quarta-feira, 30 de junho de 2010

Autoajuda barata... Ou, "Desenhando um Outdoor"

Estava recomendando o filme "Into the Wild" (imperdível!) a uma querida amiga esta noite, e ao ver o trailler ela destacou uma frase que a princípio parece piegas, mas que na verdade é da mais pura e simples sabedoria:

"Se você quer alguma coisa na vida, vá até lá e pegue-a".

Eu já vi o filme algumas vezes, está entre os meus preferidos, sempre faço muitas reflexões após assisti-lo, mas talvez justamente pela simplicidade desta citação, nunca me apeguei especificamente a ela. Hoje foi diferente.

Porque, olha, se tem uma coisa que me irrita profundamente nesta vida é passividade das pessoas. É essa mania que as elas tem de querer tudo, mas não fazer nada pra conseguir. É essa inércia coletiva que criou uma sociedade parasita onde as pessoas se preocupam muito mais em questionar / criticar as conquistas alheias do que alcançar suas próprias conquistas, onde as pessoas optam pelo caminho mais cômodo de não correr riscos e não se conformam com os louros das vitórias (ou até mesmo dos fracassos) daqueles que metem as caras e vão à luta.

Não mexer em time que está ganhando é uma atitude conservadora, mas minimamente inteligente. Agora, não mexer em time que só dá bola fora é estupidez, é burrice!

Mas muita gente opta por este caminho, aparentemente mais cômodo, além de lhes municiar do oportuno argumento "eu não estava jogando com um time bom, então não tive chances", ou, trocando em miúdos, "a vida não foi legal comigo".

Derrotismo. Passividade. Covardia. As pessoas não tem coragem de virar o disco, de mudar a trilha, de pegar outro caminho, de testar novas possibilidades. Ficam reféns de seus próprios medos e costumes, e limitam-se a uma vida medíocre, onde nada acontece, porque nenhum risco é assumido.

Essas mesmas pessoas costumam jogar a culpa de todas as suas frustrações nos outros: No Governo, na vontade Divina, na origem pobre, no namorado ou namorada que foi incompreensivo, nos amigos que lhes viraram as costas, nas oportunidades que não tiveram, e por aí vai.

Eu tenho preguiça de gente assim. Porque é esse tipo de gente que vive de cuidar da vida alheia, que vive de apontar os defeitos dos outros e diminuir as conquistas alheias, como forma de minimizar sua própria insignificância.

Gente que se vitimiza, mas não ousa dar a cara a tapa pra tentar virar o jogo. Gente passiva. Gente que passa pela vida sem fazer a menor diferença.

Não se enganem, meus queridos, o mundo está repleto desta espécie, e o que me assusta é perceber que eles multiplicam-se cada vez mais rápido, estão em todas as partes, na vizinhança, na carteira ao lado na faculdade, na mesa ao lado no trabalho, na sua lista de amigos das redes sociais, na sua família.

Viver é uma tarefa cada dia mais ingrata. Estamos cada vez mais expostos, e quanto mais nos destacamos, mais somos alvo da maledicência desta gentinha. Resistir é uma tarefa bem difícil, mas é possível. Há que se neutralizar os zeros à esquerda, dar a eles a importância que merecem - nenhuma - e seguir adiante em busca dos próprios ideais.

Bom Humor, Criatividade, Coragem, Ousadia e Flexibilidade são requisitos essenciais para que uma pessoa seja minimamente interessante, pelo menos pra mim.

E é destas pessoas que quero me cercar. É gente assim que quero perto de mim. Porque de Técnico burro, já nos basta o Dunga!

Sejamos Técnicos inteligentes das nossas próprias vidas, e busquemos aquilo que desejamos com todo o empenho, sem medo de arriscar e sem medo de errar, porque quem não erra não cresce, e eu não vim a este mundo pra ser um ser pequena, vazia, desinteressante!

Não quero o titulo de "certinha", abomino pessoas perfeitinhas, abomino pessoas que seguem regras cegamente e nunca contestam nada, não gosto de gente que simplesmente se conforma, sem sequer cogitar uma alternativa.

Prefiro quebrar a cara mil vezes pra acertar uma, do que nunca quebrar a cara, mas também nunca acertar.

Intensidade. Há que se viver intensamente.

A vida já é difícil o bastante pra gente passar por ela desapercebido. Eu, pelo menos, estou aqui pra fazer a diferença. Pra causar. Pra deixar minha marca. Às vezes (muitas vezes) cometer grandes erros, mas tentar sempre, e me acomodar jamais!

Sei que tudo isso parece autoajuda barata, mas as pessoas cegam para o óbvio, e às vezes a gente precisa desenhar. Desenhar um Outdoor.

Ninguém ganha na megasena se não jogar.

Você pode perder uns trocados apostando. Mas também pode ficar milionário.

É isso.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pausa para uma breve reflexão e alguns agradecimentos

O desespero para viver intensamente meus últimos momentos da velha idade foi tão grande que eu sequer consegui fazer meu habitual balanço pessoal aqui no Blog...

Mas o fato, meus queridos, é que a idade de Cristo já era, e desde o último sábado eu sou uma mulher mais velha, agora com assustadores 34 anos de vida completos...

Ahhhh, implacável tempo!

Não, ainda não cheguei na fase de querer mentir a idade; no fundo no fundo eu me orgulho muito dos meus 34 aninhos, e se vocês querem saber a bem da verdade acho até que estou hoje bem melhor do que há alguns anos... Me esforço, vocês sabem, e às vezes dá certo! Estou linda interna e externamente, me sinto poderosa, inteligente, forte, querida, me sinto capaz de fazer coisas que nunca antes achei que pudesse fazer, me sinto livre...

Claro que tenho meus momentos de caos, quando me sinto "o cocô do cavalo do bandido", mas sou mulher, tenho TPM e hormônios constantemente descontrolados, e se não fosse assim, não seria eu.

Megalomania à parte, decidi não fazer balanço nenhum, porque posso definir tudo o que vivi nos meus últimos 12 meses de vida com uma única palavra: INTENSIDADE.

Nunca fui tão intensa, nunca me senti tão intensa, nunca busquei tanto a intensidade em todas as coisas...

Vivi algumas das situações mais marcantes da minha vida no último ano. Boas e Ruins. Prazerosas e Dolorosas. Divertidas e Tristes. De sucesso e de fracasso. De amor e de ódio.

Sobrevivi... porque, como costumo dizer, "Eu sempre sobrevivo". Por isso mesmo o que realmente importa, agora que mais um ciclo se fechou, é que tudo foi muito intenso, e isso fez a diferença, isso me trouxe as melhores lições e me fez crescer sem envelhecer.

Não, não me sinto velha. Brinco sempre com isso, mas me sinto na verdade muito mais jovem do que há alguns anos, quando a verdadeira mulher que há em mim encontrava-se aprisionada numa vida que nunca foi pra mim, mas que me era conveniente por muitos motivos que não vêm ao caso agora...

