quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Gordura, Regime, Dieta, Drogas e outras cositas más

Hoje o papo é sério... E antes de mergulhar nas minhas palavras e iniciar mais uma história da minha vida, preciso fazer alguns esclarecimentos:

Relutei muito pra abordar esse tema aqui no Blog, porque sei que vai parecer "papo de gordo" que quer encontrar uma desculpa para justificar o excesso de peso. O assunto é polêmico. Muito mais do que polêmico, é um assunto extremamente sério e que envolve questões de saúde - física e psicológica. Eu, obviamente, não tenho "autoridade" para me aprofundar nesses aspectos... Por isso, quero deixar bem claro que estou escrevendo sobre minha opinião pessoal, baseada em muitas experiências vividas e em como as coisas funcionaram comigo.

ALGUNS PENSAMENTOS DAS PESSOAS SOBRE OS GORDOS:
* Todo gordo é gordo porque quer;
* Todo gordo é relaxado;
* Todo gordo come demais;
* Todo gordo é preguiçoso, sedentário;
* Se uma pessoa é gorda desde criança, a culpa é da mãe;
* Gordo só come porcaria, e aos montes;
* Na despensa de um gordo só existem comidas engordativas, como doces, chocolates e salgadinhos;
* Nenhum gordo é saudável;
* Nenhum gordo é bonito;
* Nenhum gordo é elegante;
* Nenhum gordo é feliz.

Obs.: Nem todo mundo expressa esses pensamentos, mas garanto que é assim que pensa a grande maioria das pessoas... algumas verbalizam, outras não, mas é assim que pensam.

SOBRE MIM

Sempre fui gorda, desde que me conheço por gente.

Eu gosto de comer bem, isso é fato, mas nem chego perto dos exageros que a maioria das pessoas pensa que um gordo comete. Também não sou preguiçosa, e embora não esteja praticando nenhuma atividade física regular atualmente, garanto que queimo muitas calorias na correria diária, me movimento, ando, subo e desço escadas, faço esforços físicos, e toda essa "movimentação" é até classificada por alguns como "ginástica doméstica".

INFÂNCIA

Já pensei muito como alguns, de que o fato de eu ser gorda seria culpa da minha mãe... Mas não é... Minha mãe criou 4 filhas, de maneira exatamente igual. Particularmente eu e minha segunda irmã, que tem apenas 1 ano de diferença de idade pra mim, crescemos juntas, e sempre fomos tratadas de maneira idêntica. Aliás, quando éramos crianças, as coisas eram bem difíceis, então todo alimento era fracionado em proporções equivalentes... Naquela época, se eu comesse uma bolacha, minhas irmãs também comiam uma; se eu tomasse um copo de tubaína, minhas irmãs também tomavam um; se eu chupasse uma bala, minhas irmãs também chupavam uma, era sempre assim, sempre uma divisão justa...

Nossa alimentação era muito simples - arroz e feijão todo dia, com uma mistura, que muitas vezes era apenas um refogado de chuchu, ou de abobrinha, ou de berinjela, ou um ovo frito, ou um pedaço de frango cozido, etc. Minha mãe era quem fazia o nosso prato, e o fazia exatamente igual, com a mesma quantidade para todas as filhas - coisa de mãe. Não havia, naquele tempo, fartura de porcarias nos armários, então nós comíamos nas horas certas - café da manhã, almoço e jantar, e não havia essa mania de hoje em dia de ficar beliscando outras coisas entre as refeições, isso era um luxo permitido a poucos afortunados.

Também não tínhamos acesso a "fast-foods", MC Donald´s nós fomos conhecer já na adolescência, pizza era coisa rara, e comer fora então, só uma vez por ano, e olha lá!

Minha rotina alimentar da infância chegaria muito perto da "dieta ideal" propagada hoje em dia, pois apesar de muito simples, realmente só comíamos nas horas certas, e alimentos saudáveis, comida caseira, sem nada de porcaria.

Mas mesmo assim eu fui uma criança gorda. Como já disse, sou gorda desde que me conheço por gente. Eu comia exatamente as mesmas coisas que as minhas irmãs, exatamente as mesmas quantidades, e só eu era gorda, minhas irmãs sempre foram bem magrinhas. Culpa da minha mãe??? Já ficou claro que não! Ela fez a parte dela, eu fiz a minha, mas nenhum ser humado é igual ao outro, e por alguma razão biológica meu organismo sempre absorveu mais gordura.

Apesar de tudo, tive uma infância feliz, porque naquela época não havia tanta pressão da sociedade pelo corpo ideal, muito menos sobre crianças. Também sempre fui muito saudável, nunca tive problemas de saúde, nunca tive colesterol ou triglicérides elevado, nunca tive problemas que são associados à obesidade, e acredito que isso acontece justamente pelo fato de a minha alimentação ter sido sempre muito regrada, equilibrada.

ADOLESCÊNCIA

Como nada na vida é perfeito, chegou a adolescência, época do despertar da vaidade, da vontade de ser aceita, desejada... Que eu me lembre, foi a época em que o fato de ser gorda começou a ter um peso maior sobre mim. Eu já não era mais tão feliz, porque sabia que era diferente, não tinha a mesma "elegância" das outras meninas, e isso fez com que eu me recolhesse num mundinho particular, me tornei uma menina tímida, quieta, sempre sozinha, sempre no meu canto.

