sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pensamentos Acelerados

Recebi um email que de certa forma me divertiu no meio desse mar melancólico. Dizia mais ou menos assim:

"Nossa, Dona Farta, seu Blog não é mais o mesmo! Um baixo astral, dá até medo! Antigamente a gente entrava lá e tinha sempre uma hitória engraçada pra nos divertir, mas agora, só falta tocar a marcha fúnebre ao fundo... Melhoras!"

A parte que me fez rir, só pra constar, foi a citação da marcha fúnebre, porque eu até "visualizei" na hora... e foi sim engraçado. Sempre achei que era esse o objetivo da tal marcha, aliás, que invariavelmente me provoca vontade de rir até no momento mais sombrio... só serve mesmo pra desenho animado, tipo quando o cavalo pé-de-pano do pica-pau morre, ou algo do tipo... e olha lá! (e o compositor, que eu nem sei quem é, acaba de se revirar no túmulo... desculpaê!)

Mas então... quase nada mudou de ontem pra hoje, inclusive estou aqui novamente, duas e tantas da madrugada, tentando escrever alguma coisa que faça sentido... e diante da dificuldade de organizar uma mente acelerada e entupida de pensamentos desordenados, a única coisa que consegui lembrar com um pouco mais de clareza foi da idéia que eu tive hoje à tarde.

Quer dizer, não foi exatamente uma idéia, porque a idéia propriamente dita teria que nascer de uma cabeça muito mais brilhante e equilibrada que a minha entupida de coisas desconexas... mas foi uma conjectura, digamos assim...

Porque eu sou uma pessoa que pensa muito, né? Mas um muito "muito mesmo", sabe, tipo, muuuuuuuuuuuito, com muitos "us". Ok, eu sei que essa é uma afirmação ridícula e pretensiosa, mas é a pura verdade, eu penso demais, o tempo todo, todo o tempo, e geralmente penso em muitas coisas ao mesmo tempo, daí depois não consigo organizar quase nada porque, né? Impossível.

Eu realmente devia organizar alguma coisa nessa minha vida caótica e bem podia começar por organizar meus pensamentos, mas nem isso tenho dado conta, né fácil não...

E se tem um momento do dia (ou da noite) em que eu penso ainda mais do que o "normal", esse momento é quando estou dirigindo... Porque a gente fica lá, dirgindo, dirigindo, e dirigindo, sem poder fazer nenhuma outra coisa - o que é um abusrdo e uma perda de tempo descomunal, na minha opinião - e ainda bem que pelo menos pensar a gente pode, porque o "seu guarda" nem tem como fiscalizar isso, né?

Quem me conhece bem sabe que essa minha mania de não conseguir não fazer nada já me motivou a criar técnicas espetaculares para fazer outras coisas enquanto dirijo, então hoje em dia eu faço tricô no carro, leio no carro, mando torpedos sms no carro, marco consultas médicas, desmarco compromissos, dentre várias outras coisinhas menos importantes. Pegar carona comigo significa carregar no colo agulhas de tricô, novelos de lã, o jornal do dia, revistas e o livro do momento, porque o único tempo que eu tenho no meu dia para fazer tricô, ler jornal, revista e/ou um livro é justamente quando estou dirigindo. Fora do carro tenho sempre tantas outras coisas pra fazer que nada disso é possível. Vocês já conhecem a ladainha.

Tá. Mas lógico que não faço essas coisas todas literalmente "enquanto dirijo", né? Ainda não tenho superpoderes não! Eu faço quando paro no farol vermelho, quando pego engarrafamento, enfim, faço nos intervalos entre um movimento e outro, tenho uma técnica que vocês não imaginam, e quem conhece o trânsito de São Paulo sabe bem que, seguindo esta minha técnica, dá pra matar o frio de metade do mundo só com casacos de lã produzidos nas horas de engarrafamento. Bendito tricô! Todo mundo devia saber fazer tricô!


O meu maior problema, no entanto, é o ócio das horas de movimento do carro. Tipo, quando a gente dirige sem pegar trânsito, sem pegar farol vermelho, sem enfrentar pontos de parada, ou seja, sem poder fazer tricô ou mandar mensagens ou ler ou qualquer outra coisa que envolva tirar as mãos do voltante e os olhos da pista. Tipo quando eu dirijo como diriji hoje à tarde, por exemplo.

