quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Desculpem os palavrões, mas... que diazinho mais FDP!

Um dia cheio mas perfeitamente possível. Era isso que meu planejamento me dizia logo pela manhã, quando abri a agenda.

Eu realmente tinha muitas coisas pra resolver, e de acordo com o meu super cronograma infalível das Organizações Tabajara daria tudo certo, desde que eu seguisse o passo-a-passo à risca.

Considerando que apenas para sacar dinheiro no caixa eletrônico do Banco do Brasil (1ª tarefa do dia) eu demorei o quíntuplo do tempo previsto (porque rodei 3 agências e estavam todas "sem sistema"), posso dizer que o dia começou mal, muito mal... Sabem como é, o raio do efeito borboleta me faria carregar aquele atraso pelo resto do dia, mas nem tudo estava perdido.

Fui para o 2º compromisso, uma reunião com uma fornecedora para fechar um contrato. Considerando que a FDP da fornecedora conseguiu tornar minha vida um inferno em 2 minutos de reunião, me tirando absolutamente do sério (logo cedo!), não preciso contar detalhes para explicar que obviamente o cronograma foi mais uma vez violado, né?

Some-se a isso o atraso carregado com a história dos caixas eletrônicos malditos que nunca funcionam quando a gente mais precisa, e tire suas próprias conclusões sobre o estado do meu super cronograma Tabajara.

Tudo bem. Respirei fundo e pensei: "Posso tirar muito desse atraso na estrada, e é isso que vou fazer!" (Atenção, eu advirto: Não façam isso nunca, ok?). 3ª Tarefa: Fui a São Roque (+ ou - 70 km. de distância pra ir e o mesmo para voltar), resolvi um problema bancário e voltei para São Paulo em menos de 1 hora e meia, não me perguntem como!

Feliz por ter tirado uma parte considerável do atraso carregado desde o início da manhã, resolvi elimintar a 4ª tarefa (almoçar, mesmo tendo jurado pra mim mesma nunca mais ficar sem almoçar), pra ganhar mais algum tempo e me reaproximar do cronograma original. A fome não costuma me atacar quando estou pilhada desse jeito, então... cortei o almoço, e voltei para a tarefa 2 porque precisava matar a FDP da forncedora que tornou minha vida um inferno.

Tá. Sou covarde e não matei a infeliz, só briguei um pouco (o suficiente para dar uns bons berros, que me fizeram parecer uma louca descontrolada por alguns minutos), e no fim das contas resolvi o raio do contrato, com muita raiva e mais atraso pra carregar no resto da tarde.

A tarefa de nº 5 era dar uma paradinha rápida num shopping no meio do caminho pra comprar um presente para a bebê de uma grande amiga que nasceu hoje (bem-vinda, Aïcha!), pois segundo meu cronograma Tabajara no final do dia eu ainda conseguiria passar na Maternidade para visitar a Léla e sua filhinha. Mas como essa compra podia ficar para mais tarde, resolvi trocá-la de posição na grade horária e fui direto para a tarefa 6.

Era por volta das 15h30. Sol a pino esquentando minha linda cuca dentro do meu pretinho básico SEM AR CONDICIONADO, e eu saindo de Osasco rumo à Vila Prudente, lá no (piiiiii) do Juda, do outro lado da cidade. Quem não é de São Paulo talvez não tenha noção, mas quem é daqui sabe que a Vila Prudente até nem é tão longe, o problema é o caminhozinho de corno e, claro, o trânsito do capeta!

Eu dentro do carro, morrendo de calor, sentindo cada parte do meu corpo cozinhar lentamente quase como uma "costela no bafo". Um medão de as minhas próteses derreterem! Penso comigo mesma: "É apenas o meio da tarde, em meia hora você estará no escritório, resolverá tudo, e então estará livre deste compromisso chato. Aguente firme". Coloquei um CD de músicas animadas e tentei entrar no clima pra dar uma distraída, e até que a tática estava funcionando, até o momento em que entrei na Marginal Tietê.

A Marginal Tietê é a mais perfeita e fiel filial do inferno, não há outra forma de descrevê-la. Quem mora em Sampa e passa por ali sabe muito bem do que estou falando, e quem não é daqui talvez nunca possa ter uma remota idéia do que significa pegar um engarrafamento na Tietê.