Como eu era gorda, também era "mole"... Agilidade nunca foi meu forte, nunca tive "talento natural" para esportes, e eu me sentia um peixe completamente fora d´água. Em casa eu até brincava de qualquer coisa com as minhas irmãs, como pular corda, rodar bambolê, etc., mas na escola eu não conseguia nem mesmo brincar com os outros alunos na hora do recreio, estava sempre parada, encostada em algum canto, eu e meus pensamentos, eu e meu sofrimento. Dizia pra mim mesma que um dia isso iria mudar, que um dia eu seria magra como as outras meninas, e todos iriam gostar de mim.

Não posso dizer que minha adolescência foi "infeliz", mas foi de longe muito menos feliz do que a infância... maldita hora que perdemos a inocência e pureza de criança e viramos quase-adultos cheios de auto-crítica. Eu me odiava por ser gorda. Não queria nem saber qual era o motivo da gordura, não tinha idéia do que fazer para mudar isso, mas sabia que aquilo me perturbaria para o resto da vida, e passei a dedicar meus modestos esforços para mudar essa história... Tentava fazer ginástica em casa, não comia (escondida da minha mãe, claro), e cheguei até a passar mal algumas vezes por estar sem comer... Emagrecer??? Não, não emagreci... foram tentativas totalmente frustradas, que só contribuíam para me deixar com mais raiva de mim mesma.

TORNANDO-ME ADULTA

Aos 14 anos eu comecei a trabalhar. Tinha concluído a 8ª série e ia começar o Colegial. Arrumei um emprego diurno como auxiliar de escritório, e estudava à noite. Levava marmita para o trabalho, continuava não comendo besteiras porque, embora tivesse meu dinheirinho, era bem pouco, e eu pagava a mensalidade do Colégio, então não sobrava pra extravagâncias.

Mas comecei a interagir com outras pessoas, com adultos, e quando tinha coragem de falar que desejava emagrecer, sempre aparecia alguém cheio de dicas e dietas mirabolantes pra eu atingir meu objetivo. Claro que eu experimentei todas, fazia tudo o que diziam, tomava um copo de água morna todo dia de manhã, passava a semana inteira só tomando líquidos, só comendo melancia, lembro de uma dieta que consistia em passar 1 dia inteiro só tomando água, e vários outros absurdos, mas eu fazia, mesmo sentindo tonturas, mesmo passando mal, porque o que eu desejava mais do que tudo era ser magra e aceita pelos outros.

Lembro de uma vez em que comprei uma revista e tinha lá uma propaganda de umas cápsulas não sei do quê, que prometia resultados milagrosos em pouco tempo. Supostamente, seriam cápsulas naturais, e eu comprei crente de que seriam a solução dos meus problemas. Era fácil comprar essas coisas, mesmo sendo menor de idade... O resultado, claro, não veio, mas foi o start de um processo que se aprofundaria anos mais tarde, do consumo desenfreado de substâncias para emagrecer.

DROGAS

Quando eu fiz 18 anos continuava gorda e infeliz. Já estava na Faculdade, e comecei a trabalhar numa empresa grande. Eu tinha plano de saúde. E acesso a outro tipo de "informação".

Uma pessoa me indicou uma médica endocrinologista que "fazia milagres", onde quase todo mudno da empresa ia, até gente famosa! Ela atendia pelo nosso plano de saúde, e eu, mais do que depressa, marquei uma consulta.

Cheguei pra consulta cheia de expectativas, lembro-me de ficar observando as pessoas na sala de espera (sempre lotada), e pensando quantos quilos já teriam emagrecido com a tal doutora. Fui atendida. Uma pequena entrevista sobre meu histórico médico. Uma relação de exames de sangue. Fiz todos, mais do que depressa, e voltei ao consultório pra conseguir a tão sonhada receita.

Foi mais fácil do que se pode imaginar. Uma rápida olhada nos meus exames, todos normais, e lá estava eu saindo do consultório com um monte de receitas debaixo do braço, todas com aquela via azul dos remédios controlados. Femproporex em doses elevadíssimas, Anfepramona, Diazepam. Remédios manipulados, caros, tarja preta, mas a essa altura da minha vida o sonho da magreza não tinha preço, nem limites.

Da primeira vez, foi um tratamento de apenas 3 meses. Sim, em 3 meses, acreditem, eu eliminei 18 quilos! Um sonho! Eu estava, finalmente, magra... bem magra... Completamente drogada, mas magra! Claro que eu tomava os tais remédios escondida da minha família, que jamais aprovaria aquilo. Nessa época, eu já sabia que os tais remédios eram drogas pesadíssimas, tinha esclarecimento suficiente pra saber que nenhuma mãe em sã consciência deixaria uma filha tão jovem se entupir dessas drogas, por isso fazia tudo "por debaixo dos panos", e ninguém entendia como eu estava emagracendo tanto, e tão rápido.

