quarta-feira, 8 de julho de 2009

Então, Adeus!

Estou há dias resistindo à tentação de fazer uma post sobre Michael Jackson, porque não queria cair no lugar-comum nem parecer a oportunista que diz "eu sempre fui fã" só agora que ele morreu.

Mas a verdade é que eu também era fã. Não aquele tipo de fã obcecada que tem todos os discos e conhece todas as músicas e cada detalhe da história de vida do artista, não. Eu nunca fui esse tipo de fã de ninguém, não é o meu estilo, e quando gosto de um artista só o que importa pra mim, mesmo, é a sua arte.

Isso devia ser uma regra, mas infelizmente não é. Não vou ficar debatendo o papel da mídia nessa desconstrução dos mitos em busca de alguma sordidez que possa vender jornais porque não quero transformar esse post em algo chato, cansativo e óbvio. Vou apenas dizer que isso é extremamente negativo, porque muitas vezes uma obra de arte - seja ela uma música, um poema, uma pintura - é tão grandiosa quanto as adversidades vividas pelo artista, então esperar uma vida comum e exemplar dessas pessoas é uma grande bobagem.

E pra comprovar isso, basta que façamos uma rápida e superficial análise da vida de grandes ícones das artes. Desde Beethoven até John Lennon, passando por Leonardo Da Vinci, Janis Joplin, Ray Charles e Elvis Presley (só pra ficar em exemplos óbvios), temos sempre histórias de vida conturbadas que provavelmente contribuíram muito para a construção da obra dessas pessoas. É triste, mas a arte não é nada senão a expressão maior dos sentimentos mais íntimos.

Infelizmente vivemos um tempo em que a mídia, para vender notícia, impõe essa coisa de não se poder avaliar uma arte sem avaliar também a vida pessoal do artista, e uma coisa deveria ser totalmente separada da outra. Você não precisa aprovar a vida pessoal de um artista para gostar da sua obra. Você não precisa aprovar o comportamento bizarro e autodestrutivo da Amy Winehouse, por exemplo, para gostar da excelente música dela, assim como você não precisa concordar com as bizarrices de Michael Jackson para gostar do seu trabalho. Admirar o trabalho de um artista que tenha cometido algum deslize, alguma excentricidade ou até mesmo um crime não significa aprovar o comportamento "errado", porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Minha irmã Silvia escreveu lá no Orkut dela, e eu assino embaixo: "Michael Jackson, você foi incrível, e sua vida pessoal não é da minha conta".

Isso significa que sejamos contra ou a favor de algum comportamento bizarro que ele tenha apresentado, isso significa que concordamos com o estilo de vida que ele levava? Não, claro que não! Mas se estamos falando da admiração a um artista, devíamos nos ater à sua arte, concordam?

Michael Jackson foi uma grande vítima de sua própria história, desde a infância roubada e traumatizada pelo pai explorador e louco, até a convivência com a mídia sanguessuga que nunca lhe deu um único minuto de paz. Eu não sei você, que me lê, mas se EU tivesse passado por tudo o que Michael passou, com certeza seria também uma aberração, e das grandes.

E, sem polemizar, só queria dizer que eu tenho filho. E se um dia alguém encostasse 1 único dedo no meu filho, acordo financeiro milionário nenhum calaria a minha boca. Eu lutaria por justiça até meus últimos dias, com o único objetivo de ver o pedófilo atrás das grades (isso se eu não o matasse antes e fizesse justiça com minhas próprias mãos). Sendo assim, duvido muito das acusações que fizeram contra Michael. E como nada foi provado contra ele, não tenho razões para julgá-lo por aquele que seria, em tese, seu único crime realmente condenável (já que o que ele fez com o corpo dele não prejudicou a ninguém exceto a ele mesmo).

O fato é que a música de Michael Jackson fez parte da minha infância. Tenho 33 anos, então quando eu era criança de 7, 8 anos, ele já estava em carreira solo, e lembro muito bem como assistir aos videoclipes era hipnotizante, como a gente tentava imitar as coreografias, como tudo relacionado a ele era sempre muito grandioso, e como a música era sempre muito boa. Um artista completo - cantor, compositor, dançarino, produtor, ator, etc, etc, etc.

É o tipo de arte que as pessoas podem até não morrer de amores, mas dificilmente você encontra alguém que diz: "Ah, eu odeio essas músicas do Michael Jackson". É meio universal, sabe, supera a questão do gosto musical de cada um, é simplesmente Michael, diferente, único, incrível. Uma perda lamentada nos quatro cantos do mundo, como você pode ver Neste link, com as fotos das capas dos principais jornais.

Fiquei bem triste com sua morte. Ele era muito jovem e tinha muita vontade de retomar o controle da vida, amava seu público, queria fazer mais shows, queria sempre oferecer o melhor de si para o mundo, ainda que o conceito de melhor dele fosse diferente do nosso. Não dá pra saber o que se passava na cabeça dele, mas acho que aquelas emocionantes imagens dos últimos ensaios deixam isso tudo bem claro.

E depois de 12 dias da perda, veio o Funeral. Showneral, como muitos chamaram. Circo, como tantos outros criticaram. E na minha modesta opinião, foi simplesmente a homenagem mais linda que eu já vi na vida. Digno mesmo do Rei do Pop.

