segunda-feira, 21 de maio de 2007

O Fantástico Mundo de Bobby


Quem não conheçe o cabeçudinho desta imagem??? Bobby Generic... fez parte da minha infância, e da infância de muitos amigos, tenho certeza...


Bobby é um garotinho muito imaginativo, e na maioria das vezes incompreendido por ser assim... Mas esse seu jeito de ser o protege das cruezas do mundo real, e certamente ele é muito mais feliz do que pessoas que não conseguem dar asas à imaginação...


Para que Bobby possa entender uma coisa, ele precisa "visualizá-la" na sua cabeça... E justamente por isso é tão difícil convencer Bobby, o argumento precisa ser bom... Ele não pára de perguntar nunca, não se dá por satisfeito tão facilmente, e entre uma "explicação" impaciente e outra, fica ali, às vezes minutos, com o olhar perdido, como se tivesse tentando montar aquela imagem imaginariamente, para então absorver aquele conhecimento.


Essa historinha inocente de um desenho animado tão fofo que fez muito sucesso nos anos 90 consegue ser tão profunda como talvez muitos escritos filosóficos jamais conseguiram... Loucura minha dizer uma coisa dessas??? Garanto que não!!!


Não vou cair no lugar comum de dizer que a vida seria muito melhor se conseguíssemos manter a curiosidade, a inocência e a imaginação das crianças, porque isso é fato óbvio que todo mundo sabe...


Mas sempre me surpreendo comigo mesma quando percebo o quanto a vida adulta me fez perder a capacidade de questionar as coisas... Por alguma razão também de difícil explicação, a tal "maturidade" que tanto buscamos nos leva para alguns lugares almejados, é verdade, mas às vezes isso acontece às custas de muito sacrifício, entre eles o conformismo ou a inércia diante daquilo que não podemos ousar contestar... Bobby Generic jamais engoliria uma história sem pé nem cabeça... ele, como eu já disse, precisa "entender", "visualizar" a explicação dada para então aceitá-la... Já nós, os "adultos espertalhões", fingimos que entendemos, ou sequer demonstramos nossa incompreensão, apenas para nos encaixar, apenas para não parecermos desinformados ou alienados demais... e, por mais que isso seja uma constatação óbvia, ainda assim me assusta pensar em quantas coisas jamais compreenderei pelo simples fato de não poder contestar, não poder questionar, não poder dizer: "ué, mas eu não entendi! isso não faz sentido!".


Tenho pensado muito nisso nos últimos dias... meu filho é um Bobby, à sua maneira... Ele é a única criança da família, não convive muito com outras crianças fora do ambiente escolar, e justamente por isso eu sempre me preocupei em preservar sua inocência, sua infância, sua capacidade de "viajar através da imaginação"... sempre estimulei isso, por acreditar que essa infância que nos faz aprender através do questionamento deve durar o máximo de tempo possível, já que depois seremos escravos das chatiçes da vida adulta para o resto de nossos dias... Mas, sabe... muita gente acha que hoje em dia devemos estimular as crianças a "amadurecer rapidamente"... muita gente acha que uma criança de 5, 6 anos, deve ser "esperto", "safo", deve ter "malícia", ou seja, muita gente achar que devemos passar às crianças os valores da vida adulta para que elas aprendam a se virar no mundo real... Esquisita essa lógica, né???


Quem não tem saudades da época em que acreditava em Papai Noel, em Coelhido da Páscoa, em Fada dos Dentes e até mesmo no "Homem do Saco"??? Quem não tem saudades dos tempos em que o maior perigo que se apresentava era a "Loira do Banheiro"???


Sei lá... muita coisa nessa vida a gente só compreende melhor quando tem filhos, sabe... Até porque antes disso muitas coisas não nos dizem respeito, mas a partir do momento em que você é responsável pela formação de um futuro cidadão, a partir do momento em que você tem que fazer o melhor que puder para que aquela pessoinha que você mais ama no mundo seja uma pessoa plenamente feliz, aí sim muita coisa passa a ter importância, e é nessas horas em que a gente consegue enxergar melhor quantos valores estão se perdendo... e me refiro a valores simples de infância, sabe... não estou falando de comportamento, de moral, não é nada disso...


Mas estou falando de criança ser criança, e poder ser criança sem que isso seja um problema... Estou falando da menininha que gosta de usar vestido cor de rosa com um lação atrás, e da outra que acha isso ridículo porque agora todo mundo tem que usar roupa do "Rebelde"... Do garotinho que gosta de jogar bolinha de gude, e da turma que o afasta porque é um absurdo não querer ir jogar aquele jogo de polícia e bandido no computador... estou falando das crianças que não pulam mais amarelinha, não pulam corda, não escutam a música do "Pato pateta que pintou o caneco", e não fazem isso não porque não gostam, mas simplesmente porque criança esperta hoje em dia tem que fazer outras coisas da moda...


Vivemos outros tempos, é lógico... hoje em dia a criança tem muito mais acesso à tecnologia, à informação, recebe estímulos desde muito bebês e isso faz com que aprendam tudo numa velocidade muito maior que no meu tempo, por exemplo... Mas quem foi que isse que a "evolução dos tempos" precisa ser, obrigatóriamente, uma renúncia às coisas simples??? Quem foi que disse que para ser modernos há que se abandonar as coisas do passado??? Nada disso é necessário, óbviamente... A única coisa necessária, extremamente necessária, é o bom-sendo, mas os adultos "sabem-tudo" nem sempre se lembram de usar o bom-senso...
Agora, me responda: Quem é que convençe as crianças desses modismos??? Quem é que estimula esse consumismo??? Quem é que esconde do próprio filho a diversão incomparável que pode ser uma brincadeira de pular corda??? Somos nós, os Adultos!!! Os verdadeiros Lobos-Maus da nova geração!!!


Que voltem os Bobbys!!! E viva o mundo imaginário!!!

Um comentário:

Flavia disse...

Concordo plenamente que estamos num mundo onde se tem muitos "rebeldes e boyzinhos", e se perdeu a inocência de brincar na rua, imaginar a fada dos dentes, a pena mágica, o papai noel, o coelhinho da páscoa, enfim ....
Hoje andamos na rua com medo de ser assaltados, e me pergunto como posso deixar eles brincarem na rua?
Mas ainda bem que há outras pessoas que, assim como eu, deixa o filho ser criança, pular, correr, ir com eles ao supermencado vestido de batman, peter pan ou sr. incrivel, de branca de neve, bela, etc.....e não ter vergonha de ser "criança", até onde aguentarem. Porque hoje em dia é tão difícil, mas tentamos, a nossa maneira, mas tentamos .
Ah!! que saudade da inocência...........Cabe a nós também preservar essa inocência, mesmo que seja pequena.
E viva o Bobby!!!