terça-feira, 22 de abril de 2008

Dia do Velho... do MEU velho!

Como já falei num post recente, Abril é um mês agitadíssimo no clã dos Aguilhar-Cruz-Ribeiro-e-Agregados...

Hoje - 22 de Abril - além de ser o dia comemorativo do Descobrimento do Brasil, além de ser o Dia Mundial do Planeta Terra, além de ser o Dia da Força Aérea Brasileira, é também o "Dia do meu Velho"... Hoje meu papis comemora sua 58ª primavera, e eu não poderia deixar de registrar uma data tão importante aqui no meu cantinho!

Falar de pai é arriscado... falar do MEU pai é ainda mais arriscado. Posso pender para a pieguice de dizer que ele é meu herói, meu exemplo, blablabla, ou posso pender para um lado bem menos romântico de dizer que ele é, por exemplo, sem noção, e que às vezes dá um trabalhooooooo.

Na verdade meu pai é um misto disso tudo. Quando eu tinha uns 9 ou 10 anos - lembro-me como se fosse hoje, ganhei meu primeiro concurso de redação na escola, e adivinhem qual foi o tema? Pois é.

É uma pena que eu não tenha essa "preciosidade" guardada até hoje, mas consigo me lembrar - acreditem, de quase todo o conteúdo... Lembro que escrevi sobre a história do meu pai, como eu o admirava pela coragem que ele teve de deixar o aconchego do lar (lá no sertão do Nordeste) e vir encarar sozinho a "selva de pedra" com apenas 17 anos, e como ele conseguiu, apesar de todas as dificuldades, escrever sua história aqui em São Paulo, construindo uma carreira modesta de trabalhador braçal (mas extremamente digna), construindo uma família, um lar.

Muito do que aprendi na vida sobre a diferença entre ter estudo e ser sábio, aprendi com o exemplo do meu pai. Ele não tem estudo, fez apenas o primário (algo como estudar até a 3ª ou 4ª série hoje em dia), tem uma origem simples, humilde, mas possui uma sabedoria admirável. E aquele jeitão que só quem conhece o "Sr. Washinton" (assim mesmo, sem o G) sabe como é... quietão, caladão, sossegadão.

Pensem na dureza que foi para esse homem conviver praticamente a vida inteira sob o mesmo teto que 5 mulheres de personalidade fortíssima! Tarefa difícil, reconheço. Mas meu pai deu conta do recado, à sua moda, mas deu. Trabalhou duro a vida inteira, nunca em toda a minha vida (juro!) vi meu pai faltar um único dia no emprego, muito menos chegar atrasado ou sair mais cedo, sempre foi extremamente responsável e dedicado a prover o nosso sustento e a nossa formação, e, claro, os frutos vieram!

Se meu pai não pôde nos ajudar com as equações de matemática ou com análises sintáticas por não ter estudos para tanto, pôde, por outro lado, nos passar lições preciosas de vida.

Minha mãe sempre dizia que eu, particularmente, era a "queridinha do papai". Eu sempre contestava, até porque meu pai não é do tipo que demonstra predileção, ele é muito quietão, é uma figura ímpar que só mesmo conhecendo... Mas, no fundo no fundo, eu sei que era (e é) mais ou menos isso mesmo... Talvez por eu ser a mais velha, talvez por eu ter sido a mais rebelde, não sei... só sei que até hoje meu pai faz questão de "cuidar" de mim, mesmo que eu não precise mais (em tese) ser cuidada.

De vez em quando ele passa aqui em casa de manhã, aquela passadinha rápida à moda Seu Washinton, mas nunca deixa de perguntar se eu estou precisando de alguma coisa, se tem alguma conta que ele possa pagar pra mim, se tem gasolina no meu carro, e coisas do gênero. É o jeito dele de dizer "se precisar me chame!".

E sabe aquela história de que são os pequenos gestos que demonstram grandes sentimentos? Então. Outro dia eu fiquei até emocionada, por uma coisinha boba, mas que me tocou profundamente:

Meu pai apareceu aqui em casa umas 7 horas da noite, com uma sacolinha. Eu me surpreendi porque não é o horário habitual da visitinha dele, e então ele disse: "Ah, o carro da pamonha passou lá na rua agora há pouco, daí eu resolvi comprar umas pamonhas pra te trazer porque sei que você gosta!" (eu amo pamonha!). Deixou a pamonha, não quis ficar pra jantar, fez o tradicional interrogatório "Tá tudo bem?/tem gasolina no carro/tá precisando de alguma coisa?" e foi embora. E eu fiquei aqui, emocionada, curtindo o momento e sentindo como é incrivelmente bom ter um pai.

Ele é imperfeito, claro... De vez em quando dá umas pisadinhas na bola, de vez em quando nos enfurece se comportando praticamente como um adolescente, principalmente depois que minha mãe se foi... De vez em quando temos que ter conversas sérias com ele, como se os papéis se invertessem, mas talvez esteja justamente aí o sentido de tudo nessa vida, vai saber...

O fato é que ele é meu pai, e de uma forma ou de outra, será sempre o meu herói, aquele me que levou pela primeira vez a um estádio de futebol mesmo eu sendo uma menininha de 5 anos de idade - e me ensinou a arte de ser SãoPaulina (êêêê!), aquele que me apoiou nos momentos difíceis mesmo quando eu merecia na verdade um belo castigo, aquele que teve paciência comigo quando ninguém mais parecia ter, aquele que me ensinou muito sobre equilíbrio e moderação, e aquele que até hoje consegue ver em mim apenas uma menina, uma menina que precisa e sempre vai precisar de um colo de pai.
Feliz Aniversário, Pai!
Te Amo muito, te admiro muito, sei que também pego muito no seu pé e às vezes brigo muito com você, mas, usando o seu próprio jargão, "é para o seu bem"!

Um comentário:

Fê, a noiva neurótica! disse...

aeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee



cade vc cabeçao?

sumiu :(


muuuuita saudade