Meu comportamento, obviamente, estava totalmente alterado. Eu que sempre fui uma moça calma, tranquila, quietinha, e do dia pra noite comecei a ter ataques de histeria, ficava nervosa à toa, brigava com todo mundo, a vida da minha família era um inferno quando eu estava por perto, sempre agitada, sempre de mau humor. Eu até percebia isso, mas inicialmente não associava aos remédios, achava apenas que era uma fase típica de uma jovem de 18 anos.

Depois dos tais 3 meses cheguei a ficar abaixo do meu "peso ideal". Comprava calças jeans nº 38, usava blusinhas justas, roupas mais modernas que enquanto gorda o bom senso nunca me permitiu usar. Mas a minha alegria de magra durou pouco, bem pouco... menos do que os 3 meses de tratamento... Como que num piscar de olhos, sem os remédios, lá estava eu novamente com as roupas de gorda, com todos os 18 quilos de volta, e mais alguns de "brinde"...

Minha reação? A óbvia: Voltei correndo para o consultório da tal doutora, pedi mais receitas, comprei mais remédios, e a história se repetiu... Novamente emagreci bastante em pouco tempo, mas com medo de parar com os remédios e engordar tudo de novo, não quis interromper o tratamento... Fui tomando as drogas, e me mantendo magra, por quase 1 ano inteiro... 1 ano inteiro de comportamento alterado, de noites mal dormidas, de mau humor, de agitação, de pesadelos, de paranóias... Às vezes eu não tomava os remédios nos finais de semana, porque ficava em casa e como tinha que fazer isso às escondidas, e minha mãe já estava desconfiada, eu não conseguia burlar a vigilância (eram muitas pílulas várias vezes por dia). Nesses finais de semana, minha vida se tornava um inferno, e a vida de quem estava por perto também... Eu tinha crises de abstinência, às vezes ataques compulsivos de comer sem parar, uma coisa louca, mas eu estava tão viciada nos remédios que nem percebia que isso não era normal...

Depois de quase 1 ano de tratamento contínuo, parei novamente com a medicação. Não foi nem por recomendação médica, porque a tal doutora ia prescrevendo as receitas mesmo quando eu já estava bem magra, as consultas eram relâmpago, 5 minutos no máximo, ela me pesava, perguntava se estava tudo bem, e prescrevia mais uma receita pra 30 dias, sem quase me olhar nos olhos. Mas foi uma época em que eu tive uns problemas de grana, e como os remédios eram muito caros, tive que abrir mão deles... Foi horrível... eu suava frio nas horas em que deveria tomar o remédio, como se meu organismo clamasse pelas drogas... Como não tinha o remédio pra tomar, e controlar meu apetite, eu comia, comia, comia, e rapidamente engordei de novo, tudo o que tinha emagrecido quase em dobro!

Foi uma época deprimente da minha vida... Minha auto-estima era praticamente nula, eu usava roupas de velhas, me sentia a pior pessoa do mundo, chorava às escondidas, tinha vontade de morrer... Eu sabia que as drogas não eram o melhor caminho. Sabia que se eu voltasse a tomar os remédios entraria novamente no ciclo vicioso de emagrecer rapidamente e ficar alterada, e que quando parasse sofrerira todo o terror de engordar...

Tentei ser persistente, coerente, e buscar outras alternativas pra conseguir emagrecer sem precisar me drogar... Tentei os remédios fitoterápicos, cápsulas de ervas, chás não-se-do-quê, dieta da Lua, do Sol, do Ar, tentei o Vigilantes do Peso, a dieta dos pontos, tentei de tudo que existe "no mercado" em termos de alternativas pra emagrecer... Gastei uma fortuna em fórmulas milagrosas, em aparelhos pra queima de gordura, em tudo que se pode imaginar... De nada adiantou... Quando muito, eu conseguia emagrecer 1, 2, quilos em 2, 3 meses, era tão desestimulante que logo eu desistia, e passava pra outro método.
Até que consegui me segurar por um bom tempo... Gorda e infeliz, mas livre das drogas, embora esse fosse um tema que estivesse sempre rondando a minha mente, porque eu sabia que era a solução rápida e eficiente. Mas aí chegou o último ano da faculdade, a expectativa da formatura, e eu acabei cedendo... Não podia estar tão feia no meu baile de formatura, depois de 5 anos de dedicação áruda! Voltei à doutora, peguei mais receitas, comprei mais drogas, dessa vez em concentração maior, porque eu tinha urgência em emagrecer, e novamente mergulhei no mundo sombrio da dependência química.

Estranhei quando o emagrecimento não veio na velocidade das vezes anteriores... Embora eu estivesse tomando quantidades até maiores das substâncias, emagreci apenas 2 quilos no primeiro mês, o que me deixou em pânico. Então, na consulta do mês seguinte, a doutora me disse que isso acontece porque quando o corpo se acostuma com os aceleradores de metabolismo, a gente vai criando tipo uma "resistência" às fórmulas, de modo que elas precisam ser "mais fortes" pra produzir o efeito esperado... Foi aumentando a dosagem do femproporex, foi aumentando a dosagem das outras substâncias, mas mesmo assim demorou quase 1 ano inteiro pra eu emagrecer cerca de 12 quilos.

