sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ô abre alas, que eu quero passar!

E chegou o Carnaval...

Ainda bem que esse ano é logo já, agora, comecinho de Fevereiro... Porque eu odeio quando o Carnaval é só no final do mês e todo mundo fica adiando as coisas pra "depois do Carnaval"... esse nosso Brasil é mesmo o país da folia... a vida só acontece de verdade depois do Carnaval, então pelo menos em 2008 não perderemos tanto tempo!

Mas eu sou do grupo dos que "gostam do Carnaval"... Gosto porque é cultura rica, fascinante... gosto porque é festa, gosto porque tem alegria, e gosto também porque é feriado!!! rsrs... Tá, tá, eu sei que também tem pornografia, bebedeira, baixaria, mortes, música não tão boa e outras coisas negativas, mas eu sou aquela que "tenta ver tudo sempre pelo lado positivo", lembram??? Então, ao invés de ficar excomungando o Carnaval e irradiando mau humor nesse período, aprendi a gostar, apreciar, participar. Garanto que assim é bem mais legal!

Quando eu era criança, isso não fazia parte do nosso universo, porque meu pai era evangélico e nunca nos permitiu participar da "grande festa pagã". Nunca usei uma fantasia. Nunca fui a um baile. Nunca "pulei" o Carnaval. O máximo que conseguíamos era "burlar" meu pai para assistir uns trechos dos desfiles das Escolas de Samba, e lembro que ficávamos encantadas...

Cresci sem dar muita bola para Carnaval. Pra mim sempre foi exclusivamente um feriadão, nada mais. Achava "estranho" quando as pessoas diziam que iam com a família inteira "pular" o Carnaval em algum clube, achava estranho quando as pessoas gastavam tanto dinheiro pra comprar uma fantasia, e ficava imaginando que tipo de pessoa fazia aquilo, que tipo de pessoa aguentava ficar ouvindo marchinhas em um lugar cheio de gente "alegre" demais, porque eu realmente tinha uma imagem muito marginalizada dessa festa.

Mas, ainda bem que temos a oportunidade de quebrar paradigmas e coragem de experimentar o novo, não é mesmo? No meu caso, experimentei meu primeiro Baile de Carnaval já adulta, eu devia ter uns 18 ou 19 anos. Foi um momento de rebeldia, simplesmente peguei minhas coisas e saí com uma amiga do interior, estava brigada com meus pais e com o mundo, e como era Carnaval, a amiga em questão acabou me levando para o clube da cidade onde ela costumava festejar...

Lembro bem que cheguei meio ressabiada, desconfiada, achando que só fosse ver putaria e gente bêbada, mas fui me surpreendendo ao ver famílias inteiras se divertindo ao som de "...alalaô ô ô ô, ô ô ô... mas que caloo o o o, o o orr..." e "... olha a cabeleira do zezé, será que ele é, será que ele é?..."

Eu dizia que "odiava" marchinhas, achava chato, pobre, brega... Mas não é que naquele contexto as tais músicas faziam todo o sentido??? Engraçado isso, né? Mas é bem por aí mesmo... Aprendi a apreciar as boas e velhas marchinhas de Carnaval, a entender a herança cultural que carregam, a história que fazem perdurar atravessando décadas e décadas sem caírem de moda, e entendi que têm tudo a ver com o Carnaval em suas origens. Você pode nunca ter ouvida falar de Chiquinha Gonzaga, mas com certeza já escutou "...ô abre alas, que eu quero passar..."
Só que quando digo que curto muito as marchinhas (fui conhecendo tantas outras ao longo do tempo, algumas tão divertidas!), sempre tem alguém que me diz: "Affffffff, que mau gosto! Essas músicas são um porre!"...

Tento explicar mas geralmente não entendem... Eu não coloco um CD de marchinhas de carnaval no som do meu carro e ando por aí escutando... não é assim... são músicas que têm sentido se forem tocadas em bailes de Carnaval. Ponto. Portanto, gosto das marchinhas, exclusivamente NO Carnaval, mas gosto...

Nessa mesma época, aos 18 anos, comecei a ter contato também (por força do meu trabalho) com o Carnaval grandioso, aquele dos Desfiles das Escolas de Samba. Trabalhei por 6 anos seguidos no Sambódromo do Anhembi, durante os Desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial (e também do grupo de Acesso) de São Paulo. Trabalhava num local privilegiado, com acesso à pista, aos camarotes, às áreas técnicas, e nesses meus "livres" acessos fiquei ainda mais fascinada pelo Carnaval que já me encantava quando eu era criança. É tudo muito grandioso, brilhoso, fabuloso...

Posso dizer que até quem não gosta de samba (o que não é o meu caso), quando escuta assim, de pertinho, o "tumtumtum" da bateria de uma Escola de Samba, fica arrepiado... É de arrepiar mesmo, aquele som entra pela pele da gente e sem mesmo perceber começamos a nos chacoalhar, ensaiando uns passos de samba, porque é contagiante! Lembro de muitas pessoas que, nesses meus 6 anos de "avenida", resmungavam quando eram escaladas para trabalhar dizendo: "Ah, eu odeio samba! Odeio Carnaval! Odeio essa coisa toda!"... Daí quando estava lá, no tal lugar privilegiado, e começava a assistir toda aquela fábrica de sonhos passando, e escutar o som da bateria, logo esboçava um sorriso e dizia: "Nossa, isso é incrível, não!"