Eu tinha que ir a vários Fóruns.

Um na baixa da égua. Outro nos cafundó do brejo. Outro na casa do chapéu. E outro onde o Judas perdeu as botas. Um consideravelmente longe do outro, e o lado positivo (existe um?) é que nenhum deles ficava exatamente em áreas urbanas normalmente entupidas, então a maior parte do trajeto era feita em vias de trânsito rápido e estradas, ou seja, sem um sinalzinho vermelho que fosse pra eu fazer 2 carreiras do meu tricô. Nada de semáforos, nada de engarrafamento, nada de paradinhas compassadas, apenas movimento, movimento e mais movimento.

O que fazer em horas e mais horas ao volante, dirigindo de um canto para o outro, sem poder largar o maledetto do volante e sem poder tirar os olhos do entediante caminho?

Sim, eu ouço a Band News e a CBN por tempo suficiente para saber de cor todas as notícias até a outra galáxia e inclusive para saber que a maioria delas são repetidas a cada hora na programação cotidiana, de modo que chega uma hora que o rádio fica lá falando e eu nem estou mais tomando conhecimento do que se passa.

Aí eu coloco um CD, mas só ouvir música é muito pouco para um cérebro acelerado como o meu, então eu fico lá pensando, né... pensando freneticamente, em tudo, no mundo todo, nas coisas todas, tudo ao mesmo tempo, converso, falo, gesticulo, uso entonações diferentes de voz, testo empostações, e é nessas horas que brotam da minha mente roteiros inteiros de filmes que eu adoraria assistir, histórias inteiras de livros que eu adoraria ler, artigos inteiros de publicações que eu gostaria de acompanhar, os sermões mais perfeitos de todos os tempos que eu adoraria passar em certas pessoas, e mais um monte de coisas que formam textos, textos e mais textos bons, excelentes, ruins, não importa... poderiam pelo menos virar qualquer coisa, na pior das hipóteses um bom e decente post para esse blog fúnebre (sic!), como qualificou a moça do email citado no início, mas acabam não virando nada, sabem porquê?

Porque os pensamentos desaparecem na mesma velocidade que chegam, e se eu estou ali, dirigindo, não consigo fazer nada para aprisioná-los de qualquer modo que seja. Pense numa agonia!

Eu poderia parar o carro e anotar enlouquecidamente todas as coisas num caderninho, mas vamos combinar que eu ainda tenho um tiquinho de lucidez que me empurra para o cumprimento das minhas obrigações, e se as obrigações em questão significam chegar ao Fórum X a tempo de resolver as coisas, eu não posso parar no meio do caminho pra anotar pensamentos, né?

Não consigo entender porque as melhores idéias me vêm sempre nesses momentos inoportunos!

Às vezes fico rolando na cama, insone, pensando aceleradamente como sempre, mas nessas horas os pensamentos são tão idiotas que eu praticamente os ignoro, tentando abrir caminho para aqueles bons de verdade, mas eles só reaparecem no dia seguinte, em algum lugar no caminho, para que eu não possa, mais uma vez, aprisioná-los.

Parece um jogo de gato e rato.

Hoje eu criei coisas incríveis, fiquei orgulhosa de mim mesma, dentre muitas coisas bacanas "escrevi mentalmente" o manifesto perfeito, o texto ia fluindo e eu ia repetindo: "Eu preciso me lembrar disso mais tarde, eu preciso me lembrar disso mais tarde, eu preciso colocar isso no papel, eu preciso digitar isso", mas cadê alguma coisa que preste pra eu dividir com vocês agora? Foi-se tudo, as coisas todas, as histórias todas e os argumentos tão bem construídos, perderam-se em algum lugar onde não consigo mais buscar, e me sobra apenas a frustração de estar agora, de madrugada, diante de um teclado, com silêncio e escuridão ao meu redor, no ambiente mais propício do mundo e os pensamentos bons estarem a uma distância segura o bastante para que eu não consiga resgatar nem um fiozinho que seja.