Também foi a época do "fundo do poço" pra mim... As pessoas em geral não percebiam, eu me esforçava pra parecer "normal", mas eu dormia muito mal, demorava pra conseguir pegar no sono, dormia poucas horas por noite, tinha crises terríveis de insônia, ficava zanzando pela casa no meio da madrugada, tinha dores de cabeça fortíssimas e muita dor de estômago... Vivia com gosto de cabo de guarda-chuva na boca, comecei a pegar nojo de comida, não conseguia comer quase nada, e quando comia passava mal, ficava com azia, enjoada, sofria de má digestão.

Aquela aceitação que eu tanto almejava não veio, porque embora eu estivesse magra, era uma companhia insuportável... Brigava muito com a minha mãe, que pegava no meu pé porque sabia que algo estava errado, tinha fama de insuportável no trabalho, e tirando uma meia dúzia de amigos que conseguiram superar meus ataques e meu mau humor, muita gente se afastou de mim nessa época.

Fiquei vivendo nesse inferno por quase 2 anos continuamente... Drogas, drogas e mais drogas... fórmulas cada vez mais fortes que no mês anterior... E meu corpo já não respondia mais como das primeiras vezes... Estacionei... Consegui me manter, sem engordar, com a medicação que não interrompi, mas não emagreci mais, tomei os remédios por vários meses sem perder uma única grama. Eu queria parar com os remédios, sabia que aquilo estava destruindo meu organismo, mas o medo de engordar tudo novamente me impedida de tomar a decisão mais sensata.
Eu era dependente de drogas. Não me envergonho de dizer isso, porque sei que muita gente passa pelo mesmo problema, embora nem todo mundo admita. Mesmo hoje em dia, com um controle maior sobre esses barbitúricos no mercado, ainda assim é muito fácil conseguir encontar um endocrinologista que prescreva doses elevadas de drogas para emagrecer, e o que é pior, muitas vezes pra pessoas que sequer sofrem de obesidade! Mulheres que querem emagrecer 3, 4 quilos vão ao consultório e conseguem uma prescrição de aceleradores de metabolismos pesadíssimos, que são um caminho sem volta, que destroem o organismo, que fazem muito mal, e que levam à dependência física e psíquica.

É um tipo de dependência química até pior do que a de outros tipos de drogas, porque os remédios pra emagrecer, quando adquiridos com receita, são um tipo de droga "legal", daquelas que se consome sem infringir nenhuma lei, o que leva as pessoas à falsa idéia de que isso é uma atitude prudente. Mesmo sem receita, é muito fácil se adquirir moderadores de apetite e aceleradores de metabolismo no "mercado negro"... Eu mesma já encontrei muita oferta, hoje em dia com a internet basta um clique para você ter acesso à droga que quiser, na quantidade que quiser... Uma pena... tudo teria sido diferente se eu soubesse ou tivesse lucidez suficiente pra enxergar que essa é a pior opção... Eu era muito jovem, muito pressionada pelo padrão de beleza, e cedi à tentação do caminho mais fácil... As consequências são desastrosas...

REDENÇÃO

Um filho muda a vida de qualquer pessoa de maneira avassaladora... certa vez, minha mãe me disse: "Flavia, apesar da gravidez não planejada, eu tenho que reconhecer que você se tornou uma pessoa infinitamente melhor depois que teve seu filho". E é verdade...

Só consegui parar com as drogas pra emagrecer quando me descobri grávida. Foi uma gravidez não planejada, num momento difícil, delicado, mas o tal instinto materno de que tanto falam me ajudou a ter forças suficientes pra tomar essa decisão. Foi a primeira decisão que tomei quando tive a certeza da gravidez. Joguei fora todos os meus remédios, na privada, pra não correr o risco de uma recaída. Já bastava eu estar estragada por essas porcarias de remédios. Não queria passar isso também para o meu filho.

Sofri muito com a parada brusca... foi uma loucura, as alterações hormonais da gravidez associadas às crises de abstinência dos remédios, tudo num momento muito tumultuado da minha vida... Precisei ser forte, muito forte, e a força veio do meu filho... Consegui, fiquei limpa, e tive uma gravidez saudável, apesar dos primeiros meses difíceis.

Engordei 24 quilos durante a gravidez... É uma marca altíssima, levei muitos puxões de orelha do médico, mas eu sabia que muitos daqueles quilos, senão quase todos, eram fruto não da gravidez, mas da interrupção dos remédios pra emagrecer. Consegui lidar bem com isso... A gravidez me ajudou a recuperar a lucidez, a recolocar as coisas na ordem certa, e pensar primeiro em saúde, e a buscar uma vida mais saudável.

Desde que meu filho nasceu, jamais perdi o peso adquirido na gestação. Às vezes, com um pouco mais de sacrifício, consigo perder 3, 4 quilos, mas acabo recuperando... Já procurei médicos, já fiz exames, e meu metabolismo é preguiçoso. Fui tentada algumas vezes a retomar o caminho dos remédios pra emagrecer, pois sou mãe mas ainda tenho vaidade, mas graças a Deus consegui resistir... Hoje eu sou mãe, há uma criança que depende de mim, dos meus cuidados, e não posso me dar ao luxo de ter ataques de comportamento por conta do consumo de drogas pra emagrecer! Além do que, sei muito bem que é um caminho quase sem volta, sei muito bem que é uma solução falsa, e que já causou estragos demais em mim.