É como se eu estivesse me reinventando... É como se eu estivesse me redescobrindo... E poder fazer isso aos 33 anos, com um filho de 9 anos, um casamento encerrado e muita água passada debaixo da ponte é motivo para eu me sentir privilegiada... Porque todo mundo sempre espera que a gente entregue os pontos e apenas deixe o barco correr, mas eu não sou dessas, e se não me sentir totalmente no comando das coisas eu paro tudo e começo de novo, quantas vezes forem necessárias.

Para viver assim paga-se um preço bem alto, e comigo não é diferente. Os holofotes estão cada vez mais direcionados a mim, julgamentos vem de todos os lados e lidar com isso na prática nem sempre é tão fácil como na teoria, mas eu sigo sobrevivendo... Às vezes dói, às vezes desanima, mas eu não sou a Dona Farta à toa, então... Vou à luta, porque agora, mais do que nunca, quero escrever a minha história do meu jeito, no meu ritmo, satisfazendo as minhas vontades, de acordo com as minhas verdades.

E que venham os próximos dias desta nova idade... E que tudo continue intenso, porque é só disso que preciso pra me sentir cada vez mais forte!

= = = = = = = = = = = =

Para celebrar um momento tão importante, e estimulada por algumas das pessoas mais especiais da minha vida, comemorei meu aniversário em grande estilo e vários capitulos durante todo o último final de semana, e não é à toa que ainda hoje, 2 dias depois, eu esteja completamente destruída fisicamente... Foi uma maratona de agito, e o melhor é saber que todo mundo ficou com um gostinho de "quero mais"... Festa boa é assim: Inesquecível!!!

O #DonaFartasDay começou já na 6a. Feira à noite, quando a criatura mais fofa de toda a fofolândia - o queridíssimo Rodrigo Tchaik - chegou de Curitiba especialmente para celebrar comigo. Juntamo-nos às minhas fiéis escudeiras e amigas e irmãs e minhas chatas preferidas Érica e Sissi e nos jogamos nas empanadas argentinas do Patagônia, com direito a muita conversa picante & engraçada, bem do jeitinho que gostamos!

Na manhã seguinte tivemos o super café da manhã com a galera "importada" do Rio de Janeiro: meus queridos primos-irmãos Arthur e Júnior, e os amigos-delícias Roberto, Roberta, Daniel e Patrick, além, é claro, do meu filhote-razão-da-minha-vida super Zelão.

À noite foi o momento da ferveção, numa Festa-Balada-Whatever num lugar lindíssimo, cheio de gente linda, sendo que os mais lindos da lindolândia eram justamente os meus convidados, todos animadíssimos e divertidíssimos, porque é assim que a gente sabe viver!

Ouvi dizer que vão mudar o nome do "Lounge Pink" para "Lounge Farto", porque, né? Não há outra definição para o que rolou por lá! Muuuuuuuuuuita Fartura!

Só os melhores, só os Top Delícias... Júnior e Beto, que garantiram muuuuuuitas risadas e algumas das melhores fotos da noite; Tutu, que eu amo incondicionalmente, até quando ele vai embora muito antes de todo mundo **cof cof**; Betta, a Quintellíssima cujo superlativo é autoexplicativo; Rodrigo Tchaik, o mais querido de todos, que protagonizou comigo algumas das fotos mais engraçadas da noite (além do presente, um capítulo à parte!); Pat, mais divertido do que nunca; Dani, mais lindo do que nunca, que levou mais delícias para o Lounge Farto e me deu o prazer de conhecer essas figuras raríssimas que são Rafik, Rodrigo e Roberto; Johan, a melhor companhia do mundo todo em qualquer ocasião, que além de ter me recomendado o lugar, ainda nos apresentou ao fofo do Flávio; Ricardinho e Eduardo, lindos e queridíssimos; Paris Paula - a chefinha do Grandes Mulheres, que além de me fazer sentir uma DIVA de verdade, ainda levou seus 2 roommates fofos que eu adorei conhecer; Ligia - minha maninha linda - e Thiago, que eu tenho certeza que se divertiram horrores (as fotos não mentem! rs); Fabi, querida, por quem todo mundo se encantou, e que, "aimeudeus", conheceu a Dona Farta! rs (#interna); e, claro, minha maninha do coração Érica SuperBrux, que além de ter encarado uma balada totalmente sem perspectivas (pra ela), manteve o bom humor, a animação, e ainda foi responsável pelos melhores flagras da noite, todos registrados em fotos que infelizmente, tenho que dizer, são impublicáveis! rsrs

Foi uma noite animadíssima... Rendeu muitas histórias divertas e, o que é melhor, expandiu o círculo de amizades da galera, já que no dia seguinte era até engraçado ver todo mundo se adicionando no Facebook, no Twitter, etc e tal. Adoooro essas conexões! rs

As comemorações do #DonaFartasDay ainda se prolongaram até o domingo, quando rolou um almoço japonês delicioso com Tutu, Junior, Beto, Betta, Érica, Sissi (a querida Japs que finalmente deu as caras! rs), Zelão e Ariadne, e depois, à noite, um jantarzinho em família com meu filho, meu pai, minhas irmãs e meus cunhados, encerrando-se assim a passagem dos meus 33 para os 34 anos.

Além de toda essa festança que contei acima, recebi também o carinho de muita gente especial por telefone, email, twitter, facebook, SMS, etc., e cada recadinho foi recebido com muito carinho, porque quem me conhece sabe como eu valorizo esses pequenos gestos!

Um dos presentes mais lindos que eu ganhei foi este post que o querido Jorge fez pra mim no Blog dele. Me emocionou, e quem estava comigo na hora que eu li viu o quanto eu fiquei feliz com essa demonstração de carinho e admiração. Uma pena que você não tenha podido vir, Jorge, mas eu sei que cada palavra que você escreveu veio do coração, até porque somos bem parecidos, né??? Obrigada mais uma vez... foi lindo, das coisas mais lindas que já fizeram pra mim!