Que muita gente pode ter feito aquele "circo" pra tirar algum proveito da situação? Mas não tenham dúvidas! O ser humano é mesmo nojento e em qualquer situação tem sempre alguém querendo levar alguma vantagem. Sempre foi assim, sempre será. Só que isso não tira a legitimidade do sentimento verdadeiro de familiares, amigos e muitos fãs que estavam ali com o coração voltado exclusivamente para prestar uma reverência ao ídolo que partiu.

Achei muito coerente que tenham feito o funeral da maneira que fizeram. A vida de Michael Jackson foi pública praticamente desde que ele nasceu, não tinha sentido querer privacidade logo agora, que nada mais pode atingi-lo. A família dele é absolutamente bizarra e desestruturada, mas foi coerente pelo menos nesta decisão. Os fãs mereciam esta oportunidade de adeus, e ele mesmo merecia essa grandiosidade. E agora há de descansar em paz.

Sobre o Memorial, como eu já disse, foi lindo e emocionante. Não teve nada de circo (exceto a ridícula Mariah Carey com aquele decote totalmente inapropriado), foi muito respeitoso, digno, e com certeza um marco na história da música, que eu vi ao vivo e que vou lembrar pra sempre. Um típico funeral americano, com um toque "over" para deixá-lo à altura do adeus ao Rei do Pop.

Não consigo eleger um único momento marcante. O depoimento emocionado e sincero da pequena Paris foi de estraçalhar até os corações mais duros, e a homenagem de Stevie Wonder também tão sincera foi de arrepiar. E é com ela que encerro o post, fazendo minhas as palavras de Stevie.

Descanse em Paz, Michael.


6 comentários:

Fernanda disse...

também vou sentir falta dele... adorava a arte dele.
fazer o quê se a mídia só consegue prender a atenção dessa forma...
enfim, boa semana pra vc querida, com saudades de passar por aqui!
bjks~!

Sissi disse...

A pior parte é que sabendo a história do MJ de cor de salteado, os pais ainda permitiam que os filhos frequentassem a casa dele. Isto para mim era justamente a tentativa de extorsão. Um golpe muito bem aplicado, com o apoio dessa mídia nojenta, dos falsos moralistas, que só veem o que querem. Pensar nas crianças mesmo, cuidar delas, ninguém cuidou. Todo mundo com os bolsos cheios, esse maluco se auto-destruindo e a vida continuou. Um final trágico e triste que ainda renderá muitos milhões para sanguessugas da família e outros que o cercavam.

Taty disse...

Fartinha, eu concordo TANTO, mas TANTO com tudo que você escreveu que nem sei o que comentar.
Tudo o que eu disser aqui vai ficar redundante. Vc escreveu aí tudo o que eu já tinha conversado em casa e algumas coisas até postado no blog.
Eu admiro a obra de MJ, a importância que as músicas, clipes e danças tiveram na minha vida. Elas contam um pedaço da minha história, talvez o pedaço mais bonito, mais inocente e singelo.
Concordo MUITÍSSIMO q uma mãe que tem seu filho molestado não se contenta com dinheiro nenhum, a única coisa que ameniza é a prisão do molestador. O que aconteceu não foi isso, a proposta de acordo veio da própria família do menino.
Mas tudo é isso é nada, pq a vida dele não me diz respeito, tudo o que ele fez consigo mesmo não é da minha conta. O que admiro, sinto falta e guardo comigo são as obras dele, afinal, são elas que nos pertencem, né?
Eu fiquei muito emocionada com a homenagem a ele, chorei em vários momentos, principalmente qdo Paris fez aquela declaração linda pro pai.
Só lamento, Flor, que tenha sido necessário ele morrer pra que todo mundo se movimentasse e fizesse aquela cerimônia linda, que seria ainda mais linda se ele tivesse vivo pra ver e cantar a música de encerramento com todo mundo.
Só depois que ele morreu que puderam reparar um pouco no artista que perdemos pq, enquanto ele estava vivo, a única preocupação era como começar a próxima piada sobre ele. Assim como vc, acho que tb seria uma aberração das grandes se tivesse passado por tudo que ele passou.
Vixi, eu não sabia o que comentar e falei tudo isso...rs.
Desculpe ter me alongado.
Um beijo!!

Carol Lessa disse...

Realmente, Michael Jackson, é um ícone, é impossível alguém no mundo não gostar dele, as pessoas podem até "condenar" algumas atitudes que ele tenha feito, mas a música, ele como artista, sempre impecável, se renovando e nunca deixando nada a desejar.

Ele vai fazer falta com certeza, pq um artista como ele acho que nunca existirá novamente, assim como nunca existirá outro Elvis Presley, John Lennon, Van Gogh entre outros.

Beijo!

Anônimo disse...

Olá Flávia!!!
Olha dei uma passadinha aqui pra te
falar um oi tá bom!!!
Gosto de vc ok!

Enorme abraço
Carmem

Mary disse...

Oi Dona Farta...q mulher p fazer falta viu ? Eu te amo mucho !!! Eu concordo e endosso as palavras da Taty q soube se expressar mui bien, si eu tivesse q acrescentar algo mais eu repetiria a frase da Silvia sua irmã "Michael Jackson , vc foi incrível, e sua vida pessoal naum é da minha conta " nem sempre comento seu blog mas to todo dia aqui, somos mui parecidas na maneira de pensar !!! bjs