Um médico me disse que essa "lerdeza" do meu metabolismo tem sim associação ao consumo das substâncias que ingeri durante tantos anos. Hoje, se eu fizer uma dieta rigorosa, mesmo assim será difícil perder peso... meu corpo é resistente... Talvez se eu tivesse feito um tratamento mais equilibrado anos atrás, antes de ingerir as drogas pela primeira vez, o resultado fosse diferente, mas hoje os estragos já estão feitos, e eu tenho que viver com eles.

Faço um exercício diário de auto-aceitação. Não sou infeliz com meu corpo, mas também não sou hipócrita de dizer que não gostaria de ter umas gordurinhas a menos. Eu queria, sim, ser um pouco menos farta. Eu queria, sim, estar um pouco mais próxima do padrão de beleza que nos impõem goela abaixo todos os dias. Eu queria, sim, poder ir à praia e colocar um biquíni sem morrer de vergonha... E me esforço pra isso... Mas não é fácil... Porque eu sou assim, sempre fui assim, uma pessoa farta, uma "picanhuda", como diz minha amiga Fernanda. Nas vezes em que estive muito magra, eu não era eu, sabe? Minha mãe dizia isso... Dizia que eu estava magra, e não parecia mais comigo... Meu marido também diz isso... Mas, o pior mesmo é que sempre que consegui ficar magra, foi às custas de alguma química, de alguma droga, de alguma porcaria aritificial, e o meu natural é esse que todo mundo conheçe.... Eu sou assim!

O que torna mais difícil essa auto-aceitação que eu tanto busco é justamente o pensamento dos outros sobre os gordos, como relatei no início desse post. É difícil, porque tem sempre alguém pra criticar, pra recriminar, e mesmo que a gente faça o maior esforço do mundo pra "se gostar", mesmo assim é difícil ter sempre pela frente alguém dizendo essas barbaridades sobre quem sofre de excesso de peso.

No restaurante, por exemplo. Se houver um grupo de pessoas comendo juntas, várias magras e uma gorda, todo mundo vai reparar no que o gordo está comendo. Sempre haverá alguém pra dizer (ou pensar): "Ah, por isso que Fulano é gordo! Olha como ele come!" O detalhe é que muitas vezes há um magro do lado comendo exatamente a mesma quantidade, não raro até mais, e do magro ninguém fala, o magro ninguém critica... Isso é irritante!

Tem sempre alguém pra dizer: "Olha lá o gordo preguiçoso subindo pela escada rolante no shopping!" Mas ninguém diz que tem um monte de magros que também não gosta de fazer o esforço físico de subir as escadas convencionais.

Tem sempre alguém pra dizer: "Olha lá o gordo sedentário sentado no sofá com um balde de pipoca e o controle remoto na mão!" Mas ninguém diz que muitos magros também se comportam exatamente do mesmo jeito!

No cinema, se um gordo está sentado com aquele balde gigante de refrigerante e o pacote enorme de pipoca pra assistir ao filme, todo mundo repara e pensa: "Nossa, que exagero!" Mas ninguém repara que vários magros estão igualmente se fartando nas mesmas quantidades.
Depois de ler o meu relato, talvez alguns de vocês estejam pensando: Mas, caramba, por que é que ela não vai pra Academia? Por que não vai malhar, caminhar, correr, se exercitar??? Atividade física é, sim, comprovadamente uma alternativa de vida saudável e uma excelente opção pra perder peso. Mas não é tão simples assim...

Eu, especificamente, como já relatei acima, comecei a trabalhar aos 14 anos. Trabalhava das 8h00 da manhã às 18h00 da tarde, saía do trabalho e ia direto para o Colégio, onde cursava o 2º Grau, e estudava até 23h00. Chegava em casa meia-noite, todos os dias. Mal tinha tempo de tomar um banho, comer alguma coisa e dormir, porque o dia seguinte começaria bem cedo.

Foi a mesma coisa durante a Faculdade, sempre trabalhei o dia inteiro e estudei à noite, e na época da Faculdade tinha inclusive aulas aos sábados... A que horas eu faria Academia? Humanamente, era impossível! Não é desculpa de falta de tempo, é a realidade dura da maioria da classe trabalhadora do nosso país. Poucos são os privilegiados que não precisam trabalhar em tempo integral, e que dispõem de uma parte do dia apenas pra cuidarem de si mesmos.

Como eu queria poder fazer aulas numa Academia! Sempre quis, mas nunca tive horário disponível pra isso... Depois que concluí a Faculdade, fiz Natação à noite durante 2 anos, juntamente com aulas de musculação e alongamento. Foi a única época da minha vida em que eu tinha tempo pra isso.

Depois, tive meu filho, e desde então além de trabalhar em tempo integral, sou mãe e dona-de-casa. Não há tempo pra Academia! Não há! Não é desculpa esfarrapada, realmente não há. Mesmo que eu queira dar uma "escapadinha" à noite, é difícil, porque não tenho quem fique com meu filho, meus horários giram em função dos horários dele, e Academia é um luxo distante pra mim. Portanto, malhar é uma solução ótima, perfeita pra quem pode... PRA QUEM PODE... E não é o meu caso, infelizmente...

