelo. (Obs.: Esta foto é de outro evento, porque não encontrei na net a foto do Grammy)


3. Valeu muito à pena aguentar Miley Cyrus (ninguém merece essa Hannah Montana dos infernos!) para depois ser brindada com um live da incrível Adele, que cantou uma de suas mais lindas canções (e olha que o páreo era duro porque o CD da Adele é daqueles que a gente ouve inteirinho sem ter vontade de pular nenhuma música, é maravilhoso!).

Adele e seus 2 merecidíssimos Grammys - Artista Revelação e Performance Vocal Pop Feminina por Chasing Pavements.

(para ver e ouvir, clique aqui)



4. Valeu à pena esperar pacientemente durante os zilhões de intervalos comerciais para depois assistir essa dupla tão improvável quanto incrível, cantando um clássico que embalou gerações, Let´s stay together:

All Green (que está no patamar dos Deuses do R&B) e um dos "deuses" pop da atualidade Justin Timberlake (não que eu goste exatamente da música do Justin, mas algumas coisas são incontestáveis, né? E de um jeito ou de outro ele É um Deus, hehe).

(para ver e ouvir, clique aqui)


5. E valeu à pena aguentar uma barulheira aqui e outra ali pra ouvir finalmente uma black music de responsa, daquelas que não deixa ninguém parado:

Alguém consegue não gostar de American Boy? Taí uma parceria super bem sucedida, que deu para a talentosa Estelle uma merecida visibilidade. Arrasaram, e eu me acabei de dançar na sala!

(para ver e ouvir, clique aqui)


6. Qualquer coisa vale à pena se depois você tiver a oportunidade de ver um Beatle live, em ótima forma:


Ah, Paul McCartney... no words for you! Eu nasci na época errada... certeza!


7. Da mesma forma, sempre vale à pena ver o velho renascer e virar novo, sem perder a qualidade, mostrando que atitude rock´n roll de verdade é romper barreiras, derrubar preconceitos e fazer boa música, sempre:

Robert Plant (e o gritinho de The Immigrant Song me vem sempre à mente) e Alisson Kraus, na grande parceria que faturou 5 prêmios na noite, dentre eles o principal de "álbum do ano". (aliás, ouça "Raising sand" e entenda a razão de tantos prêmios)

(Para ver e ouvir, clique aqui)


8. Finalmente, valeu muito à pena ficar acordada até 02h30 da madrugada (considerando que o dia seguinte seria uma segunda-feira cheia de compromissos), só pra ver um dos meus maiores ídolos cantando lindamente como sempre no encerramento da festa - Ele se apresentou antes do final com o Jonas Brothers (hã? quem?), porque ele é generoso e não tem preconceitos, mas poucas coisas no mundo são tão lindas como ele e o piano, e a música e tudo mais que acontece quando ele toca e canta.

Stevie é tudo de bom. TUDO DE BOM. Amo, Amo, Amo! Tem como não Amar?

(Para ver e ouvir, clique aqui)




E foi isso. Muitos momentos marcantes, outros nem tanto, mas no final das contas a MÚSICA continua sendo um poderoso remédio pra alma, portanto

Let´s The Music Play, baby!

P.S.: Não postei os vídeos originais do Grammy porque não estão disponíveis, ok?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Minha Amada Imortal

"...Meu anjo, meu tudo, meu próprio ser... Por que esta profunda tristeza quando é a necessidade quem fala? Pode consistir nosso amor em outra coisa que em sacrifícios, em exigências de tudo e nada? Esqueceu de que você não é inteiramente minha e de que eu não sou inteiramente seu? Oh, Deus! Contempla a maravilhosa natureza e tranqüiliza seu ânimo na certeza do inevitável. O amor exige tudo e com pleno direito: eu para com você e você para comigo. No entanto, duvida tão facilmente que eu tenho que viver para mim e para você. Se estivéssemos completamente unidos, nem você nem eu estaríamos nos sentindo tão desolados..."

"... Alegre-se, você é o meu mais fiel e único tesouro, meu tudo como eu para você. No mais, que aconteça o que tenha que acontecer e deva acontecer; os deuses saberão o que fazer..."

"... Ah! onde estou, também ali está você comigo. Tudo farei para que possamos viver um ao lado do outro. Que vida!!! Assim, sem você... perseguido pela bondade de algumas pessoas, que não quero receber porque não as mereço... me dói a humildade do homem diante do homem..."

"... Choro ao pensar que provavelmente não receberá minha primeira carta antes de sábado. Tanto como você me ama, muito mais a amo!..."

"... Bom dia! Todavia, na cama se multiplicam meus pensamentos em você, minha amada imortal; tão alegres como tristes, esperando ver se o destino quer ouvir-nos. Viver sozinho me é possível, ou inteiramente com você, ou completamente sem você. Quero ir bem longe até que possa voar para os seus braços e sentir-me num lugar que seja só nosso, podendo enviar minha alma ao reino dos espíritos envolta em você..."