É assim, ó: VOCÊ ENTRA NO INFERNO, CRUZA COM O CAPETA, COMEÇA A ASSAR NO FOGO INFERNAL, QUER SAIR DE LÁ O MAIS RÁPIDO QUE PUDER MAS NÃO TEM COMO, E É CONDENADO A FICAR ALI ETERNAMENTE, ATÉ QUEM SABE CONSEGUIR SAIR UM DIA OU MORRER DE VEZ, O QUE ACONTECER PRIMEIRO.

Simples assim. Pague para entrar e reze para sair. Quando me dei conta, estava no meio da pista expressa com um caminhão gigante à minha frente, outro maior ainda do lado direito, outro cacarequento do lado esquerdo e um busão atrás. Delícia! No meio do trânsito parado, não há como sair do lugar, muito menos mudar de pista, então fiquei ali por um tempão engolindo fumaça dos veículos enormes que me ilhavam até conseguir uma brecha para tentar mudar de faixa, oportunidade esta que perdi por culpa de um motoqueiro (ou motociclista, whatever) dos infernos que, claro, passa como um furacão e ainda reclama por você estar tentando mudar de faixa. D-e-l-í-c-i-a !

Quase 1 hora depois obtive algum avanço: os caminhões estavam apenas do meu lado direito, mas no percurso... 2 km percorridos. 2 míseros quilômetros, e já era quase 16h30! Meu compromisso lá na PQP da Vila Prudente era às 17h00, de modo que eu já tinha saído da condição de adiantada para atrasada - e muito!

E o trânstio não andava. Simplesmente não andava. Aquilo vai dando um desespero na gente, vocês não têm noção! Aquela fome que eu não senti na hora que estava pilhada e correndo simplesmente apareceu como um mal súbito e em poucos instantes tomou conta de mim. Engoli uma caixinha de Tic-tac laranja em 5 minutos, o que me deu uma dor de estômago do caramba, e só fez aumentar minha necessidade de comer alguma coisa, o que era totalmetne impossível dada a minha localização. Lei de Murphy dos infermos!

Sintonizei o rádio na Sulamérica Trânsito, na esperança de ouvir alguma boa notícia sobre a melhora das condições na Marginal ou sugestão de algum caminho alternativo, mas o lucutor só repetia: "Motorista, fuja da Marginal Tietê. Está tudo parado, e entrando lá não tem alternativa! Você que está pensando em pegar a Marginal Tietê, não faça isso, porque a situação é muito ruim".

FDP de Locutor! Xinguei tanto ele! Nem pra falar nada animador... nem pra isso o infeliz presta! Fala sério!

Fiquei escutando o blablabla do trânsito ruim por alguns minutos e então me dei conta de que estava já na hora do meu compromisso. 17h00 e eu ainda estava ali, no meio da Marginal Tietê, anos luz de distância do escritório onde seria realizada a minha reunião.

Peguei o celular pra ligar e avisar sobre minha situação e, claro, o sinal estava péssimo, e o aparelho ficava dando aquela mensagenzinha de (piiiiiiiiii) de "Ligação Perdida, Tente novamente".

Minha vontade? A óbvia: abrir o vidro e lançar o aparelho bem lá no meio do rio Tietê, o que talvez tivesse me dado uma boa acalmada. Mas o senso de responsabilidade que restava em mim me impediu de fazer isso, e fiquei ali, insistindo, tentando completar uma maldita ligação, intercalando cada tentativa com o já automático: engata a primeira marcha - anda 2 metros - pisa no freio - põe o carro no ponto morto - espera mais um tantão.

Já era 17h20 quando consegui um sinal decente e a ligação completou. Estou eu conversando com a pessoa do outro lado, explicando minha situação e justificando meu atraso para a reunião, quando dou aquela olhadinha básica para os lados e o que eu vejo?

Um MALDITO MARRONZINHO DOS INFERNOS exatamente ao meu lado. Nem dava pra fingir que eu tava coçando a orelha porque, né? Acho até que ele escutou minha conversa ao celular, de tão perto do carro que estava. FDP! Acho que me multou! Mas se multou eu vou recorrer, porque até onde sei não podemos falar no celular com o carro em movimento, não é mesmo? E o que o Código de Trânsito fala sobre carro parado no meio da Marginal? Arrrrrgh!

Depois de 2 horas de Marginal Tietê (num percurso de pouco mais de 15 km.) - vejam bem, 2 MALDITAS HORAS (que eu poderia ter aproveitado fazendo tantas outras coisas), finalmente consegui sair do Inferno e entrar na ante-sala, fazendo o caminho inverso de volta para o mundo real.