Mas eu me esforço, como me esforço! Pode parecer que não, mas eu garanto que sim! Tenho meu filho, e procuro cuidar muito bem também da qualidade de vida dele. Ele é gordinho, sempre foi, desde que nasceu. Ao contrário do que alguns pensam, é uma criança super saudável, foi amamentado exclusivamente com o leite materno durante o primeiro ano de vida, não é acostumado a consumir besteiras, não gosta de doce, não gosta de bala, não gosta de chiclete. Mas, assim como eu e o pai, ele gosta de comer, é bom de garfo, e tem uma alimentação que deixa muitas outras mães com inveja - come salada, frutas, legumes, etc. E é gordinho. É a natureza dele. Há uma herança genética, por parte de mãe e de pai.

Só que as pessoas, quando vêem uma criança gordinha, já acham logo que é culpa dos pais que vivem empurrando besteiras para o filho. Certa vez, uma amiga minha, alguém muito próxima mesmo, conversando comigo sobre essa história de crianças obesas e comentando o fato de o Lucas ser "gordinho", me disse: "Ah, Flávia, mas eu tenho sempre a impressão de que a geladeira e a despensa da casa de vocês é cheia de porcarias, bolachas, chocolates, salgadinhos, refrigerante."...

Vejam só, quem me disse isso foi uma amiga próxima! Imaginem o que não pensam os não tão próximos assim! Lembro que nesse dia eu fiquei profundamente chateada, de perceber que as pessoas têm mesmo uma visão completamente distorcida de quem é gordo. Eu sei que muitos gordos são mesmo pessoas que comem muita porcaria, sei que muitas crianças hoje em dia são obesas porque são a geração Hamburger com Coca-Cola, e tal, mas não dá pra generalizar!

Ninguém é gordo porque quer! Alguns, até pode ser, mas ninguém gosta de ser discriminado, ninguém gosta de ser taxado de glutão, ninguém gosta de ser taxado de comedor descontrolado! Ninguém gosta de ir às compras e não encontrar roupas no seu tamanho, ninguém gosta de pegar um avião e ficar entalado na poltrona minúscula, ninguém gosta de estar sendo sempre observado enquanto come!

Às vezes eu me pergunto porque é que as pessoas são tão cruéis com os gordos... Eu mesma, passo por cada uma! Já contei aqui a história do casamento, quando uma convidada, em plena festa, praticamente me chamou de obesa! Tenho algumas tias que "adoram" comentar quando me encontram, coisas do tipo: "Nossa, como você engordou, heim!" (mesmo que eu não tenha engordado desde a última vez que as vi, elas dizem isso como que um jeitinho de me "lembrar" que eu sou gorda), e até algumas vendedoras de lojas de roupa fazem até um ar de satisfação quando soltam a famosa frase: "Ah, não temos essa roupa no seu tamanho!". É cruel demais, minha gente! Controlem suas línguas! Um gordo já sabe que é gordo, ninguém precisa dizer! A gente tem espelho, a gente enxerga, a gente sabe que está acima da medida padrão... E é muito ruim ouvir esses comentários, por mais inocentes que eles "pareçam" ser. Por que esses comentários nunca são soltados na forma de "elogios", mas sempre na forma de crítica, pra recriminar mesmo! Façam-me o favor! Preocupem-se com seus próprios corpos, e deixem os gordos em paz!

Outro dia alguém ia dar carona a uma pessoa gorda, e uma outra pessoa que estava perto comentou: "Ah, mas nem devia dar carona pra essa pessoa não! Olha como ela está gorda! Devia ir à pé, porque precisa caminhar!". Fiquei tão irada! O comentário nem foi pra mim, mas eu tomei a coisa quase como que pessoal, sabe? O que raios a outra Fulana tem a ver com a gordura da pessoa que pegou a carona? Cada um com seus problemas, ok???

E depois, eu posso até não ser uma delas, mas sei que tem muita gente gorda que é extremamente feliz com seus quilinhos a mais... Sei que tem muita gente gorda que não é doente, que não tem nenhum problema de saúde, e que é feliz sendo gorda e permitindo-se vários prazeres à mesa... Eu invejo essas pessoas, porque não consigo ser assim, 100% feliz com o meu peso, mas um dia eu chego lá!
Não tem coisa mais irritante do que uma pessoa magra que fica falando perto da gente sobre "preciso emagrecer", "preciso fazer regime"... Affffffff... como as pessoas são "sem noção"! Você ali, com toda a sua fartura, e chega um magrelo dizendo que tem que perder não sei quantos quilos... Pode até ser inocente, mas parece uma provocação, sabe!

Esse maldito mundo nosso que gira em torno do que você é por fora! Esse maldito mundo nosso que não fabrica roupas nos tamanhos adequados, e diminuem os manequins cada vez mais, mesmo sabendo que uma enorme parecela da nossa população está acima das medidas padrões! Esse maldito mundo nosso que propaga a cultura do "Super Size", que estimula o consumo desenfreado de porcarias, lanches de fast foods gigantes, pipocas no cinema em tamanhos cada vez maiores, e depois de toda essa porcariada vem querer vender a imagem do corpo esguio!