Uma outra pessoa pra lá de especial e que por um infortúnio de última hora não pôde chegar até a festa foi um dos grandes presentes que eu ganhei nos ultimos tempos... Daqueles "achados" da internet (obrigada, Márcio!), o querido Lucas Bertolini, que não apenas faz aniversário no mesmo dia que eu como nasceu no mesmo dia, mês e ano... dessas coincidências da vida, não à toa nos gostamos tanto, e ele também fez uma menção a mim no Blog dele que me deixou toda boba! Obrigada, amoreee!!! Nós somos os melhores! rsrs

Finalmente, preciso citar o lindo do Teco, que não pôde estar presente também por motivos de força maior, mas que é um amigo muito querido e demonstra sempre muito carinho por mim, e teve a gentileza de me ligar lá de onde estava no sábado só pra mais uma vez me fazer sentir querida e especial... Te adoro muito, Tequinho! E vamos jantar porque eu quero meu presente!!! rsrs


Eu precisava fazer um agradecimento assim, de coração aberto, porque realmente me sinto especial por ter cada um desses amigos na minha vida, porque realmente amo demais as pessoas que me aceitam como eu sou, e amo mais ainda aquelas que ainda não aceitam mas se esforçam... Independentemente de quem eu citei ou não aqui, amigo ou família, cada um sabe o tamanho da importância na minha vida, cada torpedo, telefonema, tweet, scrap, uma rosa, um bombom, uma bala, um abraço, um beijo, um "tudo de bom", cada mensagem tem o mesmo tamanho dentro de mim, cada pessoa ocupa o mesmo espaço no meu coração...

Porque, vocês sabem...

Não sou a Dona Farta à toa!!!

OBRIGADA, meus amores!!!
Muita Fartura pra todos nós!
Sempre!!!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pelo poder do Arco-Íris!!!

Email recebido esses dias, solicitando aprovação de um comentário deixado em uma postagem de 2 anos atrás:

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Preconceito é Crime!":

"Tenho pena de você! Em primeiro lugar porque você conhece (ou conheceu) a palavra de Deus e no fundo do seu coração você sabe que está errada.
Em segundo lugar, porque os homossexuais precisam de tanta proteção? Porque não temos essa proteção para os menores abandonados, para os que sofrem com a seca no nordeste, o que os homossexuais tem de diferente que não estão assegurados pela Constituição? Todos são iguais perante a lei, homem ou mulher! Homossexualismo não é um sexo, não existe um cromossomo xyz, é um COMPORTAMENTO de livre escolha de cada um que não merece um tratamento diferente da legislação que protege/condena uma pessoa do sexo masculino ou do sexo femimino!"

A postagem em questão, entitulada "Preconceito é Crime" - que você pode conferir na íntegra clicando aqui - abordava a então polêmica PLC 122/2006, que previa a criminalização da Homofobia. Apesar de ser um texto "antigo", escrito há 2 anos, é um dos posts mais acessados no meu Blog até hoje segundo o Live Traffic Feed.

Li e reli o comentário acima algumas vezes. Tentei ignorá-lo, principalmente por ser uma "opinião" escondida covardemente atrás do anonimato, mas não consegui simplesmente deixar pra lá, e é por isso que compartilho esta pérola da ignorância e do preconceito com vocês, queridos leitores. Uma triste amostra do pensamento que infelizmente ainda domina nosso mundo real.

Não vou reabrir a discussão sobre o preconceito porque já disse quase tudo que penso lá no post original e em vários outros em que abordei o assunto, e quem me acompanha aqui e me conhece um pouquinho sabe muito bem qual é a minha posição diante do preconceito de qualquer natureza: NOJO.

Queria apenas aproveitar que hoje é o primeiro dia do mês de Junho - mês do Orgulho LGBT em todo o Mundo e 14o. mês do Orgulho LGBT em São Paulo - para mais uma vez dizer que precisamos acabar com o preconceito se quisermos viver em um mundo melhor, precisamos aprender a respeitar as diferenças e ensinar isso para os nossos filhos desde pequenos, precisamos conjugar mais do que nunca o verbo RESPEITAR e AMAR o próximo pelo ser humano que ele é e não pelas escolhas que fez ou pela maneira que vive, enfim, precisamos nos preocupar menos com a vida dos outros e cuidar mais das nossas próprias vidas, porque a verdade é que cada um tem o direito de ser o que quiser, do jeito que quiser...

Ainda é apenas utopia. Ainda é um sonho distante. Mas há de se tornar realidade um dia...

Pelo poder do Arco-Íris!!!

domingo, 9 de maio de 2010

MÃE

Dia das Mães.

Não há nada que eu possa falar hoje que eu já não tenha dito aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui.

A saudade infinita que sinto da minha mãe é tema recorrente no Blog, e hoje, pensando no que eu escreveria pra ela, me ocorreu que já não encontro mais palavras pra expressar o que esta falta significa na minha vida.

Porque tudo na vida é finito, exceto o amor de mãe e a saudade que tenho da minha grande heroína.

É o 5o. Dia das Mães sem ela. Pela 5a. vez, esse segundo domingo de Maio não parece ter o menor sentido. Pela 5a. vez a saudade aperta e dói tanto que é impossível descrever. Pela 5a. vez eu choro copiosamente, inconformada por não tê-la aqui comigo...

Ela era meu chão, meu porto seguro, minha conselheira, minha confidente, meu exemplo, meu tudo. Continua guiando cada um dos meus passos, eu sei, mas não posso dizer que sua presença espiritual na minha vida me basta, porque eu queria mesmo poder beijá-la, abraça-la, deitar no seu colo e conversar horas e horas sobre todas aquelas coisas que há 5 anos não tenho mais com quem conversar... Esse vazio nunca acaba. Esse vazio dói cada vez mais.

Ainda assim, sobrevivo. Simplesmente porque foi Ela que me ensinou a ser guerreira e não desistir nunca, foi ela que me transformou na mulher de verdade que eu sou hoje, e vivo cada um dos meus dias focada no objetivo de jamais decepcioná-la, de deixá-la orgulhosa de mim, de fazê-la sorrir lá no céu feliz pelos frutos das sementes bem cultivadas.

Será assim todos os dias enquanto eu viver...

Porque sou filha de Dona Fátima, e tenho uma missão a cumprir. Porque sou filha de Dona Fátima, e ela me ensinou a seguir sempre em frente. Porque sou filha de Dona Fátima, tenho o sangue dela, a personalidade dela, e a obstinação que ela me ensinou a ter pra enfrentar essa jornada duríssima que é a vida.


Porque sou filha de Dona Fátima, e vou amá-la pra sempre... SEMPRE!

Feliz Dia das Mães, mãezinha!!!



"... no ventre da mãe bate o coração de Clara, Ana, e quem mais chegar..."


Essa foi uma das canções cantadas pelo meu filho na Missa das Mães realizada pelo Colégio na manhã deste sábado. Uma linda e singela canção, que neste trechinho que destaquei resume perfeitamente o amor de mãe: Ele é infinito... para Clara, Ana, e quem mais chegar.

Só as mães são capazes de tanto amor!

E eu sei disso porque fui muito amada pela minha mãezinha, assim como amo de maneira incomensurável o maior tesouro que tenho nessa vida: Meu filho.

Ser mãe é uma dádiva. É a viagem mais alucinante que se pode fazer. É a aventura mais emocionante que se pode viver. É a experiência mais intensa que se pode ter...

Sou grata por ter sido digna de tamanho privilégio. Sou grata por ter sido digna de um filho tão incrível. Sou grata por poder ser mãe e conhecer o verdadeiro significado do amor incondicional.