Carnaval de Avenida é assim... enche os olhos, contagia!

Eu tinha muita vontade de conhecer o Carnaval de Avenida do Rio de Janeiro (dizem sempre que o de São Paulo está com a mesma qualidade, mas isso é balela... o Rio de Janeiro está anos-luz à frente de São Paulo), e finalmente em 2006 consegui... Fomos assistir ao Desfiles das Campeãs daquele ano, e foi uma experiência indescritível... Tudo bem que fomos privilegiados e ficamos no camarote de uma grande cervejaria, com várias regalias, paparicações e tudo mais, mas mesmo assim o melhor de tudo foi o desfile... maravilhoso, demais!

O que não me atrai nem um pouquinho é o Carnaval-Axé... Tenho uma certa implicância com o Carnaval de Rua do Nordeste, mais precisamente o da Bahia. Não é nenhum tipo de preconceito, gente, por favor não me interpretem mal, é simplesmente uma questão de gosto mesmo, eu odeio muito, muito, muito Axé, e não consigo me imaginar pulando atrás de um trio elétrico horas a fio, sem conforto nenhum, com um monte de gente suada me empurrando... Sei lá... talvez eu esteja velha demais, ou tenha uma imagem errada desse Carnaval, já me disseram também que se eu experimentar um dia vou adorar, mas eu duvido bastante... E daí fico vendo aquela "molecada" que nem gosta da música, mas vai pra "beijar todas", "beber todas", e fazer tantas outras coisas impossíveis de escrever aqui... Acho isso meio profano demais pro meu gosto... Mas respeito, e reconheço que é uma festa enorme, bem estruturada, virou um mega evento, e seja como for, transformaram a Bahia na capital do Carnaval do Nordeste.

Neste Carnaval de 2008 talvez eu não "pule" tanto quanto gostaria... Mas vou levar meu filhote pra pular, lá no SESC onde já fomos outros anos e tem um ambiente ótimo pra quem quer curtir a folia em família...

Aliás, eu adoro essa época agora que sou mãe, porque fantasiar o filho pra festinha de Carnaval é quase como brincar de boneco... E eu me divirto muito...

Esse ano o orçamento pra fantasias estava apertado, então resolvi adotar a linha do "faça você mesmo"... O Lucas pediu e, como todo pedido dele é uma ordem, lá fui eu exercitar meus dotes manuais pra "produzir" em poucas horas uma fantasia do "Chaves"... E não é que ficou bom??? Super engraçado, mas legal!!!


"Foi sem querer querendo..."




"Isso, isso, isso!"



Ótimo Feriadão pra todos vocês, aqueles que vão "pular", aqueles que vão "desfilar", aqueles que vão "badalar", aqueles que vão "viajar", aqueles que vão "preguiçar", enfim... ÓTIMO CARNAVAL!

Importante mesmo é a folia no coração, é estar feliz e em paz, cada um na sua...

Ah! E não se esqueçam: Se beber, não dirjam! Se forem "namorar", previnam-se! E se forem brigar, contem até 10 que a vontade de estragar a festa passa rapidinho!

P.S.:
Antes que digam aquela velha ladainha de que o Brasil é um país miserável, que não tinha que ficar fazendo essas festas, que tinha que usar o dinheiro pra outras coisas mais importantes, blablabla, gostaria de dizer que não se deve misturar "alhos com bugalhos", certo?
Eu mais do que ninguém odeio essa cultura do "pão e circo". Eu mais do que ninguém odeio que se esconda uma infinidade de problemas sociais com a máscara do "grande país do Carnaval".
Por outro lado, necessidades sociais não justificam a desvalorização da cultura. Seria como vender o almoço pra comprar a janta. Negligenciar uma questão importante em detrimento da outra. Nossa cultura é nossa história.
Carnaval é sim cultura. E, mais que isso, o Carnaval gera renda, muita
renda...
Às vezes é difícil pra quem está "de fora" entender isso, mas há um movimento muito grande na economia do país nessa época... Milhares de empregos são gerados... Grande quantidade de dinheiro em circulação... A gringaiada toda gastando horrores por aqui... E esse é o retorno mais imediato que o Carnaval traz ao "povão".
Eu mesma, quando trabalhava com Carnaval, lembro que eram centenas de funcionários free-lance contratados só pela nossa empresa, para trabalhar 1 ou 2 semanas, às vezes 1 mês. O mesmo acontece nos barracões das Escolas, onde muita gente ganha uma grana trabalhando desde ajudante geral, costureira, até decorador, engenheiro. E tem os ambulantes que faturam alto. E tem os restaurantes. E tem os hotéis. E mais um monte de coisas...
Resolve o problema do desemprego? Não, não de forma definitiva. Mas é dinheiro honesto que vai pra família daquele que conseguiu o emprego extra, é o incremento do mês na renda do camelô, e por aí vai...
A mais a mais, de qualquer forma estamos falando de Brasil, e ainda que houvese um "corte abrupto" no orçamento destinado ao Carnaval, quem é que disse que a grana seria destinada pra outros fins mais nobres??? Não sejamos inocentes!

E viva o Carnaval!

2 comentários:

JACKE disse...

Adorei a fantasia do Lucas.. Vc foi super criativa... Coitada da Clara... se depender da criatividade da mãe, está perdida..rsss


bjs

Fê, a noiva neurótica! disse...

vc recebeu meu coment?