Isso tudo porque existe por trás do estímulo ao "engorda" a Indústria do Emagrecimento... Fico chocada com a quantidade de revistas mensais especializadas em assunstos sobre a beleza corporal... Sempre com manchetes de capa promovendo uma nova dieta, um novo medicamento, uma nova forma mirabolante para emagrecer... Eles estimulam as pessoas a engordarem para terem depois pra quem vender essas bobagens, sempre há um programa novo, uma Dieta Dream-Week, um Diet Shake, um Bio Slim, e mais um montão de produtos caríssimos que as pessoas compram desesperadamente, almejando o corpo ideal da modelo da capa da revista, corpo esse que, como diria o "Capitão Nascimento", e com raríssimas exceções, eles "Nunca Terão!"

DEPRIMENTE! O mundo seria muito melhor se nos importássemos menos com o tamanho das pessoas, e mais com o conteúdo que cada um tem... Tô cansada de gente vazia, que só sabe falar em dieta, academia, body-pump, aeróbica, spinning, lipoaspiração! Se você é um deles, ok... seja feliz, mas mantenha esses assuntos longe de mim, ok???

Sou a Dona Farta... Mas muito mais do que Fartura de gordurinhas, eu tenho fartura de conteúdo, e isso pra mim ainda é o que vale!

8 comentários:

Fernanda disse...

NOOOOOOOOOOSSA... EU NÃO TENHO MUITO O QUE FALAR... a não ser bater palmas....
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Sabe, pior do que nascer gordinho, eu acho que é viver com efeito sanfona.
Eu pela minha asma, vivo a base de corticóides, o que todo mundo sabe, engorda pra kct...
E aí eu tenho que optar por não tomar essas porcarias e perder esses kg´s (mas morrer de asma, bronquite, rinite, sinusite), OU tomar, ficar relativamente bem de saude e ter esses kgs extras.
E não... minha gordura nao vem só do inchaço dos remedios... eu como bem. E se como!
Cansei da época que eu passava a salada e filé de frango grelhado, pra poder tomar meus remedios tranquilamente... e pior: nao adiantava muita coisa, pois eu vivia inchada.
Já nao me basta a vida maldita de asmático, vou ter que parar de comer tbm?
Nao me mato de comer, acho péssimo esse habito que as pessoas estao adquirindo de comer em fast-food, de andar com salgadinhos, de mamar leite moça na lata, de fazer do mac donald´s um evento.
Mas eu como um churrasco numa boa, bebo minha cerveja e como sim um croissant quando estou esfomeada no meio da tarde.
Optei por viver, e viver bem.
Vivo de olho na saúde, mas minha gordura sei que nao chega a ponto de prejudicar alguem. Todo ano faço check-up e me cuido pra caramba.
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É dose viver num mundo onde _olha.. eu teria o topete de dizer:_ a maioria das pessoas estão acima do seu IMC ideal, mas mesmo assim sacrifica quem julga estar ainda acima do dela. Acho péssimo. As pessoas deveriam se preocupar mais com os seus cus do que com o dos outros, essa é bem a verdade.
Acho engraçadissimo quando pessoas virampra mim e ficam pasmas com a minha alegria, com o meu amor por mim mesma... acho isso tao natural.... quem se ama, gosta de si gordo ou nao...
E eu me aaaaaaamo, transbooordo de amor, sou convencida mesmo, e nao to nem aí pro que os outros falam.
Esses dias, estava comentando com uma amiga (tbm gordinha): "porra, como é que as pessoas querem que eu nao me "ache", se mesmo gorda desse jeito, quando to na praia, levo cantadas? como que elas querem que eu me sinta mal, se tomo uma porrada de buzinada na rua? como elas querem que eu me sinta fora do padrao se muitos caras vem e dizem que gostariam de estar cmg? pq acham que tenho que me sentir feia quando mil pessoas me dizem que sou linda de morrer? só se eu fosse muito, muito louca e nao gostasse nem um pouquinho de mim pra ficar mal né?

enfim... é tudo muito complicado quando não se tem 40 kg a menos do que sua altura, não se é loira, e nao tem olhos azuis (tudo nesse conjunto).
Fosse pode ser ignorante como uma pedra, mas se vc for igual a moça da novale, ta tudo feito...

que mundo é esse..............


www.anoivaneurotica.blogspot.com

Flávia Aguilhar disse...

[b] *** TRAZENDO PRA CÁ O COMENTÁRIO RECEBIDO DA FLAVINHA POR SCRAP NO ORKUT ***

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FLÁVIA:
Fláaaaaaaaaaa....

...Amei,Amei,Amei...o seu ultimo post no blog!!!!

Escreveu tdo,perfeitamente correto....rsrsrs,o q nós "fartas" sentimos qd deparamos com pessoas ignorantes q só sabem criticar,enxergam apenas o lado fisíco e esquecem o interior!

PARABÉNS!!! me identifiquei mega d bastante.....ahuahua com o post!

Bjoo^^

Vanessa disse...