Só tem mais um pequeno detalhe nesse assunto: Eu não conheço bem a região para onde estava indo. Não costumo andar para os lados de lá e não tenho os macetes dos caminhos, então tinha que seguir super ligada, com o guia de ruas abertão no banco do carona, pra não perder as entradas certas e chegar à rua na qual eu nunca tinha ido antes.

Como desgraça pouca é bobagem e, segundo a Lei de Murphy, "... Se algo pode dar errado, com certeza dará", desabou o maior temporal de todos os tempos bem no momento em que eu estava perdida no caminho, mas foi um temporal tão forte que mal dava pra enxergar a rua, quiçá as placas.

Dei vários rolês por ruas e desconfio que até fora delas, já que num determinado momento tudo vira uma coisa só - rua, calçada, canteiro, etc. Não, não sou má motorista, mas... me dêem um desconto, por favor? Vejam bem como foi meu dia! Vejam bem! Imaginem meu estado de nervos àquela altura!

Eu ali, tentando me achar, tentando enxergar as placas, abrindo 2 dedinhos do vidro do carro pra ver se os vidros desembaçavam e por consequência tomando a maior chuva, e toca meu celular (já falei que odeio telefone? pois então, ODEIO. assim. com letras maíusculas). Cliente chato, daqueles que não dá pra não atender.

Tentei atender, o homem estava doido com alguma emergência que eu não consegui compreender direito qual era por causa do barulho da chuva, a ligação caiu e aí eu fiz o melhor que pude sobre a minha real vontade: Joguei o celular debaixo do banco do carona com força suficiente para ele ficar bem longe do alcance da minha mão pelo menos por um tempo.

Já estava mais ou menos perto da rua onde seria minha reunião, só que São Paulo, como meu marido diz, é a cidade dos caminhos malucos, as ruas não formam um quadrado perfeito, então errar uma entradinha inocente às vezes pode significar uma alteração absoluta no caminho.

Preciso dizer que eu errei a entrada? Não, né? Obrigada!

Mais meia hora pra tentar reencontrar a lógica do caminho e o retorno ao ponto de onde eu errei. Precisei abrir um pouco o vidro do carro para o pára-brisas desembaçar porque a chuva estava castigando. Parei num farol vermelho e abaixei pra pegar a caixa de lenços de papel, quando sinto um jorro de água gelada tomando conta das minhas costas (eu estava abaixada).

Tinha uma poça ao meu lado. E por ela, na mão inversa, passou um carro. De todos os lugares pra onde aquela maldita água suja da poça poderia se espalhar, adivinhem onde ela escolheu? Tomei um banho de água suja da chuva, do cabelo até o meio das costas. Qual era a cor da minha blusa?

Branca, óbvio! Como eu fiquei? Pelada, claro, porque roupa branca molhada = transparência.

Onde eu estava? A 2 quadras do prédio onde os advogados me aguardavam.

E foi assim que cheguei ao escritório, por volta das 18h30. Maquiagem derretida, cabelo suado, desodorante quase vencido, blusa branca molhada e cheiro de carro mofado. Com certeza eu imporia muito respeito na negociação. Certeza!

Dei aquela disfarçada na minha apresentação pessoal com o meu super kit de emergências Tabajara, vesti o blaser, joguei uma echarpe (que nem combinava muito, mas tudo bem, era pra esconder a transparência), ajeitei os cabelos, passei um gloss e lá fui eu, tentar mantes a pose apesar da dignidade perdida ao longo dos engarrafamentos, chuvas e demais transtornos.

Obviamente esse foi o último compromisso do dia, e precisei cancelar o resto do meu super cronograma. Não deu pra passar no Fórum, não deu pra comprar o presentinho da Aïcha, não deu pra visitar minha amiga na maternidade.

A volta pra casa ainda me brindou com mais 3 horas de trânsito infernal, mais chuva, mais caos, mais tempo perdido dentro do carro, como se eu não tivesse nada mais útil na vida pra fazer.

Realmente, é o fim do mundo. Definitivamente é. E se você não é de São Paulo e pensa em vir morar aqui um dia, reveja seus conceitos. Porque, colega, na boa? É uma vidinha de corno dos infernos! E a tendência é só piorar... realmente, não sei onde vamos parar, ou melhor, eu sei: NA MARGINAL TIETÊ, sempre... a gente sempre para lá.