Sobra esse monte de baboseiras, e eu vou digitando pela necessidade de sacudir palavras e transformá-las em qualquer coisa legível, por menos sentido que façam.

Deviam inventar um mecanismo de melhor aproveitamente do tempo enquando se está dirigindo. Qualquer coisa, um teclado acoplado ao volante, um gravador de pensamentos, qualquer coisa que diminua esta sensação de horas e mais horas perdidas ao volante.

O tempo é precioso demais pra mim. Odeio perdê-lo, desperdiçá-lo, usá-lo mal.

Quero ter um epitáfio legal quando morrer. Adoro epitáfios. Mas nem consigo produzir nada que preste de verdade, só mesmo a parte chata das minhas obrigações profissionais, e isso me faz pensar que se eu morresse amanhã, por exemplo, meu epitáfio mais honesto seria assim:

"Vim, dirigi, fui a muitos fóruns, fiz um pouco de tricô e morri."

...

...

...


Pode rir agora.


Eu também ri dessa situação toda tão patética... E que Deus conserve em mim, antes de qualquer outra coisa, a capacidade de rir das minhas prórpias mazelas... Até porque, já dizia minha mãezinha, é melhor rir do que chorar... ainda que seja um riso melancólico.

9 comentários:

Fernanda disse...

menina...
tentei aprender tricô mas não consegui! sou impaciente demais pra isso!
ainda estou na galera do vai passar... calma que vai passar!
bjks e melhoras!

Erica disse...

Mor do céu....

Não sei quem é mais louca. Vc q escreveu esse post louco, ou eu q fiquei aqui lendo até a última letrinha....rsrs

beijos

Vanessa disse...

Minha finada vovó (mãe do meu pai) insistiu a beça para que eu aprendesse tricê crochê, foi uma negação.
A única lição que aprendi com ela foi a culinária, quer dizer, até para minha subsistência rsrs.
Enfim, beijos e ótimo feriado fada!
PS Que tristeza é essa? Ai ai ai hein?!

Sissi disse...

Amadíssima amiga, estou aqui ainda para aquele café que não conseguimos marcar viu. Sei que não sou a melhor pessoa do mundo para boas energias no momento, mas se servir umas energias capengas, aqui estou. Fora isso, lembre-se que não há pressa nenhuma de colocar as coisas em ordem, senão no seu tempo, no seu ritmo, na sua vontade. Beijos e beijos e beijos.

Alini Soriano disse...

Aiai....eu adoro tricô,mas to sem paciencia pra tentar fazer alguma coisa diferente de cachecol...

Eu ri muito com esse seu texto...

Desde criança penso em desenhos...o tempo todo....agora eu desenho em unhas.

Sou aceleradíssima...mas nem tanto assim pra estudar

Enfim o mestrado vai indo...quando eu quero faço um trabalho nas normas da ABNT todo bonito com 15 páginas em 1 sentada no computador...kkkk

Um Beijooooo

@LaDespistada disse...

Por favor, use um gravador!!!
Vc pilota muito bem, meu bem, mas ainda assim é perigoso fazer tds essas incontáveis coisas q vc faz ao volante...
Promete q vai usar um gravador e tentar se controlar?
Cuide-se!
Bjs,
Robertinha

Marília de Souza Lopes disse...

Querida!!!

Vamos arrumar U.R.G.E.N.T.E. um gravador digital prá você.... daqueles que você amarra no pulso....

Você tem idéias MARAVILHOSAS e até as ditas "fúnebres" são ótimas!!!

ADOREI o post!!!!

Marilia disse...

Querida!!!

Vamos arrumar U.R.G.E.N.T.E. um gravador digital prá você.... daqueles que você amarra no pulso....

Você tem idéias MARAVILHOSAS e até as ditas "fúnebres" são ótimas!!!

ADOREI o post!!!!

@LaDespistada disse...

Por favor, use um gravador!!!
Vc pilota muito bem, meu bem, mas ainda assim é perigoso fazer tds essas incontáveis coisas q vc faz ao volante...
Promete q vai usar um gravador e tentar se controlar?
Cuide-se!
Bjs,
Robertinha