"... Você concordará comigo, tanto mais conhecendo minha fidelidade, e que nunca nenhuma outra possuirá meu coração; nunca, nunca... Oh, Deus! Por que viver separados, quando se ama assim? Minha vida, o mesmo aqui que em Viena: sentindo-me só, angustiado. Você, amor, me tem feito ao mesmo tempo o ser mais feliz e o mais infeliz..."

"... Fique tranqüila. Contemplando com confiança nossa vida alcançaremos nosso objetivo de vivermos juntos. Fique tranqüila, queira-me. Hoje e sempre, quanta ansiedade e quantas lágrimas pensando em você... em você... em você, minha vida... meu tudo! Adeus... queira-me sempre! Não duvide jamais do fiel coração de seu enamorado Ludwig. Eternamente seu, eternamente minha, eternamente nossos."

LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827)


Os trechos acima são fragmentos que eu destaquei da famosa carta encontrada após a morte de Beethoven, que revelou para o mundo a existência de uma Amada Imortal da qual ninguém nunca soube.

Beethoven foi um grande compositor, era um homem de temperamento bastante difícil e teve sua carreira dramaticamente afetada pela surdez, problema que agravou ainda mais sua dificuldade de se relacionar tranquilamente com quem quer que fosse.

Tanto que parecia impossível que alguém como ele fosse capaz de escrever palavras como estas a uma mulher real. Mas foi, e, puxa... Quanta poesia, quanto amor e quanta emoção há nestas palavras!

A história de vida de Ludwig Van Beethoven é espetacular. Há tantas nuances e tantos infortúnios e tanta dificuldade e tanta adversidade que parece impossível que tudo tenha acontecido naturalmente. Parece mais um roteiro de cinema pronto. E dos bons!

Claro que eu, dentro de toda a minha ignorância cultural lastimável, gosto muito de música clássica, desde adolescente, aliás. Claro que eu, dentro de toda a minha ignorância cultural lastimável, gostaria de conhecer mais profundamente a história de personalidades como Beethoven, mas conheço apenas alguns pequenos trechos da história real do Compositor, li alguma coisa anos atrás, e continuo carregando religiosamente no meu carro aquele CDzinho que tem a quinta sinfornia quase completa, que eu ouço em horas extremas - de caos ou de céu.

Mas porque estou falando tudo isso agora? Bem... porque há alguns dias zapeando na TV passei rapidamente pelo canal History Channel e voltei logo em seguida, atraída pelo título do que estava passando:


MINHA AMADA IMORTAL - o filme.

Estava no comecinho e - que bom! Não perdi quase nada.

Assisti esse filme pela primeira vez em 1994, quando foi lançado, na época ainda em VHS. Lembro que fiquei tão extasiada que assisti duas vezes seguidas, e passei pelo menos 1 mês falando a respeito com qualquer um que chegasse perto de mim.

Tudo bem, não é exatamente uma cinebiografia assim tãããão fiel aos fatos reais da vida de Beethoven, mas podemos dizer que pelo menos 90% da história é sim verídica, e os 10% romanceados foram tão bem amarrados que é quase impossível distinguir o real do fictício. Ponto para Bernard Rose, que além de dirigir o longa assina também o roteiro.

Gary Odman simplesmente transforma-se em Beethoven. Tudo bem que nem temos imagens reais de Beethoven pra comparar, eu sei, mas mesmo assim é impressionante. Comecei a gosta do ator, aliás, depois de ver Minha Amada Imortal, e vi muitos outros filmes pra ter certeza de que ele conseguiria desencarnar Beethoven de seu corpo, porque não há outra explicação para sua atuação estupenda no filme. De arrepiar.

O filme começa com a morte de Beethoven. É quando seu fiel amigo Schindler (Jeroen Krabbé), mexendo em suas coisas, encontra a Carta à Amada Imortal. Atordoado por não ter tomado conhecimento de tal mulher apesar de ter passado praticamente a vida inteira secretariando e assessorando Beethoven, Schindler inicia uma investigação com o intuito de realizar o último desejo do Maestro: Encontrar a Amada Imortal, para quem Beethoven deixou todos os seus bens.

É a partir daí que somos levados de volta, através de flash-backs, a momentos marcantes da vida de Ludwig, e os acontecimentos vão sendo cuidadosamente costurados até a revelação do grande segredo.

O filme é belíssimo. A história é belíssima e, mesmo sabendo que até hoje há controvérsias sobre alguns fatos reais, isso nem importa muito. Importa muito mais conhecer um pouco da história de um grande ícone da música clássica, através de um filme muito caprichado, digno de Beethoven.

Embora seja quase todo "carregado" por Gary Oldman - já que sua atuação tão intensa acaba ofuscando qualquer outra, há de se destacar a presença da estonteante Isabela Rosselini, como Anna Marie Erdody - amiga e confidente de Beethoven.

Foi um prêmio encontrar este filme assim, por acaso, num canal de televisão qualquer em plena tarde de domingo. Realmente eu nunca mais o tinha visto, e nem tenho muito o hábito de rever filmes muitas vezes, mas assisti-lo depois de 15 anos teve um outro sabor, e eu não podia deixar de vir aqui recomendar pra vocês!

Procure na locadora mais próxima. MINHA AMADA IMORTAL. Um filme belíssimo, raro, caprichado, emocionante...