Feliz Dia das Mães!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

1.095 Dias... 36 Meses... 3 Anos!!!


3 ANOS DE DONA FARTA NO AR !!!


E mais uma vez só me resta agradecer pela companhia de vocês durante esses mais de 1000 dias, que renderam a publicação de mais de 400 posts.

Comecei este Blog despretensiosamente, como forma de guardar em algum lugar os meus devaneios e minhas histórias, mas fui tomando tanto gosto pela brincadeira que hoje em dia sinto muita falta de não poder escrever com a mesma frequência de antes...

De qualquer maneira, e apesar da minha indisciplina na atualização das postagens, tenho conquistado uma audiência especialíssima, composta por pessoas que eu adoro e que sempre me prestigiam e me estimulam a continuar escrevendo, e por isso não desisto, pelo contrário: Busco melhorar sempre, pra oferecer pra vocês (e pra mim mesma) o melhor de mim!


Obrigada por virem sempre ao meu cantinho! Obrigada por lerem meus devaneios e por não desistirem de mim apesar dos meus deslizes!


O que começou de maneira despretensiosa hoje só faz sentido por vocês, queridos leitores! E por isso o parabéns vai pra vocês, que são verdadeiros heróis da resistência! =)


Bora pra mais um ano!!! Continuem acompanhando!!!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Desburocratizando o Amor

amor
a.mor

sm
(lat amore) 1 Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2 Grande afeição de uma a outra pessoa de sexo contrário. 3 Afeição, grande amizade, ligação espiritual. 4 Objeto dessa afeição. 5 Benevolência, carinho, simpatia. 6 Tendência ou instinto que aproxima os animais para a reprodução. 7 Desejo sexual. 8 Ambição, cobiça: Amor do ganho. 9 Culto, veneração: Amor à legalidade, ao trabalho. 10 Caridade. 11 Coisa ou pessoa bonita, preciosa, bem apresentada. 12 Filos Tendência da alma para se apegar aos objetos.

(definição "técnica" segundo o Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa)


Pois bem. Se nos apegarmos exclusivamente à definição técnica do dicionário, já fica bem difícil compreender plenamente o que é Amor, pois temos uma definição muito abrangente e recheada de outras palavras cujo significado também é bastante subjetivo: desejo, afeição, carinho, veneração, etc.

Definir sentimentos, aliás, é algo quase impossível. Nem sempre existem palavras capazes de traduzir sensações que são muito particulares pra cada pessoa, sensações que muitas vezes são de fato indescritíveis.

E o AMOR talvez seja o sentimento mais difícil de se definir, tanto que ao longo dos tempos é fonte de inesgotável inspiração para poetas, romancistas, escritores, compositores, etc... Porque sempre pode haver um ponto de vista diferente, sempre pode haver uma palavra nova que tente se aproximar da grandeza do que supõe-se ser o amor. As possibilidades são infinitas.

Obviamente estou falando aqui do amor no contexto de um relacionamento afetivo, porque o amor no contexto de família e amigos não está em pauta, não por enquanto.

E o que eu queria mesmo dizer, ou perguntar, ou apenas colocar em pauta para divagar com vocês é:

"Por que burocratizamos tanto o amor?"

Quero dizer, por que relutamos tanto em admitir este sentimento quando de fato o sentimos? Por que temos essa necessidade de "segurar a onda" e não dizer "Eu Te Amo" para o outro, apesar de estar sentindo todas as borboletas no estômago que deixam evidente que algo muito forte e especial está acontecendo?

"Medo de demonstrar muita entrega", alguns responderão. "Medo de abrir a guarda e ficar vulnerável no relacionamento", outros dirão. "Medo de acabar pressionando o outro e colocar tudo a perder", e mais uma infinidade de respostas invariavelmente ligadas a medos que na maioria das vezes não passam de fantasmas que nós mesmos criamos.

Porque, vejam bem, se o AMOR é algo que se sente involuntariamente, o fato de não admiti-lo não nos protege de nada! O fato de não admiti-lo é apenas uma fuga covarde, que proporciona uma falsa sensação de controle quando nada mais está sob controle.

Quando eu digo que burocratizamos o amor, estou falando disso. As pessoas criam regras pra amar. Só se pode dizer "Eu te Amo" depois de um tempo X de relacionamento. Só se pode dizer "Eu te Amo" quando o outro também estiver pronto para dizer. Só se pode dizer "Eu te Amo" quando o relacionamento parecer estável. Só se pode dizer "Eu te Amo" se for diferente de tudo que já se sentiu, e por aí vai...

Uma série de regras fakes que só enganam a nós mesmos, além de impedir que o sentimento provoque tudo aquilo que de melhor ele pode provocar: entrega total, intensidade, visceralidade.

É a supervalorização de um sentimento que acontece independentemente da nossa vontade; É a burocratização de algo que acontece de maneira natural; É a racionalização de algo que não depende em nada da razão.

Qual o sentido de viver uma relação morna quando se pode incendiar tudo com o fogo do amor?

Já falei isso aqui algumas vezes e repito: Não vejo sentido em viver uma vida "mais ou menos". O que faz a diferença de verdade é a intensidade das relações que estabelecemos, independentemente do tempo que elas durem.

E se pra muitas coisas na vida temos que ser racionais, o amor não é uma delas. Para ser vivido plenamente, aliás, o Amor precisa de doses generosas de irracionalidade, porque ele quase nunca faz sentido, e justamente por isso é tão especial.

Se o amor por si só é dos sentimentos mais lindos que se pode sentir, as sensações provocadas pela verbalização do "Eu te Amo" são indescritíveis. E a partir delas há todo um universo sem fronteiras a ser explorado, que muitos casais deixam de explorar por conta desse controle bobo que só mascara e limita uma relação que poderia ser inesquecível.

Há que se dar espaço para os sentimentos para que eles possam florir. Há que se desburocratizar o amor e admiti-lo quando ele acontecer, sem regras, sem censura, apenas deixar acontecer.

Porque tudo na vida é efêmero, e condicionar a existência do amor a algo que vá durar "pra sempre" é bobagem.

"Pra sempre" é tempo demais...

E o verdadeiro "pra sempre" é cada um dos minutos que se vive intensamente, com entrega, com verdade. O verdadeiro "pra sempre" é aquele que a gente vislumbra quando vem uma vontade louca de dizer "Eu te Amo", por mais irracional que ela pareça.

O verdadeiro "pra sempre" é o agora daqueles que amam e são amados.


Diga "Eu te Amo" sempre que tiver vontade, deixe o amor existir, não tenha medo! Não verbalizar não vai fazer com que o sentimento não exista... não vai te proteger de nada, apenas limitar possibilidades infinitas que só o amor oferece.

