terça-feira, 5 de agosto de 2008

Blogagem Coletiva em Prol da Amamentação

Acabei de assistir o programa da TV Globo "Profissão Repórter" (ótimo, por sinal!), e a edição de hoje abordou o tema maternidade, cobrindo a gestação, parto e pós-parto de várias mulheres em diversos pontos do país.

Como sempre quando o assunto é Brasil, o que acaba predominando é a miséria e a total falta de recursos dos hospitais públicos que atendem a maioria da população carente.

Não dá pra acreditar que em pleno ano 2008 ainda existam hospitais públicos onde não há sequer uma incubadora e onde a situação seja tão precária que a mãe recém-parida tenha que dividir o desconfortável leito com seu bebé recém-nascido. Não dá pra acreditar que em tempos como os de hoje existam moças de 20 e poucos anos que estão grávidas do 5º, 6º, 7º filho, quando é mais que óbvio que a estrutura familiar e financeira que possuem não seria satisfatória nem mesmo para criar um único filho. Não dá pra acreditar em muita coisa, aliás. Mas a gente sabe que é verdade, e que o programa-documentário que citei acima mostrou apenas 1 milésimo da realidade que acontece a todo minuto Brasilzão afora.

Uma pena, pra dizer o mínimo. O momento em que uma mulher dá à luz é tão sublime que não devia ser manchado por tragédia nenhuma, muito menos pela tragédia social.

Eu sempre me emociono quando vejo cenas, fotos ou filmes de nascimento. Aliás, sou meio compulsiva por este assunto, adoro ver programas que mostram partos e sempre que minhas amigas deixam vejo repetidas vezes as imagens do nascimento de seus filhos, e choro sempre, sempre! É o milagre mais lindo do ciclo da vida, sem dúvida que é! Não entendo muito como tem gente que dispensa essa experiência, mas juro que respeito!

Mas vamos mudar o rumo dessa prosa, e vamos ao que interessa. Toda essa história de dar à luz me lembrou da questão da blogagem coletiva que eu tinha visto na semana passada, e que deixei "na memória" pra ver melhor depois, e acabou passando. Ainda bem que lembrei agora, em tempo!

Antes de mais nada, preciso explicar que é a primeira vez que participo de algo deste tipo - blogagem coletiva - então não sei se estou fazendo do jeito certo (espero que sim!), mas juro que a intenção é a melhor possível!

O importante é que de 01 a 07 de Agosto acontece a Semana Mundial pela Amamentação, que objetiva divulgar e promover os benefícios do aleitamento materno. Aproveitando a ocasião o Blog "Síndrome de Estocolmo" lançou a idéia da Blogagem Coletiva, de modo que o assunto fosse divulgado no maior número de Blogs possível e, consequentemente, acessado por muita gente. E cá estou eu, para dar meu testemunho particular sobre esta questão tão fundamental.

Durante toda a minha gravidez, lembro que um dos meus maiores medos era não conseguir amamentar meu bebê. Tinha esse medo porque minha mãe não amamentou nenhuma das filhas, naquele tempo não havia tanto estímulo ao aleitamento, e as pessoas tendiam a achar mais "saudável" usar o leite em pó com algum tipo de engrossante, e além disso ela sempre dizia que não tinha leite, que o leite secava muito rápido, que era fraco, coisas assim.

Eu sempre quis amamentar, muito. Queria com todas as forças do universo, então infernizei a vida do médico pra que ele me orientasse a tudo que fosse possível eu fazer enquanto grávida pra garantir a amamentação depois, queria tomar remédio pra produzir mais leite, queria usar pomadas, queria fazer tudo que estivesse ao meu alcance. E lia muito sobre o assunto, tudo que estivesse ao meu alcance. Comprava todas as revistas de gestante que via nas bancas, lia muita coisa também em livros e na internet, e aos poucos fui me tranquilizando porque essas literaturas me mostravam que amamentar é possível para QUALQUER mãe, sempre!

Quando o Lucas nasceu e veio para o quarto, algumas horas depois, ele não queria mamar. Ficou virando o rostinho pra lá e pra cá e não teve Cristo que fizesse ele abocanhar o mamilo como um bebê faminto sempre faz. Lembro da cena como se fosse hoje e meu marido também a descreve com perfeição: Eu abri o maior berreiro. Fiquei arrasada, desorientada, e só conseguia dizer: "Ah, meu Deus, meu filho não vai mamar, serei uma péssima mãe, não vou conseguir amamentar!". Foi muito traumático mesmo, porque eu via todos os bebês já nascerem doidos por uma mamada, e meu filho não queria nem chegar perto.