Flavinha, jóinha pra vc.
FODAM-SE o que as pessoas acham dos gordos!
To contigo e não abro e tiro o chapéu pra vc, como sempre vc disse coisas sábias que só poderiam vir de uma pessoa sincera, realista e cabeça feita como vc.
Na boa, eu só faço minhas caminhadas porque por enquanto to com um probleminha de pressão, mas porque sou muuuuuuito estressada mas até aí vou sempre ser cheinha, então FODAM-SE novamente os que criticam. Ah e como muita salada porque curto pra caramba...rs
Te adoro.
Van

Flávia Aguilhar disse...

*** Trazendo pra cá o Comentário da Maria Lins, recebido no Orkut ***

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Maria Lins mlins77@yahoo.com.br
"Oi Flávia!!! Lí o seu blog hj e tive certeza que vc estava contando a minha história.........."

Blog da Vurica disse...

Xaráááá, só li agora o post(sorry)
mas achei 1000, vc foi muito direta aos pontos que todos pensam sobre nós,pq na boa pensam sim, acho um absurdo essas roupas feitas só pras mulheres palitos, não tenho nada contra, mas é um óó chegar na loja e a vendedora te olhar de cima a baixo e dizer : acho que não vai ter seu tamanho mas tenta vai,afffffffff
eu quero matar um , toda vez que tenho que ir comprar roupa afff, é como um boi indo ao matadouro, eu estou começando a me aceitar , sem neuras precisei conversar muito comigo mesma antes disto, mas estou evoluindo, não estou tão neurótica mais, afinal podemos ser sexies e lindonas, mesmo com alguns quilinhos a mais, e te garanto a performance não deve nada a ninguém, sou mais eu!!!
Viva las fartas, uiiiiiii

Mônica disse...

Olá!!
Estive lendo tudo que colocou, não concordo com muitas coisas, principalmente com a forma até agressiva em que se coloca.
Entendo que não deva ser nada fácil viver em mundo onde o objetivo e foco seja na magreza.Não sou magra, sou normal, mas vivo a me cuidar para não sair de meu peso, o que eu considero para mim como ideal.Quando fez o comentário de que odeia qdo uma pessoa magra diz que precisa fazer uma dieta, achei um absurdo, esta pessoa pode ser magra para vc, mas para ela própria se acha fora de peso.Nem sempre vai estar tentando lhe agredir como se referiu e sim apenas se preocupando com o corpo dela. Me passou a impressão que por ter passado terríveis momentos, hoje esta revoltada com todos os seres humanos magros e normais, apenas valoriza as pessoas gordas, ou seja, age como muitos magros com relação aos gordos, apenas inverteu os papéis, e isso não deve estar lhe fazendo nenhum bem, se olhe no espelho todos os dias e treine o amor pelo que vc é, e tente olhar as pessoas magras e faça o mesmo por elas, verá que ficará muito mais fácil para se aceitar e quem sabe (se querer) consegue amanhã alcançar o objetivo de ser magra, mas não por imposição social e sim por si mesma, para sua realização pessoal.
Obs: tenho problemas para manter meu corpo, mas me esforço e muito, não pense que é comentário de uma pessoa que não passa por dificuldades com o corpo.
Abraço.
Mônica

Dona Farta disse...

*** Respondendo ao comentário da Mônica ***

Cara Mônica,

Antes de mais nada, obrigada por ter vindo até aqui, prestigiado o "Dona Farta" com a leitura deste post IMENSO, e deixado seu comentário - muito valioso, por sinal.

Não tenho idéia de como você chegou até o Blog ou até o post, mas arrisco dizer que foi através do google, pesquisando algum assunto relacionado a dietas, regimes, remédios, etc. Acerteo?

Porque é assim que a maioria das pessoas chega ao post, e eu sei porque já recebi trocentos emails a respeito.

Mas vamos ao seu ponto.

Respeito seu ponto de vista, e ouso dizer inclusive que ele representa o ponto de vista de um grande grupo de pessoas magras.

Eu falei sobre isso no post, talvez com outras palavras, mas se você ler novamente vai ver que eu digo que a maioria das pessoas acha que gordo é gordo porque não se cuida e que por isso odeia os magros. Em outras palavras tá escrito isso no post, e foi exatamente o que você disse no seu comentário.

Acho que é um ponto de vista. Talvez você tenha razão? Não sei... provavelmente não, e mais uma vez uso os comentários deixados no post para exemplificar que não se trata de uma posição minha - isolada - mas que representa os sentimentos de uma gama imensa de mulheres fatas que, apesar de se esforçarem muito para melhorar a auto-imagem e a auto-estima, ainda assim esbarram nessas questões que as deixa em conflito - e incluo-me neste meio.

De qualquer forma, acho importante termos aqui nos blog e neste post um ponto de vista diferente, vindo de uma pessoa "normal" (como você mesma se definiu), porque a idéia é que a discussão seja democrática - SEMPRE - e por isso está aí o registro da sua opinião!

Vamos continuar aguardando outras opiniões - contrárias ou não - e daqui a algum tempo eu retomo o assunto no Blog, para fazermos um balanço geral das opiniões apuradas.

Obrigada pela visita, e volte sempre!

Anônimo disse...

Nem vou perder meu tempo em falar o quanto esse texto está cheio de falhas e contradições.

Você é só mais uma gorda recalcada.

Dieta. Esse é o caminho pra você. Feche a boca e faça exercícios.