Porque se você sentiu vontade de dizer, então é amor.

E se é AMOR, merece ser eternizado pelos momentos inesquecíveis que pode proporcionar... Mesmo que seja apenas enquanto durar!

domingo, 4 de abril de 2010

Vitrines

Arrumando meu armário outro dia, separei uma boa quantidade de roupas que não uso mais para doar. Elas estavam ali, ocupando espaço e me dando a falsa sensação de ter muitas opções de looks para montar, algumas nunca usadas, outras bastante gastas, muitas delas que já não me servem mais.

Fui separando as peças, dobrando e empilhando, enquanto me lembrava da história de cada uma delas. Algumas roupas, coitadas, nem história tinham, foram compradas no impulso de um deslumbre e depois condenadas a viver entulhadas no meu armário bagunçado. Outras, por sua vez, tem tantas histórias que me fizeram dobrá-las e desdobrá-las muitas vezes pra ter tempo de relembrar tudo.

Terminada a arrumação, olhei para o que sobrou no armário e tive uma curiosa constatação: A maioria eram peças velhas mas de excelente qualidade, que eu já usei muito e pretendo usar muitas outras vezes ainda, os famosos clássicos que nunca saem de moda e são sempre necessários. Já na pilha do descarte, a maioria eram roupas relativamente novas, mas que já não pareciam mais ter a minha cara. Roupas que foram usáveis por um curto período de tempo de um modismo passageiro, e que hoje beiram o ridículo, a ponto de eu contestar minha sanidade quando as comprei.

Exercitando meu direito supremo de "viajar", comecei a pensar no Mundo como uma grande Loja de Departamentos, uma grande Macy's onde estão disponíveis todas as pessoas que podemos escolher para fazer parte da nossa vida.

Nessa mega loja existem pessoas expostas nas vitrines, existem pessoas em destaque nos manequins e existem pessoas que estão simplesmente empilhadas sem muito critério nas prateleiras e penduradas nas araras do fundo da loja.

Os critérios de quem define quem vai ficar exposto são altamente subjetivos e contestáveis, mas é fato que os modelos expostos nas vitrines acabam tendo mais saída, são os mais procurados, até porque contam sempre com uma produção caprichada que muitas vezes ofusca suas verdadeiras qualidades (ou falta delas).

Isso porque o ser humano adora seguir uma tendência. Adora se sentir incluído, adora fazer parte de uma onda, e muitas vezes passa por cima dos próprios valores pra se sentir inserido num grupo que ele vê como exemplo.

Por conta disso, faz compras que não faria em outras circunstâncias, influenciado pela exposição da peça na vitrine, influenciado pela suposta tendência, influenciado pelo que pega bem aos olhos dos outros, abrindo mão de ousar e ser autêntico explorando as infinitas possibilidades que reservam os itens escondidos no fundo da loja.

Criar um estilo próprio na contramão da tendência não é uma tarefa fácil. Muito mais cômodo seguir os modismos e se encaixar logo no grupo do que ser visto como desajustado simplesmente por querer ser diferente. E justamente por isso acho que vale à pena refletir:

Quantas e quantas vezes nos deixamos levar exclusivamente pelo sugestionamento da peça exposta na vitrine?

Quantas e quantas vezes cegamos diante de uma vitrine reluzente, e sequer consideramos dar uma olhada no interior da loja?

Quantas e quantas vezes abrimos mão do nosso próprio estilo pra aderir a um estilo duvidoso que por acaso está em alta naquele momento?

Quantas vezes impedimos uma pessoa de se aproximar de nós simplesmente porque ela não parece ser do modelo que se convencionou ser aceitável, ideal?

Talvez por isso eu sinta tanta falta de identidade no mundo hoje em dia... Existem poucas pessoas autênticas e muitas pessoas iguais, previsíveis, óbvias, que seguem modismos e cuja personalidade é tão firme quanto gelatina.

Voltando ao meu armário, aquele que eu estava arrumando quando comecei este devaneio, e dando mais uma olhada nas peças que ficaram, constatei que quase nenhuma estava exposta na vitrine quando foi comprada, a grande maioria foi "um achado" que eu encontrei ao vasculhar no interior de uma loja. Peças boas, clássicas, de valor incontestável, que justamente por isso não precisavam da exposição na vitrine para serem atraentes, precisavam apenas dos olhos certos que fossem capazes de apreciar seu real valor.

Vivemos num Mundo cada vez mais vulnerável, onde as pessoas optam por um modelo exposto por preguiça de fuçar nas prateleiras no interior da loja, por medo de fugirem daquele modismo que se convencionou ser cool, e acabam seguindo tendências altamente duvidosas.

São todos uns tolos, na verdade! Mal sabem eles que muitas vezes são expostas na vitrine justamente as PIORES peças, porque sem a ajuda da exposição forçada, elas jamais atrairiam qualquer interesse, jamais desencalhariam.

Talvez de todos os desvios de personalidade, o pior seja justamente a falta de pulso, a falta de convicção, a falta de posicionamento, o medo de ousar.

Não há coisa pior do que gente que gosta do que todo mundo gosta só porque todo mundo gosta; Não há coisa pior do que gente que passa por cima dos próprios gostos só para se encaixar num modismo.

Gente que não se permite explorar todas as possibilidades, que cega para os verdadeiros tesouros ludibriado pela vitrine brilhante, e assim segue desconhecendo muitas das coisas (e pessoas) incríveis que a vida pode oferecer.

O que eu queria dizer hoje, com essa metáfora boba, é apenas que devemos tomar muito cuidado com o deslumbramento... o verdadeiro tesouro não precisa de publicidade, ele é procurado e desejado por todos, mesmo que esteja escondido no mais velhinho baú nos fundos da mais singela loja do bairro menos glamuroso.

E se for verdadeiro, vale pra sempre, não sai de moda com a mudança de estação, nem de ano, nem de século. Simplesmente vale. Acima de qualquer outra questão preserva o seu valor.

Pra sempre.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Mascarados

Todos os dias uma legião de pessoas mascaradas sai às ruas.

Usam máscaras que seriam dignas de destaque no mais grandioso Baile. Máscaras rebuscadas, cheias de firulas, brilhos, plumas e paetês. Máscaras glamurosas, expressivas, alegres ou tristes, bonitas ou feias, simpáticas ou assustadoras. Máscaras que chamariam a atenção em qualquer lugar, não fosse um pequeno detalhe: São invisíveis a olho nu.



São máscaras criadas pelas pessoas para proteger suas verdadeiras identidades e encenar para o mundo um "eu" falso, que existe apenas de mentirinha para viabilizar a inserção neste mundo cheio de regras, onde é necessário ser fake para se encaixar.

Porque, não se enganem: Não há lugar no mundo para pessoas autênticas que não gostam de usar máscaras. Essas são sempre taxadas de malucas, e invariavelmente excluídas por serem o que são.