IMPERDÍVEL!


Para ler ouvindo

O Menino do Pijama Listrado (O Filme)

Há algum tempo escrevi aqui no Blog sobre "O Menino do Pijama Listrado" - o Livro. Se você não leu ou não se lembra, clique aqui e confira minha "babação" a esta história profundamente emocionante.

E então o livro virou filme, e lá fui eu "sofrer" mais uma vez, chorar rios de lágrimas e sentir emoções avassaladoras.

Não há muito o que escrever sobre a história em si, porque tudo já está dito lá na resenha do livro, e o filme é bem fiel ao livro.

O que posso dizer é que é um belo filme, pra se assistir de coração aberto e, além de toda a avalanche de emoções óbvias, sentir também aquele soco no estômago de vergonha e indignação por um episódio tão horrendo na história da humanidade.

Eu nunca vou me conformar com o Holocausto, por mais que eu leia livros e veja filmes a respeito. Nunca vou conseguir entender como o Mundo permitiu que coisas daquele tipo acontecessem. Nunca vou me sentir 100% digna enquanto pessoa humana por saber que outros iguais a mim foram capazes de atrocidades daquela natureza. Eu lido muito mal com essas histórias e por mais que já saiba o final, sempre sofro e sempre me revolto.

E então a história dos garotinhos Bruno e Shmuel nos apresenta um elemento ainda mais dramático, que é o olhar da inocência infantil sobre aquela situação inexplicável.

Há que se ter o coração forte pra aguentar. Os garotinhos que interpretam Bruno e Shmuel são uns fofos, e é difícil manter o distanciamento lógico da realidade para a ficção com aquela sequência de fatos perigosos se desenrolando diante dos nossos olhos, sem que nada possamos fazer.

Cinematograficamente falando, é um filme "correto". Uma direção até conservadora, eu diria - direção e roteiro de Mark Herman (descobri depois que é o mesmo diretor de Hope Springs, um filme que eu gosto muito) - mas imagino que isso tenha sido proposital, porque a idéia do filme é mesmo contar aquela história do livro, aquela história pronta, que não requer outros artifícios para se tornar cinema.

Entre livro e filme, não sei dizer exatamente qual dos dois é o melhor. Talvez o Livro... é... acho que o livro é sempre melhor, até pela riqueza de detalhes que o filme nem sempre tem tempo de explorar, mas isso não desmerece o filme neste caso específico, pois é bem fiel à história original.

Achei uma pena que o lançamento aqui em São Paulo tenha sido tão modesto. O eterno abismo para o qual são jogados filmes muitas vezes excelentes mas de baixo ou nenhum apelo comercial.

O Menino do Pijama Listrado entrou em cartaz em pouquíssimas salas destinadas a um cinema mais "cult", e ficou pouquíssimos dias em cartaz. Tive que fazer uma ginástica tremenda nos meus horários pra conseguir assistir lá no Cine Bombril numa tarde de quinta-feira, mas valeu à pena.

Talvez você não consiga mais vê-lo nas telonas, mas logo logo deve sair em DVD, e aí sim, não perca a oportunidade!

Muito lindo! Imperdível!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Novena

Através deste post, convoco todos os meus queridos leitores a participarem comigo desta novena...
Uma novena em favor de Nossa Senhora dos Notebooks, para que Ela me conceda a graça de ter de volta a saúde física e mental do meu notebook querido, que há dias encontra-se em estado gravíssimo, agonizando na UTI.
A doença? SEI LÁ. Alguma coisa relacinada à rede, ou ao perfil de usuário, whatever... Como aconteceu? SEI LÁ. De um dia para o outro ele desligou e nunca mais foi o mesmo... Estava funcionando de maneira totalmente capenga, febril, dando um milhão de erros a cada comando, então achei melhor interná-lo antes que a falência de múltiplos órgãos antecipasse sua partida para o céu dos notebooks.
Enquanto isso eu estou aqui, sofrendo... crise de abstinência cibernética é pouco, mas, pior que isso: Como eu trabalho? Heim? Heim?
E as contas, quem paga? heim? heim?
Socorro, viu! S-O-C-O-R-R-O !

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Change? No, We Can´t

Odeio dizer isso, mas neste momento sou uma pessoa corroída pela inveja.

Inveja do povo americano, que vive lá seus dias de euforia por conta de uma possibilidade de mudança efetiva. Ainda que não seja assim, um "salvamento da pátria", o fato é que os americanos conseguiram dar um recado importante nas urnas, e agora têm esperanças renovadas de que as coisas vão melhorar de verdade. E isso provoca uma mobilização real que acaba tendo um poder muito forte de fazer acontecer.

Yes, we can!, bradam os cidadãos americanos, puxados pelo novo (em todos os sentidos) Barak Obama.


Que inveja...


Enquanto isso, na Terra de Santa Cruz / Terra de Vera Cruz / Pindorama / Brasil-sil-sil, temos a empolgantissíssima eleição dos presidentes da Câmara e do Senado Federal.

Michel Temer e José Sarney, meu povo! Vejam só que novidade!


Mudança? NO, WE CAN´T!