Aos poucos as enfermeiras do hospital foram me tranquilizando, me diziam que isso era normal e que alguns bebês simplesmente não nascem com fome, e que eu conseguiria sim amamentar, que tudo era uma questão de o meu time sincronizar com o time do bebê. Fiquei meio desconfiada, mas reavivei minhas esperanças, e realmente deu certo. No dia seguinte o Lucas já estava faminto, e nesta condição travou uma batalha com o seio da mamãe mas no fim das contas conseguiu mamar. Aquele foi um momento de glória quase tão incrível como o momento do nascimento. Como eu sonhei com aquela emoção! Foi demais, eu fico com os olhos marejados só de lembrar...




Ainda demorou um bom tempo até que a coisa toda funcionasse pra valer. Primeiro foi meu leite que "desceu" todo de uma vez e me transformou numa aberração da natureza, com tanto leite que parecia que eu ia explodir. O bebê não dava conta daquele leite todo, então meu seio empedrou, eu tive febre e dores horríveis como nunca antes na minha vida. Foi um processo aprender a tirar o leite, e nessa época eu fiz muitas doações para o banco de leite, o que me deixava bem feliz, mas o sofrimento era grande.

Depois foi o bico do seio que passou por etapas cada vez mais destruidoras. Ficou em carne viva, depois trincou todo, depois sangrou, e depois se despedaçou. Cada mamada do Lucas era uma tortura pra mim, e minha mãe não gostava nem de ficar perto porque era o bebê mamando e as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Muita gente me dizia pra parar com aquilo, que era sofrimento demais, mas a minha vontade de amamentar meu filho era tão grande que me fez ser mais forte e suportar esse sofrimento todo, e garanto que valeu à pena.

Todo esse drama aconteceu nas primeiras semanas, e antes mesmo de o bebê completar 1 mês de vida a situação já estava normalizada, porque a natureza é sábia e, se dermos um tempinho pra ela, tudo se ajeita, de verdade! Com o passar dos dias a quantidade de leite que o organismo produz se torna proporcional às necessidades do bebê, as rachaduras e machucados no bico do seio cicatrizam, as dores vão embora e o que sobra é a sensação mais maravilhosa do mundo que é alimentar o próprio filho. E a partir daí, pessoal, é só alegria!

Amamentei meu filho exclusivamente com leite materno até os 5 meses de vida. Nesse período ele não bebia água, não tomava cházinho, não bebia outro tipo de leite, absolutamente nada. Era só peito, e nada mais. Vira e mexe aparecia alguma senhora "entendida" que dizia que o bebê ia desidratar, que eu devia dar água porque era verão, que o leite podia não ser "forte o bastante" porque o bebê não estava gordão, coisas desse tipo, mas como eu tinha lido muito na gestação já estava preparada para todas estas questões, e mesmo comprando uma briga aqui e outra ali nunca meu filho tomou nada que não fosse o meu leite. Depois dos 5 meses outros alimentos foram introduzidos na sua dieta, mas ele continou mamando no peito até 1 ano, e largou por vontade dele, porque se fosse por mim, ah... eu não teria parado.

Amamentar é demais, é fantástico, é o momento mais incrível de uma mãe com o seu filho, uma exclusividade nossa, das fêmeas, e é uma prazer que não deve ser descartado nunca. Eu sinto muita saudade, e até hoje se vejo uma mãe amamentando um bebê fico olhando e imaginando como era bom quando eu mesma vivia aquela experiência. Saudade!

Mas, o mais importante é que além de ser uma experiência transcedental, amamentar é também a melhor coisa que uma mãe pode fazer pela saúde do próprio filho. O leite materno é o alimento ideal para qualquer bebê, é a única coisa de que ele precisa pra crescer forte e saudável, e é sempre suficiente para todas as necessidades de qualquer bebê, sem exceção.

Meu filho é uma criança pra lá de saudável, graças a Deus. Desde novinho dormia super bem, a noite inteira, não teve cólicas ou qualquer outra alteração intestinal que o fizesse ficar mais agitado (porque o esforço que o bebê faz para sugar o seio da mãe contribui também para a eliminação dos gases, evitando assim as cólicas tão temidas pelas mães). Nunca ficou doente, à exceção de uma ou outra virosezinha comum de criança, coisas assim, mas doença séria nunca teve, nunca ficou hospitalizado, nunca precisou tomar injeção, nada. É um touro de forte, transpira saúde, e os exames de sangue dele são de fazer inveja, perfeitos! Tem uma saúde de ferro, e eu tenho certeza absoluta que ele é assim porque recebeu no seu primeiro ano de vida o melhor remédio que qualquer criança pode receber, o remédio contra todas as doenças da vida, que é o leite materno. Além de todos os nutrientes, o leite materno foi sempre engrossado com muito amor, e não há alimento artificial no mundo que substitua essa combinação!

