terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Ó paí, Ó!


Tá difícil começar a escrever sobre esse filme... fico procurando as palavras certas pra não parecer preconceituosa, coisa que quem me conhece sabe muito bem que eu NÃO SOU!

Mas vamos lá... depois de um longo e tenebroso inverno longe do meu hobbie predileto, ontem à noite eu voltei à ativa, ou melhor, tentei voltar à ativa... O maridão alugou alguns filmes no final de semana, e sabendo do meu gosto peculiar pelo cinema nacional, escolheu esse título que ainda não tínhamos visto.

Ó paí, Ó é, antes de mais nada, a "compressão" de uma expressão tipicamente baiana, que significa algo mais ou menos como "olhe pra isso, olhe!"... uma forma de chamar a atenção pra alguma coisa.

E o filme é nada mais nada menos que uma sucessão de situações para as quais, aos acostumados, a tal expressão viria na ponta da língua imediatamente. Ó paí, ó!!!

Trata-se do último dia de Carnaval, na Bahia. E somos enviados pra dentro do cotidiano de uma série de pessoas que vivem num cortiço no Pelourinho, baianos típicos loucos por Carnaval, cujas vidas giram exclusivamente em torno deste "evento" durante esta época do ano. No dia em questão, estão todos alvoroçados por conta da notícia de que a dona do cortiço, uma evangélica fanática e fervorosa (mas não tão "santa" assim), vai cortar a água do lugar, por causa dos atrasos no pagamento do aluguel.

Neste cenário, somos apresentados aos moradores do tal cortiço, todas figuras previsibilíssimas, todos clichês. Há a mãe-de-santo encrenqueira, o travesti prostituído, o "malandro" que deixa a mulher grávida em casa pra cair na farra, a mãe solteira de muitos filhos, a ninfetinha sensual, a sapatão dona de um bar e até uma baiana regressa do exterior, pra onde foi levada por um gringo que, lógico, queria descobri com mais calma os "prazeres da mulher baiana". E há o pintor de carrinhos de ambulantes, vivido por Lázaro Ramos, sempre excelente, a única personagem não tão previsível e não tão clichê da tal "trama".

Isso é o filme. Entre situações cotidianas cômicas, trágicas e tragicômicas, vamos assistindo as histórias de cada personagem em mais um dia de Carnaval. Vemos como a vida dos baianos (na maioria), funciona muito em função do que a grande festa pagã significa praquele povo. Vemos como eles lutam pela manutenção do orgulho de suas raízes raciais, culturais e religiosas, e como tudo isso pode significar um mundo completamente à parte pra quem não é de lá.

Mas, embora a intenção seja boa, acho que o filme derrapa feio ao ridicularizar seus próprios heróis, ao ridicularizar sua própria crença e a crença alheia, e ao contribuir para a opinião geral de que baiano quer mesmo é festa, custe o que custar...

Se o filme faz rir? Sim, eu mesma ri muito com alguma situações divertidíssimas, e fiquei surpresa com a competência de um elenco quase em sua maioria anônimo ao grande público. Muitos diálogos são engraçados, mesmo que à custa do humor preconceituoso. Há também a dupla de garotos, filhos da fanática religiosa dona do cortiço, dois meninos fofos e muito "espertos", o que há de melhor no filme, na minha humilde opinião...

Lázaro Ramos está, como sempre, muito bem, mas o papel é assim assim, máomeno, embora há que se destacar o diálogo emocionado de sua personagem ao defender sua raça... E Wagner Moura, o "nome do momento" faz um papel totalmente distante do seu mais recente Capitão Nascimento, mas é uma personagem meio sem sentido, mal aproveitada e mal desenvolvida.

Se eu indico? Não! Mas... se você tem raízes baianas, talvez goste mais do que eu, talvez veja mais sentido do que eu vi.

Um comentário:

Fernanda disse...

eu nao assisti esse filme.... nao fiquei muito interessada tbm

Um que eu gostei (é bem cliche tbm, envolve qse todos esses personagens que vc disse ai), é AMARELO MANGA.
Assiste e me diga... eu estava na locadora a toa, peguei e fui ver... ri e me diverti.. e o final dele é primoroso...rs
É bem "bobinho"... mas quebra um galho

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