O mundo é fake, a sociedade é fake, e por isso as máscaras viraram artigo fundamental na vida de qualquer um que pretenda encaixar-se.

Não seria muito mais lógico e simples se todo mundo tivesse o direito de ser o que é na sua essência? Não seria muito mais simples se as pessoas respeitassem umas às outras, especialmente em suas diferenças, ao invés de ficarem criando regras para cortar as asas de pássaros ávidos por voar?

Se "O Criador" de fato quisesse que fôssemos assim, tão padronizadinhos e previsíveis, não nos teria feito pensantes e possuidores do livre arbítrio!!!

É isso que mais me irrita na raça humana: Essa capacidade infindável de subestimar os próprios talentos, de limitar todas as possibilidades pelo simples fato de não querer lidar com consequências imprevisíveis.

É essa capacidade estúpida de inutilizar a própria inteligência em prol de uma vida morna, inventada, com roteiro clichê e totalmente previsível.

É essa mania idiota de julgar o outro pelo seu comportamento individual, pelas suas preferências, pelas suas opiniões, pelas suas escolhas, pelo que ele tem e pelo que aparenta ser.

Por que as pessoas tem essa necessidade de associar uma opção individual/privada a todos os outros aspectos da nossa vida? Um comportamento X tem obrigatoriamente que eliminar uma possibilidade Y??? Não!!! Claro que não!!!

Mas as pessoas se habituaram a aceitar essas regras sociais e morais sem contestá-las, sem refletir sobre elas, e esse comportamento passivo e covarde nos trouxe ao ponto em que nos encontramos hoje, onde pessoas que tentam resistir à robotização sofrem duras consequências por serem o que são.

"São as regras", dirão os mais conformados. "É assim que tem que ser!".

Que regras? Quem as inventou??? E onde está escrito que "tem que ser assim"???

Os argumentos são frágeis demais. Nenhum deles me convence. Parece apenas jogada de gente preguiçosa e covarde que, temendo críticas e julgamentos, se conforma sem questionar e sai por aí pregando aos quatro cantos uma falsa verdade para tentar minimizar as próprias frustrações.

Uma tentativa estúpida de padronizar os seres humanos como se fossem todos robozinhos de uma coleção, que tem a mesma cor, fazem os mesmos movimentos, andam para o mesmo lado e respondem aos mesmos comandos.

Outro dia estava conversando com um amigo querido pelo MSN e filosofamos alguns minutos a respeito disso. Porque, sim, pagamos um preço alto por tentarmos ser o que queremos ser na maior parte do tempo, enquanto a maioria das pessoas apenas é o que os outros querem que elas sejam.

Mas se por um lado pagamos um preço alto, por outro lado exploramos um universo de possibilidades que os outros nunca experimentarão. E é isso que faz a vida valer à pena.

Claro que vestimos nossas máscaras de vez em quando. Não há como fugir do "baile dos mascarados", é uma questão de sobrevivência, e em várias situações precisamos nos valer deste artifício e encarnar um personagem "socialmente aceitável".

Mas de minha parte, pelo menos, a máscara só é usada quando estritamente necessário. Procuro dispensá-la na maior parte do tempo, especialmente na minha vida pessoal, e ser tudo que eu posso e quero ser, viver uma nova descoberta a cada dia, quebrar a cara, ser julgada, sofrer preconceitos, mas também experimentar sensações indescritíveis e viver experiências inenarráveis.

Não preciso me esconder de mim mesma, nem de ninguém. Não preciso, não quero, não vou.

Tenho minhas liberdades individuais garantidas constitucionalmente, e enquanto não estiver fazendo mal pra ninguém, tenho o direito de ser qualquer coisa que eu queira ser, fazer qualquer coisa que eu queira fazer, viver do jeito que eu quiser viver, e não há regra social nenhuma que vá me fazer oprimir meus instintos afoitos por explorar essa experiência surreal chamada "vida".

O preço? A gente sempre paga, isso eu sei. Não é justo, mas é como é. Ainda assim, dou a cara pra ser julgada por gente hipócrita e medíocre, mas não me escondo. Parece um comportamento suicida, já me disseram isso, mas dane-se! Esconder-se é covardia. Pode ser uma covardia inteligente, mas ainda assim é covardia. E se tem uma coisa que eu abomino nessa vida é atitude covarde. Não sou dessas, não mesmo!

Não posso agir de maneira diferente daquilo que acredito. Talvez seja justamente isso que incomode tanto aos outros, que dedicam a maior parte de suas vidas a julgar o próximo, ao invés de viver.

Ser o que se pode ser torna a passividade do outro evidente, e os recalques aparecem. A inconfundível mediocridade da raça humana. Sinto vergonha, muita vergonha alheia!

Não há sentido em estar nesse mundo tão cruel a passeio. Não há sentido em dormir e acordar todos os dias apenas pra ser "mais ou menos". Não há sentido em lidar com tantos dramas da vida real se não houver uma mínima compensação por outro lado.

Não há sentido em dispensar o que de melhor a vida pode nos oferecer: o direito de sermos únicos, autênticos, de fazermos as escolhas que quisermos e experimentarmos tudo aquilo que tivermos vontade.

As máscaras? Sim, precisamos delas.

Mas não precisamos e não devemos ser escravizados por elas. Até porque se não tomarmos cuidado, "a criatura toma conta do criador".

E nada me tira da cabeça que é por isso que o mundo está do jeito que está. Muitas criaturas dominaram seus criadores, culminando numa legião de gente mal resolvida, recalcada, frustrada, uma legião de pessoas que não se permitem ser o que são de verdade pois viraram escravas das personagens que criaram para se encaixar na sociedade, e por isso acabam externando suas frustrações em forma de ódio, preconceito, intolerância, violência.

Um triste retrato da covardia humana. Não quero e não vou fazer parte disso!

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", já cantava Caetano.

Eu que o diga! Dores profundas, sofridas, que deixam marcas que nem o tempo apaga...

Mas por outro lado tem as delícias... ahhhh, as delícias...

Elas fazem tudo valer à pena! TUDO!


This is it!

quarta-feira, 3 de março de 2010

São apenas Adjetivos

Antes de começar mais uma divagação controversa, queria relembrar uma velha e fundamental lição de Língua Portuguesa que aprendemos logo nos primeiros anos escolares: a definição e a diferença entre substantivo e adjetivo.

Segundo a "enciclopédia virtual" (Wikipédia), SUBSTANTIVO dá nome aos seres em geral, e pode variar em gênero, número e grau, enquanto que ADJETIVO é uma palavra que atribui qualidade a um substantivo.

Partindo destas definições "técnicas", temos a primeira dedução lógica: O substantivo é muito mais importante que o adjetivo. Isto porque ele precisa "existir" para que o adjetivo tenha razão de ser. Um substantivo existirá ainda que nenhum adjetivo o qualifique. Mas nenhum adjetivo fará sentido sozinho, precisa necessariamente estar atrelado a um substantivo.