Estou podre, absolutamente exausta. E acabei de lembrar que preciso estender uma roupa que está na máquina senão meu filho não tem uniforme limpo pra ir pro colégio amanhã. E acabei de ver que o varal está lotado de roupas que já secaram, o que significa que eu vou ter que recolher esta roupa antes de estender a outra. Considerando que já passa da meia-noite, isso significa que eu estou Fu(****), e não vou dormir nem tão cedo.

Tá pensando que a vida é fácil? Fácil é pra Lady Kate, porque no meu caso não falta só o glamour não! Falta a grana também! E sem grana não posso ter quem faça certas coisas por mim, então... O jeito é mergulhar no roud 2 de um dia infernal e depois tentar dormir pra ver se amanhã acordo definitivamente desse pesadelo.

FUI!

8 comentários:

Maciel Queiroz disse...

Realmente priminha, desgraça pouca é bobagem! Quando as coisas caminham para dar errado, infelizmente, na maioria dos casos, elas dão mesmo. E com certeza você nunca irá trabalhar na secretaria ou mesmo numa agência de Turismo em São Paulo depois desse relato, porque realmente, para mim que estou a anos luz daí, deve ser realmente coisa de louco isso tudo, principalmente quem ta acostumado com o sossego de Natal e do interior. Por isso, espero que vc possa ter um dia maravilhoso para compensar tudo isso q passou! Xero!

Isabel BEzerra disse...

Fláviaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Que horror!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Que dia em???
Não desejo isso pro meu pior inimigo!
Aquela Marginal é o pior lugar do mundo, tive o "prazer" de passar por lá quando estive em meu "turismo" aí e peeelo amor de Deus, aquilo não existe!!!! Ficava com vontade de sair correndo!!! Mas você esqueçeu de falar sobre o odor que é oooootimo, mas acho q vcs já se acostumaram, pq eu ficava quase sem respirar!!! Enquanto q Silvia cantava, eu pensava: meu Deus! Como ela se acostumou com isso????!!!!!
Flávia se aposente e vem ´simbora´ Pro RN aqui é o céu!!!!!! Aqui moramos a 15 minutos de um dos postais mais lindo do Brasil: o morro do careca, ah não preciso nem falar de Natal né? Vc conheçe... Boa sorte no dia de hoje!!!!!!
Bjuuuuuu

Sissi disse...

Poxa, eu fiquei até com aperto no coração de ler essa sua via sacra viu... Porque olha, eu sei bem o que é atravessar a cidade... Moro na zona oeste e chegar na leste é o inferno em brasas. Aliás, chegar em qualquer lugar aqui em São Paulo é o caos, porque não só tem muito transito como tem a CET trabalhando para fazer mais transito. Você já reparou como eles PROVOCAM transito? Mas eu espero que entre dias bons e dias ruins, os bons sejam sempre maioria e esses caos sejam esporádicos. Beijos!

Fernanda disse...

que M... (seguindo a sua linha)!
enfim, realmente... com a marginal Tietê a ponte Rio-Niterói é fichinha! olha que eu pego transito!
tem dias que a gente acorda e não era pra ter saído de casa!
eu tenho muitos dias assim!
espero que a maré já tenha passado!
bjks!

Ana Maria disse...

Socorroooooo...amiga nem chamando o GRAUBI pra te ajudar viu!!
E eu ainda sinto saudade disso tudo..aff me deu falta de ar lendo seu relato..imaginando as cenas apontada e desculpe mas eu morri de rir por visualizar sua cara em todas as cenas..com vc tudo pode e tudo acontece não??
Vem morar aqui..pertinho de mim!!
beijokas
Saudade

Tina disse...

Flávia,

Só você mesmo pra conseguir transformar tanta desgraça em algo super cômico,
Beijo

Aline & Luciano disse...

APESAR DE TODAS AS BAIXAS DO DIA, ME DIVERTI MUITO COM A FORMA COM QUE CONTOU SUA DERROTA! BOM! E EU AINDA RECLAMO TODOS OS DIAS DA AVENIDA BRASIL AQUI NO RIO! O LCIANO NÃO AGUENTA MAIS ESCUTAR A MESMA LADAINHA QUE FAÇO TODO SANTO DIA QUANDO PASSO NA BRASIL, MAIS DEPOIS DESSA VEJO QUE PASSO PELO CÉU!
BJINHOS E MELHORES DIAS...

disse...

nao deu pra comentar no dia que li (sei la pq)

mas eu MORRI de rir com isso... huauhauhauhahuuhaahuahuahua