Amamentar é fácil, mais fácil do que imaginamos. O fundamental é ter paciência, porque nas primeiras semanas é super comum acontecerem essas coisas que aconteceram comigo (e tantas outras), há sim algum sofrimento e ninguém gosta de sentir dor, mas temos que ser fortes e pensar que é para o bem do nosso próprio filho, e que o sofrimento vai passar e depois só vai ficar a parte boa.

Também é comum o bebê chorar e aparentar que não está satisfeito com o que mamou, o que leva as mães a um dos maiores erros na minha opinião, que é acreditar que "o leite é fraco e não sacia o bebê", opinião lamentavelmente corroborada por alguns médicos irresponsáveis. As mães cedem à pressão do choro do bebê (que é natural, porque bebê chora, né, gente!), e acabam incluindo na dieta as tais "fórmulas" que nada mais são do que alimento falso, que pode ficar bem parecido mas jamais terá a mesma qualidade do leite materno. Aí o bebê começa a ter cólicas, a ter alterações no funcionamento do intestino, e as mães entram naquele ciclo vicioso de trocar a fórmula, dar remédio pra cólica e passar noites inteiras em claro porque o organismo de seus filhos está gritando por aquilo que a natureza lhe daria mas que a mãe não teve paciência pra dar.

Claro que não estou generalizando e que aqui ou ali podem existir casos em que realmente o desmame é recomendado e a introdução do leite artificial é inevitável. Não sou médica, mas já li muito a respeito, já vi documentários e estou sempre ligada nesse assunto, e sei que existem trocentos estudos científicos que comprovam tudo o que eu escrevi acima, ou seja, que não há leite fraco e que se o bebê demonstra não estar satisfeito é porque ainda não sincronizou com a produção de leite da mãe, mas que com paciência a coisa se ajeita em poucos dias.

Por tudo isso eu sou não só defensora do aleitamento, como sou ativista mesmo. Quando uma amiga está grávida, a primeira coisa que eu pergunto é se ela pretende amamentar, e fico o tempo todo falando sobre isso e contando da minha experiência pra tentar contribuir com o apoio moral, pra que ela seja forte na hora do aperto e aguente até que tudo fique bem.

Quando vi a sugestão da Blogagem Coletiva sobre este assunto, portanto, me animei na hora, e agora estou aqui pra dizer pra todo mundo que me lê que amamentar não é só importante, mas FUNDAMENTAL.

Se você conhece alguém que esteja grávida, fale sobre o assunto. Estimule, defenda, propague os benefícios da amamentação. Os bebês agradecerão no futuro, em forma de muita saúde e vivacidade!

E pra finalizar, já que estamos falando do milagre da vida, deixo beijos especiais pra minhas amigas e futuras mamães Carla, Patrícia, Valéria, Lana, Adriana e Polyana, que em breve, se Deus quiser, estarão exibindo seus bebês orgulhosamente nos braços, e amamentando com muito amor.

5 comentários:

adriana noiva disse...

Seu depoimento me emocionou, tbm tnho muita vontade de amamentar e não vejo a hora de poder amamentar minha princesa...
Comecei a ver o profissão reporter , mas tive que mudar de canal, além da indignação fiquei impressinada com a falta de recursos deste pais.
Obrigada pelo seu depoimento!

Vanessa disse...

Fiquei emocionada tb fada e viajei pra ser bem sincera.
Li seu posta hoje e já comentei algo sobre ele no meu blog, e da minha vontade de ser mãe novamente.
Didi e eu estamos pensando seriamente.
Dá uma lida lá, minha mãe sofreu em não poder me dá leite mas graças a deus ela conseguiu um pra me dar...choro quando lembro dessa passagem que meu pai vire e mexe comenta.
beijos da Van

♥Dani Ventura♥ disse...

A-D-O-R-E-I!!!!

Perfeito o post!!!

Isso só me faz ter mais e mais vontade de ter um baby!!!

E que foto linda é akela????!!!

Eu sou meio fresca com tudo, meio medrosa, só em pensar em dor, ou sangue ou coisas do tipo minhas pernas ficam bambas, minhas amigas perguntam como eu quero engravidar se sou mole desse jeito,e reposndo justamente sobre o que vc falou, que quando se é mãe, a gente tira uma força lá de dentro, e suporta e supera tudo!

beijos querida!

Tina disse...

Lembro até hoje tbém dos meus bicos rachados qdo a Amanda nasceu..... mas com o João já estava esperta e passei uma pomadinha milagrosa e nada rachou,ufa!!!!!

Valeria Stoian Mourad disse...

Adorei!!! Era tudo o que eu precisava saber para afastar os meus medos. Tks