Pois bem.

Enquanto seres humanos, somos todos substantivos. Somos seres. Humanos. Apenas isso.

E cada ser humano, substantivo, pode ser uma infinidade de adjetivos que vão desde suas características físicas / biológicas - masculino ou feminino, por exemplo, até suas características psicológicas, de possibilidades infinitas.

À parte os adjetivos físicos, que nos descrevem tais quais somos - homem ou mulher, alto ou baixo, índio ou oriental, gordo ou magro, etc e tal, todos os demais são absolutamente subjetivos e dependem não apenas do que se é, mas especialmente daquilo que o outro que nos classifica é capaz de perceber em nós.

Por isso podemos ser classificados como chatos pra alguns e legais pra outros. Como bons para uns e ruins para outros. Como belos para uns e feios para outros. É tudo muito, MUITO subjetivo.

Mas, subjetivo ou não, variável ou não, o fato é que nenhum adjetivo é capaz de modificar o substantivo que se é. Podem nos classificar do que quer quer seja, podem nos atribuir a qualidade que for, mas jamais deixaremos de ser humanos.

Gente é apenas isso. GENTE.

E eu honestamente não entendo essa necessidade que a maioria das pessoas tem de rotular todo mundo o tempo todo. De se auto-rotular, inclusive.

Pior. Convencionou-se determinar alguns adjetivos como definições supremas de tipos de pessoas, e há uma tendência coletiva de nos jogar para uma dessas categorias de maneira compulsória, como se as coisas fossem assim, tão óbvias... como se fôssemos todos mercadorias de um supermercado e tivéssemos que ser obrigatoriamente alocados em prateleiras pré-determinadas.

Dentro dessas convenções estúpidas, você pode ser "legal ou chato"; "bonito ou feio"; "talentoso ou medíocre"; "alegre ou triste"; "heterossexual ou homossexual"; e por aí vai.

Criam-se rótulos que são utilizados para classificar as pessoas, rótulos estes que acabam inventando uma verdade absoluta que não existe!

Porque se enquanto substantivo seremos sempre humanos, podemos, por outro lado, ser legais num dia e chatos no outro; estar alegres num dia e tristes no outro; ter interesses heterossexuais num dia e homossexuais no outro. Tudo pode mudar, sempre, o tempo todo. E deve mudar. É saudável mudar. É da natureza humana, eu ousaria dizer.

Por isso essa mania de rotular todo mundo o tempo todo me irrita tanto. É mais uma das faces da hipocrisia. Mais uma das faces do preconceito, que tem essa necessidade de enquadrar as pessoas em modelos pré definidos pra depois julgá-las segundo essa classificação.

Tudo besteira! Enorme besteira!

De alguma forma nos condicionamos a viver sob estes rótulos, e é por isso que a maioria das pessoas cede a eles sem titubear. É mais fácil ceder a um modelo pré definido do que descobrir / inventar o próprio modelo.

Uma pena. Vejo gente rica em possibilidades limitando-se o tempo todo porque condicionou-se a viver sob um rótulo, e inconscientemente recusa todas as outras possibilidades.

Vejo gente rica em possibilidades limitando-se a um comportamento previsível, óbvio e às vezes até patético, simplesmente porque "comprou uma ideia" inventada, evitando os riscos (e as delícias) de novas descobertas.

Tanto potencial, tanta chance de crescimento, tanta possibilidade perdida apenas porque as pessoas colam em suas testas os rótulos das classificações imbecis que a sociedade criou, e vivem segundo estes rótulos que muitas vezes (quase nunca, eu ousaria dizer) refletem 100% do que se é de verdade.

Tenho observado muito isso quando o assunto é, por exemplo, sexualidade. Eis um dos assuntos mais impregnados de clichês desde que o mundo é mundo. E quando eu olho de perto pra todos eles, só tenho vontade de sair correndo.

Porque eu, particularmente, não me enquadro em definições. Não aceito tomar como meu um único adjetivo, isso não me basta. Eu não quero e não vou limitar minhas possibilidades. Não sou uma coisa nem outra. Sou todas as coisas. E ainda sou capaz de inventar tantas outras. Depende do momento, da vontade, da oportunidade, da química.

Esse é o grande barato. É descobrir que onde convencionou-se confeccionar apenas 2 ou 3 rótulos, existem na verdade muito mais possibilidades. É quebrar todos os paradigmas e provar senão pra ninguém mas pra si mesmo que tudo é possível, ainda que não exista um adjetivo pra definir essas "possibilidades"...

Repito: eu vejo gente se limitando o tempo todo. Eu vejo gente infeliz com o que escolheu ser, porque não cabe num único adjetivo, mas não consegue escapar dele. Eu vejo gente cedendo a um modelo que não é autêntico apenas para se sentir inserido num meio. Eu vejo gente usando rótulos inadequados, que funcionam apenas como cerceadores de liberdade, o que é muito, muito triste.

O grande barato da vida é libertar-se de tudo que impõe barreiras ao pleno exercício do SER.

Siga suas vontades. Experimente. Existe todo um universo de coisas inclassificáveis ou inclassificadas. E é lá que encontramos as melhores possibilidades. Porque se não há classificação, não há regras. Eis a minha praia!

Nenhum adjetivo modifica o substantivo que se é. Mesmo.

Somos todos GENTE. Seres humanos pensantes. Disso não temos como fugir. Todos temos composição física similar - coração, pulmões, cérebro, blablabla, mas psicologicamente falando somos um mar infinito de possibilidades... E devemos sê-lo. Intensamente.

Não vamos negligenciar tanta riqueza... liberte sua vontade... solte sua imaginação... crie novos adjetivos. Porque ser chato ou legal é muito óbvio. Ser homo ou hetero é muito óbvio. E ser óbvio é para os medíocres. É para os pequenos. É para os que não ousam e que tem medo de descobertas.

Existe um universo ilimitado a ser prazerosamente explorado... Basta pra isso que libertemos nossas almas e a deixemos voar de acordo com os sentidos impublicáveis e indescritíveis que todos nós sabemos que existem, mas ignoramos para manter-nos ligado aos padrões pré fixados...

Há quem esteja nessa vida a passeio e contente-se com pouco, mas eu NÃO SOU uma destas pessoas. Não quero rótulos, não tenho rótulos, não busco rótulos. Sou e quero ser inclassificável. E manter sempre as portas das possibilidades abertas.

Quero entender tudo que for possível. Quero experimentar tudo que for possível. Quero viver tudo que for possível. Quero SER tudo que eu puder ser.

Com toda a intensidade que eu conseguir, porque, parafraseando um amigo querido, "é assim que eu sei viver!"

This is It!

