quarta-feira, 11 de junho de 2008

Eu tive um Sonho

Eis um fenômeno difícil de se entender... o SONHO...

Significado da palavra segundo o Dicionário Michaelis:
so.nho (lat somniu) sm 1. Representação em nossa mente de alguma coisa ou fato, enquanto dormimos. 2. Coisa imaginada, mas sem existência real no mundo dos sentidos. 3. Idéia com a qual nos orgulhamos; idéia que alimentamos; pensamento dominante que seguimos com interesse ou paixão.

Dizem que sonhamos todas as noites, mas às vezes não lembramos... Talvez seja por aí mesmo... eis um mistério da mente humana difícil de se explicar, muito menos de se entender...

Eu particularmente sonho muito. Geralmente são sonhos malucos que não fazem o menor sentido, algumas vezes são sonhos divertidos, outras vezes angustiantes, mas geralmente são sonhos (pelo menos os que me lembro) com pessoas que fazem parte da minha vida, às vezes pessoas com as quais perdi o contato há muito tempo, o que sempre me deixa intrigada: Por que meu subconsciente me leva a estabelecer relações nos sonhos com pessoas das quais eu sequer lembrava?
Não dá mesmo pra entender, e talvez tentar entender seja um desperdício de tempo...

Mas esta noite eu tive um sonho especial, um sonho que me provocou uma avalanche de sensações e emoções: Sonhei com a minha mãe.

Eu sonho bastante com ela, graças a Deus, e na maioria das vezes a vejo saudável, como nos bons, velhos e saudosos tempos... Já sonhei com ela festejando comigo, conversando comigo, passeando comigo, brigando comigo...

Mas essa noite foi diferente: ela estava doente e frágil, e dizia o tempo todo pra nós (eu e minhas irmãs) que precisava ter certeza de que ficaríamos bem sem ela... Dizia que estava com medo de ir embora, mas que isso seria mais fácil se nós prometêssemos que cuidaríamos umas das outras...

Foi extremamente angustiante. Eu fazia massagem nos pés dela com um óleo hidratente (costumava fazer isso sempre que chegava no hospital pra ficar com ela), e ia tentando acalmá-la daquelas idéias, repetindo que tudo ia ficar bem e que ela devia parar de falar aquelas bobagens de ir embora...

É só isso que me lembro, só essa parte do sonho. Mas foi extremamente real, o toque, o cheiro, a conversa, tudo... Acordei sentindo o cheiro dela, e a aspereza dos seus pés calejados nas minhas mãos... Acordei com a sensação física de que acabara de abraçá-la, e de que tudo aquilo tinha acontecido de verdade. Por uns instantes tentei me situar no tempo, como se ela realmente ainda estivesse aqui, e meio atordoada peguei o telefone e disquei instintivamente o número do celular dela, que eu já nem lembrava mais de cor, mas de repente ele me veio à cabeça... E quando ouvi aquela mensagem eletrônica dizendo que o número discado não existe, então minha ficha começou a cair...

Uma bofetada, foi como se eu tivesse levado uma bofetada que de repente me acordou e me trouxe de volta à realidade. Me veio aquela sensação de nó na garganta que quase sufoca, e então explodi num choro compulsivo tão desesperado que até acordou meu filho. Por alguns instantes não consegui me controlar, aquela dor inexplicável da perda tomou conta de mim como se ela tivesse acabado de partir, meu corpo todo doía e se encolhia, e eu só consegui recuperar a razão alguns minutos depois, forçada a tranquilizar meu filho que estava diante de mim com olhar assustado, sem entender nada do que estava acontecendo.

Coloquei o Lucas de volta na cama, deitei ao lado dele, me enrolei nele e nos edredons, e chorei baixinho até as lágrimas secarem...

O cheiro, o toque, a voz da minha mãe estão me acompanhando o dia todo... É uma sensação muito contraditória, porque é muito bom ter essas sensações físicas e matar a saudade, mas por outro lado dói demais essa saudade que fica depois de uma experiência tão intensa...

Eu costumo dizer que a gente vai aprendendo a lidar com a saudade, de alguma forma vamos programando nosso cérebro pra lidar com a ausência de uma pessoa amada e fundamental na nossa vida de uma maneira controlada, mas até a saudade, vejam só, é capaz de nos surpreender nos momentos mais impensados.

Saudade dói, dói muito, tanto que é impossível explicar sua intensidade. E hoje a minha saudade está latejando, rasgando, estraçalhando.

4 comentários:

ERICA disse...

Ahhhhhhhhh....Saudade né frô....
Esse é particularmente um mês bem difícil e a dor tem me consumido tb......


Mas vai melhorar.....
beijos

Anônimo disse...

Como uma leitora assidua do seu blog, já me diverti muito, descobri coisas, vi fotos... Mas uma história como essa... Jamais!
Diante de um fato como esse faltam até palavras...
Sinta-se abraçada por mim, priminha!!!
Beijos, Isabel

Fernanda Perrú disse...

ô Flavinha... sei o que vc sente. quando comecei a ler seu post lembrei do dia em que minha mãe me fez prometer milhares de coisas a ela (casar na igreja, não deixar de cuidar do estômago, entrar num emprego público... dentre tantas outras) nossa e isso doeu pois sabia que era uma forma dela se despedir tranquila e não se preocupar comigo depois de partir.

até escrevi um post semana passada sobre a saudade que sinto da minha mãe... é uma dor física que parece que tem uma ferida aberta. nem sei o que falar pra vc...
passamos pelas mesmas situações e sabemos o tamanho da dor da perda das nossas mães, sabemos que elas são insubstituíveis, sabemos que a saudade é inevitável e infelizmente não podemos controlá-la.
acho que por conta de uma data especial (seu aniversário) essas emoções vem à tona e a gente fica mais sensível...
o que eu posso oferecer a vc querida, é meu ombro... logo, logo essa angústia passa.
bjks

Binha disse...

Xará, só deixa saudades quem foi realmente especial. Então, aproveite cada lembrança. E se fça especial na vida de todos .
Beijos, Binha.