Beijos Fartos!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A multiplicidade da Paixão

pai.xão (lat passione) subst. feminino 1. Sentimento forte, como o amor, o ódio etc. 2. Atração amorosa. 3. Gosto muito vivo. Acentuada predileção por alguma coisa. 4. A coisa, o objeto dessa predileção. 5. Rel. Os tormentos padecidos por Cristo ou pelos mártires.

(definição "técnica" do Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa)


Não, este texto não pretende definir ou explicar o que é Paixão; seria uma pretensão tola, primeiro porque a definição técnica já está feita em qualquer dicionário da língua portuguesa, como no exemplo acima, e segundo porque tudo o que não está escrito ali é subjetivo demais pra ser explicado.

Quero falar sobre outra coisa. Sobre a multiplicidade da Paixão.

Seria possível apaixonar-se por duas mais pessoas ao mesmo tempo? O que você pensa sobre isso?

Eu, pessoalmente, penso que SIM, é perfeitamente possível, e não vejo isso como uma atitude cafajeste, como muitos veriam.

Explico-me.

Apaixonar-se é uma das poucas coisas que a gente não escolhe, tampouco controla. Simplesmente "acontece", por uma convergência de fatores que estão fora do nosso controle.

Invocando a definição técnica da palavra, diz o dicionário que "paixão é a acentuada predileção por alguma coisa".

E quem foi que disse que só podemos ter predileção por uma "coisa" de cada vez? Desde quando nosso cérebro e, principalmente, nosso coração está treinado pra fazer essa seleção?

Não, não está, e é por isso que é perfeitamente possível que aconteçam múltiplas paixões, todas legítimas! E quando isso acontece, a pessoa sofre horrores por ter que fazer uma escolha que, obviamente, é das mais difíceis. Uma escolha que ela não necessariamente precisaria fazer, se fôssemos todos menos hipócritas e mais fiéis ao nosso próprio EU.

Ok. Podem se chocar.

Mas a minha verdade é que sempre achei que o ser humano é essencialmente poligâmico; biologicamente poligâmico, aliás, e por alguma razão que não nos cabe discutir agora a sociedade se organizou desta maneira que conhecemos, e à exceção de algumas culturas espalhadas pelo mundo, impõe-se a monogamia como prática "moralmente correta" através dos tempos.

Imposição altamente contestável, mas quem sou eu pra contestar algo assim? Eu não estava lá quando tiveram a "brilhante ideia" de dizer que só podemos nos apaixonar por uma pessoa de cada vez, e se hoje em dia isso é uma verdade absoluta, bem... talvez de fato muitas pessoas acreditem que é assim que deve ser.

Respeito demais essa posição, desde que exista convicção, e não apenas uma adequação ao que se impõe pela sociedade.

Acho que limitar a paixão a "uma experiência por vez" é limitar aquilo que temos de mais abundante, que são as emoções. Porque o homem pode perder tudo na vida, pode perder até sua dignidade, mas jamais perde a capacidade que tem de sentir emoções, de apaixonar-se.

São as emoções que nos guiam pelo caminho através do qual escrevemos nossa história. O ser humano é pura emoção. A emoção comanda a vida até mesmo daqueles durões que se dizem guiar pela razão.

A própria razão, aliás, não deixa de ser um tipo de emoção, disfarçada de autocontrole, mas é emoção.

Qual a lógica em limitar as emoções impondo regras que o coração não reconhece?

Podar emoções é uma atitude egoísta com os outros e, principalmente, com a própria alma; é economizar aquilo que nos transborda, quando na verdade sentimento bom é aquele que a gente usa, sente com vontade, põe pra fora, expressa, gasta, abusa.

E, por favor, não me interpretem mal. Não estou fazendo apologia à infidelidade ou qualquer coisa que o valha. Respeito as convicções de cada um, mas acredito que sempre é tempo de refletir.

É um ponto de vista incomum, polêmico, que talvez seja de difícil aplicação na vida real porque estamos todos ligados a uma série de regras sociais que nos limitam de todos os lados, mas ainda assim é legítimo, porque pra mim, pelo menos, faz todo o sentido.

Uma amiga me disse esses dias: "Estou perdida! Apaixonada por duas pessoas ao mesmo tempo! O que eu faço?", e a minha resposta foi: "Onde está o problema? Viva suas paixões! Por que você quer escolher se o sentimento é legítimo em ambos os casos?"

Se há emoção suficiente para que você se apaixone por mais de uma pessoa ao mesmo tempo, escolher apenas uma delas significa negligenciar toda a outra parte do seu sentimento, sentimento este que não se pode simplesmente transferir ao escolhido, porque, lembram-se? Não exercemos controle sobre a paixão!

E o que se faz com esse sentimento "não-sentido"? O que se faz com a parte que se apaixonou e não pôde exercitar a paixão?

Reprime-se. E tudo aquilo que é reprimido, um dia transborda. Invariavelmente de maneira danosa. Tudo aquilo que é reprimido pode contaminar todo o resto, e os prejuízos podem ser irreparáveis.

A verdade é que, no meu mundo ideal, todas essas regras que limitam os nossos instintos e a nossa natureza enquanto seres humanos seriam deletadas. No meu mundo ideal existira apenas uma regra soberana e absoluta, o RESPEITO.

Com respeito tudo é possível, TUDO. Até mesmo uma paixão compartilhada.

Acredito verdadeiramente que se O Criador nos fez dotados de inteligência foi justamente para que pudéssemos fazer nossas escolhas livremente, utilizando o raciocínio e analisando as variáveis envolvidas - sempre há prós e contras, e correr riscos é um desafio constante.

O que a sociedade fez foi criar regras que limitam nosso livre arbítrio. Regras que "pensam" por nós e "decidem" por nós. E com isso negligenciamos a inteligência tão precisosa que temos. Abrimos mão de viver 100% o que há pra viver para nos moldar a um padrão construído com base em referências que não são nossas.

Uma vida fake. Valores muitas vezes falsos. Paixões economizadas. Sentimentos reprimidos. Como se fôssemos todos bichinhos adestrados para viver de uma maneira pré estabelecida. Pra que inteligência, se existe um código de conduta que nos diz até mesmo como e quanto sentir?

Penso que nada disso faz sentido.

Porque se por um lado nada é verdadeiramente eterno, tudo pode ser eterno enquanto durar.

E pra ser eterno, tem que ser vivido, experimentado, sentido... Com toda a intensidade que puder ser. Com toda a multiplicidade que couber no teu ser.

** Apenas para esclarecer, nem tudo que escrevo aqui é sobre MIM. Estou querendo dizer que não, não estou apaixonada, muito menos por 2 pessoas. Mas poderia estar, e quis falar sobre isso porque alguns amigos queridos discutiram o assunto comigo recentemente, o que acendeu minha "luzinha" e me fez vir aqui dizer o que penso. É isso.